Digestivo Blogs

busca | avançada
29950 visitas/dia
957 mil/mês
Mais Recentes
>>> Terça Aberta no Kasulo reúne trabalhos com temática LGBTQ
>>> 'O Que De Verdade Importa' chega aos cinemas com audiodescrição, legendas descritivas e LIBRAS
>>> Tejon e banda Rock For All apresentam hoje (23), em São Paulo,
>>> 'D. Quixote de La Mancha pelas mãos de Canato'
>>> Projeto nacional de educação musical estará em santos no próximo dia 24.10, em Guarujá 25.09 e Santo
* clique para encaminhar
Mais Recentes
>>> O tigre de papel que ruge
>>> Alice in Chains, Rainier Fog (2018)
>>> Cidades do Algarve
>>> Gosta de escrever? Como não leu este livro ainda?
>>> Assum Preto, Me Responde?
>>> Os olhos de Ingrid Bergman
>>> Não quero ser Capitu
>>> Desdizer: a poética de Antonio Carlos Secchin
>>> Pra que mentir? Vadico, Noel e o samba
>>> De quantos modos um menino queima?
Colunistas
Últimos Posts
>>> Eleições 2018 - Afif na JP
>>> Lançamentos em BH
>>> Lançamento paulistano do Álbum
>>> Pensar Edição, Fazer Livro 2
>>> Ana Elisa Ribeiro lança Álbum
>>> Arte da Palavra em Pernambuco
>>> Conceição Evaristo em BH
>>> Regina Dalcastagné em BH
>>> Leitores e cibercultura
>>> Sarau Libertário em BH
Últimos Posts
>>> Casa de couro I
>>> Millôr no IMS Paulista
>>> A dignidade da culpa, em Graciliano Ramos
>>> O conservadorismo e a refrega de símbolos
>>> Ingmar Bergman, cada um tem o seu
>>> Em defesa do preconceito, de Theodore Dalrymple
>>> BRASIL, UM CORPO SEM ALMA E ACÉFALO
>>> Meus encontros com Luiz Melodia
>>> Evasivas admiráveis, de Theodore Dalrymple
>>> O testemunho nos caminhos de Israel
Blogueiros
Mais Recentes
>>> Silenciofobia
>>> Uma vida para James Joyce
>>> Quanto custa rechear seu Currículo Lattes
>>> Santa Xuxa contra a hipocrisia atual
>>> Aborto
>>> Pirates of the Amazon
>>> 29ª Bienal de São Paulo: a politica da arte
>>> Apresentação
>>> UM OLHAR SOBRE A FILOSOFIA (PARTE FINAL)
>>> UM OLHAR SOBRE A FILOSOFIA (PARTE FINAL)
Mais Recentes
>>> O Segredo das Crianças Felizes de Steve Biddulph pela Fundamento Educacional (2003)
>>> Criando Meninos de Steve Biddulph pela Fundamento Educacional (2002)
>>> Isto Não É Amor de Patrick J. Carnes pela Best Seller/ Círculo do Livro (1991)
>>> Vidas em Arco-Íris de Edith Modesto pela Record (2006)
>>> Guia de Orientação Sexual de Marta Suplicy et alii pela Casa do Psicólogo (1994)
>>> Sexualidade: A Difícil Arte do Encontro de Lidia Rosenberg Aratangy pela Ática (1996)
>>> Psicomotricidade: Da Educação Infantil à Gerontologia de Carlos Alberto Mattos Ferreira pela Lovise (2000)
>>> João do Rio - O dandi e a especulação de Raul Antelo pela Taurus (1989)
>>> O Português do Brasil - perspectivas da pesquisa atual de Wolf Dietrich e Volker Noll (orgs.) pela Vevuert /Iberoamericana (2004)
>>> Moderna Dramaturgia Brasileira de Sábato Magaldi pela Perspectiva (1998)
>>> Desafio aos Deuses de Peter L.Bernstein pela Campus/Elsevier (1997)
>>> Maus samaritanos- O mito do livre comércio e a história secreta do capitalismo de Chang,Ha-Joon pela Campus/Elsevier (2008)
>>> Os piores textos de washington olivetto de Editora planeta pela Planeta
>>> Tendencias contemporaneas de gestao de Jose meireles de sousa pela Pc editorial
>>> Transtornos bipolares,avances clinicos e terapeuticos. de E.vieta pela Novartis
>>> Estudos de politecnia e saude--4. de Mauricio monken pela Fio cruz
>>> Manual de gestao e programaçao financeira de pagamentos. de Carlos donato reis e jose vittorano neto. pela Edicta
>>> A cura e a saude pela natureza de Ernst schneider pela Casa
>>> Lexplication dans les sciences de la vie de Michel daune pela Centre national de la reicherche scientifique
>>> Motivaçao de equipes virtuais de Alfredo pires de castro pela Gente
>>> Passaporte para o mundo de Neloy caixeta pela Nova dinamica
>>> Origens do yoga antigo de De rose pela Nobel
>>> Gemeologia--o dilema. de Rodrigo carvalhedo. pela Barauna
>>> Contabilidade introdutoria--livro de exercicios. de Fea/usp pela Atlas
>>> Paradoxo global de John naisbitt pela Campus
>>> Doenças sexualmente transmissiveis de Humberto abrao pela Le
>>> O fator maia--um caminho alem da tecnologia de Jose argueles pela Cultrix
>>> Pesquisas sobre o sentido da vida de Paulo finotti pela Nao consta
>>> Milagres--uma exploraçao cientifica dos fenomenos paranormais. de Scott rogo pela Ibrasa
>>> Powershift--as mudanças do poder de Alvim toffler pela Record
>>> A cura quantica de Deepak chopra pela Best seller
>>> Sexo para leigos de Ruthk. westheimer pela Sexualide
>>> Ipad--o manual que faltava de J. d. biersdorfer pela Oreilly
>>> Sound blaster--o livro oficial de Peter m. rudge pela Mcgraw-hill
>>> Mac os x snow leopard de Steve johnson pela Prentice hell
>>> Engenharia de software de Helio engholm jr pela Novatec
>>> Vox Populi Vox... Wagen (Humorismo brasileiro) de Vários Autores pela Das Américas (1970)
>>> O melhor de S. Ponte Preta (Humorismo brasileiro) de Stanislaw Ponte Preta pela José Olympio (1997)
>>> Dois amigos e um chato (Humorismo brasileiro) de Stanislaw Ponte Preta pela Moderna (1986)
>>> Gol de Padre e outras crônicas (Literatura brasileira) de Stanislaw Ponte Preta pela Ática (2000)
>>> Máximas Inéditas de Tia Zulmira (Humorismo brasileiro) de Stanislaw Ponte Preta pela Codecri (1976)
>>> Tia Zulmira e Eu (Humorismo brasileiro) de Stanislaw Ponte Preta pela Circulo do Livro (1976)
>>> Febeapá 1 (Humorismo brasileiro) de Stanislaw Ponte Preta pela Circulo do Livro
>>> Sou Francisco Anysio: 15 obras (Humorismo/romance brasileiro) de Chico Anysio pela Circulo do Livro/Rocco/Sabiá (1990)
>>> Sou Francisco - Chico Anysio (Autobiografia) de Chico Anísio pela Rocco (1992)
>>> Chico Anysio em Salão de Sinuca (Humorismo brasileiro) de Chico Anísio pela Landscape (2004)
>>> Carapau (Romance brasileiro) de Chico Anísio pela Rocco (1978)
>>> Jesuíno, o Profeta (Fábula Brasileira) de Chico Anísio pela Rocco (1993)
>>> Negro Leo (Romance brasileiro) de Chico Anísio pela Rocco (1985)
>>> É mentira, Terta? (Humorismo brasileiro) de Chico Anísio pela Clube do Livro (1986)
BLOGS

