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Segunda-feira, 7/6/2010
Comentários
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O grito de revanche do ego
Contudo, um grito trágico, que não pode ser ouvido - que só tem valor dramático, porque não pode ser ouvido. Full of sound and fury, signifying nothing? Ésquilo, não acusou Deus, digo, Zeus, por querer monopolizar a sapiência ao punir Prometeu por este ter dado o fogo do conhecimento aos homens? Sófocles, querido de Nietzsche, não escreveu um enredo maquiavélico, condenando seu pobre protagonista Édipo a um destino cruel e cínico que parece brincar com os homens? E o que é realmente a catarse, senão um sentimento de auto piedade que o homem vitalista sente por si mesmo, ao olhar para o destino, para a Ordem, social ou divina, e se estimar um pobre vitimado? Aquilo que se denomina fruição artística não seria, nestes casos, o grito de revanche do ego ou o desejo de permanência de Eros no ser?

[Sobre "O cristianismo para Nietzsche"]

por mauro judice
7/6/2010 à
01h17

Falta de domínio dos instintos
Homem inteligente feito Nietzsche não cometeria erro assim elementar, a ponto de me fazer pensar se tal equívoco derivava de certa indigestão emocional do filósofo. Engano-me ou ele ruminava sua falta de domínio sobre as emoções, sobre seus instintos? Em sua obra "O nascimento da tragédia", afirma que o teatro grego chegou à perfeição pela reconciliação da "embriaguez e da forma", de Dioniso e Apolo, posteriormente corrompido pelo racionalismo de Sócrates. E quem mais dá limites à emoção instintiva que a razão? É realmente difícil esquecer o sonho idílico das festas dionisíacas, ou bacantes, com jovens apolíneos a correr atrás das filhas de Afrodite sem culpa, sem pecado... Um sonho tardio de desejo liberto, de hedonismo saciado, ao som dos ditirambos, que fizeram nascer o teatro... O que é afinal quase todo o teatro dramático grego, senão um grito de inconformismo contra qualquer espécie de cerceamento ao instinto, ao corpo, aos sentidos, quando limitados pelas razões pessoais ou sociais, Deus incluído?(continua)

[Sobre "O cristianismo para Nietzsche"]

por mauro judice
7/6/2010 à
01h14

Mito, fantasia, medo...
Só pra acrescentar: nunca vi ateus queimando ninguém na fogueira por não partilhar de suas ideias, nem tampouco atirando aviões contra prédios; o sonho de toda a pessoa religiosa é não descansar enquanto não colocar o mundo todo de joelhos partilhando de sua moral pífia. Segundo as religiões a teoria da evolução não existe... O que é importante frisar é que não há como abdicar da razão em nome de um mito, uma fantasia, medo.

[Sobre "Para que o Cristianismo?"]

por Gilson
7/6/2010 à
00h59

O mais poderoso
E, para que esta discussão não vire um tratado teológico, me pergunto sobre Sócrates e os racionalistas de todos os tempos. Como pôde Nietzsche, com sua teoria de Vontade de Poder, considerar que o filósofo grego não tinha poder algum, queria muito ter e, por isso, inventou o mundo abstrato racional, para fugir da realidade? Caramba, o filósofo grego, assim como Jesus, parece ser o cara mais poderoso que eu possa imaginar?

[Sobre "O cristianismo para Nietzsche"]

por dulce louzado
6/6/2010 às
20h05

Ponta do iceberg do Lattes
Marcelo, isso que você escreve é só a "ponta do iceberg". Tem muita sujeira (intelectual e moral) nisso tudo, sujeira que conhecemos mas que, muitas vezes, por medo ou por interesse, fingimos não conhecer. Parabéns pelo lúcido texto.

[Sobre "Quanto custa rechear seu Currículo Lattes"]

por wiliam
5/6/2010 às
19h20

Os cristãos, não o Cristo
de seu comportamento. Mas será que Nietzsche faria isto? Condenaria o exemplo cristão através de uma estratégia simplória: condenar o mestre pela má conduta ou mau entendimento teórico dos seguidores? E, se quisesse condenar o cristianismo, não deveria, por amor à verdade, acabar sua condenação com esta ressalva: Condeno os cristãos, sua conduta, sua teologia, mas não o Cristo? Deveríamos condenar a Filosofia porque ela foi rudimentar no passado? Se todo o pensamento evolui, porque nossa compreensão ao ensinamento de Jesus teria que ser diferente? É um conceito ontológico que uma mensagem distinta seja compreendida aos poucos e, quão maior é a luminosidade do mestre, mais extensa é a distância entre o compreendendo e o compreendido!

[Sobre "O cristianismo para Nietzsche"]

por mauro judice
5/6/2010 às
17h09

Raciocínio indigno
Em primeiro lugar, Patez, eu nada disse a respeito de Maria Magdalena. Apenas citei o conhecido trecho da adúltera que seria apedrejada (cujo nome jamais é citado). Por outro lado, se Jesus quisesse advertir a mulher contra a lei vigente, ou seja, a farisaica, e não concordasse com esta lei, não usaria o termo "pecar". Aliás, outra vez, Jesus disse "vá e não peques mais para que não ocorra de seres acometidos de mal pior". Deste modo, não foi Paulo de Tarso quem colocou o pecado na boca do Cristo. Outro raciocínio que me parece indigno de inteligência espantosa qual a de Nietzsche é: como pôde entender o cristianismo como algo estanque e definitivo a partir do que interpretaram os religiosos? Como pôde considerar que católicos e protestantes dessem a última palavra a respeito do que produziu Jesus? Nosso pensador fala como se nada mais pudesse se acrescentar a respeito de homem tão revolucionário como o nazareno, que nada mais pudesse se aduzir de seus ensinamentos e, sobretudo, de (continua...)

[Sobre "O cristianismo para Nietzsche"]

por mauro judice
5/6/2010 às
16h59

O senhor acreditou nisso?
Sr. Judice, o sr. realmente acredita nessa estória de Maria Magdalena ser uma adúltera e/ou uma prostituta?! Supondo que este episódio deveras tenha acontecido: 1) Teria Jesus advertido-a com o sentimento de protegê-la de futuros ataques da plebe fanático-religiosa? 2) O mesmo estaria advertindo-a com relação às leis vigentes naquela época (e lembrando até bem pouco tempo adultério era crime)?

[Sobre "O cristianismo para Nietzsche"]

por Carlos Patez
5/6/2010 às
11h36

Marina e os assuntos da net
Olha, eu não tinha noção do quão importantes eram essas discussões. E fiquei muito feliz em me informar melhor, sou profa. de pré-vestibular e levarei as discussões para as minhas aulas, valeu a ajuda. Quanto ao despreparo da candidata, espero que ela tenha percebido, como eu, que precisamos nos manter muito mais antenados com os assuntos da net.

[Sobre "Encontro com Marina Silva"]

por Aparecida Freire
4/6/2010 às
21h01

Não houve abolição
Patez, em que momento Jesus aboliu o conceito de culpa/pecado, se ele próprio dizia àqueles que salvava: "vá e não peques mais", como aconselhou à adúltera, após tê-la salvo do apedrejamento? Um homem que recomenda a alguém não pecar, não pode querer abolir a lei recomendada.

[Sobre "O cristianismo para Nietzsche"]

por mauro judice
4/6/2010 às
20h45

Julio Daio Borges
Editor

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