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Quarta-feira, 11/7/2007
Los Hermanos na Fundição Progresso

Julio Daio Borges




Digestivo nº 335 >>> O último show do Los Hermanos, na Fundição Progresso, em meados de junho, foi atípico. Em geral, bandas de rock terminam disparando farpas para todos os lados – sem nenhuma possibilidade de reconciliação. No caso do Los Hermanos, foi uma separação amigável, não litigiosa, mas sem que grandes motivos – do por quê – fossem revelados. Assim, a banda encenou o próprio réquiem – como se Mozart, por exemplo, regesse no próprio funeral (ainda que haja as alegorias do filme de Milos Forman – infundadas, de acordo com os historiadores da música). Além do anticlímax do acontecimento em si, no último show do Los Hermanos, houve, claro, o anticlímax de tocar “Anna Julia” (segundo Rodrigo Amarante – sob pressão de um repórter insistente no YouTube – aquela música que... eles “sempre” nunca tocam. Ou, nem sempre). Por mais que fosse uma despedida, Camelo e Amarante se vestiram como para uma noite de gala – o primeiro de paletó preto e o segundo de paletó branco. Com sorrisos contidos e calmos, Marcelo Camelo era aquele da dupla que não estava chateado (de paixão nova? de projetos encaminhados? de vida batendo à porta?). Já Rodrigo Amarante parecia tentar se concentrar na performance, embora se pudesse quase apostar que, a cada novo número, ele estava à beira das lágrimas. Camelo, em algum momento, correu para o lado de Amarante e fez-lhe um afago nas costas, no meio de um solo de guitarra, enquanto os dois tocavam. Como se quisesse resumir todo o sentimento numa frase: “Rodrigo, não fica chateado”. Barba, à bateria, bem possivelmente chorava – mas o público não conseguia alcançar seus olhos. E Bruno estava, como sempre, anestesiado, aos teclados. Ouviram-se promessas de que esses dois últimos shows, no Rio de Janeiro, vão virar CD e DVD, como hoje é automaticamente “de praxe”. Mas a promessa não conseguiu aplacar a sensação de perda no ar; e muito menos dirimiu as dúvidas sobre o futuro dos ex-membros do conjunto. Por enquanto, apenas a pausa. Ou Amarante, brilhando meio opaco, na Orquestra Imperial...
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>>> Julio Daio Borges
Editor
 

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