Além do Mais | Digestivo Cultural

busca | avançada
44715 visitas/dia
1,3 milhão/mês
Mais Recentes
>>> Banda GELPI, vencedora do concurso EDP LIVE BANDS BRASIL, lança seu primeiro álbum com a Sony
>>> Celso Sabadin e Francisco Ucha lançam livro sobre a vida de Moracy do Val amanhã na Livraria da Vila
>>> No Dia dos Pais, boa comida, lugar bacana e MPB requintada são as opções para acertar no presente
>>> Livro destaca a utilização da robótica nas salas de aula
>>> São Paulo recebe o lançamento do livro Bluebell
* clique para encaminhar
Mais Recentes
>>> Rinoceronte, poemas em prosa de Ronald Polito
>>> A forca de cascavel — Angústia (FUVEST 2020)
>>> O reinado estético: Luís XV e Madame de Pompadour
>>> 7 de Setembro
>>> Outros cantos, de Maria Valéria Rezende
>>> Notas confessionais de um angustiado (VII)
>>> Eu não entendo nada de alta gastronomia - Parte 1
>>> Treliças bem trançadas
>>> Meu Telefunken
>>> Dor e Glória, de Pedro Almodóvar
Colunistas
Últimos Posts
>>> Revisores de Texto em pauta
>>> Diogo Salles no podcast Guide
>>> Uma História do Mercado Livre
>>> Washington Olivetto no Day1
>>> Robinson Shiba do China in Box
>>> Karnal, Cortella e Pondé
>>> Canal Livre com FHC
>>> A história de cada livro
>>> Guia Crowdfunding de Livros
>>> Crise da Democracia
Últimos Posts
>>> Uma crônica de Cinema
>>> Visitação ao desenho de Jair Glass
>>> Desiguais
>>> Quanto às perdas I
>>> A caminho, caminhemos nós
>>> MEMÓRIA
>>> Inesquecíveis cinco dias de Julho
>>> Primavera
>>> Quando a Juventude Te Ferra Economicamente
>>> Bens de consumo
Blogueiros
Mais Recentes
>>> Ser intelectual dói
>>> O Tigrão vai te ensinar
>>> O hiperconto e a literatura digital
>>> Aberta a temporada de caça
>>> Se for viajar de navio...
>>> Incompatibilidade...
>>> Alguns Jesus em 10 anos
>>> Blogues: uma (não tão) breve história (II)
>>> Picasso e As Senhoritas de Avignon (Parte I)
>>> Asia de volta ao mapa
Mais Recentes
>>> O Livro da moda de Alexandra Black pela Publifolha (2015)
>>> Rejuvelhecer a saude como prioridade de Sergio Abramoff pela Intrinseca (2017)
>>> O livro das evidencias de John Banville Tradução Fabio Bonillo pela Biblioteca Azul - globo (2018)
>>> O futebol explica o Brasil de Marcos Guterman pela Contexto (2014)
>>> O Macaco e a Essencia de Aldous Huxley pela Globo (2017)
>>> BATISTAS, Sua Trajetória em Santo Antônio de Jesus: o fim do monopólio da fé na Terra do Padre Mateus de Jorgevan Alves da Silva pela Fonte Editorial (2018)
>>> Playboy Bárbara Borges de Diversos pela Abril (2009)
>>> Sarah de Theresa Michaels pela Nova Cultural (1999)
>>> A Bela e o Barão de Deborah Hale pela Nova Cultural (2003)
>>> O estilo na História. Gibbon & Ranke & Macaulay & Burckhardt de Peter Gay pela Companhia das Letras (1990)
>>> Playboy Simony de Diversos pela Abril (1994)
>>> Invasão no Mundo da Superfície de Mark Cheverton pela Galera Junior (2015)
>>> José Lins Do Rego- Literatura Comentada de Benjamin Abdala Jr. pela Abril Educação (1982)
