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Segunda-feira, 15/8/2016
Blog de Isaac Rincaweski
Isaac Rincaweski

 
Para fugir da correria do dia a dia... Eu corro!

A corrida já é o segundo esporte mais praticado no Brasil, perdendo somente para o futebol.

Quando eu era criança e assistia à Corrida de São Silvestre, ficava fascinado com a resistência dos corredores que participavam daquela que é uma das mais tradicionais corridas de rua do Brasil e, jamais, nem em sonho, eu imaginei que um dia pudesse estar lá no meio daquele povo.

Confesso que ainda não consegui realizar meu sonho (que eu não ousava sonhar quando criança) de participar da Corrida de São Silvestre, mas agora já não mais pelo motivo daquela época (não ter resistência). Hoje eu sei que consigo, e isso faz toda diferença.

Corro regularmente há alguns anos e posso afirmar que nada se compara à participação de uma prova de rua. Atualmente, o pessoal da organização de corridas não tem mais o hábito de colocar música na hora da largada e, talvez seja por esse motivo que lembro com carinho de uma prova de que participei há alguns anos aqui em Blumenau/SC, onde foi tocada a música do Queen, “We Will Rock You”, que faz parte da trilha sonora do filme Coração de Cavaleiro. Foi de arrepiar! Hoje, cada vez que ouço essa música, eu me lembro daquela corrida.

E digo mais: como essa foi uma das primeiras provas de rua de que participei, o efeito positivo que me causou foi determinante para a consolidação desse esporte na minha vida e, principalmente, no prazer em participar de provas de rua.

Mas, independentemente da música, a sensação da largada é única. Existe uma energia tão forte naquele aglomerado de corpos, com todos os tipos de cheiros (suor, perfume, cânfora...) que temos a impressão de podermos correr sem parar por toda a eternidade...

No entanto, nos treinos do dia a dia, muitas vezes, quando eu retorno do trabalho para minha casa, não tenho a mínima vontade de sair para correr. E não me envergonho de dizer que isso acontece com bastante frequência, principalmente nos dias mais frios, quando o sofá ou a cama, fingindo-se de amigos querendo me abraçar, agem sorrateiramente em conluio com minhas fraquezas para sabotar os meus treinos.

Basicamente, minha rotina de treinos se inicia logo após o expediente no trabalho, às 17h30min, quando, chegando em casa, faço um lanchinho bem leve e dou uma espiada na rua, na esperança de que já esteja chovendo... Doce ilusão, por incrível que pareça, em 99% dos dias, nunca chove (exceção para o inverno deste ano, que está frio e chuvoso), e sou “obrigado” a sair para correr.

Obrigado e agradecido, pois bastam alguns minutos de corrida para esquecer a preguiça de sair de casa e começar a sentir os efeitos da endorfina invadindo meu corpo.

E esse efeito benéfico para o nosso bem-estar e para a nossa saúde, tanto física quanto mental, não advém somente dos efeitos da corrida, mas, sim, da prática de qualquer atividade física. Até mesmo uma singela caminhada contemplativa, num ritmo leve, mas constante, que lhe permita observar as paisagens, que é aquela caminhada sem compromisso, sem rumo, tem o mesmo poder, se praticada com regularidade.

O importante é estarmos em movimento e fazermos aquilo que nos dá prazer.

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Postado por Isaac Rincaweski
15/8/2016 às 13h52

 
A corrida por trás da corrida


Todo corredor tem suas manias, superstições ou rituais que segue antes de uma corrida (principalmente aqueles que dizem que não os têm...). No meu caso, o ritual já começa com o tempo que preciso para me preparar no dia da corrida: uma hora e meia, no mínimo, entre o acordar e o sair de casa. Pareço uma noiva se arrumando para o casamento!

Nesse tempo, tomo uma boa ducha, preparo um café reforçado (sem correria), vou ao banheiro (teve uma época que eu ia umas três vezes ao banheiro antes de sair de casa!), ponho minha roupa (que já foi devidamente organizada na noite anterior) e, enfim, estou pronto!

Uma das manias (se é que podemos chamar pontualidade de mania) que possuo é a de chegar com antecedência mínima de 30 minutos ao local da prova.

Mas, numa dessas provas, acabei me atrapalhando com o horário da largada e, ao invés dos costumeiros 30 minutos de antecedência, larguei com 5 minutos de atraso!

A corrida aconteceu na bela cidade de Florianópolis/SC. Pernoitei em Itapema, município que fica a mais ou menos 70 quilômetros de distância da ilha.

Acordei às 4h30 da manhã! Espiei pela janela do quarto e confirmei o que meu sono leve vinha denunciado há algum tempo: chuva!

Não era uma simples chuvinha... Parecia que havia estourado algum tipo de encanamento lá em cima!

Apesar de ter feito a inscrição e buscado o kit no dia anterior, deixei a decisão de participar ou não dessa prova quando lá estivesse, ou seja, momentos antes da largada (outro hábito antigo). Durante a viagem de mais ou menos 30 minutos, eu iria preparando-me psicologicamente.

Meu filho, que não iria correr a meia maratona naquela ocasião pois tinha outra prova importante dali há alguns dias, optou por fazer a prova de 10 km, portanto, estava bem tranquilo.

