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Sexta-feira, 10/8/2007
Os Jornais Acabam? VI
Julio Daio Borges

Acho que os jornais podem acabar, principalmente pelo fato de terem se tornado uma indústria cheia de "compromissos" econômicos. O que mais me preocupa é a função. O jornalismo irá sobreviver onde? Espero que a internet e as novas tecnologias avancem como meio e ambiente onde ainda seja possível um jornalismo livre, independente, mais compromissado com a verdade do que com os anunciantes e patrocinadores.
Gildemir Paixão Lima
Belo Horizonte/MG


Não acredito que os jornais impressos tendam a acabar, ainda mais se considerarmos que a sua importância aumenta à medida em que aumenta o nível de escolaridade da população. Ainda que, momentaneamente, no caso brasileiro, estejamos experimentando um decréscimo nas tiragens dos meios impressos de comunicação e, também, a concorrência dos meios eletrônicos seja uma realidade que vá inclusive se ampliar, em um futuro mais imediato, creio que a permanência dos jornais e dos meios impressos em geral estará garantida. Ainda mais num futuro - que esperamos que não esteja ainda tão distante - de expressiva melhoria do nível socioeconômico e educacional da população brasileira. O fato é que o meio impresso de comunicação (jornal, revista, etc.) cumpre um papel insubstituível para quem deseja um maior aprofundamento da informação, tantas vezes mal apurada e pouco confiável, produzida pelos meios eletrônicos (televisão, internet), até pela necessidade, característica destes últimos, de competir em velocidade e agilidade de informação. Estas mídias (impressa e eletrônica) são, portanto, complementares, e o serão ainda mais num futuro de aprimoramento intelectual e educacional da população, em que, provavelmente, caberá aos meios eletrônicos a primazia do "furo", da notícia em primeira mão, da agilidade jornalística, enquanto aos meios impressos será cada vez mais reservado um papel analítico da informação, de aprofundamento da reflexão e do debate, indispensáveis à ininterrupta evolução socioeconômica, política e cultural das sociedades humanas.
Rodrigo Carneiro Campello
Rio de Janeiro/RJ


O jornal não desaparecerá, assim como o rádio e o cinema não desapareceram com a televisão. Mas, obviamente, o jornal terá de se adaptar aos novos tempos. É claro que ele perderá, como está perdendo, a agilidade e a atualidade da informação. Porém, poderá - e deverá - aprofundar-se mais nos temas, contar com profissionais mais qualificados e mais bem remunerados. Não se pode esquecer que o jornal comercialmente ainda é mais viável que a internet, por exemplo. Ele atrai um volume bem maior de patrocínio. Por quê? Pela sua forma, pela facilidade de manuseio. Pela não necessidade de energia para fazê-lo "funcionar". Você passa de uma página a outra, de uma imagem imensa a outra em centésimos de segundo. E ainda é mais prático. No dia em que você vir um sujeito levando o laptop para o banheiro para ver as notícias, aí os jornais começarão a correr perigo. Como faturam mais, os jornais podem pagar mais e atrair os profissionais mais destacados. Bem, esse ainda é o quadro.
Odir Cunha
São Paulo/SP


A resposta é SIM. É claro que os jornais, como existem hoje, podem acabar. Os jornais são simplesmente um veículo de transmissão de informação em massa para os humanos. Nas próximas décadas deste século XXI, não é ficção científica contemplar nanodispositivos que estarão implantados em nossas regiões sensoriais e que proporcionarão conexão sem fio com a Internet, disponibilizando uma vasta quantidade de informação em massa com um gasto MUITO menor de energia do que os processos que hoje produzem os jornais (papel, tinta, energia para tocar as impressoras, etc.). Portanto, por um critério simplesmente evolutivo, obteremos mais e melhor informação com um gasto menor de energia, e as novas tecnologias de transmissão tornarão as atuais obsoletas. Quando essas "singularidades" ocorrem, o "pulo" para a próxima "curva em S" em qualquer processo evolutivo, é comum encontrar resistências saudosistas daqueles que lucram com o status quo... Se quiserem um exemplo real e atual para comparação, pensem na transmissão de informação em formato de música, e considerem o LP, depois a fita cassete, depois o CD, e agora o MP3 e formatos similares, o iPod, entre outros, como mecanismos (e tecnologias) de transmissão... Acho que o paralelo é auto-explicativo e contundente! Obrigado ao Digestivo Cultural e à Editora Contexto pela oportunidade de opinar.
Claudio P. Spiguel
Guaxupé/MG


Como poderia responder apenas sim ou não? É comparar um equipamento eletrônico com uma peça artística... Ano após ano, o "jornal de papel sujo" se mantêm artesanal (e vendável), sem perder o compromisso com o conteúdo. Interessante, não? Apesar disso, há muitos funcionários de jornais desesperados, pelo simples fato de que tudo é possível e por isso há chance dos impressos desaparecerem, mas será que o medo não aumenta a possibilidade? Ora! Faça cada um a sua parte, aprimore sempre o produto pensando no público-alvo e, talvez assim, as novas mídias sejam apenas "concorrentes" ou "aliadas" do veículo. Sou "meio romântica" e, portanto, da opinião de que nada é completamente substituível. No caso dos jornais, acredito que ainda não existe novidade que acabe com as bancas, ou seja, tão charmosamente rústicas, a ponto de findar como este, cada vez mais rotundo e colorido, bloco de informações. Mas, veremos!
Juliana Oliveira
Petrópolis/RJ


[Feedbacks dos Leitores do Digestivo à Promoção]

Julio Daio Borges
10/8/2007 às 14h35

 

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