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Domingo, 3/1/2016
A cidade contemporânea se reflete nos muros
Enderson Oliveira

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"Marrom claro", obra de Eder Oliveira. Rua Aristides Lobo, esquina com Assis de Vasconcelos, bairro do Reduto, Belém, Brasil, 2014. A foto é de Ubirajara Bacelar.


Muros e paredes refletem as mudanças imagéticas e mesmo sociais da cidade contemporânea. A afirmação, talvez estranha em um primeiro momento, pode ajudar a compreender não somente modificações físicas no espaço urbano, como também nas "plataformas" artísticas. Isto fica mais claro ao observarmos a produção de Eder Oliveira.
Eder foi um dos entrevistados no documentário lançado em em 2015 pelo grupo de pesquisa "Comunicação, Antropologia e Filosofia: estética e experiência na comunicação visual, audiovisual e literária urbana da contemporaneidade de Belém do Pará", o Fisionomia Belém, coordenado pelo Prof. Dr. Relivaldo Pinho. Na conversa, realizada meses atrás, o artista destacou não somente as mudanças por que passa Belém, mas também o quanto estas estão "representadas" em sua fisionomia, bem como suas próprias produções e o diálogo estabelecido com a cidade e a contemporaneidade.
Levando isto em conta, Eder afirmou que seu principal objetivo é fazer com que as pessoas "falem sobre um tema que é recorrente, mas que a gente tenta driblar diariamente, que é a marginalização do outro, a marginalização do homem popular e, no caso, do homem amazônico"(sic), explicou. Tal marginalização (principalmente no sentido "criminal") tem como principal meio de divulgação e de reforço o papel da imprensa, ao difundir imagens - não raramente sem autorização ou mesmo certeza - de suspeitos de algum crime, não julgados e ainda não condenados. É neste momento que a ética e a estética por vezes se chocam; ou ainda se cruzam e dialogam, mesmo que seja um diálogo conflituoso e perigoso.


Bairro da Cidade Velha, Belém, 2013

Ao estetizar "ícones" da violência, Eder ironiza e mesmo critica o que chama de "padrão midiático" dos acusados que, como citou, é criado e repetido diariamente em páginas policiais e em programas televisivos. Ao mostrar tal "singularização coletiva", ele tenta fazer referência também a um processo mais amplo, que é o da percepção do que é ser amazônico, muitas vezes também inserido ou percebido em uma realidade marginalizada.
Neste diálogo entre coletivo e individual, merecem relevo ainda as obras que inspiraram o artista paraense a construir a exposição sem título que apresentou na 31ª Bienal Internacional de São Paulo em 2014, como a exposição "Estação Sumaré", de Alex Flemming, também da capital paulista, que conta com 44 fotografias de pessoas desconhecidas, mas que ganham destaque - um destaque anônimo e silencioso, mas ainda assim um destaque em uma megalópole - durante alguns segundos, minutos ou ainda outra relação por conta da constância do passante.
Algo semelhante e talvez mais incômodo ou mesmo irônico é outra obra que serve de inspiração a Eder: a intervenção "Detetor de Ausências", de Rubens Mano, também em São Paulo. A intervenção, na primeira metade da década de 1990, possuía dois grandes holofotes no Viaduto do Chá. As luzes, ao atingirem os pedestres que passavam, os tiravam de certo anonimato, ao mesmo tempo que os reuniam em novas possibilidades estéticas. Passageiros, os momentos revelavam passantes comuns, mas que faziam parte do todo urbano da contemporaneidade. Nas três produções artísticas, como é possível notar, espaço urbano e histórias pessoais se cruzam, assim como tempos e vivências.


"O dia que encontrei minha fé 1". Óleo sobre tela, 2012. Os quadros de Eder também buscar causar certo incômodo e mesmo reconhecimento em que os vê.

Tais histórias pessoais não devem ser compreendidas somente como as das pessoas representadas, mas também de quem as observa, já que neste ciclo, que também envolve o autor, todos seguem anônimos, reconhecidos em momentos esporádicos. "As pessoas tem necessidade, no meio de tantas coisas abstratas, de tantas coisas inteligíveis, de enxergar algo que seja próximo e a imagem figurativa incita isso. As pessoas param, ficam olhando e é muito comum se tiver duas pessoas, brincarem uma com a outra, afirmando que é algo ou que não é, mas se ela vier sozinha, ela para e contempla de alguma forma", comentou.
Importante enfatizar ainda que as imagens, embora sejam estáticas, podem ser potencializadas e mesmo ressignificadas na contemporaneidade através de aparelhos tecnológicos, como fotos feitas através de smartphones e compartilhadas pelas redes sociais. Sobre isso, autor afirma que "essa reprodutibilidade da imagem, através da selfie (...) espalha de outra forma, isso é muito interessante até porque essas imagens partiram dessa reprodução das imagens, partiram de uma imagem fotográfica de jornal e que é impressa em grande quantidade e essa quantidade, essa imagem corriqueira, acaba se desdobrando de uma forma, digamos assim, de uma forma muito uniforme, as pessoas são transformadas em imagens muito uniformes e quando ela joga na condição de selfie ganha outro status, que não é de arte, na maioria das vezes, mas é status de algo diferente", enfatiza.


Eder Oliveira é um dos entrevistados do documentário "Fisionomia Belém", que conta ainda com entrevistas de Edyr Augusto; Ernani Chaves; Fernando Segotwick e Lázaro Magalhães.

Tal diálogo permite a observação de novas possibilidades estéticas, onde a arte é "construída fora do cubo branco", como explica Eder. Indo além, o que o artista destaca é bem mais que uma observação do artista sobre a reação diante da recepção de sua arte, mas sim da observação de qualquer pessoa diante da contemporaneidade e dos signos que são perceptíveis na Belém contemporânea. Indo além, é um encontro consigo mesmo e com todos os incômodos que isto traz em si. Ao provocar isto, Eder constroi "obras interrompem o cotidiano", em que a arte não é somente suporte, mas uma forma de interação com a linguagem e mesmo o espaço urbano.
Isto em Belém é potencializado, já que as influências são diversas, desde ribeirinhos e localidades próximas, a herança da Belle Époque, além de novas construções. Assim como as obras e os muros, que tem sua pintura sendo desgastada ou mesmo em esporádica ou constante modificação, apropriação e mesmo melhorias, a cidade e sua fisionomia também vão se modificando deste modo. A estetização do sujeito amazônico nos muros comunica então a contemporaneidade, onde, mesmo na multidão, cada fotografia singulariza e mesmo ajuda a compor tal fisionomia urbana.
Veja o trailer do filme Fisionomia Belém (2015), de Relivaldo Pinho e Yasmin Pires:



Por Enderson Oliveira


Postado por Enderson Oliveira
Em 3/1/2016 às 11h13



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