Como eu não tinha dormido bem naquela noite (devido à tal ansiedade pré-prova, que todo corredor conhece bem), acabei tirando um cochilo durante a viagem, acordando somente quando estávamos nas proximidades do local da largada. Nesse momento, a chuva já estava dando uma trégua e havia diminuído bastante.

Ainda estava escuro e estávamos a uns 500 metros do local da largada, indo por uma via paralela. Mas, para minha surpresa, quando olho pela janela do carro, vejo uma multidão de corredores vindo no sentido contrário. Olhei no relógio e ainda eram 07h, sendo que a largada deveria ser 7h30. Mas os corredores (5.000 naquela prova) não paravam de passar e aí, naquele momento, eu percebi que a prova havia começado “mais cedo” (eu ainda acreditava que a largada era às 7h30!).

Então, não pensei duas vezes: pedi para o meu filho parar o carro ali mesmo, atravessei o canteiro de grama que separava as duas pistas e comecei a correr contra o fluxo de pessoas até o local de largada. Mas antes eu precisava que fazer xixi, estava apertado (mais uma mania pré-prova).

Meu radar instintivo foi procurando um banheiro químico (sim, daqueles horrorosos). Por pura sorte, encontrei um bem próximo à largada, e não me intimidei quando vi a placa de “feminino” na porta. Era uma emergência. Aliviei-me e consegui passar pela largada com 5 minutos de atraso, sendo um dos últimos 5.000 participantes a largar.

Somente depois que eu já estava correndo é que caiu a ficha: eu nem tive tempo de pensar se iria ou não correr, simplesmente fui...

A partir daí, desapareceram todas as dúvidas e comecei a curtir a prova. Mesmo com o início atabalhoado, pegando um tráfego intenso de corredores mais lentos (não que eu seja muito rápido), eu consegui focar exclusivamente na corrida.

Foi uma corrida maravilhosa, de um dia cinza, frio e chuvoso, mas de uma luminosidade extraordinária. Consegui correr e contemplar a beleza da ilha de Floripa.

Concluí a corrida totalmente encharcado, com a alma literalmente lavada e feliz por não ter desistido. Logo após, sequei-me e troquei as roupas dentro do carro mesmo, tendo como cortina somente os vidros embaçados pelo calor do meu corpo. Não que tivesse muita coisa a esconder...

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Postado por Isaac Rincaweski
1/7/2016 às 08h35

 
Pedras que abrem caminhos

Eu sempre tive medo de cachorro, mas nunca deixei que esse medo fosse maior que a minha vontade de correr na rua.

No trajeto de corrida, que eu fazia nas redondezas de minha antiga casa, existe uma rua que, acredito, abrigue ainda hoje a maior concentração de cachorros por metro quadrado do universo.

Num dos trechos daquela rua, inclusive, algumas casas não tinham muro nem uma simples cerca que inibisse um pouco a vontade louca que eles tinham de arrebentar a mísera corrente que os mantinha longe de mim, amedrontando-me com seus latidos raivosos e beiços salivantes.

Essa “travessia” sempre me causava um grande estresse e, para me sentir um pouco mais seguro, quando eu me aproximava desse trecho da rua, começava a encher os bolsos do meu calção (vem dessa época o hábito que tenho de sempre comprar calções com bolsos) com armamentos pesados (pedras) de contra-ataque.

Felizmente, nunca fui atacado (e não precisei utilizar as minhas armas de destruição em massa), mas, em várias ocasiões, tive que fazer a minha melhor cara de mau e ameaçar com as minhas benditas pedras alguns cachorros mais afoitos, que estavam soltos no momento da minha passagem.

Na verdade, como eu já esperava por esses “ataques”, que, felizmente, nunca aconteceram, acabei criando certa camaradagem com a cachorrada daquela rua. Acredito que, com o tempo eles começaram a me respeitar um pouco, mas eu nunca baixei a guarda.

Ou seja, quando você espera e se prepara para esse tipo de situação, parece que fica mais fácil. O problema, eu percebo, é quando você não espera por isso e, principalmente, não tem nenhuma pedra no bolso!

E isso acontece a todo o momento, seja nos trajetos normais (com menos frequência, é claro), mas, principalmente, nos novos trajetos.

Sempre que viajo e visito algum lugar diferente, procuro incluir uma corrida pelos arredores do meu roteiro. E é aí que mora o perigo.

Já fui surpreendido por cães enormes (o meu padrão de cão enorme é qualquer um maior que um Pinscher) vindo ao meu encontro que, por sorte, eram dóceis. Mas, por precaução, sempre que vejo um cachorro “suspeito”, reduzo a velocidade da corrida e começo a caminhar, já procurando algo para me defender ou algum lugar para me esconder. Sou medroso mesmo!

Num desses temidos encontros, me deparei com um enorme Rottweiler. Na verdade, para meus olhos amedrontados, ele era gigante! Parecia um desses touros de rodeio.

A primeira coisa que fiz foi desviar o meu olhar. Eu gelei! Acredito que ele tinha acabado de fugir, pois é muito raro encontrar um cachorro daquele porte solto numa via tão movimentada como aquela. Por precaução, achei por bem não perguntar a ele.

Os instantes seguintes foram dignos de um filme de suspense. A partir daquele momento, meu instinto de preservação falou mais alto, e meu cérebro começou a arquitetar um plano de fuga e sobrevivência.