Segunda-feira, 24/9/2018
Digestivo Blogs
Blogueiros

 
Casa de couro I

De manhã, fazíamos o pão. Ao fim da tarde,
contemplávamos os séculos da Esfinge,
que guardava entre as patas a alma dos deuses.
Naquele reino eu e meus irmãos plantamos trigo.
Naquele deserto desejávamos escavar nossas
tumbas, ouvindo a canção dos ancestrais.
Pela cidade, nasciam mundos fluindo no rio
as lendas do lugar. Minhas lendas e barcas.

Terra da infância. Terra do desterro.

Ao chão, atei a placenta da espécie.
Da chuva, ouvi canções de ninar.

(Do livro Travessias)

[Comente este Post]

Postado por Blog da Mirian
24/9/2018 às 20h55

 
Millôr no IMS Paulista

Saí de casa com a ideia de fazer a “ronda” das exposições. Iria começar pelo IMS, iria seguir para a Fiesp, Casa das Rosas e Itaú Cultural.

Peguei o metrô orgulhoso - na contramão dos torcedores do São Paulo -, desci na Paulista, subi as escadas do Moreira Salles, mas, quando entrei na exposição do Millôr, e vi aqueles murais enormes, comecei a chorar e fui de olhos marejados até o final.

Nem visitei o resto do Instituto Moreira Salles. Desisti do Itaú Cultural, da Casa das Rosas e dispensei até o Rafael - aquele, da turma do Leonardo -, preferi não diluir o impacto do Millôr.

Por que chorei? Não sei; emoção. Quando estive com Millôr, há 15 anos, ele vinha de uma homenagem protocolar, aborrecida... Ao mesmo tempo, sentia-se pouco reconhecido no Brasil - o que parece uma contradição; mas não é, não.

Millôr era muito grande. Difícil receber uma homenagem à altura. Ainda mais no Brasil; ainda mais em vida.

