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Segunda-feira, 8/8/2011
A convergência das mídias
Gian Danton

Vivemos em um mundo em que a separação entre as coisas vai, aos poucos, se diluindo. Casa, trabalho, diversão e informação são instâncias que se misturam na era da informação. Da mesma forma, a separação entre os meios perde cada vez mais valor, num fenômeno que os estudiosos chamam de convergência de mídias. Para entender esse fenômeno, é necessário associá-lo à sociedade em redes que surge em oposição à era das massas.

No período dominado pelos MCM, o esquema era um para muitos. Um único produtor confeccionava a mensagem e a transmitia para uma grande legião de receptores. A estes, só restava consumir ou não. A única outra forma possível de feedback eram as respostas a pesquisas de opinião.

A internet mudou completamente esse esquema. Agora todos querem ser produtores, todos querem participar e interagir, daí o sucesso de redes sociais, como o Facebook e o Twitter. Até mesmo os políticos, normalmente pouco afeitos a abrirem um canal de retroação com seus eleitores, foram obrigados adotar a lógica interativa. É bastante conhecido o uso do Twitter como elemento importante na campanha de Obama à presidência dos EUA. No Brasil vários políticos estão adotando o Twitter como forma de divulgar suas ações e conversar com os eleitores. Entretanto, aqueles que entraram na rede, mas se recusaram a interagir, revelando um desconhecimento do funcionamento das novas mídias, foram bloqueados pela maioria das pessoas.

Essa postura interativa das novas gerações leva a uma cultura de convergência. Os jovens antenados assistem à notícia na TV, procuram mais informações em blogs e comentam o assunto no Twitter. Muitos nem usam mais a TV, preferindo aparelhos celulares, ou o Youtube.

Para que essa cultura de convergência são necessários dois fatores: a digitalização crescente de conteúdos e a disponibilização dos mesmos na rede mundial de computadores. A digitalização nem sempre é feita pelos produtores, muitos dos quais se recusam a aceitar a nova realidade do cibermundo, mas pelos próprios consumidores.

Castells, no livro A sociedade em rede, diz que a origem universitária da internet faz com que ela adote como lema: todos contribuem com todos. Nessa nova realidade, o status é dado pela capacidade colaborativa. Quem mais transmite e difunde informações ganha seguidores e respeito. Exemplo disso são os blogs de scans, cujos autores escaneiam suas coleções, disponibilizando histórias em quadrinhos, muitas das quais raras, ou que nunca seriam lançadas no Brasil.

Essa cultura de compartilhamento faz com que programas de TV estejam disponíveis no Youtube ou em outros sites pouco depois de sua exibição. Alguns programas tentam lutar contra essa tendência, outros se aproveitam disso para aumentar sua audiência, como o CQC e Lost.

O caso do Proteste Já Barueri é exemplo disso. No ano de 2010, o CQC doou uma televisão de plasma à prefeitura de Barueri para ser usada em uma escola pública. O aparelho foi desviado para a casa de uma funcionária. A matéria foi proibida pela justiça e o anúncio da proibição fez aumentar os comentários no Twitter, em tempo real, sobre o caso. A tag #cqc logo se transformou numa das mais populares e permaneceu assim durante toda a semana seguinte, num movimento virtual pela liberação da reportagem. O perfil dos responsáveis pela denúncia, Rafinha Bastos e Danilo Gentili, logo se tornou o mais popular do Brasil. Hoje Rafinha é a personalidade mais influente do mundo no Twitter.

A exibição o programa na semana seguinte se beneficiou desse viral. Curiosamente, muitos dos que comentaram o assunto não haviam assistindo na televisão, mas no Youtube.

O assuntou ganhou novo fôlego na rede com a divulgação de um vídeo amador no qual a filha do secretário de educação de Barueri aparecia ameaçando expulsar um colega de turma da faculdade. Como uma bola de neve, que se auto-alimenta, o vídeo aumentou a procura pela reportagem do CQC na internet e estimulou a audiência do programa. Por sua vez, os integrantes do programa também contribuíram para aumentar a visibilidade do vídeo.

Outros exemplos de estratégias de convergência são o filme Matrix e o seriado Lost. Matrix usou os filmes, jogos, histórias em quadrinhos e até contos para contar a história.

Lost foi chamado pela revista Superinteressante como a série que marcou o fim da TV como a conhecemos hoje. Seriado da era da convergência, Lost teve parte de sua história contada em episódios para celular e as mais diversas informações espalhadas pela internet. O enredo complexo justifica essa busca e levou até à criação de uma Lostpedia por parte dos fãs.

Nesse contexto, os fabricantes buscam a criação de um aparelho que resuma essa convergência. Em aparelhos celulares já é possível assistir à televisão, ouvir rádio, fazer ligações, mandar mensagens, entrar na internet, jogar e entrar na internet para interagir com outras pessoas através das redes sociais. O sucesso dos smartphones é sinal claro da tendência do mercado a procurar aparelhos convergentes.

O recente sucesso dos tablets também é demonstração da busca por uma unimídia, um aparelho que faça a convergência pela qual anseia a nova geração. Da mesma forma, o anúncio do Google TV, versão do mecanismo de busca para a televisão digital indica outra possibilidade nesse sentido.

Qualquer que seja o futuro das comunicações, ela será focada busca de uma mídia que reúna em si todas as outras. A convergência parece ser um fenômeno irreversível.

Gian Danton
Macapá, 8/8/2011

 

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