Ou seja, desviar a “rota de colisão” e me distanciar o quanto antes daquela “fera assassina”.

Imediatamente, atravessei a rua e, pasmem!, quase fui atropelado, pois não olhei para os lados. “Seria cômico, se não fosse trágico, preferir ser atropelado a ser atacado por um cachorro”, pensei, logo após o incidente.

Consegui escapar com vida, caso contrário, não estaria escrevendo esse texto, mas confesso que, apesar de não mais levar os meus armamentos pesados durante as corridas, sempre rola um estresse quando me deparo com algum cachorro solto na rua.

Em tempo, depois atravessar a rua e quase ser atropelado, continuei caminhando até atingir uma distância segura da fera assassina, quando me atrevi a olhar para trás. E o que vi foi um garotinho fazendo carinho na “fera” (que agora eu via que não era tão fera assim rs) e que, olhando com mais cuidado (sem medo) percebi que estava devidamente acompanhado de seu pequeno dono...

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Postado por Isaac Rincaweski
3/5/2016 às 11h12

 
Correndo por um banheiro

No início de minha “carreira” de corredor, uma das maiores preocupações era com a eventual possibilidade de eu ser acometido por alguma “disfunção intestinal” (vulgarmente conhecida por “diarreia”), que me obrigasse a procurar um banheiro ou, em último caso, um local discreto (atrás de uma moita, por exemplo) para resolver esse tipo de emergência.

Hoje eu sei que tal medo era mais psicológico do que real, pois, até há bem pouco tempo, antes de qualquer prova, eu “visitava” o banheiro, umas três vezes, no mínimo, antes de sair de casa.

Isso ficou bem evidente para mim no dia em que, apesar de ter feito todo o ritual pré-prova (as três idas ao banheiro) corretamente para participar de uma meia maratona, instantes antes da largada, após sentir algumas “contrações intestinais”, decidi arriscar uma visita a um banheiro químico, que até então eu só utilizava para fazer xixi. Mas, como era uma emergência...

Porém, quando fechei a porta da casinha do inferno e olhei para aquele buraco imundo, que parecia uma estação de tratamento de esgoto que havia acabado de ser explodida por um algum grupo terrorista, quase fui nocauteado e simplesmente travei.

Na verdade, aquilo não parecia ser somente uma estação de tratamento de esgoto: além dos “torpedos” de todos os tipos e tamanho, aquele local estava sendo habitado por outras criaturas estranhas, que pareciam ter saído das profundezas de algum ser de outro mundo. Como que por milagre, a minha suposta emergência intestinal desapareceu naquele exato momento. Como diriam os mais velhos, foi como “tirar com a mão”.

Depois do inferno de Dante, corri os 21 km sem nenhum problema e, depois daquele dia, nunca mais tive dores de barriga.
Entretanto, antes desse episódio, num dia de treino normal, o meu pior pesadelo realmente aconteceu.

Saí de casa para correr numa linda manhã de domingo, quando, no meio do trajeto, comecei a sentir leves cólicas, que foram aumentando até ficarem insuportáveis.

Eu sempre procuro levar algum dinheiro comigo, para o caso de precisar comprar água, mas, naquela época, esse era também o meu “seguro” para entrar em algum bar ou lanchonete com o pretexto de comprar algo e também poder utilizar o banheiro. No litoral, principalmente, é muito comum os bares e lanchonetes afixarem cartazes avisando que o banheiro é de uso exclusivo dos clientes.

Mas, naquele dia, por ser domingo de manhã, os poucos estabelecimentos comerciais que existiam estavam fechados. E, por azar, não encontrei nenhuma moita disponível!

A partir desse momento, comecei a correr mais desesperadamente e, já certo de que não conseguiria chegar a tempo a um banheiro, pois as cólicas eram cada vez mais fortes e vinham em intervalos cada vez menores. Comecei a pensar no pior, e em como voltaria pra casa, literalmente “cagado”, sem chamar muito a atenção das pessoas. Pois, das moscas, eu tenho certeza de que não me livraria.

O suor que escorria do meu rosto já não era mais do esforço da corrida, mas sim das terríveis dores intestinais. Passados uns 10 minutos (que equivaleram a 2 km) sem encontrar nenhum lugar apropriado, e sem conseguir raciocinar direito sobre qual direção seguir em busca de um banheiro, eis que avistei um posto de gasolina!

De imediato consegui identificar a localização do banheiro, mas, para meu desespero a porta estava trancada, com um aviso de que a chave estava na loja de conveniência.

Naquele momento, eu já tinha dificuldade até mesmo para caminhar. Arrastei-me até a loja e, acredito que pelo meu estado de desespero ou pela minha lamentável aparência (eu devia estar verde), a atendente adivinhou que eu estava à procura da chave do banheiro, pois ela já estava com a mão estendida em minha direção.

Em agradecimento, tive vontade de abraçá-la, pois ela havia acabado de me “tirar da merda”, literalmente, mas fiquei com medo de assustá-la e, pior, não conseguir chegar a tempo ao banheiro.

Nunca mais tive esse tipo de problema, mas, por precaução, no dia anterior às provas, procuro seguir a recomendação dos especialistas, não consumindo alimentos estranhos ao meu dia a dia.

