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Segunda-feira, 2/3/2009
O homem duplicado
Rafael Rodrigues

"O homem que acabou de entrar na loja para alugar um cassete vídeo tem no seu bilhete de identidade um nome nada comum, de um sabor clássico que o tempo veio a tornar rançoso, nada menos que Tertuliano Máximo Afonso. Ao Máximo e ao Afonso, de aplicação mais corrente, ainda consegue admiti-los, dependendo, porém, da disposição de espírito em que se encontre, mas o Tertuliano pesa-lhe como uma lousa desde o primeiro dia em que percebeu que o malfadado nome dava para ser pronunciado com uma ironia que podia ser ofensiva. É professor de História numa escola de ensino secundário, e o vídeo tinha-lhe sido sugerido por um colega de trabalho que no entanto não se esquecera de previnir, Não é uma obra-prima do cinema, mas poderá entretê-lo durante hora e meia."

Assim começa O homem duplicado, de José Saramago, que a Companhia das Letras recentemente editou em versão de bolso. Um livro que eu sempre tive vontade de ter/ler, mas nunca tive bolso para comprá-lo. Que Deus ― e o mercado ― continue abençoando os pockets.

Rafael Rodrigues
2/3/2009 à 00h52

 

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