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Sexta-feira, 16/3/2007
TV pública ou estatal?
Guilherme Conte

Com muita falação - e pouca informação - na mídia a respeito do antiprojeto de criação de uma TV pública aqui no Brasil, fica mais uma vez patente a falha da imprensa em geral (com algumas poucas e honrosas exceções) em um de seus papéis essenciais: informar, esclarecer, elucidar.

Este colunista quer crer que não é nem ingênuo nem daqueles que vêem conspiração em tudo. Porém, vê com ceticismo esse tipo de ausência de debate. Há casos e casos. Em alguns, despreparo. Em outros, genuíno desejo de não esclarecer. Em outros ainda, as duas coisas.

Alberto Dines levantou questões interessantes em sua coluna no Observatório da Imprensa. A confusão, neste caso da TV, vem de berço: é uma TV pública ou uma TV estatal? Há diferenças cabais entre as duas coisas. São quase contrários.

Muito se lê por aí sobre o diz-que-diz de ministros para lá e para cá e pouco sobre o que realmente importa. Nas palavras de Dines: "está comprovado que o cidadão médio não sabe a diferença entre público e estatal e a mídia não está interessada em desfazer esta confusão".

Uma TV pública recebe recursos do governo mas (acredite) tem autonomia de gestão. Além disso, abarcam emissoras educativas. Por não terem que concorrer com emissoras comerciais podem teoricamente levar ao ar uma programação diferenciada e de qualidade.

Já uma TV estatal, além de receber recursos governamentais, é controlada pelo Estado. Sua programação consiste em divulgação e promoção de seus feitos, além de fazer sua defesa. Algo bem diferente de uma emissora pública.

Uma discussão honesta e ampla sobre o assunto é fundamental. Não só pela filosofia da emissora, mas também pelo que ela representa de ônus aos cofres públicos: o orçamento inicial é de R$ 250 milhões.

Onde há fumaça, há fogo. Será que a mídia vai continuar se ausentando do debate?

Guilherme Conte
16/3/2007 às 15h56

 

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