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Postado por Isaac Rincaweski
12/2/2016 às 13h53

 
Correr é um exercício de humildade

A corrida é um dos exercícios mais democráticos que existem. Você não precisa ser sócio de um clube; não precisa gastar com equipamentos caríssimos; pode correr a qualquer hora do dia, e em qualquer lugar, bastando somente um bom par de tênis, e não necessariamente do mais caro.

Mas, para iniciar e evoluir no mundo da corrida, é preciso muita determinação, paciência e, principalmente, muita humildade.

Determinação, porque, no início, você estará forçando seu corpo a sair da zona de conforto, quando o repertório de desculpas para não sair de casa para correr é gigantesco: preguiça, chuva, frio, calor, compromissos, novela, horário, lesão, filhos, marido, esposa... Enfim, tudo vai conspirar contra essa sua ideia maluca de pôr um par de tênis e sair correndo feito um louco por aí.

Você precisa de paciência para entender que a sua evolução será lenta. Desde o aumento da velocidade até o aumento das distâncias percorridas, tudo deverá ser feito de forma lenta e gradual, para que o seu corpo se habitue a esse aumento de esforço, evitando, dessa forma, o surgimento de lesões que podem atrasar esse processo ou até mesmo obrigá-lo a desistir totalmente.

Por fim, humildade para entender que não existe idade para correr. Ou seja, numa prova, uma pessoa mais velha poderá correr bem mais rápido que você, dependendo do tempo e do volume de treino que cada um pratica.

Aconteceu comigo. A prova era a Meia Maratona do Bela Vista, na cidade de Gaspar — SC, numa manhã de domingo fria e chuvosa. Um ótimo dia para ficar na cama até mais tarde ou fazer qualquer outra coisa, exceto correr!

Já no local da largada, esperei até o último minuto para me livrar das roupas quentes e encarar aquela chuva fria. De shorts, camisa manga longa e mais uma camiseta por cima, encarei o desafio de correr os 21 km.

Sempre gostei dessa prova, que é praticamente no quintal da minha casa e sempre uma ótima oportunidade para reencontrar velhos amigos. E também por proporcionar uma excelente estrutura de apoio aos atletas, pois é organizada por um dos melhores clubes da região.

Mas, correr no frio, para mim, sempre foi um grande desafio. Minhas mãos demoram muito para aquecer, bem como meu corpo todo!

Eu já estava no sétimo quilômetro, dando o máximo de mim, quando um senhor magrinho, muito simpático, encosta no meu lado e começa a conversar. Sempre corro ouvindo música, mas, quando alguém puxa conversa, eu imediatamente tiro um dos fones de ouvido para poder dar atenção à pessoa.

Não lembro o nome dele, era de Jaraguá do Sul — SC, e acredito que conversamos por uns cinco minutos. Ele estava bastante animado com a possibilidade de pegar pódio nessa corrida, pois tinha acabado de completar 70 anos e sua categoria mudara. Não duvidei que pegasse, pois logo o veria desaparecer da minha frente.

Pior, além da idade, ele devia ter um desvio na coluna, pois corria um pouco inclinado para o lado esquerdo.

"Humilhado", eu até poderia ultrapassá-lo novamente, mas, conhecendo as minhas limitações, pois eu tinha recentemente incluído as meias maratonas em minha agenda, achei por bem continuar no meu ritmo. Acertei.

Logo acabei esquecendo esse episódio, pois o "velhinho" literalmente desapareceu da minha vista, da face da terra, quando, por volta do décimo oitavo quilometro, eis que o vejo à minha frente.

E aquela imagem, daquele senhor, magrinho, correndo tortinho, me deu o ânimo de que eu necessitava para continuar, pois àquela altura eu já estava bem cansado, e, por mais que a gente tente aceitar que esse tipo de situação é perfeitamente normal, nosso inconsciente não concorda assim tão facilmente.

Mesmo como ânimo renovado, tive que suar bastante para conseguir ultrapassá-lo. Não sei se ele conseguiu o pódio que buscava, mas eu posso afirmar que, para mim, ele já é um vencedor, pois, se eu chegar à sua idade, correndo com a mesma alegria e disposição, já estarei realizado.

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Postado por Isaac Rincaweski
1/10/2015 às 10h59

 
A sua aposentadoria já começou

Fico perplexo com o descuido da maioria das pessoas quando o assunto é a sua própria aposentadoria.

Quem trabalha com carteira assinada, está relativamente "protegido" pelo sistema previdenciário público e ainda possui uma pequena vantagem, quando comparado a um profissional autônomo, que precisa arcar sozinho com a sua contribuição, enquanto as empresas complementam a contribuição dos seus funcionários. Mas essa vantagem é passageira.

Passageira porque a expectativa de vida das pessoas está cada vez maior e, com o tempo e as regras pouco amigáveis para atualização do benefício de quem recebe acima de um salário mínimo, há uma grande defasagem desse valor ao longo dos anos, podendo chegar, em muitos casos, ao recebimento de apenas um salário mínimo mensal em pouco tempo. Você já deve ter visto isso acontecer com algum membro da sua família ou amigo.

Por ter de arcar sozinho com a sua contribuição, o profissional autônomo tem certa resistência em contribuir com a previdência, seja com um valor mais alto, seja sobre o valor mínimo.

