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Sexta-feira, 14/8/2015
Monica Cotrim
Julio Daio Borges

Atendendo a pedidos, publicamos pequenas entrevistas com os Blogueiros do Digestivo - JDB

Qual é a sua história com o Digestivo? (Como conheceu; há quanto tempo lê; por que acredita na iniciativa do Digestivo Blogs.)

Faz uns 4 anos. Eu navegava pela internet em busca de uma informação, quando caí num texto da Marilia Mota Silva - relevante, simples e bem escrito. Foram precisamente essas três características que me levaram a ler outros textos publicados no Digestivo: relevância do tema, simplicidade no estilo e correção na forma. Enfim, um sopro de ar fresco neste ambiente carregado de desimportâncias que muitas vezes me parece ser a internet.

Qual é o seu "background" (sua formação)? De onde vem; o que estudou; quais trabalhos seus citaria etc.

Sou jornalista de formação (PUC-Rio de Janeiro) e de profissão. Trabalhei 10 anos como repórter e editora em revistas (Editora Abril, Manchete, Vecchi), jornais diários (Estadão, Jornal de Hoje de Campinas) e televisão (Rede Globo-Campinas) e outros 10 anos na área corporativa - especificamente na 3M do Brasil, onde fui gerente do departamento de comunicação empresarial, responsável por toda a comunicação interna e externa da companhia.

Em 1994 deixei meu trabalho na 3M por causa da transferência do meu marido para a Cidade do México, onde vivemos por 4 anos. Em seguida, fomos para a Ásia (Cingapura) e, de lá, ainda nos mudamos para os Estados Unidos (Flórida e Nova York), retornando ao Brasil no final de 2007. No total, foram 14 anos de vida fora do País - um período de grande aprendizado e alargamento das minhas próprias fronteiras internas.

Sobre quais temas vai falar/tratar no seu blog?

Viagens, livros, crônicas do cotidiano.

Você já teve blog? Se sim, qual (ou quais), e com que repercussão?

Desde 2010 escrevo no Blog da Monipin, que hoje tem um total de 51 mil visualizações. Esta atividade me traz muito prazer, mas gostaria de ser mais disciplinada, mantendo uma regularidade maior de publicação dos meus escritos. É isso que eu espero conseguir através do Digestivo: um incentivo para alimentar essa regularidade e ampliar o alcance do público leitor.

Qual é sua relação com a escrita?

Escrever me faz sentir viva e feliz.

Como é se interessar por cultura, ou ter uma atividade intelectual, ou simplesmente ler o Digestivo, num país como o Brasil, ou sendo brasileiro? É uma profissão de fé? Ou é um desafio que te motiva (no dia a dia)?

Como brasileira, vivendo num país tão carente de recursos culturais como o nosso, manter acesa uma atividade intelectual é quase uma "profissão de fé" mesmo. Nos diversos locais em que vivi nos Estados Unidos, sempre participei de grupos de discussão de livros, todos muito estimulantes, com pessoas interessadas e comprometidas com as propostas de leitura do grupo. Aqui no Brasil tentei fazer o mesmo, mas não deu certo. Cheguei a organizar três grupos de leitura, em diferentes épocas e locais, mas eles simplesmente não foram para a frente. O início é sempre uma festa, mas logo o fogo de palha se acaba. Nesse sentido, um fórum de debates na internet - como pretende ser o Digestivo e outros portais literarios, como o excelente Goodreads - é sempre muito animador.

Por outro lado, é surpreendente que eventos culturais como a Festa Literaria Internacional de Paraty aconteçam regularmente no nosso País. Apesar de todas as dificuldades financeiras e geográficas, os organizadores da Flip tem conseguido alimentar nossos corações e mentes a cada ano com eventos de ótimo nível, inclusive atingindo o público infanto-juvenil. Iniciativas como esta me fazem acreditar que nem tudo está perdido no nosso País em termos de educação e cultura.

Quais foram suas maiores influências? (Não precisa, necessariamente, ser alguém conhecido ou "famoso". Pode citar obras e/ou experiências também.) Quais "modelos" pretende seguir (ou te servem de referência)?

Foi meu tio Bento quem me mostrou que a obra do Eça de Queirós era para ser lida com um grande sorriso no rosto. Devo essa alegria a ele. (Demos muitas risadas juntos, comentando cenas que só o grande Eça é capaz de descrever.)

Proust foi a maior viagem literaria da minha vida. Tentei lê-lo aos 35 anos e não entendi nada. Abandonei a leitura e só a retomei 15 anos mais tarde: encantamento total. Foram oito meses de mergulho no universo proustiano, com dedicação exclusiva, diria quase obsessiva. Sei que é um clichê terrível, mas não ligo e digo assim mesmo: se tivesse que levar apenas um livro para uma ilha deserta, seria este. Posso lê-lo e relê-lo sem me cansar.

Livros que mexem com o meu coração e que guardo na minha mesa de cabeceira: antologias de Jaime Sabines (poeta mexicano), Adelia Prado (nossa mineira maior) e Manuel de Barros (o sempre menino do Pantanal).

Livro que eu gostaria de ter escrito: Mai Pen Rai Means Never Mind, de Carol Hollinger. Comprei este livro no aeroporto de Bangkok, só para ter alguma coisa para ler no avião, sem ter maiores informações sobre ele. Foi uma das melhores surpresas literarias da minha vida. O livro é o relato autobiográfico de uma dona de casa que se mudou para a Tailândia em 1965, acompanhando o marido e a filha. Com delicadeza, senso de humor e coração aberto às diferenças culturais, a autora nos conduz a um mundo fascinante de descobertas e crescimento pessoal. Pena que ela tenha morrido muito cedo e nunca soube que seu livro se tornou um sucesso editorial.

Mais alguma coisa que os Leitores precisam saber de você (mais alguma coisa que você gostaria de falar e eu não te perguntei)?

Adoro remar todas as manhãs bem cedo na Lagoa, no Rio de Janeiro. Gosto de ler historias para minha neta Ana, de 2 anos de idade. Mas gosto mais ainda de ouvi-la contar historias para mim. Apesar de sua pouca idade, ela sempre encontra as palavras certas, mesmo quando eu não entendo nada do que ela diz.

Onde mais a gente pode te encontrar? (Links ou referências, na internet, que você quiser/puder passar...)

* Blog da Monipin

Nota do Editor
Monica Cotrim compõe o grupo de blogueiros do Digestivo Cultural ;-)

Julio Daio Borges
14/8/2015 às 12h46

 

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