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Sexta-feira, 30/11/2018
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Os Efeitos Colaterais do Ano no Mundo


O mundo nasceu forjado no caus e na selvageria, onde os primeiros homens tiveram que travar lutas pela existência com animais vorazes e após sua extinção, iniciaram batalhas entre si por territórios, divergência de crenças, diferença de povos e todo tipo de motivo que sempre culminou em derramamento de sangue e maiores problemas que a bendita solução.

Claro que o planeta agora alcança melhores resultados com a sociedade moderna e uma diplomacia mais estabelecida entre as nações, porém nunca é o bastante pra sanar os atritos que surgem renovados por ideias que se perderam e não bastam na memória daqueles que não a viveram ao extremo.

Mas até que ponto algo é certo e cruzando a linha, passa a estar errado? Será que esse certo realmente já esteve correto um dia ou era só chamariz ganhando força pra se mostrar extremo mais adiante, no momento conveniente?

Tantas perguntas sem resposta e diferentes quadros que podem levar a diversos cenários entre a utopia e o caus completo. Quem sabe a Joia do Tempo no Olho de Agamotto tenha o resultado numa em milhões de possibilidades acontecendo aleatoriamente? kkk

Entretanto, é fato que uma ponta só existe porque há uma outra equivalente, uma balança, gangorra, que seja, equilibrando no meio os atos cometidos por ambas as partes. Dessa forma, a direita está mais forte porque a esquerda não soube dosar. Da mesma maneira que a guerra acontece porque quase ninguém tenta praticar a paz. Momentos em que tudo piora porque só assim pode melhorar, ressurgindo do fundo vingativos e violentos em forma de política, imigração em massa, terrorismo, catástrofes climáticas, guerras absurdas, modismos ensandecidos, etc.

As velhas lutas e batalhas morreram, esta é uma época velada. Porém, tão perigosa quanto a do início da Terra, há milhões de anos atrás. Cada vez mais a vista, dispersa e arriscada com os recursos tecnológicos, logística e poder de persuasão. Em praticamente todos os meios a propaganda é a alma do negócio e isso está mais que compreendido por aqueles que querem dominar.

Vivendo de novas armas, assim segue a humanidade. Ferindo como de costume pelos velhos objetivos de dominação. São só os efeitos colaterais desse ano no mundo, silenciosos e surreais devastando sorrateiramente até quando nem onde possa imaginar.



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Postado por Blog de Camila Oliveira Santos
30/11/2018 às 05h05

 
A Claustrofobia em Edgar Allan Poe - Parte I

Durante madrugadas ébrias, chuvosas e frias, passo a noite em claro e um livro aberto. Entre o clarão de um raio e estrondo de um trovão, não sei se o que aparece no vidro da janela é a silhueta de Edgar Allan Poe, com dentes assustadoramente alvos, rindo-se enquanto sobrepõe tijolos para fechar qualquer saída, ou se o livro que tenho nas mãos é de uma ave de rapina cuja assinatura é “Nunca mais”. Desperto. Era um pesadelo? Olho ao redor e vejo-me num quarto fechado, sem portas nem janelas...

Edgar Allan Poe é um dos meus autores de cabeceira. Chama-me a atenção em seus contos uma fixação pelos espaços interiores e pequenos. Por exemplo, em “O gato preto” o personagem principal, depois de assassinar sua esposa, para livrar-se do cadáver, empareda-o no porão de sua casa; em “O coração delator”, depois de assassinar o velho companheiro, esconde o corpo debaixo do assoalho. Em ambos os contos, diga-se de passagem, a estrutura é bastante parecida, sendo vários os elementos em comum: a fixação do personagem pelo olhar (do gato no primeiro, do velho no segundo); um estado de clara perturbação mental do narrador-personagem; sons perturbadores, ora provindos da mente perturbada do narrador (o bater do coração do velho), ora das próprias condições situacionais (o miado do gato, que o narrador emparedou sem perceber junto com o cadáver).

