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Domingo, 14/7/2019
Blog
Redação

 
É cena que segue...

Cena do filme 'O Filme da Minha Vida', Selton Mello, 2017


Já se passaram dois anos desde que iniciei este blog, mas ainda me faço a mesma pergunta após cada sessão: Como escrever sobre esse filme? Muitas vezes me peguei ensaiando sobre a influencia do cinema em nossa realidade, ou o contrário. Outras vezes apenas dissertei sobre o que foi visto apenas como uma forma de entretenimento. Mas o que eu tive certeza em todo esse tempo (e muito antes disso) é que enquanto o cinema existir, hei de escrever sobre ele. Algumas vezes, terei mais sessões, quase dez por semana, em outras bastará uma ou duas, ou até mesmo nenhuma. Faz parte da vida de um cinéfilo.

Mas nem tudo que digo é verdade, tão pouco mentira. Cada espectador diante da tela grande assiste o seu filme. Desde Einstein poucas coisas podem ser definidas como certas ou erradas. Mas é fácil, também necessário, falar sobre o que amamos. O espectador se vê diante de um filme, como Tony Terranova olha para Luna em muitas das cenas de 'O Filme da Minha Vida', o amor é instantâneo, quer dure durante a sessão, quer passe por anos de reprises. Olhamos a tela do Cinema como se fosse uma janela. Nela vemos vida e histórias que anseiam por finais, mesmo que nem todos sejam felizes.

E foi dentro e fora da tela que nesses últimos dois anos vivi experiências incríveis. Conheci personagens e lugares sensacionais. Algumas vezes estive por ruelas estreitas em A Palestina Brasileira, outras em uma lanchonete perdida em alguma esquina de Vitória, sempre em boa companhia, com boas histórias para viver e contar. Foram festivais de cinema dos quais nunca imaginei participar, filmes que me trouxeram muitas surpresas e decepções. Mas é importante a análise de ambos os casos, é tudo uma questão de entendimento.

Aqui pode-se encontrar uma grande variedade de gêneros. Partimos de um bom western para aquele drama que acaba com um nó na garganta. Ou até uma típica comédia da sessão da tarde para um intenso Bergman. A Lanterna Mágica é exatamente aquilo que diz, breves comentários sobre a sétima arte, mas a questão persiste: Como escrever sobre esse filme?

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Postado por A Lanterna Mágica
14/7/2019 às 11h36

 
O Mundo Nunca Foi Tão Intenso Nem Tão Frágil


O mundo nunca foi tão intenso nem tão frágil! Essa é a conclusão imediata que se tem ao assistir “Years and Years”, série da HBO que retrata um futuro próximo em constante e abundante transformação. Dessa forma, a história parte dos dias atuais e vai seguindo ao retratar uma família com diversos personagens que sempre foram tabu na sociedade de fundo sexual, individual, no conflito de gerações e incrivelmente se deparando com “Terra Planistas”, que defendem uma vida retrógrada e renegam fatos comprovados da ciência.

Sendo assim, a série abusa das possibilidades do que virá a seguir e chega num primeiro momento a conclusão que de tanto evoluir, o mundo está voltando a seus primórdios e apesar de toda a tecnologia, ninguém deixou de ser humano, agindo com toda a visceralidade dos primeiros dias de existência. E mesmo como uma obra de ficção, “Years and Years” aponta os caminhos do futuro imaginado, onde não surpreendentemente a tecnologia impera cada vez mais na vida das pessoas, excluindo a maioria, causando dependência e solidão.

Quanto a cenografia, ninguém vive a la “The Jetsons”, com carros voadores e casas suspensas, mas os robôs estão presentes em praticamente todas as áreas e as pessoas querem existir para sempre como consciência na nuvem. Algo que não é aprovado por toda a população, dessa maneira a sociedade entra em conflito, numa guerra política e ideológica, onde culmina num quase fim de mundo com bombas nucleares e a população numa balburdia do “salve-se quem puder”. Tudo isso só no episódio piloto onde são 6 ao todo. O que virá por aí os próximos capítulos podem prever, mas como no acertado nome da série, o que acontecerá de verdade só os anos e anos dirão.

Fazendo uma análise do seriado trazido aos dias atuais, podemos perceber facilmente que a modernidade atrelada a tecnologia e a burocracia, ironicamente estão dificultando o desenvolvimento da sociedade como um todo. Não que seus avanços sejam ruins, mas o fato de não atingir a todos que desejam desfrutar de seus benefícios.

