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Terça-feira, 28/11/2000
Aquele que por via de regra se sai mal

Julio Daio Borges




Digestivo nº 11 >>> Carlos Moreno, o garoto propaganda das mil e uma utilidades, está no Teatro Alfa, com uma bacia na cabeça, interpretando Dom Quixote. Simpático, o ator recebe a platéia à paisana enquanto troca amenidades sobre o dia-a-dia, as notícias de jornal, e o que mais se quiser falar. Limitado às vinhetas breves e caricatas da televisão (e das contra-capas), é no palco que Carlos Moreno desenvolve todo um repertório de expressões e personagens. Varre com segurança o espectro que vai do velho ao jovem, do homem à mulher, do corpo à alma. Seu Quixote principia pelo despertar do fidalgo, pela sagração do cavaleiro andante, e se encerra na suposta popularização do anti-herói, que tendo suas aventuras divulgadas em livro é elevado à categoria de celebridade. Na primeira meia-hora, retoma-se a fé cega de quem combate moinhos-de-vento pensando trata-se de gigantes. Logo depois, porém, opta-se pela leveza da comédia, que cresce demais no texto e afasta a ação do centro do romance de Cervantes. O saldo final é positivo, contudo.
>>> Teatro Alfa
 
>>> Julio Daio Borges
Editor
 

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