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Terça-feira, 3/5/2005
Os Poetões e o Poetinha
Julio Daio Borges

De Bandeira para Vinicius:
"Marcus Vinícius
Cruz de Moraes,
Eu não sabia
Que no teu nome
Tu carregavas
A tua cruz
De fogo e lavas.(...)

Marcus Vinícius,
Eu já te tinha(...)
Como um dos marcos
De maior preço
Do bom lirismo
Da pátria minha
Mas não sabia
Que fosses Marcus
Pelo batismo."

Agora, de Vinicius para Bandeira:
"Não foste apenas um segredo
De poesia e de emoção
Foste uma estrela em meu degredo
Poeta, pai! Áspero irmão."

Com direito a tréplica de Bandeira:
"Poeta sou; pai, pouco; irmão, mais.
Lúcido, sim; eleito, não."

* * *

De Vinicius para Neruda:
"Celebro-te ainda além, Cantor Geral

Porque como eu, bicho pesado, voas
Mas mais alto e melhor do céus entoas
Teu furioso canto material."

Com direito a réplica de Neruda:
"Vinicius, como el animal herido
Vuelve a buscar su origen, su vertiente,
Este soneto que creí perdido
Vuelve a tocar tu pecho transparente."

* * *

Agora de João Cabral, de Barcelona:
"Meu caro Vinicius,

Acabo de receber seu telegrama. Gostei de que você tivesse gostado do livrinho [Pátria Minha, 1949]. O texto me agradou tanto que não resisti à idéia de fazer essa plaquete.

Estou agora imprimindo a revista: um poema do português P. Homem de Melo, sua "Bomba Atômica", umas coisas catalãs e umas de Alberti, não mandadas por ele, mas escolhidas aqui. A coisa vai indo lenta: o meu ensaio sobre Miró que estão editando aqui me esgota completamente - ao fazer a revisão de provas. Também a saúde não está bem. E há sobretudo o nervosismo ao pensar que dentro de uns 15 dias mais ou menos, me vou operar da cabeça: uma trepanação, como Apollinaire, apenas menos perigosa.

Lembranças nossas a todos e um abraco do João.

- Não distribuí a ninguém o livro. Faça-o à vontade. E me mande um com dedicatória. J."

* * *

E de Drummond sobre Vinicius:
"Vinicius realizou a figura mais exata de poeta que já vi na minha vida. Poeta em livro, em música, e poeta na vida."

E a já clássica...:
"De todos nós, ele foi o único que viveu como poeta."

* * *

No mesmo Arquivinho da Bem-te-Vi. (Agora chega, que este post está longo.)

Julio Daio Borges
3/5/2005 às 18h11

 

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