Desse modo, praticamente nenhum sonho hoje em dia é simples, para uma população que vive em países dilacerados pela fome e a guerra. Onde até as mais abastadas nações têm grandes ambições, muitas vezes inalcançáveis, sofrendo um eterno desconforto e insatisfação com as realizações da vida. Ninguém tem culpa disso, nem está errado em querer algo melhor, pois toda a mídia e marketing se fazem cada vez mais presentes sob todas as formas e de fato conseguem girar a economia universal.

Porém, tudo isso faz com que pessoas se lancem em perigosas e irresponsáveis aventuras, arrastando crianças exaustas pela mão e quase sendo mortos na próxima esquina. Tanto esforço para acabar como potencial alvo das estatísticas da violência ou para que no fim esteja sujeito as guerras de líderes inescrupulosos que podem encerrar o jogo num apertar de botão ou da própria natureza louca e descontrolada pelos feitos do homem.

Por fim, segue a reflexão de que progredir, avançar e inovar não é errado, pois a humanidade possui inteligência, criatividade e muitos outros atributos justamente para isso. O que está errado é a forma como é feito e distribuído no geral. Formando para o futuro uma geração de despatriados, descrentes e frustrados, que se sobreviverem a tudo, para onde irão? Será que o caminho avança ou retrocede em busca de valores descabidos? O filme “A Vila” de M.Night Shyamalan tem uma interessante concepção sobre o assunto.

Lembrando que, em tempos mais simples, o mundo era explorado por viajantes e aventureiros sem muros que o conquistaram e o construíram para quem o divide agora. Só uma de muitas e intensas questões unindo passado, presente e futuro.



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Postado por Blog de Camila Oliveira Santos
8/7/2019 às 21h37

 
João Gilberto

Se existe uma música popular brasileira - e, no mundo inteiro, ela pode ser reconhecida como tal - devemos isso à bossa-nova, portanto, devemos isso a João Gilberto.

Ele não gostava do termo - e preferia falar em samba - mas é inegável que, como intérprete, João Gilberto foi um divisor de águas na música brasileira.

Para quem duvida, basta ouvir os registros das canções de Tom Jobim no tempo do samba-canção. João Gilberto precisava de um compositor, é fato, mas Tom Jobim também precisava de um intérprete - e sem esse encontro, e sem as letras de Vinicius de Moraes, estaríamos ainda presos aos “boleros” e não haveria o que chamamos de “MPB”.

São conhecidos os relatos de Chico Buarque, Caetano Veloso e Gilberto Gil, entre outros de sua geração, sobre o acontecimento estético que foi a audição de João Gilberto. Se não fosse por ele, Caetano Veloso teria continuado a fazer cinema; Chico Buarque teria insistido na arquitetura; e Gilberto Gil permaneceria funcionário da Gessy Lever.

E nem é preciso ser fanático por música brasileira para perceber o talento de João Gilberto para reduzir o “samba” a um mínimo de elementos. Se pudéssemos comprimir a trilha sonora do Brasil em uma cápsula - e lançá-la no espaço-tempo -, esta cápsula seria a música de João Gilberto.

Sua síntese é tão essencial que suas interpretações não envelhecem - e seus registros continuam modernos, há mais de meio-século. Não podemos dizer o mesmo da própria MPB - e, muito menos, do que veio depois dela...

A forma definitiva que João Gilberto deu a algumas composições se tornou um desafio para intérpretes depois dele. Os mais inteligentes, como Elis Regina e Wilson Simonal, não se atreveram a se ombrear com ele - e seguiram pela rota oposta: a dos cantores que cantavam “para fora”; a dos cantores “com voz”.

Os críticos vão dizer que João Gilberto abriu caminho para cantores “sem voz”, mas a culpa é tanto dele quanto é do microfone ou do registro fonográfico. Ou do século XX, ou da “indústria”...

O lado ruim do seu gênio obsessivo é que nos deixou, relativamente, poucos registros. (Ou, talvez, isso seja um mérito.) E os conhecedores são unânimes em afirmar que toda a sua arte está contida nos três primeiros LPs.

Justamente aqueles que não estão mais disponíveis - pois, contra sua versão em CD, João Gilberto se insurgiu, na década de 90, e eles ficaram “fora de catálogo” desde então. Por mais perfeccionista que João Gilberto seja (e por mais que tenha razão na contenda): Que perda para o gosto musical das novas gerações!

