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Sábado, 16/11/2002
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O patrocínio agradece
Parece que a estratégia de escrever artigos polêmicos continua funcionando. Até quando? Só que desta vez o intelectualoide escreveu asneiras demais.E olhe apesar de não comungar com o estilo do Francis, convivi com ele aqui em NY, e tenho certeza ele não gostaria da maioria dos dublês de escritores que vc citou.

[Sobre "Filhos de Francis"]

por Antonio Castellane
16/11/2002 às
22h16

Uma teoria
Parece-me que o Alexandre fez uma descrição interessante, mas pecou na análise. Por que essa nova geração de escritores é mais de direita? Tenho a teoria de que toda geração se define em oposição à geração anterior. A geração romântica surge em oposição ao racionalismo do neo-clássico e do iluminismo de Voltaire. Minha geração era libertária e de esquerda porque a geração anterior era de direita e ditatorial. Na eleição de 1989, meu tio passeava de carro pela cidade, vendo onde tinha boca de urna do Lula e chamando a polícia... Claro que eu só poderia ser de esquerda. Aliás, falou-se muito que a esquerda preza a igualdade e a direita preza a liberdade (afinal, o Alexandre está falando de direita ou de neo-liberalismo?). Mas há a opção anarquista, que preza tanto a igualdade quanto a liberdade...

[Sobre "Filhos de Francis"]

por Gian Danton
16/11/2002 às
21h21

Discutir com neo-direitistas
Discutir com os neo-direitistas é muito divertido. O Felipe Ortiz chama o PFL de "traidor do liberalismo". O partido mais arraigado ao estatismo e ao clientelismo que já se viu no mundo. E não foi uma mudança nos "ideais" do partido, eles sempre foram assim. Grande análise. Depois, ele continua afirmando que existem dois liberais: os exploradores e os "dândis". Ou seja, existem aqueles que exploram a mais-valia e a usam para adquirir mais propriedades e ficar mais rico, e há outros que exploram a mais-valia e a usam para adquirir livros e escrever blogs. Isso é considerado "atualizar as potências humanas". Ironicamente (e longe da verdade), este ser dandesco que do alto de sua torre observa e comenta o mundo, segundo Felipe, não gosta de política e nem do poder. Mesmo assim, os blogs de direita citam mais o nome do Lula, do MST, do PT e de outros esquerdistas, do que qualquer jornal e site "normais" (não-claramente de direita, quero dizer). Que contradição é essa? Por que o choro dos vencidos, dos incapazes e dos hipócritas precisa ser tão alto, se nenhum de vocês gosta de política ou do poder? Parem de chorar e comecem a agir como adultos! O comentário do Felipe me lembra aquelas discussões infantis. Uma criança tenta fazer alguma coisa e não consegue, assim, para responder à zombaria das outras crianças, responde: mas eu não queria mesmo! Patético. A direita é incompetente e inepta. E qual é a resposta? "Ah, a gente prefere ficar contemplando o mundo, não queria brincar mesmo!!!". Cuidado, futuros Nabokovs, lembrem-se que o pai do escritor, foi assassinado por direitistas insanos. Infelizmente, nestes blogs gestam-se os novos Pinochets, Videlas e Pedro Carmonas. Porque ninguém acredita nestas baboseiras contemplativas, mas todo mundo sabe que a direita atua conspirativamente, na calada da noite mais covarde, prendendo, matando, jogando bombas. Como sempre fizeram, aliás. Ah, Rafael, eu nunca falei que os regimes de direita eram liberais, aliás, nem você acredita nisso. Eu falei que eram de direita. E a direita traveste-se da ideologia que mais lhe serve. Porque, em geral, só visa à manutenção de seus privilégios e do lucro de suas empresas e, para consegui-lo, a ideologia é o que menos importa. Saddam, Kadhafi, Arafat, são todos felizes defensores do capitalismo. No caso de Saddam, sempre foi um feliz aliado dos EUA até o final dos anos 80. Kadhafi fez as pazes com as potências ocidentais e todos felizes exploram petróleo e as riquezas naturais da Líbia numa explosão de capitalismo liberal (para eles, pelo menos), os fundamentalistas islâmicos têm as mesmas posições da direita americana em relação às minorias, aos gays, às mulheres, ao aborto e aos estrangeiros, chamá-los de esquerdistas é brincadeira de quem não ver a realidade. Também querem um capitalismo liberal para os muçulmanos, assim como os direitistas americanos querem muito liberalismo para os EUA. O Hamas, por exemplo, que nasceu financiado por Israel, ataca e mata os militantes comunistas palestinos. Quanto aos "institucionais" do PRI mexicano, foram eles que iniciaram a abertura liberal, assinaram o NAFTA, por que não seriam de direita? Por que você não quer? Não se preocupe, você é jovem e aprende: todo direitista é liberal quando fora do poder e um estatista quando sente o gosto das tetas do Estado. Você chega lá. O Khmer Rouge instaurou um governo de terror que, em nenhuma das suas medidas lembra nem vagamente o que falava Marx (ah, como Paulo Francis faz falta, ele, pelo menos havia lido Trotsky e entendia um pouco da coisa, seus pupilos por outro lado...), sem falar que tudo isso era de conhecimento e fora aprovado pelos EUA e pelas potências ocidentais. A situação foi tão calamitosa que a loucura só foi parada com a invasão dos "assassinos sanguinários" vietnamitas. Sim, aqueles comunistas horrorosos que derrotaram os americanos, tiveram que invadir o Camboja para derrubar o Khmer pró-americano e acabar com o genocídio. Viva os liberais dos EUA! Sem me estender muito: só uma palavra para esta falsa e anacrônica dicotomia entre igualdade e desigualdade - solidariedade. Por fim, perdoe-me se falar a verdade insulta sua inteligência e memória.