>>> A modernidade vienense e as crises de identidade de Jacques Le Rider pela Civilização Brasileira (1993)
>>> Machado De Assis - Literatura Comentada de Marisa Lajolo pela Abril Educação (1980)
>>> A Viena de Wittgenstein de Allan Janik & Stephen Toulmin pela Campus (1991)
>>> O Velho e o Mar de Ernest Hemingway pela Círculo do livro (1980)
>>> Veneno de Alan Scholefield pela Abril cultural (1984)
>>> O Livreiro de Cabul de Asne Seierstad pela Record (2007)
>>> Os Dragões do Éden de Carl Sagan pela Francisco Alves (1980)
>>> O Espião que sabia demais de John Le Carré pela Abril cultural (1984)
>>> Administração de Materiais de Jorge Sequeira de Araújo pela Atlas (1981)
>>> Introdução à Programação Linear de R. Stansbury Stockton pela Atlas (1975)
>>> Como lidar com Clientes Difíceis de Dave Anderson pela Sextante (2010)
>>> As 3 Leis do Desempenho de Steve Zaffron e Dave Logan pela Primavera (2009)
>>> Curso de Educação Mediúnica 1º Ano de Vários Autores pela Feesp (1996)
>>> Recursos para uma Vida Natural de Eliza M. S. Biazzi pela Casa Publicadora Brasileira (2001)
>>> Jesus enxuga minhas Lágrimas de Elza de Almeida pela Fotograma (1999)
>>> As Aventuras de Robinson Crusoé de Daniel Defoe pela LPM Pocket (1997)
>>> Bulunga o Rei Azul de Pedro Bloch pela Moderna (1991)
>>> Menino de Engenho de José Lins do Rego pela José Olympio (1982)
>>> Terra dos Homens de Antoine de Saint-Exupéry pela Nova Fronteira (1988)
>>> O Menino de Areia de Tahar Ben Jelloun pela Nova Fronteira (1985)
>>> Aspectos Endócrinos de Interesse à Estomatologia de Janete Dias Almeida pela Unesp (1999)
>>> Nociones de Historia Linguística y Estetica Literaria de Antonio Vilanova- Nestor Lujan pela Editorial Teide/ Barcelona (1950)
>>> El Estilo: El Problema y Su Solucion de Bennison Gray pela Editorial Castalia/ Madrid (1974)
>>> El Cuento y Sus Claves de Raúl A. Piérola/ Alba Omil (profs. Univ. Tucumán pela Editorial Nova, Buenos Aires (1955)
>>> Las Fuentes de La Creacion Literaria de Carmelo M. Bonet pela Libr. del Collegio/ B. Aires (1943)
>>> As Hortaliças na Medicina Doméstica/ Encadernado de Alfons Balbach pela A Edificação do Lar (1976)
>>> A Flora Nacional na Medicina Doméstica de Alfons Balbach pela A Edificação do Lar
>>> Arlington Park de Rachel Cusk pela Companhia das Letras (2007)
>>> Muitas Vidas, Muitos Mestres de Brian L Weiss pela Salamandra (1991)
>>> As Frutas na Medicina Doméstica de Alfons Balbach pela A Edificação do Lar
>>> Coleção Agatha Christie - Box 8 de Agatha Christie; Sonia Coutinho; Archibaldo Figueira pela HarperCollins (2019)
>>> As Irmãs Aguero de Cristina García pela Record (1998)
>>> Não Faça Tempestade Em Copo Dágua no Amor de Richard Carlson pela Rocco (2001)
>>> Um Estudo Em Vermelho - Edição De Bolso de Arthur Conan Doyle pela Zahar (2013)
>>> Eu, Dommenique de Dommenique Luxor pela Leya (2011)
>>> Os Cavaleiros da Praga Divina de Marcos Rey pela Global (2015)
>>> O Futuro da Filosofia da Práxis de Leandro Konder pela ExpressãoPopular (2018)
DIGESTIVOS >>> Além do Mais