Quando converso sobre isso com esses profissionais, ouço frases do tipo: "Ah, eu nunca vou me aposentar", ou "Vou ter que trabalhar a vida inteira mesmo", ou ainda "Não vou pagar carnê de INSS para 'eles' roubarem o meu dinheiro".

Esse tipo de comentário deixa bem claros tanto a falta de visão de longo prazo dessas pessoas como mostra também seu grau de descrença na aposentadoria pública.

O fato é que, realmente, não podemos depositar todas as nossas esperanças somente na aposentadoria oferecida pelo governo.

Mas isso não deveria ser determinante na sua decisão de se filiar ou não ao sistema previdenciário público, pois acredito que esse sistema ainda é extremamente interessante como uma das fontes de renda futura, nunca como única, pois, além de garantir uma renda vitalícia, há ainda a possibilidade de acesso a outros benefícios muito importantes, tais como: auxílio doença ou até mesmo a aposentadoria por invalidez, caso necessite, é claro.

Portanto, repito, além de contribuir para o sistema público, sugiro que você também pense em outras alternativas para a construção de um patrimônio capaz de lhe garantir uma renda complementar e uma vida mais tranquila na velhice.

Reconheço que o ato de poupar, investir e acumular riquezas nem sempre é bem compreendido pela maioria das pessoas, talvez por pressão da sociedade, que exige que você esteja sempre com roupas da moda; tenha o melhor carro; a melhor casa; os melhores móveis; frequente os melhores lugares... Tudo acaba causando um grande inchaço nas despesas fixas, inviabilizando a sua capacidade de poupar, ou até mesmo fazendo o efeito contrário, forçando-o a buscar empréstimos para cobrir as contas do mês.

Vejo também uma clara falta de percepção por parte das pessoas sobre o que é considerado ou não um investimento rentável, que, sem uma análise criteriosa, pode até de certa forma nos trazer um efeito negativo nas contas mensais, como a manutenção de uma casa, por exemplo. A casa onde moramos nem sempre pode ser considerada um bom investimento, pois dependendo do seu valor, de sua localização e de outros fatores, em alguns casos, seria mais interessante morar de aluguel, ou trocá-la por outra casa de menor valor, aplicando o excedente em outro tipo de investimento, que pode lhe oferecer um maior retorno.

Mas isso também deve ser feito com muito cuidado, pois quando o dinheiro está muito disponível, é sempre mais fácil fazer uso dele para outros fins que não seja exatamente um "investimento", e aí, quando você se der conta, já não tem mais nenhum investimento e, pior, está sem casa!

É claro que o aumento gradativo da nossa renda mensal ao longo da nossa carreira profissional nos estimula a procurarmos um maior conforto para a nossa vida, mas isso deve ser feito sempre respeitando um limite dos gastos que não interfira em nossa capacidade de continuar poupando regularmente.

O mais estranho é que, mesmo podendo "assistir" e "prever" o nosso futuro, simplesmente observando o que acontece com muitas pessoas idosas que vivem ao nosso redor, sendo obrigadas a sobreviver com a renda de um salário mínimo mensal; tendo que abrir mão de vários benefícios que possuíam durante a vida inteira, como planos de saúde, por exemplo, num momento em que mais precisam deles, ainda assim, não conseguimos nos sensibilizar sobre essa necessidade tão imprescindível para o nosso futuro, que é a formação de uma reserva que nos garanta uma boa aposentadoria.

Portanto, se você ainda não começou a se preocupar com seu futuro, sugiro que comece o quanto antes, pois o tempo é amigo dos que poupam, mas pode ser um inimigo cruel daqueles que negligenciam o cuidado com a vida que virá.

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Postado por Isaac Rincaweski
22/9/2015 às 09h03

 
Não perca mais tempo, corra para a corrida

Só mais um poste... O problema é que faltavam aproximadamente 80 postes para que eu pudesse concluir a meia maratona. Para ser mais exato, quatro longos e dolorosos quilômetros.

Minhas pernas já estavam pesando uma tonelada cada. Na verdade, eu não tinha mais controle sobre elas e o meu maior medo, naquele momento, era tropeçar em alguma formiga ou em um grão de areia e cair no chão sem qualquer chance de me defender, pois eu simplesmente não conseguiria me proteger da queda, tamanha era a minha exaustão.

Comecei bem a corrida, mas, por inexperiência, forcei demais o ritmo no início, na tentativa de fazer um bom tempo, e acabei pagando um alto preço por isso: quebrei ("quebrar" é estar correndo num ritmo e ser forçado a reduzir a velocidade por exaustão ou fadiga muscular) no décimo sétimo quilômetro.

Eu havia feito uma boa preparação para essa prova, que era a minha estreia em meias maratonas, até que, na semana anterior à prova, senti uma dor forte no joelho esquerdo. Consultei um ortopedista que diagnosticou um problema no menisco (que é uma espécie de amortecedor que fica entre os dois ossos do joelho, tíbia e fêmur), indicando uma artroscopia, caso eu quisesse continuar correndo. Ao contrário das cirurgias abertas, em que o médico precisa fazer um corte maior, a artroscopia geralmente é menos dolorosa e permite um tempo de recuperação mais rápido.

Mas, mesmo com uma recuperação mais rápida, eu não estaria bem em apenas uma semana e perguntei ao médico se eu poderia correr assim mesmo. Ele disse que não aconselhava, mas, seu eu realmente quisesse, deveria tomar um anti-inflamatório para não sentir muitas dores. Foi o que fiz, apesar de não gostar de tomar remédios, pois estava muito determinado a participar daquela prova.