Mas quando entrei na exposição do Moreira Salles e vi aqueles murais enormes, senti, em nova dimensão, o grande artista que ele foi - e que o reconhecimento havia chegado, de alguma forma. Mais de 5 anos depois de sua morte? Sim; mas é a vida! E, no Brasil, antes tarde do que nunca...

“A ideia de um projeto estético tradicional sempre foi estranha a Millôr Fernandes[...] ele dizia-se antes de tudo um jornalista e via o impresso, sobretudo em revistas e jornais, como a realização plena de sua obra”, diz o texto de abertura da exposição.

“Dos autorretratos à visão desencantada do Brasil, passando pelas reflexões sobre a condição humana e pelo prazer puro e simples das formas, ‘Millôr: obra gráfica’ propõe uma visão de conjunto de um dos maiores artistas brasileiros do século XX” - acho que foi quando as lágrimas rolaram...

Estava emocionado pelo Millôr - porque, de fato, ele *foi* um dos maiores artistas brasileiros do século XX. Artista no sentido plástico do termo. Além de escritor; além de intelectual; além de pensador. Sem contar o humorista; o dramaturgo; o tradutor de Shakespeare. O inventor do frescobol! Millôr teve tantas facetas que estamos sempre nos esquecendo de alguma...

Quando estive com ele, havia saído a sua edição do célebre “Cadernos de Literatura” do Instituto Moreira Salles. Daquele seu jeito descontraído, ele me disse em seu estúdio: “Esse pessoal do Moreira Salles esteve aqui... E fez um bom trabalho, viu? Estiveram aqui; pegaram algumas coisas... Foram lá atrás, na minha carreira...”

E hoje temos de reconhecer: foi louvável que o IMS assumiu o acervo de mais de 7 mil desenhos do Millôr. Pois, quantos acervos não se desfizeram quando seus donos se foram? Eu vi alguns. Do Daniel Piza, por exemplo, eu nem tive tempo de ver - quando soube, já havia sido desmembrado...

Ao mesmo tempo, é irônico - porque Millôr olhava com uma certa desconfiança para os Moreira Salles... Por causa do Walter Moreira Salles, o “rico” de sua época.

“Qual a diferença entre eu e o Walter Moreira Salles?”, Millôr se comparava. “Eu moro de frente para a mesma praia que ele” (no Rio, obviamente). “Ele pode viajar... mas eu também posso! Eu posso ficar, sei lá, 10, 20 dias fora... Não; 20 dias é muito!”, o próprio Millôr se emendava...

Sua versão de “Guernica”, de Picasso, na exposição, não é uma escolha aleatória. Tanto quanto o gênio do cubismo, Millôr produziu muito. Ia ao estúdio todos os dias; inclusive sábados e domingos. E foi longevo - quando conversamos tinha, aproximadamente, 80 anos, parecia lépido e fagueiro: com um discurso fluente, bem-humorado e brilhante, o mesmo desde os tempos de “O Cruzeiro”.

Me emocionei com as fotos do estúdio, em Copacabana; principalmente no catálogo da exposição. Me sentei naquele sofá vermelho e Millôr se sentou na poltrona amarela, em frente. Tentei espiar sua biblioteca ao longe e avistei pastas etiquetadas: “Pif Paf” - uma das alas da exposição...

Claro que nem tudo são flores no IMS. Senti um viés “político” ao se colocar os desenhos da época da ditadura militar (1964-1984) logo na entrada. Como um lembrete - de tempos que podem voltar... Talvez por causa de algum candidato militar nas próximas eleições?

Lembrando que Millôr foi um crítico feroz de Fernando Henrique Cardoso, cujos livros “clássicos” não perdia a oportunidade de mostrar que eram intragáveis. E, naturalmente, foi crítico de Lula - sobre quem, afirmava, “a ignorância havia subido à cabeça”. A ignorância.

Ao contrário da turma do Pasquim21, que não quis fazer “humor a favor”, quando Lula assumiu, em 2004 encomendei uma capa, ao Millôr, para a revista do Digestivo com a FGV/SP, e ele não foi nada econômico na legenda: “Os governantes proclamam: Bananas pra nossa cultura” - em pleno governo do PT, em plena gestão de Gilberto Gil, no MinC.

Millôr era da geração do Paulo Francis, que tem uma citação famosa: “Os baianos invadiram o Rio para cantar: ‘Ah, que saudade eu tenho da Bahia’... Se é por falta de adeus, PT saudações”. Caetano brigou com Francis mais de uma vez. E no Pasquim, os invasores baianos eram chamados de “baihunos”, em referência aos bárbaros que invadiram a Europa nos estertores do Império Romano...