Tenho comigo uma hipótese: acredito que esse “espaço fechado” é uma espécie de personagem que circunda, ou melhor, assombra inúmeros dos contos de Poe, mas que não tem nome e muitas vezes é o responsável pelo tom – para utilizar conceito do próprio Poe – do texto, ou até mesmo por gerar sua unidade de efeito. De tão evidente, passa despercebido. Este personagem é o “claustro”. Digo aqui “claustro” por falta de termo melhor; na verdade, penso nas quatro paredes fechadas que, mais do que seu sentido literal, funciona como uma espécie de arquétipo.

Em “O barril de Amontillado”, Montresor – o narrador-personagem –, amargurado e rancoroso por certas injúrias cometidas por Fortunato, tece uma armadilha para abandoná-lo numa câmara subterrânea, supostamente um depósito de vinhos onde haveria um “barril de Amontillado”. Provavelmente o conto é a principal fonte – ou barril? – que Sir Arthur Conan Doyle bebeu para escrever “A nova catacumba” ou Lygia Fagundes Telles para escrever “Venha ver o pôr do sol”. Montresor numa emboscada acorrenta Fortunato nessa câmara, fecha-a e segue, satisfeito de sua vingança. Toda a ação de “O poço e o pêndulo”, como sugere o título, se passa numa espécie de poço – um espaço fechado e misterioso. E talvez o conto que chega ao mais extremo nesse sentido seja “O enterro prematuro”, que versa sobre a fobia do narrador em ser enterrado vivo.

Ora, diante desses poucos exemplos ensaio que, mais do que um recurso literário utilizado por Poe, é, como disse no início, uma espécie de personagem. Um fantasma que assombra manifestando-se sob as mais diversas formas. E o “claustro” não se restringe ao espaço em si, também é sua manifestação, ou melhor, sua influência ou ligação sobre os personagens, como em “A queda da casa de Usher” ou em “Ligeia”, uma espécie de Feng-Shui macabro. E mais ainda, o claustro nem mesmo precisa ser um espaço físico: pode se associar à mente perturbada do personagem.

Acredito que o “claustro”, agora transposto para a condição humana, é um arquétipo. Trata-se do horror em ser levado, sem perceber, por uma força misteriosa que oprime e não oferece nenhuma perspectiva de saída. Vivo, consciente e sem saída, num lugar para sempre desconhecido, sem saber como chegou ali. O medo da morte torna-se um afago. Sem portas, sem janelas. Sem passado nem futuro. Isso é o “claustro”. Também pode ser inferno, eterno-retorno, imutabilidade... Pode se dar num espaço literalmente claustrofóbico ou a céu aberto, nas circunstâncias aparentemente mais insignificantes, mas é onde o abismo se abre. Tudo depende das circunstâncias ou da fertilidade mental de quem (não) pensa. Poe, nesse sentido, expõe as entranhas da vida. Seguimos sem saber como ou para onde, sobre uma jangada que acreditamos existir, fixos em miragens que por nós mesmos se transmutam a cada momento. Quando acordamos, estamos ali, num lugar fechado, sem portas nem janelas. O último gesto é gritar para escutar a própria voz.

To be continued...

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Postado por Ricardo Gessner
25/11/2018 às 14h29

 
Casa de couro V

Mala grande? Era a casa imaginada navio.
Em águas do banho, eu imaginava oceanos.
Roteiros de ida-e-volta. Âncoras no quintal.
Na infância, a guerra era clarão. Fortalezas
de pedra (os quartos): minhas portas ao noviciado
das fábulas. Na cama desfeita, ficaram lágrimas
da despedida. No bolso do casaco,
o forro descosturado.

Casa de couro. Casa d’água.

Dentro da mala, eu construía balsas.
Minha morada flutuante.


(Do livro Travessias)

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Postado por Blog da Mirian
25/11/2018 às 11h00

 
Heróis improváveis telefonam...



