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Sexta-feira, 24/1/2014
O outro Carpeaux
Celso A. Uequed Pitol

Os brasileiros estão, pouco a pouco, redescobrindo a obra do crítico literário, historiador e jornalista Otto Maria Carpeaux. Com a publicação dos dois volumes de seus Ensaios Reunidos, em 1999 e 2003, e duas edições de sua obra maior, História da Literatura Ocidental - a primeira de 2009, pela editora do Senado, e a segunda em 2012, pela Leya - seu nome voltou a ser comentado com vigor nos meios literários e acadêmicos do país.

Infelizmente, uma parcela importante de sua obra tem sido pouco lembrada: a dos escritos políticos. Alguém dirá que este é um pedaço menos nobre do trabalho de Carpeaux, e não estará totalmente errado. De fato, nada do que ele tenha escrito no Brasil como comentarista político e analista internacional supera os seus melhores ensaios literários e históricos, e a maior parte sequer se aproxima deles. Alguém dirá, também, que isto é próprio do ofício: o artigo político não atinge - porque não pode atingir - certas alturas.

Quem o diz também não estará totalmente errado, e talvez esteja mais próximo de avaliar corretamente os artigos reunidos e publicados em O Brasil no Espelho do Mundo e A Batalha da América Latina. Sim, é verdade que não encontramos ali nada parecido ao que se vê em coleções de ensaios literários como Presenças, Livros na Mesa ou A Cinza do Purgatório. Mas também é verdade que não encontramos artigos sobre a linguagem esópica ou sobre a política de acordo com Shakespeare em nossos jornais. E encontramos nesta seleção, junto a muitos outros de quilate semelhante.

É possível que o Carpeaux jornalista político esteja longe do seu melhor. É certo, contudo, que este Carpeaux ainda é muito superior a qualquer outro de seus colegas.

Celso A. Uequed Pitol
24/1/2014 às 11h17

 

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