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Quarta-feira, 19/2/2003
À espera de que o público pague para ver
Vicente Tardin

Dois de nossos maiores portais atravessam mudanças importantes em relação a provimento de acesso e oferta de conteúdo para assinantes. Dois fatos novos podem influir na escolha do provedor de acesso por parte do público.

Um dos maiores diferenciais para que as pessoas escolham o UOL como provedor é poder ler as revistas da Abril, como Veja e Exame.

Porém, no momento as publicações da editora estão abertas no UOL e podem ser igualmente acessadas por quem digitar diretamente no browser http://veja.abril.com.br, por exemplo. Neste caso, aparecem sem a barra de navegação do portal.

O contrato de exclusividade entre Abril e UOL expirou em outubro do ano passado. A editora hoje é sócia minoritária do empreendimento, juntamente com a Portugal Telecom; a Folha é sócia majoritária.

O Grupo Abril tem também um provedor banda larga, o Ajato, serviços de TV por assinatura e a MTV. Com as mudanças, o portal da Abril começa a ganhar mais audiência (o que não quer dizer que vai diminuir o acesso ao UOL, agora com as revistas abertas).

Para novos assinantes de um provedor, o UOL perde o argumento das revistas da Abril e a Globo.com entra com uma oferta nova: finalmente lançou seu provedor de acesso via linha discada (estrutura da Embratel) e logo terá também banda larga em parcerias nas plataformas ADSL, além do acesso via cable modem que já possui.

O provimento de acesso é um caminho para oferecer algo que nenhum outro portal possui, a televisão por demanda. O assinante do Globo Media Center pode ver no computador programas como Jornal Nacional, a novela e os gols da rodada -- a qualquer hora.

Uma grande base de dados foi preparada, em processo trabalhoso de meses. Já estão disponíveis cerca de 50 mil vídeos e outros 10 mil serão adicionados mensalmente. Todos os dias, parte da programação da TV Globo e da Globosat é digitalizada, com cerca de 300 novos vídeos.

Ao começar a cobrar por um serviço novo (os programas novos e antigos sob demanda), a Globo.com encontrou uma maneira mais suave de introduzir o conteúdo pago.

Os jornais e revistas do grupo continuam abertos, mas os vídeos só serão vistos por quem tem uma senha de assinante do provedor de acesso, de banda estreita ou larga. Por linha discada não se vê muita coisa, mas com ADSL ou cable modem já é bem mais interessante. Poder assistir a qualquer hora um programa de seu interesse já exibido, é um apelo e tanto, mesmo no computador.

Atuais usuários de ADSL da Telefônica ou da Telemar podem balançar também. Afinal, se obrigados mesmo a pagar por um provedor, além da operadora, por que não trocar por aquele que mostra os gols de seu time?

O preço do acesso discado é de R$ 14,90 e o de banda larga a partir de R$ 19,90, com direito a uma conta de linha discada com horas ilimitadas. O objetivo da Globo.com é aproximar a internet da televisão para conquistar 20% do mercado de banda larga em dois anos e 10% da linha discada. Considera que seu negócio principal está na banda larga e por isso procura favorecer a migração dos usuários.

Nota do Editor
Vicente Tardin é editor do Webinsider, onde este texto foi originalmente publicado. (Manteve-se a formatação original.)

Vicente Tardin
Rio de Janeiro, 19/2/2003

 

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