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Terša-feira, 17/7/2007
Bate-papo com Rodrigo Capella
Julio Daio Borges

1. Rodrigo, por que poesia não vende?
Temos, atualmente, um ciclo vicioso. As editoras publicam poucos livros de poesia, quando essas obras chegam nas livrarias, elas ficam escondidas. O público não encontra e acaba não comprando. O ciclo volta para as editoras, que não publicam poesia. É uma vergonha, ninguém quer saber de publicar esse gênero, ninguém quer saber de reverter esse quadro. A poesia brasileira está na beira do abismo, mais um passo caímos dentro dele. A sociedade, o governo, os editores e as livrarias precisam se unir e reverter, rapidamente, esse quadro. Espero, algum dia, nem que seja daqui a 50, 80, 90 anos, escrever um livro chamado Poesia vende, sim!.

2. Você tem alguma solução para esse impasse?
Muitas e já estou colocando algumas em prática. Quando se propõe algo audacioso, não se pode esperar a ajuda de ninguém. A primeira solução é, sem dúvida alguma, a adoção do conceito de "letramento poético" nas escolas, ou seja, já nos primeiros meses de aprendizado as crianças têm contato com a poesia e, aos poucos, vão fazendo atividades a partir de um verso literário, tais como desenhos, pequenas frases e, mais tarde, no decorrer da adolescência, pequenas peças teatrais. Outra medida é promover uma "educação poética" nos lares brasileiros. As atuais gerações já estão perdidas. Temos que apostar nas futuras. Os adultos devem incentivar a leitura de poesia nos lares, através de leitura coletiva, de atividades diferenciadas. Uma terceira medida é uma reformulação da grade curricular. O professor chega pro aluno e diz: "Pessoal, semana que vem tem prova desse livro de poesia. Estudem!". Isso é chato pra caramba. Ninguém merece. O professor deve incentivar a leitura e não obrigar o aluno a ler um livro. O que vai fazer o aluno? Vai jogar videogame. Tá tudo errado!

3. Como é escrever sobre animais de estimação, depois quase um thriller e, por último, poesia?
Não existe apenas escritor de prosa ou de poesia, existe escritor. Agatha Christie e Machado de Assis também escreveram poesia. Escrever sobre meu cachorro é igual escrever sobre um assassinato em um navio: exige técnica, paciência e uma busca constante de novos elementos. E poesia? Poesia é sentimento, harmonia, alegria e um estado intelectual único. Por isso, ele dever ser mais valorizada. Meu cachorro Brutus me inspirou a criar o livro Como mimar seu cão, Agatha Christie me inspirou a criar Transroca, o navio proibido e um leitor, que acessa constantemente o meu blog, me sugeriu a criação de um livro poético. Sempre quis escrever poesia e acho que agora chegou a hora. O escritor precisa estar sintonizado com duas coisas: leitor e o gostar de escrever. O resto não tem a menor importância e deve ser esquecido.

4. Aliás, como está seu livro sobre atores e atrizes do cinema brasileiro (a sair pela Imprensa Oficial)?
Está na fase de finalização. Já terminaram a capa, fizeram a diagramação, já tem até "boneco", agora é esperar a hora do lançamento, que ocorre ainda este ano. Lançar pela I.O. vai ser, com certeza, uma boa experiência. Chega um momento de sua carreira no qual você precisa lançar por uma grande editora, isso faz parte, mas deve vir natural, como ocorreu com Rir ou chorar: o cinema de sentimentos. Esse livro vai narrar histórias curiosas do cinema brasileiro e revelar alguns segredos das várias funções que existem atrás dos bastidores do cinema. O livro é, na verdade, uma biografia do cineasta Ricardo Pinto e Silva, que dirigiu Sua Excelência, o Candidato e Querido Estranho. Foi ele quem forneceu as informações para a obra. Vamos trazer novidades, no formato e no conteúdo.