Roça do Vó Manoel, óleo sobre tela dessa neta.



Heróis improváveis ligam de número que você nunca imaginaria atender. Claro, de outro Estado que não o seu. Claro que em um dia de nada, de chuva, sem passarinhada (só as loucas das andorinhas) e chuva daquelas que você reza para jogar as mangas Doce de Leite do vizinho no seu chão. Se você acha que chuva é para encher os rios, engana-se. É pra manga cair. Principalmente a Doce de Leite, um bebezinho. Cai.

Presto atenção também em cores que não sei o nome, mas principalmente presto atenção em vento, nuvens, sabiás de setembro, sol, lua. Presto atenção para lembrar do que era bom, paz, sossego. Dos dias na roça, dos avós, das tramelas, cancelas, porteiras e palavras que não existem mais fisicamente por aqui. No meu mundo urbano cinza monstro.

Hoje o Chukichi Kurozawa me ligou. Eu fiquei com aquela cara de “peraí” mineiro. Isso tudo porque confessei prestar atenção na sua ausência do programa de domingo que assisto por afetividade guardada, o Globo Rural. Escrevi, conversando primeiramente com um robô, onde deixava minha dúvida. A dúvida não era como criar abelhas, como fazer muda de Cambuci. Era cadê o Chukichi. Que durante todos esses anos era chamado para resolver as dúvidas dos leitores e... pá, sumiu. Parecia até coisa de Minas mesmo: cadê isso que tava aqui? Sei não, sumiu. Sumiu é a explicação que mineiro aceita, se aparece, apareceu.

Carinhosamente recebi a resposta por e-mail, que ele ainda continua salvando as mais horríveis dúvidas com as mais lindas respostas. Se a planta é doce, comestível, da família de nome louco em latim... Já memorizo o preço da saca de café Arábica e Conilon. Latim ainda é difícil.

Não bastasse o orgulho que fiquei da resposta assim por e-mail, hoje me ligou! Eu que trago todas as férias na roça colada nas minhas melhores alegrias. Eu que tomo café olhando algum lugar porque lembra a cancela da cozinha e a gente olhando o quintal. Eu que fiquei presa no paiol porque esqueci de fechar a tramela e a Mimosa entrou (a vaca que meu avô amansou para seguir a gente). Aprendi que num palheiro não se acha agulha e muito menos a saída se uma vaca gorda entrar. Paiol aqui é onde se guarda palha, deixo claro. Ou era, já nem sei mais. Hoje em dia deve ser Straw Place, regulado certificado carimbado pela Anvisa.

Eu que já me perdi em planilhas do Excel e até para isso já imaginei, se meu amigo consultor do Globo Rural Chukichi Kurozawa respondesse o meu “queisso?”... Saberia! Ele que quando chamado, com uma simples fotografia, sabe... Ele que vem voando cheio de livros com desenhos de frutos e folhas, feitos à mão e pousa com sua resposta: pode comer que é bom. Ou isso veio da Índia... ou... Como pode alguém saber tudo?

Eu que quando triste de marré deci, em Belo Horizonte, olhando pela janela do vigésimo sexto andar, resolvi entre todas as opções da noite ir no show do Rolando Boldrin, no Minascentro. Sozinha na fila e pensando que estou fazendo aqui. Eu que soube. Eu que trouxe de volta aquela alegria simples da gente infância. Das prosas, dos cheiros, dos chamamentos das criações. Eu que um dia antes atravessando a Contorno esqueci do nada como era mesmo o mundo, não sabia atravessar a rua e o sinal vermelho me deu espanto e não soube ligar o telefone, discar, nem falar nada eu soube Esqueci como se lia. Porque o Excel surta a gente. Eu que triste, estava deixando de saber e acreditar. Eu que fui resgatada naquela noite pela simplicidade da roça.

