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Quarta-feira, 24/12/2008
Agarrar o tempo
Julio Daio Borges

Diziam-me há dias: "o tempo escoa-se como areia por entre os dedos". Pensando há alguns anos tratarem-se estas observações de conversa de velhotes (ou de kotas, como diz actualmente a juventude), fico perplexa quando verifico que os mais novos com quem me cruzo também começaram a sentir o mesmo fenómeno.

A opção de vida numa pequena localidade passa também pela tentativa desesperada de, à semelhança do professor do Clube dos Poetas Mortos, conseguir "sugar o tutano da vida".

E foi assim que descobri um mundo de novidades: deparar-me inesperadamente pela manhã com um bando de perdizes a correr pelo jardim, ver o sr. Luís, fiel jardineiro, em desespero a tentar dar caça aos coelhos que devoram as couves da horta antes que elas cheguem ao prato, a lutar contra as toupeiras que não cessam o seu trabalho de escavação e ficar, fascinada, quando chego depois do pôr do sol, a olhar para uma coruja que elegeu como poiso predilecto o muro que ladeia o caminho de acesso a casa.

Quando o calor aperta, tenho dado por mim a olhar da janela sem pressas um lagarto de cores vivas que se expõe com atrevimento ao sol ou a relembrar o belíssimo tema "Blackbird" ao som do canto natural dos melros.

Já me perguntaram: "isto não é isolamento a mais?" — repondo sempre: "o isolamento, em tempos de correrias loucas nunca é em demasia"... e nesta vivência já decorreram catorze anos sem que disso me tenha dado conta.

Teresa, no seu Dias que Voam, um blog que, graças ao Eça, acabei de descobrir.

Julio Daio Borges
24/12/2008 à 00h20

 

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