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Segunda-feira, 23/8/2010
Bill Gates e o Internet Explorer
Adam Penenberg

(Começa aqui...)

Interrompendo a viralidade do Netscape
Um ano antes, quando o Mosaic começava a decolar, Bill Gates observou que a Web era gratuita e não conseguia ver nenhum modo de a Microsoft fazer dinheiro com ela. Ele mudou de opinião quando o Netscape Navigator arrasou o Mosaic e abocanhou 75% do mercado de navegadores. Em um memorando intitulado "The Internet Tidal Wave" ("O maremoto da internet") que Gates enviou aos executivos um mês antes de a Netscape tomar a decisão de abrir o capital, ele afirmou que a Web era "o avanço mais importante" desde o PC da IBM. "Passei por várias fases até entender toda a importância da internet. Agora atribuo à internet o nível de importância mais alto." Na verdade, ele a considerou "crucial para todos os negócios da Microsoft". O que o deixou assustado foi o fato de, após dez horas navegando, não ter encontrado um único arquivo da Microsoft em um site ― nenhum Microsoft Word, nada. Ele jurou enfrentar o concorrente mais recente da empresa: a Netscape. "Temos de igualar e superar seus produtos", ele escreveu. Mas isso não significava que a Microsoft distribuiria o navegador gratuitamente, uma sugestão que um de seus subordinados fez semanas mais tarde em uma retratação da empresa. "O que você pensa que somos", Gates perguntou, "comunistas?".

Em novembro, uma ação da Netscape atingiu $171. Quando a Goldman Sachs rebaixou a classificação das ações da Microsoft devido a preocupações em relação ao impacto da internet no futuro desse fabricante de software, Gates entrou em ação. Ele licenciou o navegador Mosaic da SpyGlass, que também havia aberto o capital recentemente, e tornou a criação do próprio navegador da Microsoft prioridade, lançando um batalhão de programadores nele. Andreessen, que tinha concebido e codificado os dois navegadores, não havia perdido a ironia, observando que estaria competindo contra ele mesmo. Em agosto de 1995, com o Netscape tendo participação de 80% do mercado de navegadores, a Microsoft lançou o Internet Explorer. Embora tenha sido saudado com descaso coletivo, criticado severamente por várias pessoas e não tenha interferido na vantagem do Netscape, a chamada guerra dos navegadores havia começado.

Com o Netscape voando alto e com receitas na casa dos $346 milhões em 1996, Andreessen apareceu na capa da Time, em um trono e descalço. Enquanto isso, a Microsoft continuou tentando, lançando o Internet Explorer 3.0 apenas um ano depois de entrar no mercado de navegadores. A Microsoft muitas vezes faz três tentativas antes que algo funcione, o que era verdadeiro para o Windows e também para o novo navegador. Mas a Microsoft não tinha acabado com a diferença tecnológica. Gates mudou radicalmente de postura, decidindo distribuir gratuitamente o navegador junto com o Windows. Qualquer fabricante de PC que não oferecesse o Explorer como navegador padrão em todas as máquinas perderia a licença para executar o Windows. Um computador sem um sistema operacional era como um homem sem um cérebro. Anos mais tarde, um tribunal federal condenaria esse comportamento monopolista em um processo em que a Microsoft teve de ceder. Mas já era tarde. O estrago já havia sido feito.

Seis meses depois de o Internet Explorer 3.0 alcançar a Web, a fatia de mercado da Microsoft saltou de 10% para 22%, aumentando para 32% nos seis meses seguintes. Enquanto a participação do Explorer no mercado aumentava, a do Netscape caía e suas receitas diminuíam ― a empresa teve $132 milhões em perdas operacionais naquele ano. Quando a AOL comprou a Netscape, em 1998, por $4 bilhões em ações (que valiam $10 bilhões no momento em que o negócio foi fechado), o Internet Explorer tinha 50% do mercado e a participação do Netscape estava caindo drasticamente.

Andreessen alcançou dois viral loops no período de alguns anos, mas Gates descobriu uma brecha na estratégia dele. Com tudo dependendo da disseminação do navegador, Gates rompeu a viralidade do Netscape, "sufocando a provisão de ar do Netscape", disse certa vez o editor de livros de informática Tim O'Reilly. Pesquisas mostraram que é muito difícil induzir as pessoas a trocar de navegadores depois de selecionarem um, assim, ao impor o Explorer como a opção padrão nos PCs, Gates tornou este o padrão de fato.

Contudo, o Netscape não foi o último fracasso pontocom. Não apenas todos aqueles associados ao Netscape fizeram fortunas ― Clark ganhou bilhões, Andreessen fez centenas de milhões e os vários engenheiros faturaram milhões de dólares ―, mas a guerra dos navegadores dos anos 1990 resultou em um objetivo mais alto. No final da década, aproximadamente 400 milhões de pessoas estavam na internet, praticamente todas utilizando o Netscape ou o Internet Explorer, que rodavam sobre o código que Andreessen concebeu e criou. Ao semear a internet com ferramentas de navegação, o Mosaic e o Netscape tornaram possível a Web de hoje ― e não havia como voltar atrás.

Nota do Editor
Texto integrante do segundo capítulo do livro Viral Loop, de Adam Penenberg, e reproduzido aqui com autorização da editora Campus.

Para ir além

Adam Penenberg
Nova York, 23/8/2010

 

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