Segunda-feira, 19/8/2013
Além do Mais
Julio Daio Borges





Digestivo nº 493 >>> A aquisição do Washington Post por Jeff Bezos
O fundador da Amazon.com declarou, no ano passado, que os impressos não iriam durar mais 20 anos. Só que acaba de adquirir um jornal impresso, o Washington Post, e com dinheiro do próprio bolso. Ninguém entendeu, claro. Não é de hoje que o comportamento de jornais e de revistas tem sido errático. No Brasil, além da Gazeta Mercantil, recentemente acabou o Jornal da Tarde e o Estadão "minguou". Nos Estados Unidos, o maior jornal do mundo teve de vender suas instalações, em Nova York, e teve de se associar a um mexicano, Carlos Slim. Lá, as revistas morrem como moscas; aqui, inclusive os donos de revista. Enfim: a crise da imprensa não é um fato novo. Mas a aquisição de jornais, por bilionários, é. Começou a chamar a atenção com Warren Buffett, que se justificou dizendo que, para notícias locais, os jornais seguem imbatíveis. (Parece que, na reunião de seus acionistas, "funcionou".) E Rupert Murdoch, claro, já vinha colecionando impressos... (Mas ele fez isso a vida inteira!) Agora, Jeff Bezos? Vale lembrar que foi o mesmo sujeito que lançou o Kindle, estabelecendo um formato de livro eletrônico antes da Apple e antes de Steve Jobs. O que Bezos ― o mesmo varejista que "espreme" as margens das editoras ― pode querer com um dos títulos mais tradicionais dos EUA? Vale lembrar que o Washington Post derrubou um presidente, Richard Nixon, revelando ao mundo o escândalo de Watergate. É uma instituição da "América", como eles dizem. Mas à venda? Para alguns jornalistas, é como se um dos bilionários do Google tivesse arrematado a Biblioteca do Congresso. Ou como se Mark Zuckerberg, de repente, se tornasse "dono" de Harvard. Brasileiros reclamam das "famílias" que, aparentemente, "controlam" a mídia, mas os americanos já sentem falta das "dinastias" que, até ontem, "governavam" seu jornalismo. Imagine Eike Batista ― antes do estouro da bolha ― arrematando as Organizações Globo? Para alguns, é esse o nível de apreensão. Por outro lado, Jeff Bezos é um gênio. Do comércio eletrônico, ao menos. Tudo o que sabemos de "comprar na internet" foi a Amazon que inventou, ou aperfeiçoou. Jeff Bezos, como Steve Jobs, mudou o mundo. O que uma das mais brilhantes inteligências do século XXI pode fazer com uma indústria que remete ao século XIX? A pergunta volta sem resposta. Bezos, como Buffett, pode ter errado, também. Não há indícios de que os jornais vão se recuperar. E o que inviabiliza o formato é, justamente, haver instalações físicas: redações, impressão, logística... (Sendo que a "versão eletrônica" nunca pagou as contas...) Se Jobs não pôde salvá-los ― com o iPad ―, por que Bezos poderia? [Comente esta Nota]
>>> Why Donald Graham Sold the Washington Post to Jeff Bezos
 



