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Domingo, 14/4/2002
Comentários
Leitores

ao Eliahu
Eliahu, Vc está me dando a oportunidade que sempre esperei de poder travar uma discussão bem informada (mais de sua parte do que da minha, diga-se de passagem), civilizada e, ainda assim, com alguém que está do "lado oposto". É óbvio que vc não poderia apoiar e nem defender a causa palestina, mas me parece clara também a sua argumentação e posicionamento. Pra mim, repito, é um privilégio. Sempre que abordo o assunto do conflito no oriente médio com amigos e pessoas próximas, ficamos sempre de acordo. Ou seja, achamos que Sharon deveria ser condenado e que Israel precisa desocupar os territórios palestinos. Por isso, estou contente de poder encontrar alguém que, em última análise, atraves de boa argumentação enriquece a discussão e me faz rever meus pontos de vista. Queria acrescentar que o artigo da Daniela Sandler, "nas garras do iluminismo fácil" e os comentários de pedroservio (não só ao próprio artigo da Daniela, mas aos de Heitor e ao de Rafael) são muito mais interesantes e muito mais contributivos do que as minhas opiniões. Mas, sempre há um derradeiro mas... apesar de reconhecer e admirar o conhecimento do assunto que vc demonstra ter, eu não tenho de aceitar como verdade absoluta tudo o que vc sabe e diz (aliás, o que podemos tomar como verdade absoluta?). Exemplo: vc obviamente crê que a região onde está o Estado de Israel é a terra prometida do povo judeu. Independentemente dos motivos que levaram ONU e os países que apoiaram aquela decisão de criar o estado de Israel, isto é um fato para vc. Mas não o é para os povos árabes. Mas vamos além. Vc diz: "Lembre-se que de todos os territorios que faziam parte dos protetorados ingleses e franceses apos o inicio do seculo XX, Israel é uma ínfima parte". Pois eu gostaria de fazer minhas as palavras de pedroservio (desculpe, mas não sei seu nome, pedroservio): "a ONU simplesmente não tinha o direito de expropriar 78% da palestina e entregar aos judeus. Isso só foi posível devido a ótica colonialista ainda vigente, se bem q já ferida de morte, à época. Imaginar q algum dia os árabes vão 'se conformar' com isso é rematada tolice. Foi um ato colonialista, e só pela força será mantido. Em essência: uma arbitrariedade. Inútil tentar justificar, só dá para explicar". Em suma: o que vc chama de "protetorados franceses e ingleses", eram na realidade colônias. Alguém se dignou a perguntar, naquele momento, se os habitantes nativos daquela região se importariam com a criação de um novo estado ali? Claro que não. Assim como acho que seria demais esperar que os palestinos aceitassem passivamente o argumento bíblico para a criação do estado de Israel. Veja bem, não estou afirmando que o Estado de Israel seja uma excrescência. Mas estou tentado compreender os motivos do conflito. Sei das razões culturais e, portanto, da importância que a quela região representa para os judeus, mas seria fundamental que os processos de paz levassem também em conta o ponto de vista palestino. Sem isso, não se avançará muito. Por fim, gostaria muito de acreditar na boa vontade dos homens que estão no poder e mais ainda na capacidade de tolerância humana. Agradeço a paciência. Um grande abraço, Eduardo Luedy

[Sobre "O injustificável"]

por Eduardo Luedy
14/4/2002 às
21h26

"Prenez le Tchan" de Poulenc
Ah, mas você tem razão, é claro, e é bom que essa distinção seja feita. Também dúvido que "É o Tchan" (ainda existe?) vá servir de base para um concerto, etc. É por isso que eu frisei "o melhor da música simples". O melhor, o melhor. Depois que você mandou o seu exemplo, Ricardo, tentei imaginar como seria esse concerto n5, e tive vertigens...Um abraço- Alexandre

[Sobre "O Exército de Pedro"]