Todo o folclore sobre a sua personalidade “sui generis”, digamos assim, foi explorado mais do que o recomendável. (E devemos silenciar a respeito.) Já seus amores - ou desamores - se tornaram um capítulo final triste, na disputa pelo seu espólio.

Pensando em Vinicius, que nos deixou em 1980, e em Tom, que nos deixou em 94, talvez devamos guardar, de João Gilberto, não os seus últimos anos, em manchetes nada musicais, mas, sim, seu último registro em disco, o “Voz e Violão”, de 1999.

Entre versões de Caetano e Gil - talvez por insistência do próprio Caetano, que era o produtor -, João ainda nos brindou com uma pérola de Tom Jobim, “Você vai ver”, polida por ele, naturalmente. E, mais uma vez, afirmou: “Eu sou do samba, pois o samba me criou”. Fechando com “Chega de Saudade”, o começo de tudo...

Tom Jobim costumava dizer que o Brasil precisava merecer a bossa-nova. Pois, antes dela, o Brasil precisa merecer João Gilberto.

Para ir além
"João Gilberto na Casa de Chico Pereira" e "Basta João" ;-)

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Postado por Julio Daio Bløg
8/7/2019 às 12h20

 
Pelagem de flor III: AMARELO

Das sementes da papoula floresceu
o pelo-de-topázio. Carregando fardo ameno,
ele resfolega atento ao que lhe pulsa
entre as veias e as costas.

Molhando-lhe o dorso, escorre a seiva
da amazona de lírios, que ao repouso
lhe roça o falo com sedução.
E lábios de pétalas.

Vindo do Leste, ele acorda os pássaros.
Meu cavalo da manhã despertando
para o coito.

Meu cavalo de sol carregando
a vida. Que o recebe em berço
de gozo.


(Do livro O camaleão no jardim

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Postado por Blog da Mirian
6/7/2019 às 08h48

 
Opção de cada um

Trilhando os caminhos da vida, percebi que ninguém é de ninguém, cada um segue o próprio caminho. Em nada adianta apontar o sentido da ida, quando o individuo deseja trilhar na direção oposta.

Por que dessa mania de achar que o bom para si, também o será para o outro? Nem sempre o que serve para um, encaixa-se no perfil do outrem.

Tudo na vida tem causas e efeitos. Logo cada pessoa deve assumir os efeitos provocados pelas causas exclusivas de seus atos, ou seja, de suas opções no decorrer de sua vida.

Há indivíduos, que optam por famílias fora da sua família de sangue. Há pessoas que buscam amigos, fora do meio social em que vive. Outros preferem o isolamento social e geralmente se recolhem em datas festivas. Que mal há nisso? A opção é única e exclusiva desses indivíduos.

Existe, porém, uma marcante diferença, entre aqueles que dão preferencia a convivência grupal, familiar de sangue e aqueles que buscam refúgios entres outros grupos que não os seus.

No geral os grupos familiares de sangue, estão sempre prontos para sanearem as dificuldades que se apresentem aos membros da família. Diferentemente do grupo de aderência, que ao perceberem as derrocadas dos indivíduos se afastam deixando-os a própria sorte.

No Brasil são comuns em certas datas do ano as famílias se reunirem para comemorarem juntas as festividades culturais.

Como é gostoso, sabermos dividir sorrisos e partilhar estórias vivenciadas individualmente ou na coletividades.

Qualquer que seja o vínculo, é bom estar junto, sorrir junto. A coletividade e a parceria é sempre bem melhor que o individualismo, penso eu, mas viva a liberdade de opção,

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Postado por Blog Feitosa dos Santos - Prosas & Poemas
4/7/2019 às 23h24

 
Em segundo plano

Recentemente assisti a uma palestra sobre novas tendências pedagógicas. É o tipo de prática que faço para melhor compreender os meandros dos círculos dantescos deste submundo chamado pedagogia: um inferno criado por gente que não habita nele.

Nesses casos, é comum o conferencista utilizar-se de perguntas retóricas para criar a impressão de genialidade; indagar sua plateia sobre algo aparentemente óbvio, mas que, ao mesmo tempo, deixa a todos surpresos, sugerindo que todos somos ingênuos. Noutras palavras, é comum o conferencista valer-se de algo tão antigo como o é a pergunta retórica. Nessa palestra, foi a vez de: “Vocês sabem onde está o conhecimento?”. Como de praxe, esperou poucos segundos para, em seguida, sacar seu smartphone modernoso do bolso e responder: “Está aqui, na palma da mão”. Pensei: “Não seria mais adequado se o conhecimento estivesse no cérebro?”.

