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Sexta-feira, 18/5/2007
Allen Ginsberg (1926-1997)
Guga Schultze

Hoje, lembrando de repente que há dez anos, em abril, Allen Ginsberg (1926-1997) se foi. Poucas pessoas foram tão absolutamente poetas. Ou poucas viveram tão intensamente a poesia, ou de poesia, ou para a poesia.

No centro da beat generation, onde é costumeiramente situado pela crítica, Ginsberg é, talvez, a única voz que realmente transcende os limites daquela formulação, daquele conteúdo ou daquela época. Os beats, apesar do alcance e influência, ainda assim tendem a formar um nicho, um momento histórico apenas. Mas Ginsberg já alcança uma dimensão universal, resistente ao tempo.

São dez anos e sou fetichista (como quase todo mundo) com esse negócio de datas, por que não? Transcrevo frases do "Kaddish" (seguidas da ótima tradução de Claudio Willer), poema quase tão famoso quanto "O Uivo" - mais pungente e mais apropriado para lembrar. Do pó ao pó, de Ginsberg para Ginsberg:

"Dreaming back thru life,
Your time - and mine accelerating toward Apocalypse,
the final moment - the flower burning in the Day - and what comes after...
/ ...Back to the Babe dark before your Father, before us all - before the world
There, rest. No more suffering for you. I know where you've gone, it's good."


"Sonhando de novo através da vida,
Teu tempo - e o meu acelerando-se rumo ao Apocalipse,
o momento final - a flor queimando no Dia - e o que virá depois...
/... de volta à escuridão Bebê
anterior ao seu Pai, anterior a todos nós - anterior ao mundo
Lá, repousa. Mais nada de sofrimento para você. Sei para onde foi, tudo bem."

Guga Schultze
18/5/2007 às 23h52

 

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