O desenho que Millôr fez para o Digestivo está lá, na primeira ala da exposição. Foi selecionado entre os 7 mil de seu espólio. Mas está sem a legenda. Aos organizadores, deve ter parecido familiar... Afinal, eu o divulguei, à época, a torto e a direito... Mas os organizadores não conseguiram se lembrar o suficiente - e, sem a legenda, ele ficou meio fora de contexto... Mas me senti vingado, de alguma forma ;-)

“Daio, cuide da minha glória - antes que ela seja póstuma”, Millôr me escreveu, num e-mail, quando já estava mais pra lá do que pra cá. Não lembro o que respondi na época, mas hoje eu diria que:

“A sua glória está garantida, Millôr. Você não precisa se preocupar. A exposição está linda! Que grande brasileiro você foi... Estou ainda mais honrado de tê-lo conhecido.”

Para ir além
"Meu encontro com o Millôr"

[Comente este Post]

Postado por Julio Daio Bløg
24/9/2018 às 09h55

 
A dignidade da culpa, em Graciliano Ramos

Em 1934, um brasileiro nascido na cidade de Quebrângulo, Alagoas, chamado Graciliano Ramos, publicou o romance São Bernardo. É um livro que põe o dedo numa ferida sempre aberta, por mais esforços que se faça para silenciá-la: o sentimento de culpa. E não seria exagero dizer que a obra mereceria estar ao lado de Crime e Castigo (Fiódor Dostoievski), Ressurreição (Leon Tolstói) ou Metamorfose (Franz Kafka), num panteão de obras essenciais ao entendimento da natureza humana, não fosse a língua portuguesa que a condenou a ser um “galho menor de um arbusto secundário dos jardins das musas”. Ora, no jardim das musas não há arbustos secundários, e os leitores de língua portuguesa também têm seus privilégios.

O romance é uma espécie de autoanálise em que Paulo Honório, narrador-personagem, reconta a história de sua ascensão social, graças às falcatruas, emboscadas, relações de falsa amizade e interesse. Relembra de como levou Luís Padilha (antigo dono e herdeiro da fazenda São Bernardo) à falência; de como planejou o assassinato de seu vizinho para expandir suas terras; de como perdeu o interesse pelo próprio filho; de como levou sua esposa, Madalena, ao suicídio.

Diante de tais atrocidades, Paulo Honório lamenta-se de uma, em específico: a consciência de não conseguir sentir culpa. Apesar de pequenos indícios de aflição, trata-se de um sentimento ambíguo, pois não brota de um arrependimento, mas da consciência de ser incapaz de arrepender-se. Diz Paulo Honório: “Penso em Madalena com insistência. Se fosse possível recomeçarmos... Para que enganar-me? Se fosse possível recomeçarmos, aconteceria exatamente o que aconteceu. Não consigo modificar-me, é o que mais me aflige”; ou seja, mesmo se tivesse uma segunda chance, não faria diferente. Noutra situação, quando manifesta a ausência de amor pelo filho, sua expressão é emblemática: “Nem sequer tenho amizade a meu filho” – veja-se a precisão e sutileza com que se expressa: nem sequer “amizade” sente pelo filho, ou seja, nem mesmo o mínimo de afeição esperada, ao que se completa: “Que miséria!”.

A interjeição diante da falta de “amizade” pelo filho – “que miséria!” – é reveladora. Paulo Honório reconhece a miséria de sua própria condição moral. “Reconhecimento” é um item importante nas tragédias gregas: é o momento em que o herói reconhece sua condição de desgraça. Nesse sentido, São Bernardo é um romance trágico, construído sobre um paradoxo: à medida que Paulo Honório ascende socialmente, decresce moralmente. É uma ironia presente no próprio nome do protagonista: “Honório” provém de “honorius”, que em latim significa “honorífico”, “honrado”, sendo sua raiz etimológica: “honor”: “honra”; entretanto, toda sua honra se restringe à sua condição social, não moral.

A grandiosidade do romance está na figura de Paulo Honório ao reconhecer sua condição moral miserável e assumi-la como sua responsabilidade. Obviamente que não elogio suas ações criminosas, nem as defendo. Por outro lado, ele não mente para si mesmo: “Para que enganar-me? Se fosse possível recomeçarmos, aconteceria exatamente o que aconteceu”. Se por um lado é uma fala que revelaria a perversidade do protagonista, por outro é um gesto de coragem, de alguém que assume a responsabilidade diante de sua condição de desgraça, consciente da própria incapacidade de se libertar.

A atualidade de São Bernardo não está na construção do típico “sinhozinho” que é Paulo Honório; não está na caracterização do explorador avaro e sem sentimentos; não está na crítica ao “capitalismo perverso que corrompe as pessoas”. A atualidade de São Bernardo está em ser um contraponto a um mundo que facilita e, silenciosamente, valoriza a mentira para justificar ou negar as próprias falhas, medos e fraquezas. Se Paulo Honório justificasse o suicídio de sua esposa pela adesão ao comunismo – “Comunista, materialista. Bonito casamento!”, exclama o narrador em pensamento, durante uma conversa a respeito de sua esposa –, seria menos doloroso. Contudo, seria menos honesto, menos consciente.

Quando Paulo Honório assume sua responsabilidade diante da própria vida, quando assume ser o culpado de sua desgraça, torna-se moralmente digno, pois sua coragem e sobriedade merecem respeito. Um gesto raro.