Histórias com esta são muito comuns entre corredores iniciantes. Muitas pessoas (assim como eu fiz) acabam ultrapassando seus limites e o corpo é que paga o preço. Fiquei um mês de molho sem poder correr após aquela prova.

Pior ainda, fiquei alguns anos afastado das meias maratonas, tendo em vista que acabava sentindo dores no joelho sempre que aumentava o volume dos meus treinos, pois optei por não operá-lo. Após muita pesquisa sobre o assunto, me empenhei em fortalecê-los através da prática da musculação, mas não obtive o êxito desejado, que atribuo, principalmente, à minha própria falta de aplicação e interesse nesse tipo de atividade física. Eu simplesmente não gosto de "puxar ferro".

Eu já estava quase me conformando em participar somente de provas de 10 km, quando me sugeriram tentar o Pilates. Foi a minha salvação!

No início, virei motivo de chacota na roda de amigos desinformados, que se divertiam as minhas custas com piadinhas machistas de que isso era coisa de menininha. "Você fica brincando com aquela bola? Risos...". Mas sempre levei na esportiva e depois de algum tempo, para dar mais munição à brincadeira, não falava mais em Pilates, mas sim, que estava fazendo balé!

Atualmente, muitos desses amigos que me ridicularizaram naquela época, estão fazendo Pilates também, pois perceberam o quanto essa atividade física faz bem à saúde.

E a minha recuperação foi rápida. Após seis meses de treino, completei a minha segunda meia maratona, e, desta vez, chegando "inteiro", sem dores e sem nenhuma lesão. De lá pra cá, já foram mais de 20 meias e uma prova de 30 km num período de quatro anos, sem nunca mais me lesionar.

Mas aquela primeira meia maratona foi de um aprendizado enorme para mim, pois foi a partir dali que comecei a buscar mais informações sobre a dinâmica das corridas. Comecei a entender que nosso corpo leva algum tempo para se adaptar às mudanças, mas que é uma máquina fantástica, e que só precisa de um pouco de "carinho" e paciência para nos brindar com toda a sua potência e plenitude.

E também que a partir de um determinado tempo, nosso corpo também passa a gostar e a aproveitar as sensações que a corrida nos proporciona, antes, durante e, principalmente, muito, muito tempo depois de a corrida terminar...

Ou seja, salvo se você tiver um grave problema motor ou de saúde, não existe impedimento algum para que você ou que qualquer pessoa possam desfrutar dos benefícios desse esporte. Portanto, corra, que ainda há tempo de começar!

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Postado por Isaac Rincaweski
15/9/2015 às 08h01

 
As pessoas por trás do CNPJ

Atualmente, temos no Brasil algo em torno de 9 milhões de micro e pequenas empresas.

Mas o que a sociedade e a mídia costumam chamar de empresas, eu enxergo como sendo 9 milhões de trabalhadores que lutam no dia a dia para gerar o próprio salário, estando por sua conta e risco e com somente uma certeza: seu sócio oculto (governo) vai levar a sua parte, mesmo que o negócio não gere lucros.
Como na maioria das pequenas empresas, muitas delas utilizavam a própria residência de forma compartilhada com a instalação de suas atividades empresariais, quando o plano diretor municipal permitia esse tipo de atividade, é claro. Mas, em sua maioria, eram prestadores de serviços.

Eu visitava esses clientes para fazer a coleta de notas e documentos contábeis, fazia a cobrança dos honorários e, com isso, acabava criando um vinculo de confiança muito forte com essas pessoas. Elas faziam questão de me oferecer um café, um suco, um bolo que tinha acabado de sair do forno, ou qualquer coisa que tivessem à mesa.

Nessas conversas (meu serviço atrasava bastante, reconheço), eu ficava sabendo de detalhes de suas vidas, não só os relativos às suas empresas.

Comovia-me com o falecimento de algum ente querido (que, na maioria das vezes, eu nem conhecia), como também me alegrava com suas pequenas conquistas ou com as de seus familiares, que me eram confidenciadas como se eu fosse da própria família. Por isso, quando falo de uma empresa, eu lembro das pessoas que de fato dão vida a esse CNPJ.

Eu falo da mercearia da Dona Zélia, que herdou o negócio do pai, e que agora tem uma filha que já está começando a ajudá-la no atendimento aos clientes.

Falo da confecção de roupas da Dona Elvira, que utiliza uma parte da sua casa para instalar as máquinas de costura e cede a própria cozinha para que suas duas funcionárias possam fazer o lanche e o almoço.

Há também a oficina do Mario, que me cumprimentava com o cotovelo, pois suas mãos estavam sempre cheias de graxa.

São pessoas batalhadoras que querem trabalhar na legalidade, querem sustentar suas famílias e, principalmente, querem ser felizes, mas que sofrem com a pesada carga tributária brasileira, e, principalmente, com a burocracia sufocante e castradora que limita o crescimento de suas empresas.

Mesmo atuando há vários anos na área contábil, ainda continuo me contagiando com o entusiasmo de cada novo empreendedor que me procura para ajudá-lo a dar vida às suas ideias e a seus projetos, mas nunca sem deixar de alertá-lo sobre os riscos e as dificuldades que ele irá encontrar.