por Alexandre Soares
14/4/2002 às
20h16

Elogios ao Eliahu
Eliahu, Acho que você foi a pessoa mais honesta e realista de todos que escreveram aqui, pois fala ponderadamente sem insultar o adversário - e se o fizesse, estaria até justificado pois está literalmente "no calor da batalha" aí em Israel. Acho esse respeito fundamental. Além do mais, a realidade que você presencia no seu quotidano te dá credenciais reais. Creio que pessoas como você deveriam estar no poder em Isreal e na Palestina nestas horas. Ao Heitor, gostaria de usar o Eliahu, se ele permitir, como exemplo de que há na sociedade civil pessoas com mais sensatez e bom senso que os que estão dirigindo a situação política. Se déssemos o controle do estado às pessoas como o Eliahu, elas desejariam ter em suas mãos poder suficiente para tentar garantir que o amanhã seja melhor que o presente e o passado. Entretanto, uma grande parte dos dirigentes e dos políticos querem um poder que não existe - que é virtual, que vai além do poder usável para fazer algo concreto; é um poder que não tem começo nem fim, e cujo propósito muitas vezes serve apenas para preencher um ego vazio. Quem não tem a chamada "aspiração política" geralmente se satisfaz apenas com que as coisas sejam feitas, não lhes interessa o poder execessivo. Não digo que não existam políticos honestos e genuínos, mas como todos aqui sabemos, é uma raridade. Portanto, esse seria o recado com relação ao seu comentário sobre deixar a paz nas mãos de "amadores". Aliás, a frase é: "a guerra é tão importante que não se pode deixar na mãos de generais!". Abraços, Antonio.

[Sobre "O injustificável"]

por Antonio Oliveira
14/4/2002 às
19h46

sorriso de canto de boca.
Encontrei. Há muito tempo procuro notícias dessa parte da minha vida, onde assitia com a minha irmã na tv cultura esse seriado, tinha 10anos etoda vida que tocava a música tema, eu corria pra frente da televisãoe nada era mais emocionante ;a música , a vida na escola, o jeito do kevin...hoje quando lembro da minha infãncia vem um sorriso de canto de boca , uma vontade dechorar; são os efeitos de " Anos Incríveis". Parabéns Juliano.

[Sobre "Anos Incríveis"]

por claudia
14/4/2002 às
19h35

ideologias opostas parte 2
Mas que pérola! Heitor defende o baluarte da democracia e da liberdade--os EUA--mas perdoa que eles tenham, em nome de um dever altíssimo, "interferido" nos processos democráticos de outros países (Brasil e Chile, por exemplo) porque o comunismo era um risco a se considerar. Por isso, ou seja, apenas por causa destes ideais de liberdade e justiça, eles não só financiaram ditaduras violentas como chegaram a trazer seu "know-how" para que nossos "defensores" da liberdade democrática pudessem aprimorar seus métodos de tortura e disuasão. Brilhante! Ô! Acorda! Vc pensa que vai convencer alguém com isso? Seja mais honesto consigo mesmo: os EUA estão no jogo por causa de grana e de sua soberania, ainda que isso represente aniquilar outras nações. Vc pode até estar bem informado e dar boas aulas de história contemporânea (quando eu falei que havia gostado eu não estava sendo irônico), mas precisa relativizar seus pontos de vista. Um abraço do ingênuo Eduardo

[Sobre "O injustificável"]

por Eduardo Luedy
14/4/2002 às
20h03

Ideologias Opostas
Sem dúvida, Eduardo, sou francamente favorável a todas as democracias e os USA são o único País que em mais de 200 anos jamais teve um General no poder, ou um 'pronunciamiento' e aonde são realizadas eleições todos os anos divisíveis por quatro, como manda a Constituição, um dos mais importantes documentos da história da Humanidade. Nem guerras, externas ou civís, jamais interropenram o processo democrático por lá. (Não me venha com argumentos contra a última eleição porque já cansei de refutá-los e não vou voltar a isto). Este, aliás, um dos principais argumentos que tenho a favor de Israel, lá também é assim. Agora, se você não acha importante a liberdade e a democracia, estamos realmente em campos opostos e inconciliáveis. Quanto às ditaduras que os USA apoiaram aqui na América Latina: será que se eles tivessem feito algo a mais em Cuba em 1959 não estaríamos livre deste idiota barbudo que mantém seu povo faminto enquanto anda pelo mundo se pavoneando de benfeitor? (Outro argumento que cansei de refutar: o de que a revolução em Cuba fez com todos tenham saúde e educação. É mentira, Cuba já tinha os melhores índices de escolarização das Américas e um serviço de saúde invejável, antes do Sr. Fidel tomar o poder. Ele nada mais fez do manter, mal e mal, o que já existia). Quanto à aula de história se você não gostou não posso fazer nada.