Não sei quantas vezes o agro, a roça ainda vão me resgatar. Eu que hoje nem pedia resgate, voei. Desde o telefone tocar e eu desligar ainda com cara de “peraí”, estou cá pensando nas minhas referências, às somas que nos tornamos. E veio um cheiro de café, queijo, fogão à lenha, lamparina, chuveiro à serpentina, leite, quintal, açude. Hoje sei que o que vem da terra, entra no coração. Hoje sou aquele quintalzão cheio de folhas estalando debaixo dos meus pés, impossível brincar de pique-esconde. Quanto mais corre mais barulho faz. Tenho que contar, eu recebi um telefonema do Chukichi Kurozawa! Eu sou um barulho bom hoje...



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Postado por Blog de Aden Leonardo Camargos
21/11/2018 às 21h22

 
Um lance de escadas

Há décadas vivo na Irlanda, mas sou natural de Toledo, Espanha. Nasci numa família de camponeses – tínhamos algumas poucas cabeças de gado, uma granja modesta e uma pequena plantação de leguminosas. Lembro-me de aos cinco anos de idade já trabalhar na preparação da terra. Depois, em torno dos sete anos – nunca soube ao certo o motivo – meus pais me mandaram a um fazendeiro vizinho, para que eu fosse alfabetizado. Era um sujeito delgado e um tanto excêntrico, que vivia mais pelos seus livros do que para sua fazenda. Amadís de Gaula foi a base para minhas primeiras construções sintáticas e para as lições de história; meu vizinho discorria sobre a época dos feudos, sobre criaturas míticas e heróis. Com isso, não apenas fui alfabetizado, como também adquiri sólido repertório cultural.

Quando completei os estudos e fui liberado pelo meu preceptor, decidi tentar a sorte noutra região. Por um lado, gostava de trabalhar naquela terra, mas cresceu em mim certo pendor de abstração e, assim, decidi viver noutro país. Comuniquei minha decisão aos meus familiares, ao que responderam:

- E a governança da fazenda?

- Deixem os mais novos como responsáveis.

Como já haviam percebido que o território imaginativo era o mais cultivado, desejaram-me boa sorte. Antes de sair do meu povoado, decidi fazer uma visita ao meu antigo mestre; encontrei-o em sua casa, imerso em sua mesa de trabalho, com pilhas de livros para todos os lados. O quarto estava escuro e meu vizinho, mais franzino do que antes; pálido, resmungava trechos de Espejos de caballería. Chamei-lhe pelo nome, ao que ele responde apenas com um gesto de cabeça.

- Estou saindo do vilarejo.

Meu vizinho, encarando-me com ar pensativo, respondeu dando de ombros:

- Em breve nos veremos. – e voltou à sua leitura sem dizer mais nada.

Sua sobrinha relatou-me que estava preocupada com o tio; encontrava-se naquele estado há alguns meses – comia pouco, falava menos e não se importava com nada a não ser suas leituras.

- Talvez esteja se dedicando a algum estudo. – sugeri. A moça assentiu com certo ar de estoicismo, mas sem demonstrar esperança. E assim segui viagem.

*



Quando passei pela região de Salamanca, participei de uma perseguição a um tal de Lazarillo. Acusavam-no de ter roubado todo o vinho de seu mestre, um comerciante de tecidos. Depois de um dia inteiro de buscas, acharam as ânforas todas vazias na própria casa do comerciante, enquanto que o Lazarillo jamais foi encontrado.

*



Depois de dois anos de vida retirante, fixei-me num vilarejo da Irlanda. Fui recebido numa paróquia onde lecionava e cuidava das obras do prédio em troca de moradia e alimentação. Nesse entremeio, como a estrutura da igreja precisava de algumas reformas, contratei um pedreiro de renome – também conhecido por suas bebedeiras – era Tim Finnegan.

