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Sexta-feira, 27/7/2007
10 Búzios Jazz & Blues III
Marília Almeida

Ontem o inverno tomou conta da cidade. Porém, não tirou seu charme. A maré baixou no município de Armação dos Búzios, que, depois do turismo, ainda tem a pesca como principal atividade econômica, mantendo seu passado como vila de pescadores. A água límpida do mar ficou estática, deixando entrever toda a sua transparência. Nem mesmo o vento impedia que muitas pessoas passeassem de escuna pela região ou andassem pela areia bem agasalhadas no final da tarde. É visível que a cidade começa a encher com a proximidade do final de semana.

Segundo destino mais visitado depois da capital do Estado, ontem à noite o balneário foi invadido pela guitarra chorosa do blues em sua melhor forma, com Phil Guy e Celso Blues Boy. Começando a noite no Pátio Havana, Phil tentou, com frustração, pronunciar o nome da cidade e soltou um "Búxios", acolhido por muitas risadas da platéia. E esse ato foi só o começo da expressão de uma simpatia que envolveu a todos, aliada ao apuro técnico que conquistou tocando guitarra desde a infância e tocando com a banda de seu irmão, Buddy, que permitiu a ele se apresentar ao lado de nomes como Junior Wells e Jimmy Dawkins, até seu lançamento em carreira solo, com sua banda Phil Guy and The Chicago Machine.

A primeira música executada foi "Say what you mean", faixa que dá título a um de seus CDs, entrecortada por urros que confirmaram sua voz forte e uma mixagem do blues de Chicago, Louisiana e Mississipi. A faixa foi emendada por "For the last time", música de sua cidade natal, Louisiana. O show seguiu agitado até que veio uma homenagem a Muddy Waters e, no final, "Sweet home Chicago". O resultado? Contrariando a regra, dois bis, para a satisfação da platéia, com direito a sessão improvisada de autógrafos e fotos após a apresentação. Destaque para Ádrian, baterista cubano que entreteve a todos também nos vocais, antes de Phil subir ao palco.

Logo depois, na Chez Michou Crêperie, Celso Blues Boy arrebatou o público, que novamente lotou o estabelecimento. Com energia e carisma imbatíveis, tocou "Onze horas da manhã" e foi impossível ficar parado. Durante a apresentação, pude confirmar os boatos que vinha ouvindo: sim, Celso, do alto de uma carreira consolidada, tem seguidores fiéis até hoje, que pediam desesperadamente músicas durante os intervalos ou cantavam em coro cada refrão.

E o guitarrista não fugiu da tradição blueseira: displicente, fumou, tomou cerveja (seu microfone tinha um porta garrafa) e ainda subiu na caixa de som, para delírio dos seus fãs na primeira fila. Aí veio "Damas da noite", a clássica "Sempre brilhará" e "Expresso da noite", onde arranhou a guitarra em solos arrepiantes e pediu coro da platéia. Ao final, todos ficaram sem o bis, solicitado aos gritos, mas Celso deixou uma certeza: mantém-se como um verdadeiro showman.

Hoje à noite, logo mais, João Donato se apresenta no Pátio Havana. E a Chez Michou Crêperie terá a presença de Charlie Hunter e Leo Gandelman. Amanhã, a última noite do festival abrigará ainda a Big Time Orchestra e a baterista Cindy Blackman. Aguarde notícias sobre os últimos shows e um balanço do evento aqui, no Digestivo.

Marília Almeida
27/7/2007 às 20h30

 

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