Um dos itens que compõe uma obra clássica é a contribuição para um entendimento mais profundo de nossa natureza e condição. São Bernardo é um clássico.

[Comente este Post]

Postado por Ricardo Gessner
23/9/2018 às 15h59

 
O conservadorismo e a refrega de símbolos

Hoje em dia a expressão “sair do armário” deixou de ser aplicada aos homossexuais e passou a se referir à “nova direita”, aos “novos conservadores”. Até pouco tempo, o predomínio da esquerda no campo cultural e no debate público era evidente — e continua sendo –; pouquíssimos intelectuais e artistas se apresentam como “liberais”, “conservadores”, liberal-conservatives ou, simplesmente, de “direita”. Agora, junto ao crescimento e popularização das redes sociais; o aumento do descrédito do Partido dos Trabalhadores; o ceticismo em relação às pautas progressistas, o número de indivíduos apresentando-se como de “direita” é mais abundante.

Com isso, formou-se o que Lira Neto, em sua coluna da Folha (07/01/2018) chamou de “guerra de símbolos”: de um lado estão os “conservadores nos costumes e liberais na economia”; de outro, os progressistas. Trata-se de uma guerra travada principalmente nas redes sociais em que, segundo as palavras do historiador, os conservadores, protegidos pelo politicamente incorreto, “esbravejam vitupérios, expelem platitudes, vomitam sarcasmos” e, ao mesmo tempo, “apontam o dedo censório, invocam preconceitos, cultivam ódios primários” em defesa dos bons costumes. Do outro lado, os progressistas, coitados, são alvejados por ofensas, enquanto lutam — militam — por “conquistas humanas irrevogáveis”.

Lira Neto é um historiador talentoso, construiu uma obra respeitável, escreve bem e publicou livros de fôlego (vide os estudos sobre Getúlio Vargas). Endosso a crítica que faz aos tais “conservadores que vomitam ofensas” pelas redes sociais. No entanto, pontuo que tais indivíduos podem professar o que acreditarem, mas nem por isso serão, de fato, conservadores. De minha parte, não me representam e acredito que outros concordarão comigo. Há uma lacuna entre fé professada e sua conduta; nem sempre estão de acordo e, desse modo, enxergar o lapso é mais importante do que isolar um lado do outro.

Se os “novos conservadores” é um grupo minoritário, como Lira Neto bem acentuou — “Sim, é verdade, eles são barulhentos. Mas estão longe de ser a maioria. Eles, sim, são a verdadeira ‘minoria ruidosa’” –, não se deve tomar a parte pelo todo. As redes sociais estão abarrotadas de “minorias ruidosas” com comportamentos igualmente agressivos, que professam e defendem inúmeras bandeiras, desde a qualidade musical de Pabblo Vittar até a planificação da Terra. Os tais “conservadores” a que se refere o historiador é apenas uma delas.

Não há regras para definir universalmente um conservador ou suas condutas, visto que, segundo alguns teóricos como Michael Oakeshott, trata-se mais de temperamento pessoal do que de etiqueta. Se nos reportarmos a Os dez princípios conservadores, de Russel Kirk, veremos que “a atitude a que chamamos conservadorismo é sustentada por um corpo de sentimentos, mais do que por um sistema de dogmas ideológicos”. Uma dessas atitudes é o “princípio de imperfectibilidade”: “A natureza humana sofre irremediavelmente de certas faltas graves, sabem os conservadores. Sendo o homem imperfeito, nenhuma ordem social perfeita pode ser criada. Devido à inquietação natural, a espécie humana se rebelaria sob uma dominação utópica e eclodiria uma vez mais em descontentamento violento, ou senão, expiraria em tédio”. Desse modo, vitupérios, ofensas, grosserias e demais formas de insulto não correspondem à conduta conservadora e, de maneira nenhuma, são os “símbolos” defendidos na “guerra” apresentada por Lira Neto.

O conservador considera-se herdeiro de algo bom e que precisa ser preservado. Essa herança pode estar associada com valores morais; sistemas políticos; jurídicos; artísticos. Não se trata de conservar algo ad aeternum, mas de incorporá-lo às mudanças culturais. Um pilar fundamental do pensamento conservador é o ceticismo em relação a ideologias, revoluções e mudanças abruptas, pois nem sempre um avanço é sinônimo de melhoramento. Mudanças devem acontecer e adaptações devem ser feitas, mas desde que de forma prudente.

Com isso, os principais “símbolos” defendidos pelo conservador, supondo-se a guerra, são aqueles acumulados pela tradição: um conjunto de valores que nos constituíram. Para utilizar os termos de Kirk: “É senso conservador de que as pessoas modernas são anões nos ombros de gigantes, capazes de enxergar mais longe que seus ancestrais apenas devido à grande estatura daqueles que nos precederam no tempo”. Noutras palavras, se derrubarmos e assassinarmos o “gigante” — isto é, a tradição — faremos um retrocesso e voltaremos a enxergar apenas — sejamos otimistas — o próprio nariz.

