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Terça-feira, 4/2/2003
Violência e sangue em Gangues de Nova York
Clarissa Kuschnir

O que seria do cinema americano se não existissem cineastas tão bons como Martin Scorsese (o mesmo de clássicos como "Touro Indomável", "Taxi Driver", "Os Bons Companheiros" e "Cassino")? Possivelmente o público não agüentaria assistir quase três horas de "Gangues de Nova York" se não fosse por Scorsese: afinal, trata-se de uma superprodução com mais sangue que qualquer filme de terror. Isso não quer dizer que não seja bom, já que conta com um elenco do primeiro escalão Holywoodiano. O problema é justamente o excesso de violência, que pode chocar o espectador. Além disso, a história é um pouco confusa e não conta direito a origem das gangues mostradas na tela.

Scorsese confessou na entrega do Globo de Ouro - quando ganhou o prêmio de Melhor Diretor (o filme recebeu também Globo de Ouro de melhor canção) - que "Gangues de Nova York" era um sonho que tentava realizar desde que se tornou cineasta há mais de quarenta anos. Esse é o projeto mais pessoal da vida de Scorsese. Demorou, mas saiu... A superprodução, que custou mais de US$ 100 milhões e finalmente chega às telas dos cinemas brasileiros, conta a história das gangues rivais de imigrantes italianos e irlandeses nas ruas de Manhattan, em Nova York, entre os anos de 1846 e 1863.

Leonardo Di Caprio é Vallon, um jovem irlandês, filho de um líder de uma gangue chamada Dead Rabbits, que foi assassinado pelo poderoso Poole, conhecido por todos como o açougueiro (interpretado por Daniel Day Lewis). Vallon quer a todo custo vingar a morte de seu pai e entra para a quadrilha de Poole fazendo amizade com o "mafioso" e com seus homens de confiança, entre eles Johnny Sirocco - interpretado pelo eterno menino do E.T., Henry Thomas bastante diferente e com cara de bandido.

No caminho de Vallon surge a bela Jenny Everdeane (Cameron Diaz, que está ruiva), uma biscate que conquista o coração do moço, mas que mantém um caso de anos com Pool, atrapalhando ainda mais os planos de vingança do jovem rapaz.

Não há personagem que seja totalmente bom no filme. Todo mundo luta por um ideal em meio à corrupção e aos criminosos. Isso justamente na época em que os americanos se sentiam invadidos pelos milhões de imigrantes irlandeses que aportavam nos navios, em Nova York, todos os dias. Além da rivalidade entre as gangues, os Estados Unidos estavam passando por uma sangrenta guerra civil.

Enfim, "Gangues de Nova York" é uma verdadeira disputa sangrenta, mas para quem conhece bem Scorsese sabe que a violência é uma das marcas registradas dele (quem não se lembra, no filme "Cassino", de um personagem que foi torturado a pauladas e depois enterrado vivo). Se Scorsese conseguiu retratar exatamente essa época de guerra, a cidade de Nova York deve ter sido um verdadeiro caos, uma confusão sem fim.

Quanto à reconstituição, "Gangues de Nova York" pode ser considerado impecável. O figurino e a maquiagem nada deixam a desejar. Foi um trabalho árduo para a produção e o cineasta demorou muito tempo para filmar, quase um ano. Uma das razões oficiais para o atraso também foi a ataque terrorista de 11 de Setembro

O cenário foi todo montado na cinecittà Italiana em Roma, onde o filme foi rodado. Vale a pena conferir "Gangues de Nova York" pelo visual e saber o que uma das mais conhecidas e procuradas cidades do mundo era no século XIX. Apesar da violência.

Clarissa Kuschnir
São Paulo, 4/2/2003

 

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