Digestivo nº 493 >>> Vocabulários grego e latino da filosofia
Quantas bobagens proclamadas em nome da filosofia. É verdade que os filósofos são ridicularizados desde os tempos de Sócrates. No Górgias, o mestre de Platão infelizmente gasta tempo ouvindo impropérios. Pois é: se mesmo o filósofo que dividiu a História da Filosofia, tinha de aturar os estultos, ninguém está a salvo. E a filosofia, muito menos. Por essas e por outras, em vez de perder horas com filósofos, e filosofias, de segunda mão, dois livros da editora WMF Martins Fontes vêm em nosso socorro. São o Vocabulário grego da filosofia, de Ivan Gobry, e o Vocabulário latino da filosofia, de Jean-Michel Fontanier. No primeiro, simplesmente a origem de conceitos como o "bem" (agathón), a "virtude" (areté), a "justiça" (dikaiosýne), entre outros, muitos outros. Sendo menos um jeito de aprender grego do que uma maneira de entender por que a história do pensamento tomou o rumo que tomou. Gobry, basicamente, refaz a trajetória de cada palavra importante, desde os pré-socráticos, como Pitágoras, passando, obviamente, por Sócrates, Platão e Aristóteles, chegando até Plotino e, às vezes, Sexto Empírico. São discussões acaloradas sobre, por exemplo, o que cada um considerava "corpo", "alma" e "espírito". Sendo que muitas definições atravessam séculos, outras ficam esquecidas e algumas chegam até nós. Vale lembrar que a linguagem é uma criação humana. E que o nosso pensamento se construiu dentro do edifício da linguagem. Ou seja: nossos modos de pensar são herdados desses pensadores que, ao longo de milênios, consolidaram alguns vocábulos e, não, outros. No Vocabulário latino da filosofia, Fontanier começa evocando a declaração de Heidegger: "Não existe filosofia romana". Lembrando, no parágrafo seguinte, que ― apesar de Heidegger ― "por quase quinze séculos, o latim se converteu no veículo da filosofia ocidental". Desde Cícero até Leibniz, passando por santo Agostinho, santo Tomás, Descartes e Espinosa, o Ocidente pensou em latim. Nesse volume, expressões como aeterna veritas (verdade eterna), affectio, amicitia (amizade), humanitas, individuus, intellectus, entre outras. E já estão disponíveis os "vocabulários" de Pascal e Schopenhauer, entre outros volumes. Afinal, o uso das palavras varia mesmo dentro da obra de um único pensador. São livros de menos de 200 páginas, mas densos como poucos. E se estudar filosofia é, também, estudar o vocabulário filosófico, o leitor brasileiro tem a oportunidade rara de ir direto na fonte. Nem Gobry e nem Fontanier desejam falar da sua filosofia, mas, com a honestidade de dicionaristas, investigam cada termo, e o uso que dele fizeram os mestres, só os mestres. E, para quem acha que não gosta de filosofia, vale repetir que, tirando a parte técnica, filosofia nada mais é que a sabedoria ou o amor a ela. E, num mundo saturado de autoajuda, a filosofia nada mais é que uma fonte de primeira água. [Comente esta Nota]
>>> Vocabulário grego da filosofia | Vocabulário latino da filosofia
 



