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Quinta-feira, 26/2/2015
50 tons de Anastasia, Ida e outras protagonistas
Elisa Andrade Buzzo

+ de 2500 Acessos

Quatro personagens femininas de filmes em cartaz, indo do drama à fantasia e passando pelo drama erótico, formam uma conexão interessante a partir de suas escolhas sobre amor e relacionamentos em momentos críticos - aqui englobando autoconhecimento - de sua existência. Personagens que são mais do que recatadas ou perversas, que ouvem frases como "você não tem ideia do que causa nos homens" e, no entanto, ainda que possam parecer que são letárgicas ou levadas pelas situações, medem e experimentam, sendo protagonistas de sua própria história.

No aclamado drama russo Leviatã, o principal da história é o faz-tudo Kolia (Aleksey Serebryakov), que se encontra frente ao desmoronamento de sua vida e, literalmente, de sua casa, estando de certo modo em segundo plano sua mulher, Lylia (Elena Lyadova). Lylia, que além de cuidar da casa e do afilhado que a rejeita trabalha em uma fábrica de processamento de peixe, realmente parece estar sendo levada ao seu limite, a despeito do amor verdadeiro, mas sufocante, de Kolia. Bom, com a chegada de um amigo de infância de Kolia, um advogado educado e charmoso da capital Moscou, e as situações que daí decorrem, a história irá ter seu contorno alterado. Diante da "desgraça" da traição, Lylia enfim decide permanecer com Kolia ou ir a Moscou em busca de Dmitri (Vladimir Vdovitchenkov) e um novo tipo de vida? Mesmo sendo aceita em ambos os casos, sua resolução (que por sua vez também mudará os contornos da história, como se em última instância as ações em segundo plano da mulher fossem a mola chave do enredo) é bem diferente. Entre duas opções, Lylia parece não conseguir afinal se decidir. Parece não haver saída de fato naquela península esquecida e isolada no Mar de Barents, o que se mostra em sua expressão de desalento e eterno cansaço no longa.

Algo semelhante acontece com a mulher do padeiro no filme de fantasia Caminhos da floresta. Aliás, ousado para um filme da Disney (embora seja baseado no musical homônimo da Broadway) que reúne diversos personagens de contos de fadas num roteiro abrangendo todos eles numa nova história conjunta. Casada e com um filho recém-nascido, a mulher do padeiro (Emily Blunt) não deixa de flertar na floresta com o príncipe da Cinderela (Chris Pine) (e ele não deixa de flertar com ela, primeiro numa busca apaixonada por Cinderela, depois já casado com ela). Depois, numa situação extrema de sobrevivência na história, eles irão se encontrar novamente na floresta e se beijam, numa atração mútua. Depois do ocorrido, a mulher entrará numa crise existencial, dizendo que o ideal seria ficar com os dois, padeiro e príncipe. Por que não? (O príncipe também admire que apenas Cinderela não o poderá satisfazer para sempre.)

Mas o que acontece com aquela, ou melhor, com mais esta personagem feminina com tal brutal decisão a tomar e ao mesmo tempo sem verdadeiras condições de escolha (voltar ao padeiro com a marca latente de novos desejos ou ceder ao príncipe na impossibilidade de completude por ser simples camponesa)? Aí se encontram a jovem camponesa numa época fantasiosa e a russa interiorana Lylia do século XXI. O desenlace da situação da mulher do padeiro, enfim, pode ser interpretado como um castigo dos céus diante da audácia de seus desejos ou então a sua impossibilidade de seguir simplesmente (pois aqui também estamos numa fábula moralista) diante de tais questionamentos.

E o que Anastasia (Dakota Johnson), do amado por alguns e odiado por outros drama erótico Cinquenta tons de cinza tem a ver com estas mulheres? É o empresário de sucesso e sadomasoquista Grey que parece ter personalidade complexa em seus "cinquenta tipos de dores" que ainda não conhecemos, mas dentre as suas metamorfoses ("você é quem está me mudando"), fiquemos aqui com a da estudante de literatura "recatada". Ainda que apaixonada por Grey e cedendo aos seus gostos inusuais, me parece que é ela que vai tendo as rédeas do jogo. Ela aguarda sua formatura para iniciar com Grey; ela vai ao encontro da família em momentos de tensão psicológica e tem decisões duras quando percebe que sua dignidade é ferida, embora apaixonada. Enfim, ao ter sua rotina quebrada, forçada por situações externas, ela tomou resoluções que a transformaram e a deixaram mais forte, e tenta seguir mantendo sua essência diante das situações e, principalmente, de seus desejos. Este ponto é importante: estas protagonistas não estão aí para agradar alguém, embora se testem a todo momento, algumas delas colocando-se, em decorrência disso, em situações-limite.

Se a junção destas três personagens tivesse um ápice, certamente seria com Ida (Agata Trzebuchowska), no longa-metragem Ida (agora sim, tamanha é a amplidão da personagem que mesmo o filme tem por título o seu nome). Uma órfã judia criada num convento, depois da morte brutal da família num vilarejo polonês, durante a Segunda Guerra Mundial, está descobrindo o mundo exterior e a sua identidade antes de fazer o voto final para se tornar freira. Mais do que alcançar o outro e entender o mundo fora dos muros, Ida busca respostas para si mesma e, mais relevante ainda, quer saber quem pretende ser depois de saber quem foi. A parte sentimental fica por conta da figura livre e bela do safoxonista de uma banda de jazz, o qual ela delicadamente experimenta. E qual decisão ela tem? De início pode causar estranheza por conta de nosso mundo mundano ao qual estamos acostumados. Depois, é possível entender esta personagem que se deu ao direito de se arriscar, testar e testar-se para depois ter uma base sólida de decisão.

De todas estas personagens que iniciam um processo de abertura, descobertas e transformação, fatais ou não, Ida é a que parece ter mais maturidade, ou melhor, mais complexão no que acredita ser o que anseia para a sua vida, quem sabe da natureza humana contraditória (sua saída do convento parece o suficiente para conhecer o mundo exterior e suas nuances) e da transitoriedade das situações e dos sentimentos. Ela consegue lidar com as situações que lhe são apresentadas com inteligência e até certo ponto frieza. Talvez seja este um dos pontos a se considerar quando vemos o filme como uma obra-prima e completo, cujas pontas se intercambiam.


Elisa Andrade Buzzo
São Paulo, 26/2/2015


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