Certa ocasião, estávamos trabalhando na reforma de uma das torres do prédio. Tim Finnegan, ébrio, trabalhava no topo de sua escada de cem degraus. Cantava, como sempre. Eu, embaixo, vigiava o trabalho de todos quando, de repente, gritos interromperam a canção de Finnegan. Dois homens aproximavam-se a cavalo: um vinha na frente, silhueta magra, vestia uma armadura de cavaleiro empunhando uma lança, como se pretendesse atacar um inimigo; o outro, seguia atrás, roliço, segurando seu chapéu enquanto gritava ao outro palavras ininteligíveis.

Durante alguns segundos não soube se ria ou se me preparava para uma briga, mas percebi que o alvo não seria eu. O cavaleiro se aproximava cada vez mais, até acertar a escada de Tim, derrubando-o. O pobre pedreiro soltou um grito inefável e atingiu o solo, desfalecido.

- Em nome do poderoso Finn MacCool, o gigante Benandonner está derrotado! – bradou a estranha figura. E continuou:

- Frestón não é páreo! Enfim, dedico essa vitória à minha querida amada Dulci... – dizia o estranho, quando interrompi:

- Ei! Veja o que fizeste! Mataste o pobre Tim! – Mas não pude continuar, pois tamanho foi meu espanto ao perceber que aquela estranha figura era meu antigo mestre. Seu companheiro, que finalmente se aproximava, era outro vizinho.

Ao perceber meu olhar de surpresa, o cavaleiro disse:

- Não há do que agradecer-me. Avisei-te que nos encontraríamos.

- Mas o que aconteceu, Alon...

- Chamo-me Dom Quixote de la Mancha, o Cavaleiro da Triste Figura. E este aqui é meu fiel escudeiro, Sancho...

- ... Panza. Sei, o conheço. – completei.

Lembrei-me daquela longínqua imagem de sua figura, enredada em seus livros, o olhar fixo e a fala desconexa. “Está louco”, pensei. Para não demonstrar meu nervosismo, comecei a falar:

- Mas como tens passado, Alon... digo, Dom Quixote? Pelo que observo, foste nomeado cavaleiro, não? Conte-me, como foi? Pois quando saí de Toledo eras fazendeiro.

E, assim, meu antigo preceptor relatou todas as suas aventuras, enquanto Sancho devorava lascas de queijo com pedaços de pão. O cavaleiro contou-me suas aventuras pela Espanha, Arábia, Grécia; contou-me que um livro havia sido publicado, relatando parte de suas aventuras. Alguns anos depois tive a oportunidade de ler os dois volumes, escritos sob a pena de Benengeli, mas publicadas sob o nome de Cervantes.

Contudo, a maior parte de suas aventuras não estavam registradas; em nenhum dos dois volumes sequer é mencionada a saída de Quixote da Espanha. Creio que estejam perdidas em papéis não traduzidos, quem sabe. De qualquer modo, o encontro de Dom Quixote com Tim Finnegan, ou melhor, com o “gigante Benandonner” não está registrado, por isso, deixo minha contribuição.

Gostaria de concluir com uma observação: a despeito de tudo, Tim Finnegan segue como sempre – bêbado, alegre, trabalhando no topo de sua escada. Um dia ele confessou-me um segredo: durante uma estadia em Salamanca, roubou algumas ânforas de vinho. Bebeu todas e, quando se viu perseguido, fugiu até onde suas pernas o levaram.

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Postado por Ricardo Gessner
18/11/2018 às 14h33

 
No tinir dos metais

Em
meio
à
bruma
matutina
palavras
se
digladiam
a
golpes
de
facas
para
saírem
incólumes
dos
sonhos

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Postado por Metáforas do Zé
13/11/2018 às 16h21

 
De(correntes)

O
mal
da
memória
são
as
réplicas

O
bom?
a
continuidade...

