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Quarta-feira, 18/7/2007
Os Jornais Acabam? I
Julio Daio Borges

É difícil prever. Podemos dizer que "talvez". Se por um lado encontramos facilmente informação atualizada, rápida e de baixo custo na internet; por outro, ainda temos que peneirar, selecionar, buscar o melhor e o mais correto. Trabalho que o jornal já faz muito bem e nos traz em uma estrutura que também facilita a busca de informação. Enfim, é um futuro incerto. Tudo dependerá de como vamos encarar a informação nos próximos tempos.
João Paulo Ferreira Barbosa
Macaé/RJ


Acabar não acabam, mas terão que mudar de proposta, de formato, de periodicidade. Com a facilidade de ter o computador em casa ou no escritório e poder acessar informações do seu interesse - e também receber outras - está cada vez mais distante o ato de ir à banca ou assinar qualquer periódico.
Aurélio Prieto
São Paulo/SP


Esta me parece uma idéia remota, a despeito das estatísticas e previsões de especialistas e defensores da internet. Ainda existem, em todo o mundo, pessoas de uma geração que cresceu lendo e assinando jornais diários. Se os hábitos de procura por informações se deslocarão totalmente do jornal impresso para a internet, isso ocorrerá gradativamente, com a supremacia numérica de uma geração que prefira o segundo modelo. Estudei Jornalismo no tempo em que nossa sala de redação, na Cásper Líbero, era repleta de mesas com máquinas de escrever e a diagramação era feita na régua. Quando correspondente de um jornal diário, no interior de São Paulo, na década de 1980, enviava as matérias datilografadas e impressas, colocadas em envelope timbrado do jornal, por ônibus da Viação Cometa. Era a maneira mais rápida. E às vezes dava tempo da matéria ser publicada na edição do dia seguinte. As urgentes eram enviadas por fax ou telefone. Apesar disso, adaptei-me totalmente aos computadores quando chegaram comercialmente ao Brasil. Hoje não dispenso o computador para escrever um texto, não o troco pela caneta, mal anoto as informações dessa forma. Uso internet para todo tipo de comunicação, como se o modelo anterior não existisse. Recebo notícias de jornais eletrônicos gratuitamente diversas vezes ao dia e posso ler revistas inteiras em sua versão on-line. Ainda assim, prefiro abrir um jornal, tocar suas folhas, descobrir algo interessante ou bombástico atrás de uma página, no ritual do café da manhã. Da mesma forma que prefiro ler um livro numa tarde de inverno, deitada numa rede ao lado de uma boa caneca de chocolate do que fazê-lo na frente do computador. Moro numa cidade em que há uma semanário que completou noventa anos. Ainda tem alguns vícios do início do século passado, mas hoje tem sua versão na internet e seus arquivos são impressos e digitalizados. Nem por isso deixa de ser o campeão nos classificados e de esgotar nas bancas aos sábados. Dizem que ele é sempre igual, só muda a data, mas ninguém deixa de comprá-lo. As coberturas de baladas, colunas sociais jovens e matérias escritas por novos jornalistas e colunistas atraem, também para esse jornal, o público que nasceu com a internet. Diversas variáveis podem determinar a continuidade ou não do jornal impresso, principalmente sua capacidade de adaptação à forma de comunicação desses tempos pós-modernos. Há quem defenda a idéia de que os jornais podem fugir ao desafio da velocidade da informação, publicando análises, textos interpretativos mais longos, jornalismo investigativo e literário para concorrer com a internet. Pode ser. Hoje, as mesmas notícias publicadas durante a semana em jornais, são lidas nas revistas semanais. Mas, pensando nas cenas de filmes da década de 1950, em que meninos de calça curta, carregando pilhas de jornais gritam "Extra! Extra!", acredito, romanticamente, que os jornais jamais acabarão.
Sílvia Mello
São Roque/SP


Os jornais, como os conhecemos, vão acabar. Mas, o jornalismo continuará - na web, nos celulares e na TV digital. Com outras dinâmicas, outros formatos, outros interesses. Os jornais têm de acabar por motivos políticos, econômicos e - por que não? - ecológicos!!!
Jô Azevedo
São Paulo/SP


Os jornais podem acabar, sim. Não acho que é coisa a curto prazo, mas podem. O dodô acabou. Não fabricam mais pastilha tirosete. Tanta coisa boa que acaba. E o jornal nada mais é do que um hábito. A informação, não; ela pode vir de outras maneiras. Acontece que as pessoas atualmente têm cada vez menos tempo e quem sabe, no futuro, não prefiram receber apenas um e-mail com as manchetes, otimizando o tempo e só lendo as matérias de interesse... Como os americanos fazem desde sempre, com jornais e tudo, e mal sabem onde fica o Brasil...
Maria Rachel Lopes Cunha de Oliveira
Rio de Janeiro/RJ


[Feedbacks dos Leitores do Digestivo à Promoção.]

Julio Daio Borges
18/7/2007 às 14h56

 

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