[Sobre "O injustificável"]

por Heitor De Paola
14/4/2002 às
18h28

Criação de Israel
Com relação à "cirurgicidade" da operação, é claro que em guerra nada tem este carater microscopico e perfeito. Mas eu me referi à preocupação do exercito em nÃO CAUSAR VITIMAS CIVIS! Agora, com relação aos paise que eu citei, so os citei para dizer a voce que toda esta divisão do Oriente Medio em Paises é muito recente, e não vejo porque Israel não pode ser incluido nesta redistribuição de territorios. Lembre-se que de todos os territorios que faziam parte dos protetorados ingleses e franceses apos o inicio do seculo XX, Israel é uma ínfima parte. A parte do leão ficou d fato com os paises de origem e cultura arabe, como é logico. Mas alegar que Israel é como se fosse uma excrescencia, produto dos interesse sdas grandes potencias não é correto, ou mais correto do que alegar o mesmo em relação a um bando de outros paises da região. Abraços, Eliahu

[Sobre "O injustificável"]

por Eliahu feldman
14/4/2002 às
18h15

Sharon
Para o Eduardo: Olha só: Eu já disse antes que o Sharon não é o meu voto. Mas acho que de longe, dá a impressão que ele é um assassino sangrento. Não creio que sej assim. Umas vinhetas: Quando da guerra do Libano, o arafat e o grosso da direção palestina saiu fugida de navio em direção ã Tunisia. Anteontem fui jantar na casa de um contra parente que era das forças especias na época e que me disse (não pra eu contar pra voce, evidentemente), assim en passant, que os oficiais do Sharon imploraram pra afundar os tres navios que levavam os palestinos. Era üma sopa". Pois bem o Sharon se recusou (era o comandante), para atender a pedidos de outras potencias. Veja, que ali se tratava de uma guerra, e na guerra, voce às vezes não faz papel de "bonzinhO". Me pergunto que outro general teria deixado excapar op aeu pior inimigo assim "na boa".... Outra: Quando o Sadat resolveu que ia fazer a paz com Israel, e om fez com um governo de direita (pasme), Israel teve que evacuar bases e cidade inteiras que tinham sido construidas no Sinai. quem foi o encarregado? Sharon. E el foi la e fez. De modo que eu acho qeu esta generalização da midia que voce está "comprando"é furada. Outra: na epoca em que houve o massacre sa Sabra a Chatilla, o Time publicou materia dizendo queo Sharon era o responsavel pelo massacre. Pois bem, o Sharon processou o Time nos USA por difamação e... ganhou!!!! Pense nisto, Eduardo, antes de repetir chavões vazios... Um abraço, Eliahu

[Sobre "O injustificável"]

por Eliahu Feldman
14/4/2002 às
18h00

relativizando
Eliahu, sei que vc não falou em jogar bomba em ninguém (muito menos atômica), mas é que acho mesmo que se Ariel Sharon ainda não completou sua saga assassina, é porque existem interesses contrários, até mesmo dos EUA, temerosos de que as coisas fiquem ainda piores. E nem me parece que vc concorda com isso. Agora, não venha me dizer que a operação israelense, indo de casa em casa, tem precisão cirúrgica (pinça, foi a palavra que vc usou). Quanto à arbitrariedade na criação da Síria, Kwait, Iraque, etc, não me parece que seja um bom argumento utilizar sempre como exemplo os aspectos negativos destes países (tais como a pobreza da maioria da população, a ausência de liberdade de expressão, a imensa riqueza concentrada nas mãos de poucos, etc etc) como fator atenuador de outras atitudes ou aspectos condenáveis. Sendo assim, onde vamos parar? Eu até admito relativizar meu ponto de vista (e, admito, estou aprendendo muito aqui), mas não com base no argumento, "ah, eles também fizeram isso, então vamos fazer também". Um abraço, Eduardo

[Sobre "O injustificável"]

por Eduardo Luedy
14/4/2002 às
17h01

ideologias opostas
"Por que será que são os mexicanos que querem entrar nos USA e não ao contrário?" Este trecho resume bem o pensamento do Heitor de Paola. Ele pode até estar certo dos fatos ocorridos e descritos em sua detalhada aula de história, mas o essencial não é dito. E o que é essencial dizer, Heitor, é que os EUA não são, apesar de fazerem gente como vc acreditar nisso, os donos do mundo. Eles agem como se fossem e a gente tem que engolir isso porque eles são poderosos. Me referi ao México como poderia ter me referido à interferência americana no Chile, apoiando Pinochet e até mesmo colaborando com ditadura brasileira na década de 70. Tudo em nome da "liberdade". Pobres de nós... Vc pode acreditar que isso seja o que eles podem e devem fazer pelo mundo. Eu não. Um abraço, Eduardo Luedy ps. Gostei da aula, mas como disse antes, não acho que seja o melhor exemplo para limpar a bara dos EUA.

[Sobre "O injustificável"]

por Eduardo Luedy
14/4/2002 às
17h11

Julio Daio Borges
Editor

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