busca | avançada
70622 visitas/dia
2,0 milhões/mês
Quarta-feira, 26/9/2001
I see living people

Julio Daio Borges




Digestivo nº 51 >>> Inteligência Artificial estreou, excepcionalmente, sem repercutir em campanhas publicitárias ou de merchandising (coisa dada como certa quando se trata de uma produção de Steven Spielberg). A aparente timidez ou "low profile" com que o filme foi lançado no Brasil (e no mundo, provavelmente), talvez se explique por uma peculiaridade bastante marcante. Inteligência Artificial acabou como um "crossover" entre o braço tecnológico de Steven Spielberg e o traço cruel no esboço original de Stanley Kubrick. É ao mesmo tempo a desgraça e a salvação do filme. Quem não gosta nem de um nem de outro, não devia nem tentar assistir porque, embora a sua forma final seja a de um "frankenstein", o longa ainda assim é extremamente autoral. A primeira parte e, portanto, a concepção (como já se disse) é puro Kubrick. O projeto de montar um robô que emule o comportamento e, principalmente, as emoções de uma criança é um iniciativa que não é estranha ao universo "desumano" do diretor de Laranja Mecânica. Dar vida própria e, em certa medida, "sentimentos" a esse andróide infante, para depois abandoná-lo e condená-lo à sina de um pinocchio do século XXI, não tem nada de Spielberg, mas tudo de Kubrick. É nesse ponto da história que o diretor de E.T. assume o timão. A pureza e a fantasia do garotinho que interpreta o mundo "feio e sujo" dos adultos faz-se presente em cada cena, culminando com o final, que é de um sentimentalismo desnecessário e extenuante. A questão aqui não é saber se Spielberg fez ou não jus ao legado de Kubrick. O último certamente previa que o primeiro conduziria a saga do robô-mirim, David, à sua maneira, ou seja, ressaltando o que havia de fabular e de "irreal" na história. O balanço é, portanto, positivo, para quem se dispõe a analisar as pegadas de Stanley e de Steven, mas não para quem está atrás de entretenimento puro (principalmente nestas épocas em que não é de bom tom falar no fim do mundo).
>>> A.I.
 
>>> Julio Daio Borges
Editor
 

busca | avançada
70622 visitas/dia
2,0 milhões/mês