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Quarta-feira, 8/10/2008
Sou, de Marcelo Camelo

Julio Daio Borges




Digestivo nº 384 >>> A espera terminou. Se o final do Los Hermanos deixou um vácuo, não só no rock brasileiro, mas na música brasileira contemporânea, as anunciadas carreiras solo de Camelo e Amarante geraram muita expectativa em fãs curiosos. O disco Sou de Marcelo Camelo, assim como o Little Joy (a nova banda de Rodrigo Amarante; com faixas já disponíveis), traz, porém, mais dúvidas do que certezas — afinal, são trabalhos de transição, como se ambos os artistas tivessem começado de novo. Portanto, não há como emitir juízos definitivos agora; apenas observar e especular sobre o que poderá, num futuro, se consolidar. Sou é uma espécie de continuação de 4, o último dos Hermanos em estúdio. Se no álbum da banda, surgia o contraste entre o elétrico e o acústico, em Sou fica claro que a opção de Camelo era mesmo pela MPB e pelo que se chama, atualmente, de novo folk. Se a primeira faixa é uma homenagem aos tempos do grupo, com uma introdução relativamente pesada e instrumental, não é representativa do restante da obra. Camelo evoca, novamente, Qualquer Coisa (1975), de Caetano Veloso, em "Passeando", e, quase sem querer, Devendra Banhart, em "Janta", como uma Mallu Magalhães que é 100% CocoRosie. "Mais Tarde" poderia caber num quinto disco do Los Hermanos e "Menina Bordada" seria um hit instantâneo se o rádio, como mídia, não estivesse morto. Dominguinhos confirma as intenções sérias do rapaz, assim como Clara Sverner, mas ainda pesam as conexões com o passado em "Santa Chuva" (embora só Maria Rita a tenha gravado antes). Com pinta de demo tape, Sou talvez se revele melhor no show. Por enquanto, é Marcelo Camelo tocando de si para si, e ponto.
>>> Sou
 
>>> Julio Daio Borges
Editor
 

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