5. É difícil ser jovem escritor no nosso País? Por quê?
Não; acho até fácil demais. Não há mistério: é só escrever e enviar para alguma editora. Elas vão ler e decidir se bancam o projeto ou não. É necessário uma grande inspiração. São Paulo, por exemplo, não me inspira e nunca me inspirou. Então, o que eu faço? Viajo pelo Brasil em busca de elementos, personagens e situações diferentes. Viajo em busca de equilíbrio! Quando você encontra ele, tudo pode ocorrer, tudo fica mais fácil e a publicação do livro sai de maneira natural e irresistível. Publicar um livro é tão gostoso quanto ter um orgasmo! Eu adoro!

6. E como você concilia sua atividade literária com o jornalismo?
Eu, sinceramente, adoro escrever, não necessariamente no computador, mas muitas vezes em um pedaço de papel, enquanto ando pelas ruas. Sou um jornalista-escritor e o jornalismo me ajuda na escrita dos livros. Devo muita coisa ao jornalismo, inclusive a técnica que utilizo. Sem o jornalismo, eu seria um escritor medíocre! Não há conflitos em conciliar jornalismo e literatura, um depende do outro, um é amigo do outro. É uma situação natural e simples. Atualmente, eu escrevo para vários jornais, sites e revistas ao redor do Brasil, de Norte a Sul, e estou sempre escrevendo livros em perfeita harmonia. É um momento único, especial e irresistível.

7. Acha que a internet ajuda em todos esses projetos? Como?
Sem dúvida, muitos escritores têm sensibilizado editoras através de blogs e sites. Há muita gente boa na Internet. Mas, também, há muita porcaria. É preciso separar o bom do ruim e ler os melhores conteúdos. Visito diariamente muitos blogs e recomendo, principalmente, os de poesia, que são os melhores. Há muito sentimento, harmonia, criatividade e, principalmente, esperança de um Brasil melhor. Alguns escritores têm sites pessoais, nos quais disponibilizam informações. Isso é sensacional! Eu tenho um site, no qual eu publico informações sobre a minha carreira, livros, trabalhos e biografia. Ele recebe, aproximadamente, 3 mil visitas por mês, dos mais variados cantos do Brasil, e me ajuda a entrar em contato com os leitores, a ouvi-los e saber o que eles gostariam de ler no meu próximo livro. Isso é fantástico! Temos momentos de interatividade, de contato direto com o leitor, de encontro de novos poetas, de encontro de novos e bons poetas. A Internet oferece tudo isso!

8. Mudando de mídia, de novo: como está a adaptação de um dos seus livros para o cinema? (Você, como autor, também dá os seus pitacos)?
Transroca, o navio proibido está sendo adaptado para o cinema pelo diretor gaúcho Ricardo Zimmer. Ele está na fase de captação de recursos e já está selecionando alguns atores. Vai ter elenco de peso. O Ricardo já me mostrou uma parte do roteiro e eu estou adorando. Às vezes, conversamos sobre um aspecto ou outro, mas deixo o Ricardo decidir tudo. Afinal, é a visão dele da história, é ele quem vai dirigir, por isso o filme Transroca, o navio proibido deve ter os pensamentos e as idéias do Ricardo. Eu sou apenas um escritor, não sou roteirista, não sou diretor.

9. Como vê o futuro da literatura brasileira em geral?
Nossa literatura está melhorando. Bons escritores estão surgindo, bons temas estão sendo debatidos. Acredito que, em breve, vamos ter uma revolução poética impulsionada pelo livro Poesia não vende! Todo escritor tem uma missão, a minha é a de propagar a poesia pelo Brasil. Já tivemos um lançamento em São Paulo e outro em Florianópolis. Temos mais alguns agendados e, neste ano, vamos percorrer o Brasil levando "poesia, alegria e harmonia". É esse o meu destino: sou um escritor do povo, vou atrás do povo e fico em contato com o povo.

10. Algum conselho para quem está pensando em se lançar como escritor/autor (publicar etc.)?
Sugiro um exercício: procure um verso novo em um poema antigo. Aí está a essência do escritor, ele é um revolucionário, um ser que deve propor obras inovadoras, deve trazer harmônica. Sugiro também a leitura de, pelo menos, cinco livros a cada dez dias e também que o futuro escritor bata a cabeça na parede e faça o cérebro dançar. Todo escritor deve ser meio desmiolado (risos).

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Julio Daio Borges
17/7/2007 às 12h43

 

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