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Quinta-feira, 16/5/2002
How deep is your love

Julio Daio Borges




Digestivo nº 82 >>> A história se repete: uma mãe, atolada até o pescoço com os problemas do filho, para protegê-lo, resolve dar um jeitinho e acaba se enrolando cada vez mais, numa trama que envolve assassinato e chantagem. Eis o mote utilizado em “Até o Fim” (The Deep End), com lançamento pela Fox. No presente caso, o filho é homossexual; a mãe exige que ele se afaste das “más companhias”; ocorre uma morte acidental (quase um paradoxo, mas o roteiro insiste nisso); alguém aparece exigindo dinheiro e exibindo provas que incriminam o filho; a mãe faz das tripas coração para levantar o dinheiro e... [o melhor é ir ver como isso acaba]. Sem comprometer o desfecho, pode-se dizer que a mãe se envolve emocionalmente com o chantageador; esse, por incrível que pareça, também se envolve com ela e resolve ajudá-la a levantar a quantia. Muitos vão logo aproveitar a deixa e afirmar: mais um filme que visa a destruição dos valores tradicionais (!), mais especificamente, o núcleo fundamental da sociedade: a família (!). Bem, não é nada disso. Até porque família nenhuma termina destruída (ainda que a alma da pobre mulher acabe em frangalhos). Eis o grande charme dessa trama: embora os motivos sejam reconhecíveis aqui e ali, o essencial é que – apesar do turbilhão de emoções por que Tilda Swinton (a mãe) passa – a estabilidade do lar é preservada e “tudo segue como antes” (a um preço extremamente elevado, é lógico). Tudo bem, não é propriamente um acontecimento em termos cinematográficos (nem em termos de resignação e sacrifício), mas dá o que pensar. [Talvez uma homenagem atrasada e um tanto quanto canhestra ao Dia das Mães...]
>>> Até o Fim
 
>>> Julio Daio Borges
Editor
 

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