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Segunda-feira, 17/8/2009
Revista Serrote, número 2

Julio Daio Borges




Digestivo nº 429 >>> Para quem mal terminou de conhecer a revista Serrote, seu segundo número saiu até que rápido. E sem perder o ritmo (como acontece com a maioria das revistas): uma edição densa, e rica, tanto quanto a anterior. Um dos grandes destaques é o texto de Alice W. Flaherty, sobre "hipergrafia" — na verdade, o primeiro capítulo de seu livro The Midnight Disease: the Drive to Write, Writer's Block, and the Creative Brain. Obviamente, a respeito dos que escrevem demais, enfatizando as ligações perigosas da escrita com doenças do cérebro, como epilepsia e transtorno bipolar. Em escritores notáveis como Dostoiévski, Poe e Lewis Carroll. Com belas reproduções de quadros do argentino León Ferrari... Um conto de Raymond Carver, agora editado pela Companhia das Letras, "Me telefone se precisar", é, igualmente, um dos pontos altos desta Serrote. Onde um casal, à beira da separação, tenta se reconciliar, em meio a familiares e casos extraconjugais. No lugar de desenhos, como os de Saul Steinberg (na número 1), o encarte traz quadros de Gerhard Richter, a partir de fotos do grupo Baader-Meinhof. James Agee, crítico de cinema, retoma a "grande era da comédia", com Lloyd e Keaton (entre outros); Alfred Polgar continua a série (intitulada "reis do riso"), com Chaplin; e ninguém menos que Antonio Candido encerra, com seu manifesto sobre o "grouchismo". Rodrigo Naves cai aos pés (ou, talvez, às pernas) de Gisele Bündchen. E Vila-Matas escreve sobre Lisboa — na realidade, um trecho de El viento ligero en Parma (2008, ainda inédito por aqui). Tudo isso sem contabilizar Ricardo Piglia, Gore Vidal e John Updike. Serrote, em apenas dois números, se firmou como uma das revistas mais inteligentes do Brasil atual. A anos-luz de nossos diários e nossas semanais...
>>> Revista Serrote, número 2
 
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Editor
 

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