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Domingo, 24/7/2005
Padox + Pontedera
Guilherme Conte

É, amigos, o fim se aproxima. Hoje termina o FIT. Vou esperar o término para fazer um balanço, mas a impressão geral até agora é muito boa. Valeu.

Ontem à tarde fomos conferir a apresentação do Padox le jeu dans le jeu, da Compagnie Dominique Houdart, pela segunda vez. No elenco, 40 reeducandos do Instituto Penal Agrícola, órgão de readaptação para a sociedade. A diferença desta foi o local: uma quadra no próprio IPA.

Os atores ficam fantasiados de extraterrestres, com máscaras enormes e roupas espalhafatosas. As imagens são engraçadas, inusitadas. O público reage bem. Eu já tinha me divertido com eles na terça, logo que cheguei, no SESC. Eles estavam por lá tirando um sarro, ajudando as pessoas a se sentarem.

A primeira, na manhã de sexta no calçadão do centro, funcionou melhor. Foi mais próxima do público, a interação era mais fácil. Já no IPA eles ficaram muito distantes, na quadra da institução. Não rolou muito bem. O clima muito europeu destoou, não animou. Aproveitei para conversar com público e atores; para eles foi uma experiência interessante, parecem ter gostado muito. Este talvez tenha sido o aspecto mais importante.

À noite, rumamos para o abarrotado Teatro Municipal ver o concorrido Il Raglio Dell'Asino, outra das grandes estrelas do FIT. É a Compagnia Laboratório di Pontedera, sob a batuta de Roberto Bacci. A idéia é interessante: baseado em O idiota, clássico de Dostoievsky, mostra uma festa em que levanta-se uma série de discussões em torno de uma questão: "É possível existir alguém absolutamente bom?"

Confesso que fiquei um tanto quanto frustrado. Embora não tenha sido expressamente esta a intenção, é difícil sintetizar uma obra deste porte. As questões são levantadas mas não vingam. A peça acaba e fica a sensação "Ok. E aí?".

Um ponto que incomodou em particular foi a fala. Os italianos, bons, se esforçaram e muito para falar em português. Mas, sem o domínio do idioma, o esforço empenhado na pronúncia limitou a capacidade de atuação. O texto soou preso, difícil. Por vezes incompreensível.

Visualmente, a montagem é linda. Algumas cenas, como a final, são antológicas - foram, talvez, os momentos mais belos por aqui, esteticamente. Não sei. É um grupo muito sério, a montagem é interessante, mas não agradou. Ficou devendo.

Em minha última noite, hoje assisto Muito barulho por quase nada, que os comentários classificam como uma das grandes surpresas, e A caminho de casa, do pessoal do Armazém, que dispensa apresentações. E aí acabou. Passou rápido.

Guilherme Conte
24/7/2005 às 16h17

 

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