[Sobre "Filhos de Francis"]

por marcelo
16/11/2002 às
16h12

argentinos e a sociedade
Caro Eduardo, Preciso dizer que o teu artigo me decepcionou profundamente, pelo que vejo voce conhece muito pouco da Argentina e do Brasil tambem. Acredito que seus comentarios superficiais e agresivos refletem a sua frustracao pessoal com argentinos e a sociedade em geral. Sendo um Argentino que mora no Brasil ha apenas 5 anos posso dizer q conheco e adimiro o Brasil muito mais que voce. Va morar na Argentina por alguns anos, com certeza voce mudara de ideia Juan

[Sobre "Uma verdade incômoda"]

por Juan Guzman
16/11/2002 às
17h14

preciso fazer uma correção
Já falei muito mais do que convinha, mas me perdoem: preciso fazer uma correção. Eu disse aí em cima que todas as ditaduras de direita apontadas pelo Marcelo eram falsamente liberais. Fui injusto. Quase todas. É que algumas não tinham nem o mero discurso liberal. Ah, Marcelo, não tente empurrar para o nosso lado os revolucionários mexicanos do PRI, Saddam Hussein, Muammar Kadhafi, o Khmer Vermelho (juro que não acreditei quando li...), Yasser Arafat e os terroristas palestinos em geral, que isso não vai colar não. Esses pratos foram vocês que sujaram. Quer discutir? Vamos discutir; mas sem insultos à inteligência e à memória, por favor.

[Sobre "Filhos de Francis"]