Portanto, quando ouço falar das frias estatísticas sobre fechamento de empresas no Brasil, a primeira coisa que me vem à mente não é a quantidade de empresas (CNPJs) que fecharam, mas, sim, a quantidade de pessoas que ousaram sonhar com um empreendimento e que agora terão de encarar a difícil decisão de mudar de negócio ou de desistir totalmente desse sonho.

Pois, apesar de existir um crescimento na quantidade de empresas no Brasil, não se observa um aumento da renda desses verdadeiros heróis na mesma proporção, pois o Estado está se tornando, cada vez mais, um estorvo na vida das pequenas empresas.

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Postado por Isaac Rincaweski
9/9/2015 às 13h38

 
A melhor corrida de minha vida

A corrida entrou lentamente em minha vida, ou melhor, entrou caminhando. Os primeiros passos vieram como um remédio para o controle das altas taxas de colesterol e triglicérides e, sutilmente, os trotes começaram a surgir nessa evolução.

De lá pra cá, já foram vários quilômetros percorridos pelas estradas de Blumenau e também de outras cidades do Brasil, seja treinando ou participando de provas, de 5, 10 e 21 km, até ser instigado por meu filho para o desafio de participar dos 30 km da Maratona Ponta do Papagaio e Guarda do Embaú.

Confesso que um dos fatores que estava pesando contra a minha decisão de participar dessa corrida (além de nunca ter percorrido 30 km até então) foi o fato de o trajeto da corrida incluir trilhas na mata, com subidas e descidas íngremes, e de haver também um grande trecho na areia da praia. Sempre acreditei que esse tipo de corrida não correspondia à minha visão de atividade prazerosa e saudável, pois, qual o sentido de correr no meio da lama, dentro da água ou atolado na areia fofa, sujeitando-se a lesionar-se? Para mim, isso simplesmente não fazia sentido...
Até a conclusão dessa prova.
Na verdade, ainda tento entender o que me motiva a aumentar as distâncias percorridas, pois, para manter uma boa saúde, 10 km já seriam suficientes.

O fato é que, por mais que a corrida seja prazerosa, existem vários fatores bem penosos, tais como: excesso de calor, trajeto difícil, muito frio, chuva etc., em que você pensa: "O que que eu tô fazendo aqui?". Mas, por incrível que pareça, em todas as corridas em que esse pensamento passou pela minha cabeça, logo após a chegada, sem exceções, a única coisa que me vinha à mente era: "Quando e onde será a próxima?".

Ou seja, a impressão que eu tenho é a de que a linha de chegada é sempre o início de uma nova corrida.

Voltando aos 30 km da Maratona Ponta do Papagaio e Guarda do Embaú, realizada em 08 de fevereiro 2015, na cidade de Palhoça-SC, foi uma agradável surpresa para mim, que era tão avesso a esse tipo de prova.

Por conta dessa distância, e também do trajeto em si, fui determinado a curtir a competição. Para poupar energia, comecei num pace médio de 5min (cinco minutos por quilômetro percorrido).

Logo entramos na trilha propriamente dita, onde praticamente corríamos em fila indiana, tamanha era a dificuldade de ultrapassagem. Não sei se chovera à noite, mas o fato é que, na medida em que avançávamos, a trilha ficava cada vez mais escorregadia e enlameada. Uma amiga nossa chegou a ficar atolada até a cintura numa poça de lama. Como já estávamos num pasto, o cheiro forte denunciava a presença de, entre outras coisas, bosta de vaca!

Só que, na mesma proporção das dificuldades encontradas, éramos agraciados com paisagens de perder o fôlego e, paradoxalmente, esse "perder o fôlego" era o que nos dava a energia necessária para continuarmos avançando.

No início, eu estava preocupado em não "sujar" os tênis e a roupa, mas, logo em seguida, me libertei desse entrave psicológico e, simplesmente, me lambuzei de lama (e, claro, certamente um pouco de bosta de vaca...).

E o que para mim parecia que seria o pior trecho da prova (as trilhas), acabou sendo o catalisador da energia de que tanto eu precisava para concluir os mais de 20 km que ainda restavam do percurso.

Aí, sim, eu senti o peso do trajeto. O trecho na areia da praia foi muito difícil. O sol já estava forte e o cansaço foi logo mostrando a sua cara.

Quando eu olhava o final da praia, em curva, dava a impressão de que não chegaria nunca, pois a paisagem é incrivelmente parecida durante todo o trajeto: areia, mar, céu azul, sol, areia, mar céu azul, sol... Tudo muito lindo, quando você está sentando embaixo de um guarda sol bebendo uma deliciosa cerveja gelada!

Meu pace já havia aumentado para 6:00 (Seis minutos por km), e eu nem estava na metade da prova!
Pior, eu já estava vendo alguns corredores retornando do trajeto (meu filho inclusive) e ficava pensando se faltava pouco para eu também poder retornar. Mas esse retorno não chegava nunca!

Em determinado momento da corrida, eu já estava trotando, num pace de 7:00 (sete minutos por km) mas, mesmo assim pensava: eu era ainda mais rápido trotando do que caminhando, conformando-me dessa forma com a lentidão da minha... "Corrida"?

