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Quinta-feira, 26/7/2007
10š Búzios Jazz & Blues II
Marília Almeida

É difícil ouvir português em Búzios. Na pousada onde estou hospedada, só se fala espanhol, assim como pelas ruas. Cariocas visitantes e que trabalham na cidade possuem uma explicação, facilmente constatada pela profusão de churrascarias e até mesmo casas de batata e de tango: latinos, especialmente os argentinos, adotaram Búzios como lugar para morar e trabalhar desde os anos 70.

Porém, hoje verifica-se uma mudança: como turista, os chilenos vêm tomando seu lugar, reflexo da crise econômica pela qual passam os hermanos. Em menor número, se encontra europeus provenientes de diversas localidades, inclusive República Tcheca e França.

Mas a cidade também é adorada pelos próprios cariocas, que, segundo uma moradora, "são ratos de Búzios". É fácil perceber o por quê agrada a tantos povos: além de sua beleza natural, apenas o centro de Búzios possui diversos estabelecimentos gastronômicos, que abrangem até comida mexicana e tailandesa, além dos clássicos da fast-food (Mc Donaldīs e Bobīs), diversos cafés, bares e galerias com souvenirs, jóias e muitas lojas de roupa.

Muitas grifes estão aqui: Lacoste, Carmim e Melissa são algumas delas. São também notáveis as lojas de design e arte tupiniquim, onde é possível encontrar belas peças de decoração em madeira e até imãs com retratos do antigo Rio de Janeiro ou desenhos tropicais, que também servem de porta-copos.

Ontem à noite o clima esfriou, deixando a cidade com a cara da paulista Campos do Jordão, só que à beira-mar. Porém, dentro do Pátio Havana, com mesas iluminadas por luz de velas, não foi possível percebê-lo. Foi quando o saxofonista Idriss Boudrioua, que nasceu na França, mas vive no Brasil há mais de 20 anos, se apresentou em bom português ao lado de músicos como Rafael Barata, na bateria e Sérgio Barrozo, no contrabaixo.

A primeira música, "Playing for Canuto", é uma homenagem a um de seus alunos, Zé Canuto, e foi seguida por "Have you met Miss Jones", de Richard Rodgers e Lorenz Hart. Idriss também homenageou o saxofonista Victor Brasil, que, segundo ele, "influenciou toda uma geração". Após uma "balada romântica" que deixou a platéia esbaforida, uma surpresa no bis: Tom Jobim, compositor que admira "desde os cinco anos de idade".



Depois foi a vez do Blues Etílicos lotar a Chez Michou Crêperie de jovens e outros não tão jovens amantes do blues, após exatos dez anos de sua participação no festival. Com cabelos compridos e desgrenhados, cigarro na boca e muita energia, o quinteto, que acaba de voltar de uma turnê pelo sul do país, aproveitou para comemorar também vinte anos de carreira com o lançamento de seu 10š CD, Viva Muddy Waters.

Ao contrário do que se esperava, o show passou sem grandes clássicos do mestre, apenas releituras e antigas músicas do grupo, como "Misty Mountain", que começa lenta em um solo de guitarra, seguido pela gaita e explodindo com toda a banda, e "Cerveja", uma parceria com Fausto Fawcett.

Hoje tem Phil Guy no Pátio Havana, às 22h, e Celso Blues Boy na Chez Michou Crêperie, às 24h. E amanhã tem mais jazz e blues por aqui, com João Donato, Leo Gandelman e Charlie Hunter.

Marília Almeida
26/7/2007 às 19h30

 

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