Além isso, gostaria de salientar um detalhe a respeito da expressão “conservador nos costumes e liberais na economia”, ou sua expressão original: liberal-conservative. Se nos reportarmos ao livro de Edmund Burke, veremos que o liberalismo econômico é incompatível à conduta conservadora; encontraremos um posicionamento similar em outros conservadores, como em O que é conservadorismo, de Roger Scruton (posteriormente o autor irá rearticular esse posicionamento). Outros podem apresentar-se como liberal-conservatives, mas de modo diferente: liberal nos costumes e conservador na política. Enfim, aclarar cada nuance estenderia os propósitos originais deste texto. O mais importante, por ora, é salientar que a expressão, (hoje) aparentemente contraditória, é aceita por ser uma forma de adaptação ao contexto contemporâneo, não sendo, portanto, uma absurdidade como alguns acreditam.

Por fim, o senhor Lira Neto cita algumas estatísticas, apresentada nos seguintes termos (os destaques são meus):

“Uma segunda pesquisa, (…), indica que nada menos de 70% dos entrevistados são contrários às privatizações indiscriminadas. Apenas 20% se declararam a favor de que as empresas públicas sejam vendidas a rodo para a iniciativa privada, enquanto os 10% restantes são indiferentes ou não souberam responder. Entre os jovens, 68% não acreditam na tal “mão invisível” como panaceia para todos os nossos males históricos.

A terceira pesquisa, enfim, publicada no penúltimo dia do ano, aponta o crescimento do apoio à descriminalização do aborto entre os brasileiros. Nesse caso, 61% dos entrevistados se disseram favoráveis à interrupção da gravidez quando há risco de morte para a mãe.

Outros 53%, segundo o Datafolha, também defendem o direito ao aborto para mulheres vítimas de estupro, ao contrário do que querem os conservadores aboletados no Congresso Nacional. Mais uma vez, um detalhe salta à vista: a maior parcela dos que defendem a descriminalização do aborto é composta por jovens entre 16 e 24 anos.”


A despeito de meu ceticismo em relação a numerologia estatística, assim como o crédito irrefletido à visão de mundo jovem, as expressões destacadas — “indiscriminadas; vendidas a rodo” — não pressupõem “prudência” e, assim, é possível que haja conservadores que também se oponham ao caráter indiscriminado das privatizações, assim como às “vendas a rodo” de empresas públicas. Há possibilidade, portanto, de jovens conservadores estarem incluídos nestes dados, associados de antemão exclusivamente aos progressistas.

p.s.: O texto do senhor Lira Neto está acessível através deste endereço:

http://www1.folha.uol.com.br/colunas/lira-neto/2018/01/1948201-nao-ha-duvida-de-que-uma-guerra-de-simbolos-esta-em-curso.shtml

As citações de Russel Kirk foram feitas a partir do site:

http://tradutoresdedireita.org/os-dez-principios-conservadores/

Recorri ao link, pois não estou com o livro "Política da prudência" (editado pela É Realizações, que inclui “Os dez princípios conservadores) em mãos.

[Comente este Post]

Postado por Ricardo Gessner
16/9/2018 às 23h07

 
Ingmar Bergman, cada um tem o seu

100 anos de Ingmar Bergman! Demorei um pouco para conhecê-lo, mas logo o tomei como meu diretor favorito. Por ser um diretor tão diversificado, sempre dizem que cada um tem um Bergman e como todo bom bergmaniano, também tenho o meu. Escolhi filmes que me trazem lembranças e experiências, já que escolher analisando a genialidade do diretor seria uma tarefa muito difícil. Selecionei dois filmes: A Hora do Lobo (1968) e Noites de Circo (1953), senão acabaria falando de todos os filmes.

Comecemos então com A Hora do Lobo, o primeiro que assisti. Diz-se que as horas que ficam entre a meia noite e a aurora são as horas do lobo. É nesse momento em que um casal, formado por Erland Josephson (Johan) e Liv Ullmann (Alma), entra em conflito. Depois de mudar para uma ilha habitada por pessoas misteriosas, o casal entra em um estado crítico e as madrugadas são tomadas pelas histórias de Johan, carregadas de dores e aflições. Inicialmente o filme deveria se chamar Os Antropófagos, o que deixaria claro o mistério em torno do estranhos habitantes da ilha. Mas no final, A Hora do Lobo acabou por ser um bom nome.

Outro filme que gosto muito é Noites de Circo (1953). Não é só o expressionismo destacado em uma época em que era requerido, ou as atuações formidáveis que me atraem para Noites de Circo. Existe algo que me faz assistí-lo sempre que quero ver um Bergman. No filme o diretor coloca uma disputa entre o circo e o teatro. Um amante das duas artes, Bergman nos leva aos bastidores mostrando as dificuldades em viver num circo intinerante e as disputas de egos dos artistas de teatro. Mas no filme eles nos mostra o quão comum os dois podem ser.