Digestivo nº 492 >>> Górgias, de Platão, por Daniel R.N. Lopes
Filosofia não é só uma questão de tradução. Claro, é importante dispor de textos, digamos, "canônicos" em nosso idioma. Ocorre que tão importante quanto a "versão brasileira" é o comentário. No caso de Platão, os textos podem ser lidos, em português, sem dificuldades. Mas sem uma introdução e sem notas... mais da metade da compreensão se perde. Reza a lenda que Platão abandonou seus versos aconselhado por Sócrates. Desistiu da carreira de trágico, mas acabou um grande dramaturgo escrevendo... diálogos filosóficos (!). Para quem vivia em busca da "verdade", a arte, a poesia, eram representação da realidade ― portanto, "simulacros". A verdade não estaria na arte, segundo Platão, por mais que essa nos fosse sedutora. Mas, como manifesta Sócrates ― a personagem maior do "teatro" de Platão ―, a verdade estaria nos discursos. Nos diálogos. No lógos. Assim, Platão subverteu a herança dos poetas trágicos, inspirados em Homero, para escrever diálogos. Foi maior que os trágicos? Foi maior que Homero? São perguntas sem resposta. Ou até perguntas que não fazem sentido, já diria Wittgenstein. A verdade é que o "teatro" de Platão, mais que encenação, é carregado de significados. Desde a entrada das personagens em cena até a sua saída, até a conclusão (ou o fim do diálogo às vezes sem conclusão), toda e qualquer refutação ou mesmo pergunta, de Sócrates, tem a sua razão de ser. E as personagens vão discutindo filosofia, aparentemente, como numa conversa. Grande parte da complexidade do vocabulário filosófico, exigindo léxicos e mesmo dicionários, surgiu depois de Platão. De Aristóteles, por exemplo, não temos diálogos. Temos, apenas, o que o Estagirita escreveu para os já iniciados em filosofia. De Platão, pelo contrário, dispomos dos diálogos ― que eram veículos para disseminar a filosofia entre não-iniciados. Portanto, a enganadora simplicidade dos diálogos de Platão esconde mais de dois mil anos de interpretações... Com a preocupação de explicar o que parece simples, a editora Perspectiva trouxe uma edição do Górgias, diálogo de Platão, com tradução, introdução e notas de Daniel R.N. Lopes, doutor em grego clássico pela Unicamp. O livro é, no dizer do tradutor, "fruto parcial" de sua pesquisa de doutorado, entre 2003 e 2007. Contudo, não tem nada de acadêmico (no mal sentido da palavra). O volume é legível, a escrita flui e qualquer pessoa alfabetizada pode tirar proveito da introdução e do mesmo Górgias. A inteligibilidade não descarta a complexidade dos raciocínios, que são árduos. O Górgias não é dos primeiros diálogos de Platão. É uma obra de transição. Mais ambiciosa que as primeiras. Lançando conceitos que seriam trabalhos em realizações mais vultuosas, como A República. Diz o lugar-comum que o Górgias trata da retórica, mas é muito mais que isso. Da retórica, que seria uma maneira de convencer os interlocutores de virtualmente qualquer coisa, passa-se a uma discussão sobre a justiça. Afinal, a retórica poderia ser usada, como uma arma, para cometer injustiças. Mais ou menos como muitos advogados, em nossa época, são acusados de fazer. Além de duvidar que a retórica possa nos levar à verdade, Sócrates, inclusive, questiona que o "rétor", o praticamente da retórica, professe algum tipo de saber. Pois convencer alguém de alguma coisa, eventualmente, implicaria em ostentar um saber que não se tem. O que Sócrates acharia da propaganda hoje? E do marketing? E das celebridades? Se para Sócrates, e Platão, a fama era "o perfume dos atos heróicos", qual classificação daria para o conceito de fama atual? Às vezes parecemos tão longe dos antigos valores... (Ou, por sua corrupção, talvez perto de retomá-los.) Sócrates, igualmente, foi criticado. Nem precisamos lembrar que o condenaram à morte. No Górgias, uma personagem sugere que Sócrates deveria "abandonar a filosofia" e "se voltar a coisas de maior mérito". De Sócrates, restou a filosofia. E, dessa personagem, o que restou (além de uma participação em um famoso diálogo de Platão)? [Comente esta Nota]
>>> Górgias, de Platão, por Daniel R.N. Lopes
 