por Felipe Ortiz
16/11/2002 às
13h54

Literatura e Política
Alexandre, meu caro, muito obrigado pela generosa referência ao meu blog, ao lado de tão boas companhias. As influências de Paulo Francis e de Olavo de Carvalho sobre nós são um excelente assunto. Mês que vem, quando eu tiver um pouco mais de tempo, vou escrever umas considerações pessoais a respeito. Outro assunto que também vale um artigo são as correlações entre política e literatura que você rastreou, e que o leitor Marcelo (que, segundo entendi, é o colunista Marcelo Barbão) questionou. Minhas impressões são as seguintes: não tenho dúvidas de que a esquerda, no Brasil pelo menos, é politicamente muito mais bem organizada do que a direita. Nisso o Marcelo tem toda razão. Considerem a disciplina tática de um PT, que enfim elegeu seu candidato à Presidência após uma persistente campanha de quase vinte anos (Lula é, aberta ou veladamente, o candidato oficial e permanente do PT desde as Diretas-Já). E comparem com a inconsistência de um PFL, há várias eleições sem candidato próprio, mais comprometido com esquemas patrimonialistas do que com as bandeiras liberais - e para tanto disposto inclusive a compor, durante oito anos, com um partido de esquerda moderada como o PSDB. É claro que o socialismo petista é sincero, ao contrário do liberalismo pefelista. E essa sinceridade tem sido o motor do permanente crescimento do PT na política nacional. Acontece que as razões desse fiasco político do liberalismo são diferentes das que o Marcelo aponta. O verdadeiro motivo são as diferenças de valores. Um esquerdista vê na igualdade o valor fundamental. Essa igualdade não pode surgir de forma espontânea nas relações sociais, que se dão entre pessoas não só conjunturalmente desiguais, pelas suas heranças, mas também naturalmente desiguais por seus talentos e méritos; as relações livres entre desiguais tenderão portanto a premiar e perpetuar essa desigualdade. A igualdade só pode ser imposta pela coerção estatal. É compreensível, portanto, que os esquerdistas tendam a ser tão interessados pela participação política, pela "construção" de partidos e "movimentos sociais" e pela tomada e manutenção do poder. Tirem de um esquerdista todas as possibilidades de ascensão ao poder e de reforma do mundo conforme seus planos igualitários e vocês verão um ser angustiado, destituído do sentido de sua vida, talvez propenso ao suicídio. Um liberal tem uma tábua de valores completamente diferente. Para ele, fundamental é a liberdade. Que se manifesta no exercício de seus atributos pessoais - ou, em outras palavras, no uso, fruição e disposição de sua propriedade (o termo é aceitável se o empregamos num sentido mais vasto, abrangendo todas as possibilidades de ação de um indivíduo que tenham a si próprio como fim). Um liberal, portanto, está ocupado essencialmente com a atualização de suas potências e com a persecução de seus próprios fins, com seus próprios meios. Daí podemos deduzir a existência de dois tipos de liberal: aquele que preocupa-se essencialmente com os fins - o uso de sua "propriedade" - e aquele que prefere dedicar suas energias aos meios - acumular mais e mais "propriedade", não raro às expensas dos outros. É claro que este último não é propriamente um liberal, mas um simples e imaturo egoísta. Este provavelmente gosta de política, um ótimo meio de se expropriar as outras pessoas. É o pefelista de carteirinha típico, sem dúvida um patrimonialista ardoroso - nessa categoria recaem todas as ditaduras supostamente "liberais" que o Marcelo mencionou. Já o primeiro é um liberal no sentido próprio do termo. Não quer expropriar ninguém, só não admite ser expropriado. Despreza a política e o poder. Importante para ele é "fruir sua propriedade" - por exemplo, mantendo blogs na Internet, dedicando-se à filosofia, à literatura, à história, às ciências puras, à arte, a tudo aquilo que seja atualização pura das potências propriamente humanas. É esse o ponto. Um esquerdista vê um liberal aprimorando seu estilo num blog, ensaiando os livros que futuramente escreverá - e só consegue enxergar nele um frívolo, um simples contemplador inerte e incapaz de impulsionar um "novo estágio das forças produtivas". O liberal devolve o olhar ao esquerdista, que está todo afobado com os mil e um compromissos políticos ativos que este assumiu - e se compadece desse pobre-diabo, tão crente de que pode "transformar a realidade", e que não compreendeu que a contemplação é o fim último da vida e o único modo de vida propriamente humano. Aí está o conflito: nos valores. Cada um dos dois faz - e tende a fazer bem - aquilo que lhe parece essencial. É compreensível, portanto, que tenhamos ótimas mentes táticas e revolucionárias em partidos de esquerda cada vez mais ativos - e brilhantes mentes contemplativas em blogs "de direita" cada vez melhores, à medida que seus autores amadurecem suas idéias e seu estilo. Nesse rumo, não é impossível que o futuro do Brasil seja uma espécie de União Soviética, uma máquina feroz (e, no curto e médio prazos, eficiente) de controle ditatorial da vida individual, movida pela busca obstinada por igualdade - e descrita, "ad perpetuam rei memoriam", nos romances e poemas de brilhantes gerações de escritores, todos exilados e todos "de direita". Os novos Nabokovs e Soljenitsins talvez estejam nascendo nos blogs da Internet brasileira. Tal como os nossos Stalins e Brejnevs já estão no ventre dos PT, do PSTU, do MST e de outros movimentos do tipo. Para finalizar esse enorme comentário, uma dica: uma maravilhosa exposição do liberalismo (e que por isso mesmo quase não fala de política, mas de valores) está no livrinho "O Saber dos Antigos", do filósofo italiano Giovanni Reale, Ed. Loyola. Estou recomendando-o para todo mundo: não custa nem vinte reais e marca fundo qualquer consciência. Esse, sim, é "revolucionário": pode mudar uma vida.

