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Terça-feira, 29/1/2013
Nomen est omen
Yuri Vieira

Depois que mudaram o nome desta joça de Terra de Vera Cruz - um símbolo de integração com o Infinito - para Brasil - um produto comercial -, fodeu, minha gente. (Não adianta dizer que é homenagem a uma árvore. Essa mistificação ecológica é posterior ao fato.) Enfim, em país com nome de produto comercial, nada tem valor - tudo e todos têm seu preço. Nomen est omen. O nome é um presságio.

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Adendo: Henrique Garcia, no Facebook, me enviou o seguinte texto, que mostra como Frei Vicente de Salvador já havia afirmado a mesma coisa em 1637:
« O dia em que o capitão-mor Pedro Álvares Cabral levantou a cruz, que no capítulo atrás dissemos, era 3 de maio, quando se celebra a invenção da Santa Cruz, em que Cristo Nosso Redentor morreu por nós, e por esta causa pôs nome à terra, que havia descoberta, de Santa Cruz, e por este nome foi conhecida muitos anos: porém como o demônio com o sinal da cruz perdeu todo o domínio, que tinha sobre os homens, receando perder também o muito que tinha nos desta terra, trabalhou que se esquecesse o primeiro nome, e lhe ficasse o de Brasil, por causa de um pau assim chamado, de cor abrasada e vermelha, com que tingem panos, que o daquele divino pau que deutinta e virtude a todos os sacramentos da igreja, e sobre que ela foi edificada, e ficou tão firme e bem fundada, como sabemos, e porventura por isto ainda que ao nome de Brasil ajuntaram o de estado, e lhe chamaram estado do Brasil, ficou ele tão pouco estável, que com não haver hoje 100 anos, quando isto escrevo, que se começou a povoar, já se hão despovoados alguns lugares, e sendo a terra tão grande, e fértil, como adiante veremos, nem por isso vai em aumento, antes em diminuição.»
(História do Brasil)

Yuri Vieira
29/1/2013 às 09h57

 

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