Seu intuito era, obviamente, endossar a concepção de que o aluno é cada vez mais independente; de que o aluno sabe e tem autonomia para buscar suas respostas; de que o professor é um mero intermediário, em grande parte desatualizado e que não pode ser o “detentor do conhecimento”. O smartphone passou a ser. Facilmente confundem-se os meios com os fins: o ensino é direcionado para a tecnologia, não para o aprendizado.

É um gesto que me espanta em vários aspectos. O primeiro deles é que tudo isso é apresentado como se fosse novidade, isto é, a tecnologia sobrepondo-se às formas tradicionais de conhecimento; no entanto, isso é tão antigo quanto a espécie humana. Quando vejo um entusiasta, como aquele palestrante, elevar a tecnologia e o aluno, exaltando sua autonomia e independência, vejo que o universo possui um ritmo cíclico e, naquele momento, ele está se atualizando.

Imagino o seu equivalente: um vendedor de livros, logo depois que a imprensa foi inventada, com uma pasta debaixo do braço, uma mala no chão, na porta de um mosteiro. O vendedor manuseia o livro debaixo dos olhos espantados de um monge, e diz: “Veja só! Agora não é mais necessário o trabalho dos copistas; basta armazenar esse instrumento na biblioteca para ter o conhecimento ali. Não é mais preciso memorizar nenhum livro; basta guardá-lo na estante”.

Quando a relação entre conhecimento e tecnologia está em jogo, a segunda tende a ser valorizada por aqueles que não estão diretamente envolvidos com o conhecimento. A invenção da escrita fez surgir o copista; a invenção da imprensa, o editor; o smartphone, palestrantes entusiastas. E, nesse processo, o conhecimento permaneceu, e permanecerá, em segundo plano.

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Postado por Ricardo Gessner
16/6/2019 às 18h58

 
Mirage, um livro gratuito

No fim de 2018, o estúdio de design Coverge lançou uma chamada para criações literárias, artísticas e fotográficas com o tema “Visceral”. Segundo palavras dos idealizadores, as histórias deveriam contemplar características de “horror passivo”.

As produções seriam reunidas em uma antologia que, por sua vez, integraria o projeto Delírios. Voltado para expressões artísticas de cunho fantástico, a iniciativa pretende dar oportunidade para escritores e artistas independentes divulgarem seu trabalho, que recebe os cuidados editoriais da equipe da Coverge. O primeiro lançamento do projeto Delírios aconteceu em agosto de 2018 e foi a coletânea de contos cyberpunk ACID+NEON.

As obras enviadas para “Visceral” foram numerosas e diversas, o que motivou a equipe da Coverge a lançar duas antologias: Carcoma e Mirage. Os livros foram organizados por Washington Albuquerque, Castro Pizzano, Cláudya Spíndola e Hezi Santos.



Eu tive a oportunidade de contribuir com o conto “Desejo Sangrento” na coletânea Mirage. Os livros podem ser baixados gratuitamente nos links abaixo.

MIRAGE
CARCOMA

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Postado por Luís Fernando Amâncio
8/6/2019 às 12h15