E, como num filme de terror, quando eu pensei que nada mais podia acontecer, me deparo com um paredão de areia fofa, que tinha que ser vencido. E foi.

Lentamente, fui avançando. Minha "comida" já havia acabado (uma barra de cereal, três tabletezinhos de uma horrível banana açucarada, três sachês de carboidrato, uma cápsula de Eletrotabs, e um pacotinho de bala de goma).

Ah, e para registro, faltou água nos últimos cinco quilômetros. Tenho que agradecer a um ciclista que estava acompanhando um corredor e que me ofereceu um gole de uma abençoada coca-cola! Na verdade, eles estavam em três ciclistas e conversamos por um bom período.

Eles me incentivaram, falaram que eu estava indo muito bem (o que me animou bastante) e cheguei a, inclusive, fazer uma proposta indecente de compra de uma das suas bicicletas para que eu pudesse terminar o percurso, que, felizmente, não foi aceita!

Excetuando-se esse detalhe da falta de água, e uma pequena confusão da turma que computa o tempo e a classificação para a entrega dos troféus, não tenho nada a reclamar da organização desta prova.

E aí, como em todas as corridas anteriores, a mágica aconteceu novamente. Assim que visualizei a linha de chegada, parece que todas as células do meu corpo se uniram, cada uma contribuindo com o pouquinho de energia que lhe restava, dizendo-me, praticamente gritando: "Parceiro, você nos trouxe até aqui. Agora é com a gente. Relaxa! Estamos juntos!". E uma onda de energia e felicidade invadiu meu corpo e minha alma, conduzindo-me à tão esperada linha de chegada.

E aquele copinho de água e uma pequena maçã ou qualquer fruta que me esperavam adquiriram, naquele momento, uma importância e um sabor dignos de um banquete.

Conclui a prova em 3h07min, exausto, feliz e realizado, mas, novamente como um filme que se repete, já sabendo que a corrida não acabou... Rumo aos 42km.

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Postado por Isaac Rincaweski
3/9/2015 às 08h26

 
Papel vencido é lixo

Logo que o computador começou a popularizar-se, surgiram várias teorias de que brevemente o papel não seria mais tão necessário. Ledo engano.

O que vimos acontecer desde então foi um aumento significativo da papelada que produzimos no dia a dia, seja em nossa vida pessoal e, mais ainda, dentro das nossas empresas.

Pelo grande volume de informações tratadas, a área contábil sempre liderou o processo de informatização dos procedimentos dentro das empresas, sejam elas grandes ou pequenas, e, talvez, seja a área que mais sentiu essa "não redução na produção de papéis".

Na verdade, no caso das pequenas empresas, podemos dizer que até bem pouco tempo, a única área realmente informatizada era a contabilidade. E, diferentemente do que foi profetizado, aquilo a que assistimos foi a um grande aumento no volume de papel produzido nos últimos anos.

Para piorar a situação, vejo que muitas pessoas têm uma dificuldade enorme em livrarem-se de papéis que não tem mais utilidade alguma. Quando visito empresas, tenho, na medida do possível, incentivado o descarte de papéis que já perderam a validade, informando-lhes sobre o prazo legal para guarda e manutenção de documentos fiscais, mas ainda encontro muita resistência por parte das pessoas, que têm medo de, numa eventualidade, precisarem deles em algum momento futuro.

E esse medo não deixa de ter certa razão de existir, principalmente num país como o nosso, em que a burocracia tem vida própria e onde um pedaço de papel vale mais que a palavra de uma pessoa.

Mesmo assim, há certo exagero por parte de muitas pessoas quando o assunto é a guarda de documentos. Frequentemente, encontro caixas guardadas em suas empresas com documentos que não tem mais validade alguma, e que agora só estão servindo de alimento para as traças.

Em nosso escritório contábil, temos trabalhado incansavelmente na redução da "produção de papéis", eliminando a necessidade de impressão de muitos documentos, e, através da digitalização, otimizamos e agilizamos o seu envio aos nossos clientes, aos fornecedores e às instituições financeiras. Mesmo assim, nossos clientes continuam gerando uma quantidade gigantesca de papéis, sendo que, em muitos casos, esses "documentos" não terão mais utilidade alguma logo após a sua impressão e, no entanto, continuam sendo guardados como se fossem verdadeiras relíquias.

Mas, assim como existem aqueles que se apegam ao papel, exibindo até certo orgulho em apresentar as suas relíquias amareladas e guardadas em bom estado de conservação, há também pessoas que não tem o menor senso de responsabilidade em manter a guarda correta dos documentos, nem pelo tempo mínimo necessário, tampouco em local adequado e de fácil localização.

Já encontrei caixas com documentos jogadas nos "buracos" mais úmidos e insalubres que você possa imaginar. Locais próprios para a criação de insetos, ratos, traças, etc., exceto para a guarda de documentos.

Também já me senti um verdadeiro arqueólogo tentando resgatar e restaurar algum documento importante que estava "guardado" em algum calabouço da empresa.

Enfim, se você também tem dúvidas quanto ao tempo necessário para guarda de documentos fiscais, consulte seu contador, ele saberá orientá-lo corretamente sobre os prazos de guarda para cada tipo de documento, e não perca tempo nem dinheiro produzindo e guardando papéis que não tenham utilidade.

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Postado por Isaac Rincaweski
28/8/2015 às 14h14

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