Com esses 100 anos, vão exibir muitos Bergmans nos cinemas, uma ótima oportunidade para assistir seus filmes na tela grande. Se me permitem uma dica, o documentário 'Bergman - 100 Anos' é uma ótima escolha para quem não conhece o diretor. Mesmo sendo um doc, algumas histórias são tão mirabolantes que até parece ficção.

[Comente este Post]

Postado por A Lanterna Mágica
11/9/2018 às 08h14

 
Em defesa do preconceito, de Theodore Dalrymple

Recentemente conclui minha releitura do livro Em defesa do preconceito, de Theodore Dalrymple, cujo estilo de escrita não me canso de ler. O título é claramente provocativo; alguns argumentariam que se trata de uma jogada de marketing para chamar nossa atenção. Que seja, pois nesse gesto de “chamar a atenção” ele também revela, sutilmente, a nossa ignorância diante da aplicabilidade do termo “preconceito”, com larga aceitação (ou rejeição), mas, ao mesmo tempo, feita de maneira irrefletida e, não raro, mecânica.

Normalmente o “preconceito” está associado a uma atitude de repúdio anterior à experiência; de rejeitar algo ou alguém antecipadamente, sem conhecimento ou segundo critérios infundados, como: cor da pele, do cabelo, nacionalidade etc. Nesse sentido, “preconceito” é algo deletério; como poderia alguém escrever um livro em sua defesa?

Não é esta acepção que Dalrymple aplica; segundo o autor, há um matiz conceitual que define o “preconceito” como um conjunto de valores morais preconcebidos, construídos ao longo da história e mantidos através da tradição. Diferentemente da acepção comum, neste caso o “preconceito” é algo benéfico e salutar. Nesse sentido, o livro de Dalrymple é tanto uma defesa quanto uma crítica: defende os valores tradicionais e critica aqueles que, sob as mais variadas (e, não raro, infundadas) justificativas, pretendem destruí-los.

Em primeiro lugar, uma pessoa que se declara viver sem preconceitos e os contesta é uma espécie de cartesiano, pois articula um modus operandi similar: se René Descartes preocupou-se em fundamentar um posicionamento filosófico puro, isto é, sem o menor resquício de dúvidas e, desse modo, garantindo-lhe maior segurança para construir um raciocínio o mais próximo da Verdade, alguém “sem preconceitos” almeja, analogamente, um lugar “puro”, sem o menor resquício de preconceito e, assim, apresentar-se como alguém “superior e livre de ideias pré-concebidas”. Em síntese, ao invés da projeção de dúvidas, projetam-se “preconceitos”: “A popularidade do método cartesiano não decorre do desejo de remover as dúvidas metafísicas e encontrar a certeza, mas o que ocorre é precisamente o oposto: jogar dúvida em todas as coisas e, portanto, aumentar o escopo de licenciosidade pessoal ao destruir, de antemão, quaisquer bases filosóficas para a limitação dos próprios apetites” (p. 21)

No entanto, a conduta “anti-preconceito” se apoia numa crítica aos valores tradicionais como forma de justificar filosoficamente comportamentos pessoais licenciosos, assim como alargar (se não, abolir) os limites em torno “dos próprios apetites”. Entenda-se “comportamentos pessoais licenciosos” como sendo os interesses de ordem pessoal, que normalmente são restringidos por alguma “autoridade moral”, por “valores tradicionais” ou algo do gênero.

“Então, subitamente, todos os recursos da filosofia lhes são disponibilizados, e serão imediatamente usados para desqualificar a autoridade moral dos costumes, da lei e da sabedoria milenar” (p. 22)

A História torna-se o centro de contestação, visto que foi através dela – ao longo do desenvolvimento do tempo – que determinados “preconceitos” se formaram e se perpetuaram. Contudo, reconstituir o passado requer uma postura seletiva em relação ao modo e ao que será narrado. Nesse ínterim, um estudioso pode projetar anseios predeterminados ou ideológicos, estabelecendo-os como critério científico de seleção; desse modo, reconfiguram-se outras possibilidades de narrativa histórica, mas que apenas devolve o seu interesse; diz o que se quer ser ouvido.

Um “liberal sem preconceitos”, quando pretende deslegitimar a “autoridade imposta” ao longo da história, estabelece o seu interesse ideológico como critério. Esse gesto demonstra a consequência imediata do combate ao preconceito, cujo resultado não é a sua abolição, mas, no máximo, a substituição por outro preconceito.

“Derrubar determinado preconceito não significa destruir o preconceito enquanto tal. Na verdade, implica inculcar outro preconceito” (p. 39)

Nesse sentido, a família, a educação, a história, as artes, a religião, tornam-se alvo de críticas, em que os “caçadores de preconceito” pretendem desmontar a “autoridade repressiva” detrás esses valores. Mas qual o resultado? O que é proposto no lugar? As respostas são várias e estão apresentadas ao longo dos 29 capítulos do livro. Exemplifico com apenas um: as consequências no campo da educação.