Digestivo nº 489 >>> Como tirar proveito de seus inimigos, de Plutarco
Na era das redes sociais, a amizade é quase uma obrigação. Uma competição? Ou se é "amigo", ou não se é nada. Ser "amigo" é existir; não ser "amigo" é, simplesmente, não ser. Na aritmética dos grandes números da internet, só a adição conta. O "gostar" é computado; já o "desgostar"... nem é contabilizado. No mundo encantado do Facebook, onde só existem "amigos" e o "gostar" é quase uma regra, como admitir uma palavra como... "inimigo"? Depois de ter um milhão de "amigos", um único e escasso "inimigo" ainda é concebível? Nesse sentido, Plutarco soa meio fora de moda: quem "tira proveito" de seus inimigos é porque tem inimigos, ou não? Mas... "inimigo"... isso ainda existe? Plutarco, apoiando-se no "sábio" Quílon ― um dos biografados por Diógenes Laércio ―, alerta que só não tem inimigos quem não tem... amigos! Mas o "amigo", para Plutarco, não é aquele da citação mordaz de Oscar Wilde ("Um amigo nunca te dará uma facada pelas costas ― só pela frente"). Uma pessoa sem inimigos é tão rara quanto... um país sem animais ferozes, Plutarco analisa. Se você já sentiu os efeitos da inveja alheia, já foi alvo de ataques de ciúme (alheio) e já despertou a concorrência... é porque... provocou inimizade(s). (Mesmo que sem querer.) O conselho de Plutarco, nesse livro, é no sentido de "tirar proveito" desses sentimentos negativos, dessas situações ruins. Mas como? Ele recorre ao exemplo da água salgada: "A água do mar é pouco potável e tem mau gosto; mas sustenta os peixes, favorece os trajetos em todos os sentidos, é uma via de acesso e um veículo para aqueles que a utilizam". Inimigos, explica Plutarco, incentivam a "viver com cautela". Também "a prestar atenção em si". Ainda: "a nada dizer (ou fazer) irrefletidamente". O inimigo "útil" inspira cuidado e vontade de viver "de maneira virtuosa e irrepreensível". Quer dizer que o inimigo é um aliado da virtude? (Como assim?) Oscar Wilde, agora, nos socorre: "Escolho meus amigos pela beleza; meus inimigos, pelo caráter; e meus inimigos... pela inteligência". Plutarco conta que, "quando pensavam e diziam que o poderio romano estava fora de perigo (após a destruição de Cartago e a sujeição da Grécia)", Nasica, político de então, advertiu: "Pois bem, é agora que estamos em perigo! Porque não sobraram rivais... que possam nos inspirar vergonha ou medo". Volta Diógenes Laércio, a quem indagaram, certa vez: "Como me defenderei contra meu inimigo?". Ele foi taxativo: "Tornando-te tu próprio virtuoso". A dica é: "deter-se menos na má intenção que o (inimigo) nos dirige" e mais no "serviço real" prestado por ele. César, ao reerguer as estatuas triunfais de Pompeu, recebeu de Cícero o seguinte elogio: "Reerguendo as estátuas de Pompeu, consolidaste as tuas". Assim escreve Plutarco. "Os insensatos maltratam suas amizades... enquanto os sensatos... sabem dirigir para seu proveito mesmo as inimizades" (grifo nosso). E Xenofonte: "É próprio de um homem ponderado tirar proveito [até] de seus inimigos". Logo: da próxima vez em que for, virtualmente, "desfazer uma amizade", (re)considere a sua "utilidade" ― apesar do "desgosto" que ela lhe provoque. [Comente esta Nota]
>>> Como tirar proveito de seus inimigos
 



