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Quarta-feira, 14/9/2005
Minutos de sabedoria

Julio Daio Borges




Digestivo nº 244 >>> Fred Leal era mais um blogueiro entre tantos. Escrevia, era lido, conhecia gente influente na blogosfera, era citado. Mas nunca atingiu o panteão, como atingiu, por exemplo, sua amiga Cecilia Giannetti, que participou até de coletânea de novos autores do Rio de Janeiro. Fred Leal estava na dele; até o podcast... Então – entre os poucos podcasters brasileiros que valiam a pena – todo mundo, de repente, sabia quem ele era: Fred Leal era aquela voz por trás do É Batatao podcast, para muitas pessoas, depois da indicação de Alexandre Inagaki (cujo Pensar Enlouquece, Pense Nisso funciona como uma espécie de portal entre os bloggers). Para a sua própria surpresa e (seu) espanto, no podcast, Fred Leal estava, pela primeira vez, no seu elemento. E imediatamente a audiência começou a responder... E ele – a reagir a ela. Subitamente, novas versões do É Batata brotaram para quem acompanhava. Se o programa inteiro, que até merece numeração, continha múltiplas seções, vinhetas, seleção musical vasta, revelações, entrevistas e piadas, muitas piadas, as suas variantes revolucionavam o “formato”. O Batata Palha, por exemplo, continha apenas duas músicas, com breves comentários – supostamente diários – entre uma e outra; já o Batata Frita funcionava como uma espécie de Manhattan Connection da era do podcasting, onde Fred Leal e sua famosa amiga Cecilia Giannetti (sim, ela se rendeu à coisa) teciam considerações sobre o fim de semana anterior (“quando você – espectador – estava perdido entre uma balada e outra, entre uma ressaca e outra...”). Nessa, Fred Leal entrevistou o Cardoso, do CardosOnline, na Flip 2005 (quando nem era moda ainda entre os podcasters); contrapôs João Paulo Cuenca ao seu ídolo Bob Dylan (assim, ele nem soava tão antipático quanto diziam as más línguas); e, por fim, forjou uma maneira própria, divertida, malandra, de (se) podcastear – que certamente fará escola. Hoje, Fred Leal é reconhecido (pela voz) na rua, embora seu irmão menor nem ouça o programa. É a vida: num tempo em que o Google – e os blogs, e os podcasts agora – dominam o mundo, e a imprensa brasileira nem noticia, Fred Leal entra pra História, mas, como a nossa dor, não sai no jornal.
>>> É Batata
 
>>> Julio Daio Borges
Editor
 

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