 
A MECÂNICA CELESTE

Aura dos Anjos estranhou não acordar com o canto do galo Dioscórides que invariavelmente aos primeiros albores da manhã exercia, com pontualidade, o ofício que a natureza lhe dera. Abrindo a janela do quarto, notou que, apesar da hora, a lua continuava boiando, soberana, no alto do céu, absolutamente alheia à tirania dos relógios e às leis da mecânica celeste. Saiu então apressada para o quintal rumo ao galinheiro, onde, empoleirado, o galo dormia a sono solto, a crista caída, as asas recolhidas. Ora essa, murmurou com seus botões, já são oito e vinte e o sol ainda não nasceu! Entregue às suas cismas, quase esbarrou na avó Mariquinhas que, de mortalha arrepanhada, arrancava uns pés de margaridas para fazer seu desjejum. Vó Mariquinhas, que é que a senhora está fazendo aqui? Seu lugar é lá no cemitério, disse a menina. Então, com muita paciência, sua avó explicou que nos dias de Lua Cheia os mortos voltavam ao mundo dos vivos para completar tarefas deixadas em meio, e coisas assim. No seu caso, por exemplo, era urgente trocar a mortalha pela roupa luto fechado dos domingos de plenilúnio, pois deixara de assistir à missa quando fora levada para o Além. Acompanhada pela avó, Aura dos Anjos entrou em casa, acendeu o pavio da lamparina e correu a chamar os pais em seu socorro, mas nem os gritos da menina para que se levantassem; nem os tapinhas que deu nos seus rostos foram suficientes para acordá-los de seu sono de pedra. Deus meu!, exclamou assombrada, eles estão mortos. E desatou num choro convulsivo. Não estão não, tranqüilizou-a avó, quer dizer, estão e não estão. Como assim?, perguntou a neta entre soluços. É que, nos dias de Lua Plena, quando o sol não nasce cedo, os vivos entram em estado de letargia, pois, do contrário, sua convivência com os mortos acabaria por afetar-lhes a razão. Mas você, minha neta, ainda não está preparada para entender dessas coisas. Na igreja, onde as imagens estavam cobertas de roxo, o Monsenhor Rezende, ostentado um solidéu desbotado e a estola puída, ainda retirando aos piparotes uns grãos terra da batina apodrecida, iniciara sua prédica do alto do púlpito, quando a avó entrou no templo, onde um punhado de defuntos atentos assistiam ao ofício. Quando o relógio da torre da igreja ecoou as cinco badaladas da antemanhã do novo dia, o galo Dioscórides, abrindo freneticamente as asas, empinou a crista e soltou seu canto, anunciando o retorno da tirania dos relógios e o restabelecimento das leis da mecânica celeste. Muito esquisito isso! Quando acordei eram oito e vinte da manhã... Será que o tempo está andando pra trás?, perguntou-se a garota. A mãe de Aura dos Anjos acordou estremunhada com o canto do galo e apressou-se no preparo do café da manhã, lamentando a ausência da filha, que sempre a poupava daquela tarefa. Felizmente, pensou, o marido ainda dormia, porque, se levantasse com o café ainda por fazer, desataria num destampatório do tamanho do mundo, acusando a mulher de desmazelo e culpando a filha por ter morrido de nó nas tripas depois de devorar uma jaca inteira com caroço e tudo. Levando a mão à boca para conter um grito de susto, a mãe, que ainda não se habituara a perda filha, deparou-se com o bule fumegante na trempe do fogão de lenha. Depois, firmando-se nas pernas bambas, lembrou com orgulho que a filha era assim mesmo: nunca deixava de fazer o café da manhã. E sua filha mais uma vez preparara o café para a mãe. Para a avó Mariquinhas, católica fervorosa em vida, ou a menina era dotada de poderes desconhecidos ou estava morta mesmo e seu espírito ainda não de desprendera do lugar em que vivera. Conhecia casos assim em que os mortos agiam como se existissem, repetindo a rotina quotidiana, como rezava a tradição oral de seu povo desde tempos imemoriais. Era esse o mistério que dava continuidade ao mistério da vida: um mistério dentro de outro mistério, igual àquelas bonecas russas, as chamadas matrioskas, umas dentro das outras e todas dentro de uma só.

Ayrton Pereira da Silva



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Postado por Impressões Digitais
1/6/2019 às 18h01

 
Lançamento de livro

Durante o evento Pensar Edição Fazer Livro, já divulgado aqui, haverá o lançamento do segundo livro da coleção Pensar Edição, publicada numa parceria entre as editoras Moinhos e Contafios, de Belo Horizonte, que pretendem compor um catálogo de obras sobre estudos do livro e da edição. O primeiro volume foi Livro - Edição e tecnologias no século XXI, de autoria da professora e escritora Ana Elisa Ribeiro. O segundo volume, com lançamento previsto para o dia 1 de junho, às 16h30, no Sesc Palladium, é Literatura infantil e juvenil - campo, materialidade e produção, organizado por Marta Passos Pinheiro e Jéssica Tolentino, ligadas ao CEFET-MG. Entrada franca. A obra será vendida por R$ 45 e pode ser encontrada no site da editora Moinhos.


LeP



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Postado por Ana Elisa Ribeiro
30/5/2019 às 13h26

 
Jornada Escrita por Mulheres

A I Jornada Escrita por Mulheres, na Faculdade de Letras da UFMG, acontece em 29 de maio, ao longo do dia, com atividades voltadas à produção de escritoras brasileiras. O evento é gratuito.


LeP



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Postado por Ana Elisa Ribeiro
23/5/2019 às 16h09

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