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Quinta-feira, 15/8/1985
Guilherme Carvalhal
Guilherme Carvalhal

Me chamo Guilherme Silva Carvalhal de Oliveira. Tenho um sobrenome triplamente agrário, condizente com alguém que nasceu em Itaperuna, cidade do interior do estado do Rio de Janeiro. Não tão agrária também, tendo em vista que a cidade é globalizada. Uma situação interessante, de uma geração que viveu na roça e hoje convive com a alta tecnologia. Meus pais passaram infância na roça com lampião a gás e hoje estão conectados à internet.

Descendo de portugueses, negros, italianos e índios. Meu tataravô chamava Manoel Moço e é um nome típico de histórias de faroeste. Uma tia bisavó contou que o primeiro Carvalhal de nossa linhagem veio fugido de dívidas de Portugal. Um bisavô era filho de um branco e uma negra e foi beneficiado pela Lei do Ventre Livre. Nasceu mulato dos olhos azuis.

Entre avós e bisavós teve costureira, agricultor, dona de pensão, carpinteiro, professora. Teve um bisavô que chegou a ser vereador pela UDN, destoando de todo restante da Câmara que era do PSD. Meus pais são funcionários públicos.

Nasci em 1985, meses após a posse de Sarney. Me formei em jornalismo há alguns anos e agora me formei em administração. Trabalhei com jornalismo em cidades de interior mesmo. Fui repórter, assessor de imprensa (três anos no Sistema Firjan), tive uma empresa de comunicação empresarial, já lancei um site de notícias de Itaperuna e região juntamente a um jornal local. Sem contar os muitos blogs iniciados e abandonados.

Também tenho um trabalho literário. Já lancei quatro romances, As Trigêmeas, Engenharia do Fim da Vida, O Ídolo de Madeira e Berço Esplêndido. Foram tiragens pequenas, mas dá para achar um exemplar ou outro em sebo online. Narrativas interioranas com influência de realismo fantástico e política.

Sempre tive bastante correria para trabalhar. Lidei com jornal diário e era uma agitação louca. Esse ritmo, mesmo que deixando à beira de um infarto, era bacana. Em 2014 eu me preparava para tentar um mestrado em sociologia política quando descobri um problema de saúde relativamente grave, chamado doença de Crohn. Muita coisa mudou, meu ritmo hoje é bem mais devagar e o projeto de mestrado foi adiado.

Entre meu maior interesse sempre esteve o jornalismo cultural, porque sempre acreditei que se o jornalismo pode ocasionar alguma mudança à sociedade, seria ao aproximá-la da cultura. Não que jornalismo político ou policial sejam menos importantes, mas os nomes de Lula e Fernandinho Beira-Mar estão mais na boca do povo do que o de Machado de Assis.

Meu autores preferidos são Graciliano Ramos e Gabriel García Márquez. Graciliano teve um estilo único de escrever, seco, preciso, ao mesmo tempo de uma humanidade grandiosa em tudo que produziu. Gabriel reinventou a América Latina e a maneira como nós a enxergamos e nos enxergamos.

Meus interesses em escrever no Digestivo são focados em literatura, música e cinema. Não tenho a pretensão de achar defeitos ou qualidades no que leio ou em tentar qualificar obra X ou Y, mas em apresentar os produtos culturais ao público. Sou mais um jornalista do que um crítico.

Guilherme Carvalhal
Itaperuna, 15/8/1985

 

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