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Quarta-feira, 12/11/2014
Meirelles salvaria Dilma?
Julio Daio Borges

Bolsa subindo e dólar caindo apontam para forte especulação de que Henrique Meirelles, ex-presidente do Banco Central durante os dois governos Lula, assumiria o Ministério da Fazenda no lugar de Guido Mantega.

Ao mesmo tempo, o cenário nunca esteve tão negro para o governo reeleito. Além de inflação alta, crescimento zero e desemprego despontando no horizonte, o governo acaba de reconhecer que não cumprirá a meta fiscal estabelecida para este ano.

O que isso significa? Com um crescimento quase inexistente, o governo arrecadou menos em 2014. Só que, como foi ano eleitoral, gastou mais. Muito mais. Tanto que o pior déficit da série histórica foi gerado em setembro: R$ 25,5 bilhões.

O déficit acumulado, no ano, é R$ 15 bilhões. Acontece que, por lei, o governo tem de apresentar um superávit de R$ 99 bilhões em 2014. Ou seja: daqui até 31 de dezembro, o governo teria de economizar R$ 114 bilhões. Para quem não economizou nada até agora...

O governo já percebeu que não vai conseguir - e está tentando dar um "jeitinho". Como a meta do superávit primário é estabelecida na Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO), de 2000, o governo enviou um projeto de lei ao Congresso, solicitando uma "revisão" na meta...

Trata-se de um governo acostumado à "contabilidade criativa" (manipular os números a seu bel prazer, a fim de anunciar um resultado melhor que a dura realidade). Acontece que, neste ano, nem assim foi possível - e o governo quer mexer na lei, na LDO...

E de quem depende a aprovação do projeto de lei que mexe na LDO ("revisando" a meta e salvando o governo de ser um "fora da lei")? Depende do Congresso. Depende do mesmo Congresso que se rebelou contra o governo, enterrando a iniciativa dos "conselhos"...

Michel Temer corre para aglutinar um PMDB dividido. Um partido com uma parcela significativa de parlamentares que se bandeou para o lado de Aécio Neves durante as eleições. Até Sarney votou 45. E o presidente do Senado, ao mesmo tempo, não pode ser molestado pela CPI da Petrobras...

Aloysio Nunes, vice na chapa de Aécio, o mesmo senador que associou "mentira" e "estelionato" à campanha do PT e ao governo reeleito, disse que o projeto de lei é uma "confissão de culpa". Que houve "irresponsabilidade na gestão das contas públicas". E que a oposição votará "contra" - não haverá "perdão".

Esse é o cenário em Brasília. Já no Catar, Dilma Rousseff recebeu a carta de demissão de Marta Suplicy. Dubiamente, Marta deseja a Dilma que "seja iluminada ao escolher sua nova equipe de trabalho". Sugerindo um encaminhamento: "a começar por uma equipe econômica independente, experiente e comprovada".

Qual o objetivo dessa "nova" equipe econômica? "Que [ela] resgate a confiança e credibilidade ao governo". E o que mais? Que "esteja comprometida com uma nova agenda de estabilidade e crescimento para o nosso país". Marta era ministra da Cultura, do PT...

Mesmo que Henrique Meirelles assuma, vai ter de lidar com uma inflação que vem descumprindo a meta desde que ele saiu do BC. Nossa taxa de juro continuará a maior do mundo por um bom tempo. E o crescimento não virá da noite para o dia.

O boom das commodities ficou para trás. A China não é mais aquela. Os EUA se recuperaram: o FED subindo os juros, os dólares voltarão para lá. A esperança, com Meirelles, é que o Brasil não perca o "investiment grade". Porque de BRIC já passou a "frágil"...

Além de todos os desafios econômicos, Henrique Meirelles vai querer seu nome associado a um governo que venceu eleitoralmente mas não politicamente? Um governo à beira da improbidade administrativa - sendo investigado, até nos EUA, por um suposto "petrolão" ainda maior do que o mensalão?

Julio Daio Borges
12/11/2014 às 17h54

 

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