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Terça-feira, 11/12/2001
Bananalização
Sol Moras

Estou apalermado com o crescimento da Sarney nas pesquisas. "Esse povo adquiriu alzheimer, só pode ser..." Uma leve tremedeira toma sempre conta de seu corpo ao se lembrar dos dois últimos Fernandos. Não sou chegado a psicologia infantil, mas aviso que quem não votar no barba de Garanhuns em 2002 vai acabar ficando sem a sobremesa.

Bananalização
“A tendência do Brasil não é a banalização, é a bananalização”
(Carlos Heitor Cony)

Possibilidade na impossibilidade
Ele baixou em vários programas da TV brasileira, dando palestras para Armando Nogueira, Marília Gabriela e para o Roda Viva, debate daquela rede hipócrita que demitiu a Soninha. Sociólogo italiano de Nápoles, Domenico de Masi tenta doutrinar um ideário, que além de possível, pode oxigenar as relações atuais de trabalho. "É necessário aprender que o trabalho não é tudo na vida e que existem outros grandes valores: o estudo para produzir saber; a diversão para produzir alegria; o sexo para produzir prazer; a família para produzir solidariedade…" Sempre explicando suas teses com placidez, esse barba branca tenta desafiar os descrentes acreditando na capacidade de adaptação do homem. "A maioria das pessoas que concorda com as minhas idéias sente uma real necessidade de modificar o modelo de vida imposto ao ocidente americanizado sob o impulso do pensamento empresarial: competitividade cruel, stress existencial, prevalência da esfera racional sobre a esfera emocional…" Batizada pelo napolitano de "ócio criativo", essa filosofia é alimentada pelo próprio esgotamento do capitalismo predatório, fato ainda não digerido pelo neo-liberalismo de açougue praticado pelas nações "emergentes". "No contexto humano, nada acontece naturalmente: tudo é fruto da inteligência, da programação e da vontade das pessoas. Só o liberalismo crê que o mercado resolve ‘naturalmente’ todos os problemas." Seus livros fundamentais ("O ócio criativo", "A emoção e a regra" e "A economia do ócio") profetizam uma terceira via não tucana ou americana, mais humana e bacana.

Buda
1. Eu estou empenhado em não matar, não deixar outros matar, e não tolerar qualquer ato de matança no mundo, seja em meus pensamentos, seja em meu modo de vida.
2. Eu estou empenhado em não roubar e não possuir nada que deveria pertencer a outros.
3. Para preservar a felicidade de mim mesmo e de outros, eu estou determinado a respeitar meus compromissos e os compromissos dos outros.
4. Sabendo que as palavras podem criar tanto felicidade como sofrimento, eu prometo aprender a falar sinceramente, com palavras que inspirem autoconfiança, alegria e esperança.
5. Eu estou empenhado em não usar álcool ou qualquer outro intoxicante, ou ingerir comidas ou outros produtos que contenham venenos, como em certos programas de televisão, revistas, livros, filmes e tipos de conversa.
(Bem, esse quinto aí eu já não sei.)

Sal
"No mundo de hoje, decreta-se diariamente a morte da imaginação, como se imaginar fosse o mesmo que agredir a realidade. Imaginar causa medo, pois é em si mesmo um ato de liberdade, de transgressão, de cidadania, ato perigoso. Ora, o cinema, como qualquer criação, está antes do lado incompleto, em via de fazer-se. Filmar é imaginar ao ponto de efetuar transformações sem fórmulas, sem modelos, sem clichês - principalmente! Imaginar ao ponto de encontrar uma imagem tal que já não seja possível distinguir-se o criador da criação, o ator do personagem, o cinema da vida." Imagine então o filme que saiu desse pensamento do diretor Luiz Fernando Carvalho. "Lavoura Arcaica" não é inovador como linguagem, mas tem substância, alimento espiritual que vai além do escapismo que é maioria da produção nacional. "O amor na família é a suprema forma de paciência. E a impaciência também tem seus direitos." A verdade do texto de Raduan Nassar é transposta e enriquecida com esmero, afinal foram dois meses de "laboratório", dois meses de convívio, onde os atores e toda a equipe foram "entrando" nos personagens. E esse cuidado fica evidente lá no escuro. "Seja profeta de seu próprio destino." O complexo de Édipo, o incesto e as privações decorrentes do mal entendimento desses fenômenos norteiam a intenção da obra, utopia possível. O filme estimula nosso pensamento, e isso já é um início.

Apologia
"É complicado fazer apologia das drogas com uma juventude tão consumista e desenfreada."
(Angeli)

Possibilidade de assistir a Friendabilidade
Ross e Rachel discutem quem seduziu quem na conjunção carnal que resultou na gravidez de Rachel. Antes mandar ver em Rachel, Ross estava jejuando há seis meses, então Joey contou uma história que, segundo ele, faz qualquer mulher baixar a guarda: "Anos atrás, quando viajava de mochila pela Europa Ocidental, eu estava perto de Barcelona, aos pés do Monte Tibidabo. Cheguei ao final da trilha e encontrei uma clareira. Havia também um lago encondido com árvores altas ao seu redor. Estava tudo silencioso e era lindo. No lago, uma bela mulher se banhava, mas ela estava chorando…". Nessa hora, Joey explica, se dá o bote. Ross tenta colocar em prática esse artifício com uma ruiva, mas é mal sucedido. Quando, então, ele começa a usar uma câmera de vídeo para ensaiar embasadamente o texto, Rachel aparece. Todo o intercurso é realizado com a câmera ligada. Para se decidir qual dos dois tomou a iniciativa, os amigos assistem ao vídeo. Antes do bote, percebem que Rachel lança mão da história de Joey. Ross entende o sinal e o malho tem início. Ross está com a razão. Rachel não.

Para ir além
http://sol_moras.blogspot.com/

Sol Moras
Rio de Janeiro, 11/12/2001

 

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