[Sobre "Filhos de Francis"]

por Felipe Ortiz
16/11/2002 às
12h35

Os regimes do "bom gosto"
É verdade, Rafael, concordo que os regimes comunistas foram assassinos e cruéis. Mas eles tiveram uma razão para ser assim. Afinal, cada vez que uma tentativa de se instaurar um regime socialista democrático, como o de Allende, era feita, os direitistas raivosos e babões se organizavam para dar golpes, assassinar, destruir as organizações populares e coisas assim. São todos gente boa. Quanto aos regimes de direita, podemos dizer, com certeza, que foram todos construtivos e "espalharam o bom gosto" pelo mundo. Vamos citar alguns: Pinochet, Videla, os 80 e poucos anos do PRI, Mobutu Sese Seko, Idi Amin Dada, o apartheid, General Franco, Salazar, os regimes árabes (quase todos, principalmente os reis sauditas e os xeques kuaitianos), Saddam Hussein (sim, ele é de direita), os fundamentalistas islâmicos, o ayatollahs iranianos, o próprio Taleban era um regime de extrema-direita (nenhum direitista de verdade pode afirmar que não torcia por eles quando lutavam contra os soviéticos), até mesmo o Khmer Rouge que era supostamente comunista mas financiado, armado e protegido pelos EUA. Entre outros, muitos outros regimes bastante construtivos e valorosos para a humanidade. Nem vou citar o Bush atual ou os clássicos Mussolini e Hitler (ah, esqueci, alguém tentou provar que esses eram regimes de esquerda, não é mesmo? E você acreditou, não é mesmo? Que tolice). Os neo-direitistas são tao pouco sérios que não são capazes de assumir seus governos, seus regimes. Para isso se escondem numa suposta dicotomia autoritário-libertário. Por quê? Por medo de assumir seus mortos. Eu assumo. As revoluções que ocorreram na Rússia, China, etc, foram de esquerda, tiveram seus acertos e erros. É preciso aprender e aprimorar. Vocês se escondem atrás de máscaras de liberais-conservadores e lavam suas mãos dos erros cometidos pelos "seus" governos ou inventam teorias mirabolantes que só são aceitas por esse pequeno grupo. É muito fácil se dizer de direita quando "esquecem" que a diferença entre o Taleban e os republicanos cristãos dos EUA é meramente retórica. Ou esquecer que a democracia norte-americana não passa da ditadura de um partido único, com duas facções. Quanto ao Lula, é como já disseram aqui mesmo no Digestivo, a democracia leva a essas coisas. A conclusão daquele colunista foi que a democracia não serve. É sempre bom ver a direita tirando a máscara. Melhor que o discurso hipócrita de quem não tem coragem de se assumir.

[Sobre "Filhos de Francis"]

por marcelo
16/11/2002 às
12h07

Seus artigos são bárbaros
Sr. Alexandre. O descobrimento: alguém me enviou o endereço do Digestivo, tenho lido sempre que preciso desinfetar as traças do meu humor. Seus artigos são bárbaros, formidáveis mesmo. Aliás, acho os "francinetes" uma graça! Gostaria de saber onde posso encontrar A Coisa não-Deu, de sua autoria. Tentei encontrar via sistema de busca, mas a lista de resultados maciçamente apresentou o endereço do Digestivo. Surgiram alguns blogs, mas nenhum deles indica em que prateleira posso encontrar o livro citado. Atenciosamente, Ana

[Sobre "Filhos de Francis"]

por Ana
16/11/2002 às
08h18

The worst are full of...
...passionate intensity.
Engraçado como os esquerdóides, do alto de suas havaianas e mesas de boteco, têm a firme convicção de que mudam o mundo. Bom, vá lá, talvez até possam ter contribuído para mudar - foram responsáveis pela instauração dos regimes mais assassinos e hipócritas da história da humanidade, espalharam a ignorância e a falta de gosto pelo mundo, além de terem eleito um torneiro mecânico analfabeto para a presidência do maior país da América Latina. Se tudo é isso é "mudar o mundo", oh Deus, prefiria tanto viver num mundo estagnado, imutável! Parabéns pela coluna, Alexandre, e obrigado pela citação, mas como diriam Wayne e Garth (!) - I'm not worthy!

[Sobre "Filhos de Francis"]

por Rafael Azevedo
16/11/2002 às
05h41

You Don´t Own Me...
Uau! Eu tinha 6 anos quando lançaram o filme. Mas também adoro a trilha sonora. ;-) Gosto muito desses musicais da década de 70/80 e acho que, apesar de termos muitos filmes interessantes hoje, esses clássicos desta geração são de fato inesquecíveis. Vale à pena.

[Sobre "Dirty Dancing - Ritmo Quente"]

por Fabiana
16/11/2002 às
04h24

Julio Daio Borges
Editor

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