Digestivo nº 488 >>> O Twitter de Bill Gross
Quando Steve Jobs morreu, no meio da chuva de homenagens, Bill Gross "postou" uma foto emblemática. Jobs, num encontro amistoso com seu arquirrival, Bill Gates, e, no meio deles, Mitch Kapor, fundador da Lotus. O encontro havia ocorrido no final da década passada, os três sorriam e demonstravam uma intimidade da qual o resto do mundo não participava. Já haviam se encontrado, claro, em outras situações. Por exemplo, no ínicio da era do computador pessoal (anos 80). Quando Jobs comandava a indústria com o primeiro Macintosh, Gates produzia uma parte do software e Kapor, a outra parte. Jobs, então um menino prodígio, ainda não havia sido expulso da Apple. Gates ainda não dominara o mundo, com a Microsoft (algo que só ocorreria na década posterior). E Kapoor não havia vendido a Lotus para a IBM. Era um outro mundo e, embora Jobs já despontasse, Gates e Kapoor estavam, praticamente, debutando. Na foto recente de Bill Gross, contudo, eram como velhos conhecidos se reencontrando, depois de um evento qualquer da indústria. Conversavam com a liberdade de ex-colegas de faculdade... Onde Gross conseguira aquela foto, tão íntima, tão pessoal, tão reveladora? São perguntas que nos fazemos, diante de conteúdos tão especiais que ele "posta". Bill Gross é da mesma geração de Jobs, Gates e Kapor. Já teve uma empresa vendida para a Lotus e, desde meados dos anos 90, é a cabeça por trás da incubadora Idealab, que trouxe à luz iniciativas como o Picasa, o Answers.com e o GoTo.com. Seu perfil fala em mais de 100 empresas fundadas em 30 anos. Apesar dessa atividade incessante, Gross ainda consegue tempo para soltar microposts regularmente. E participar de eventos, que, como um jornalista honorário, cobre em tempo real. A exemplo de Tim O'Reilly, da O'Reilly Media, esteve nos primórdios da computação pessoal, brilhou na era da internet e assiste, de camarote, à ascensão da era pós-PC. Como viu muita coisa, conheceu todo mundo, testemunhou o nascimento e morte de tantos empreendimentos, é um observador privilegiado, emite juízos sábios e despacha tweets iluminadores. Ao contrário dos feeds, e seus readers, que sobrecarregavam mesmo um usuário experimentado como Robert Scoble, o Twitter tem essa propriedade de mostrar um "recorte" das "postagens" num determinado instante. Claro, é possível voltar no tempo, mas os tweets nunca se acumulam, como as assinaturas dos feeds ― que produziam o efeito de uma caixa de e-mail irremediavelmente lotada... Não temos mais Steve Jobs. Bill Gates anda mais preocupado com os destinos da humanidade (será que ele tem vocação?). Enquanto Mitch Kapor não é exatamente o tuiteiro mais aplicado. Felizmente, Bill Gross é uma cérebro dessa mesma leva ― só que ao nosso alcance, e em plena atividade. Nem todos os homens de ação se adaptaram às ferramentas de publicação. Mas, quando isso ocorre, temos de acompanhar. Vida longa ao Twitter de Bill Gross. [Comente esta Nota]
>>> Twitter de Bill Gross
 
Julio Daio Borges
Editor
mais além do mais | topo


Digestivo Cultural
Histórico
Quem faz

Conteúdo
Quer publicar no site?
Quer sugerir uma pauta?

Comercial
Quer anunciar no site?
Quer vender pelo site?

Newsletter | Disparo
* Twitter e Facebook
LIVROS




LOGÍSTICA EMPRESARIAL
BOWERSOX E CLOSS
ATLAS
(2001)
R$ 111,00



A MONTANHA PARTIDA ( O MISTÉRIO DA EXPEDIÇÃO)
ODETTE DE BARROS MOTT
BRASILIENSE
(1970)
R$ 9,00



ENDIREITE SUAS COSTAS
JOSÉ KNOPLICH
IBRASA
(1989)
R$ 9,00



QUERIDO JOHN
NICHOLAS SPARKS
NOVO CONCEITO
(2010)
R$ 12,00



CICATRIZES: RELATOS DE VIOLÊNCIA SEXUAL
DALILA PENTEADO
PALAVRA & PRECE
(2009)
R$ 15,00



SUPERINTERESSANTE 221 QUANDO A VIDA TERMINA?
VÁRIOS AUTORES
ABRIL
(2005)
R$ 5,90



ALEGRIA E TRIUNFO
LOURENÇO PRADO
PENSAMENTO
(1975)
R$ 25,90



UMA CHANCE DE SER FELIZ
BARBARA DELINSKY
BEST SELLER
(2003)
R$ 10,00



SELETA EM PROSA E VERSO
CASSIANO RICARDO
JOSE OLYMPIO
(1975)
R$ 5,00



GRANDE DICIONÁRIO BRASILEIRO DE CONSULTAS E PESQUISAS ILUSTRADO VOL VIII
NÃO INFORMADO
NOVO BRASIL
(1979)
R$ 10,00





busca | avançada
44715 visitas/dia
1,3 milhão/mês