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Postado por Metáforas do Zé
13/11/2018 às 15h29

 
Prata matutina

Em
palavras
lavadas

Deu-se
um
banho
de
cromo

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Postado por Metáforas do Zé
13/11/2018 às 15h27

 
Brazil - An Existing Alien Country on Planet Earth


Me desculpem pelo inglês errôneo, mas ainda estou aprendendo a me adaptar ao mundo, visto que este não sabe de onde venho ou que sequer existo. No entanto, estou aqui entre vocês! Eu e mais 203,9 milhões de habitantes que atualmente vivem no Brasil. Um país tido como exótico e excêntrico por outras nações, considerado tão distante e distinto que pode ser comparado a uma terra alienígena e inexplorada. Um planeta peculiar, perdido em seus próprios mistérios, cujo alguns astronautas vez ou outra chegam a visitar.

Os outros tantos, preferem acreditar nas referências caricatas de filmes e informações absurdas que foram absorvidas durante o passar dos anos e estão enraizadas na cultura mundial. Isso não é culpa de alguém, pois com certeza, nós como alienígenas, também desconhecemos vários países a ponto de tê-los como ambientes de outras galáxias.

Mesmo assim, o Brasil e muitos de seus alienígenas sofrem quando vão pra países convencionais, sendo bombardeados de perguntas irracionais e até ofensivas que nos transformam em aberrações de estudo num laboratório. Pode não ser por mal, porém já passamos por poucas e boas dentro do nosso universo que muitos desconhecem.

Mas este país não é o único lugar incógnito que há na Terra, existem diversos outros esperando pra serem descobertos na busca de um conhecimento pleno, ainda que básico de várias outras culturas pra que mundos distantes façam parte do universo numa única extensão de terra que culmine num só planeta.

Sendo assim, tantos astronautas quanto aliens precisam saber que:

O Brasil não é feito só de Rio de Janeiro, São Paulo e Amazonas. Existem outros 23 estados e um Distrito Federal, onde está Brasília, a capital do país.

Nem todo brasileiro gosta de futebol, samba e carnaval. Um país é feito de milhões de indivíduos com gostos peculiares que necessariamente não representam as características exaltadas pela maioria.

No Brasil, fala-se português! Não é brasileiro, nem espanhol! Trata-se do português oriundo de Portugal, mas que ganhou sua propriedade ao fundir-se com a linguagem indígena, africana e de tantos outros povos que aqui chegaram.

Reforçando também que a capital do Brasil é Brasilia, não Rio de Janeiro, nem Buenos Aires, tão pouco Assunção.

Lembrando que este planeta tem muito mais a oferecer do que samba, Rio de Janeiro, Pelé e Bossa Nova. Se vocês, astronautas, nos conhecerem com paciência e vontade, verão que não somos tão diferentes assim.

Quanto ao mito de odiar a Argentina... Prefiro não comentar! kkk

É importante ressaltar que há muito mais que churrasco no país, pratos deliciosos, aliás! E muito nutritivos. Além de nossa aparência, como alienígenas que somos, quase nunca ser definida.

E definitivamente não temos macacos e animais selvagens andando pelas ruas. A maioria dos aliens quase nunca viu um bicho desses na zona urbana, onde estão os prédios, carros e viadutos iguais aos de qualquer metrópole.

Enfim, esses somos nós! Será que tão alienígenas mesmo? Ou talvez só mais um povo distante do mundo, tentando fazer contato pra provar que é tão igual e humanizado quanto vocês. Nada de exótico, capaz de aprender tudo com competência e embora felizes, passando também por dias tristes, de luta e conscientização.



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Postado por Blog de Camila Oliveira Santos
13/11/2018 às 05h52

 
Casa de couro IV

Entre dois mundos espalhei meu oceano.
Entre dois mundos, dormem nossos avós.
Meu pai e minha mãe sabiam das travessias.
Para vencer aquelas águas do quintal, construí
navios de papel. Grande, o convés. Imenso, o mar.
Bem maior o porto, recebendo o estrangeiro
evadido de antigas guerras.
Travessias, tantas.

Barca de brinquedo. Barca de verdade.

Dentro da mala, as crianças
carregavam o horizonte.


(Do livro Travessias)

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Postado por Blog da Mirian
11/11/2018 às 13h18

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