busca | avançada
67475 visitas/dia
2,6 milhões/mês
Sexta-feira, 23/1/2004
Saúde positiva

Julio Daio Borges




Digestivo nº 159 >>> Estresse, como tantas outras palavras contemporâneas, virou termo de literatura de auto-ajuda. Assim, ao ver um livro que tem “estresse” na capa, desconfiamos de imediato – afinal, é uma palavra-chave para vender “slogans” superficiais e ludibriar os incautos. Não é o caso, no entanto, de “O fim do estresse como nós o conhecemos” (2003), de Bruce McEwen e Elizabeth Norton Lasley, pela Nova Fronteira. A começar pelo prefácio, assinado por Robert Sapolsky, um dos maiores especialistas (sérios) no assunto, radicado em Stanford. Ou seja: se você sofre com estresse e quer saber como se remediar desse mal, sem apelar para a psicologia de revistas femininas e para os lugares-comuns repetidos na televisão, esse é o seu livro. Talvez não seja tão óbvio, mas o estresse, segundo contam McEwen e Norton Lasley, surge da situação denominada “de luta ou fuga”. Remonta ao nosso passado animal e significa que, desde o momento em que nos levantamos (a primeira situação estressante do dia) até um pronunciamento em público, uma reunião de trabalho, uma entrevista decisiva – todas essas experiências, em que somos postos à prova (também vale na escola), disparam no corpo um alarme que automaticamente se prepara para fugir ou lutar. Como faziam nossos ancestrais, quando tinham de caçar ou pescar e encaravam cenários adversos. Uma vez que o estresse é inevitável (assim como viver é inevitável) e até mesmo necessário, os autores ensinam a evitar o chamado “estresse total”. Afinal, é uma questão de lógica: uma máquina (no caso, o corpo humano) trabalhando em pleno vapor (sempre a “fugir” ou a “lutar”) atinge a exaustão e os resultados são: depressão, baixa imunidade (doenças variadas) e até morte. (O livro reporta casos de emoção muito forte, que, baixando a pressão, parou o coração e, obviamente, levou à morte.) A receita, em poucas palavras, é a mesma de sempre: não fumar, beber o mínimo possível, consumir poucas gorduras e exercitar-se. A diferença é a abordagem fundamentada, partindo de pesquisa científica, e contando a história desde o começo, com gente que estava lá.
>>> O fim do estresse como nós o conhecemos - Bruce McEwen e Elizabeth Norton Lasley - 267 págs. - Nova Fronteira
 
>>> Julio Daio Borges
Editor
 

busca | avançada
67475 visitas/dia
2,6 milhões/mês