“Se alguém se vê moralmente obrigado a limpar a sua mente dos detritos do passado para que possa se tornar um agente moral completamente autônomo, isso implica o dever de não jogar na mente dos mais jovens, os detritos produzidos por nós. Não causa surpresa, portanto, constatar que, de forma crescente, investimos as crianças de autoridade para que administrem as suas próprias vidas, e isso é feito com crianças cada vez menores. Quem somos nós para dizer a elas o que fazer?” (p. 31)

Em termos práticos, isso leva a uma perda de autoridade dos pais diante dos filhos. Na verdade, não se trata precisamente de uma “perda”, mas de uma delegação – consciente ou não – às crianças da responsabilidade de decidirem o que querem comer, assistir, falar, fazer; quando querer dormir, acordar, ir à escola, sem qualquer critério (isto é: valores) pré-estabelecidos. Se isso é visivelmente um gesto de imprudência, que tipo de pais poderiam confiar tamanha responsabilidade aos seus filhos, ainda imaturos?

“Pais preguiçosos e sentimentais, sem dúvida” (p. 33)

As consequências disso podem ser vistas desde em um supermercado, quando uma criança ordena, aos berros, para que lhe compre um pacote de bolachas recheadas para o jantar, ao que a mãe lhe obedece e responde, meio sem graça, às pessoas ao redor: “Ele é assim mesmo”; até a desordem que predomina nas escolas, em que professores são agredidos direta ou indiretamente, física e verbalmente, sem qualquer respeito à sua (antiga, tradicional) autoridade. Em síntese: um mundo predominado de gente mimada e sem o senso de responsabilidade e respeito, que são outros valores tradicionais.

Como o bem disse Dalrymple, numa síntese magistral: “(...) o sábio questiona apenas aquelas coisas que merecem questionamento” (p. 63)

Ora, se por um lado foram os intelectuais quem iniciaram os questionamentos (às vezes convenientes, o que não justifica uma regra) a respeito da “autoridade”, isso não foi mediante uma postura sábia, mas inconsequente, vaidosa e egoísta:

“Em outras palavras, para essa classe, trata-se do mero exercício retórico e de exibicionismo intelectual, no sentido de conferir ao sujeito uma aura de ousadia, generosidade, sagacidade, sugerindo a presença de uma mente independente aos olhos de seus pares, em vez de ser uma real questão de conduta prática” (p. 39)

Combater as “ideias pré-estabelecidas” nem sempre é uma questão de conduta prática, mas é uma atitude típica e artificialmente blasé, de alguém que se pretende colocar num lugar incomum, não-convencional, e que apenas repete o convencionalismo de (tentar) não ser convencional.

Há preconceitos que foram deletérios, claro, o que não justifica a sua generalização ou o constante reexame de toda e qualquer ideia pré-estabelecida. Elas existiram, existem e existirão.

“Temos que ter, ao mesmo tempo, confiança e discernimento para pensarmos logicamente a respeito de nossas crenças herdadas, e a humildade para reconhecermos que o mundo não começou conosco, e tampouco terminará conosco, e que a sabedoria acumulada da humanidade é muito maior do que qualquer coisa que podemos alcançar de forma independente” (p. 137)

Por fim, a sabedoria não está apenas na correção do que deve ser questionado, mas no modo como os valores preconcebidos – os preconceitos – são incorporados na vida prática. “Não se apresenta como uma das grandes glórias de nossa civilização que um homem com habilidades moderadas possa – e talvez deva – saber mais que os grandes cientistas e sábios do passado? Ele vê mais longe por estar sobre os ombros de gigantes, e não porque ele impertinentemente questionou tudo o que alcançou” (p. 129)

O livro de Dalrymple é uma oposição à mentalidade imprudente, pois situa a importância de hábitos e valores importantes em vias de extinção.

[Comente este Post]

Postado por Ricardo Gessner
9/9/2018 às 17h43

 
BRASIL, UM CORPO SEM ALMA E ACÉFALO

É com angustia e desolação profunda que escrevo este artigo. A destruição do Museu Nacional do Rio de Janeiro. Um acervo de valor inestimável, para o Brasil e para o mundo.

O Museu Nacional, além de preservar a História, a Cultura Nacional, era um centro de excelência acadêmica, para brasileiros interessados, diga-se de passagem poucos, em conhecer as vertentes naturais, da cultura, da política nacional e da ciência universal.

Há muitos anos este tesouro brasileiro estava esquecido e abandonado por todos. Do ponto de vista nacional, os governos Federal, Estadual e Municipal, ‘desconheciam’ os problemas pelos quais passava. Acredite quem quiser.

O descaso, a incompetência e o despreparo dessa gente política, que se intitulam gestores é com certeza a causa do abandono e destruição da alma da nação brasileira. A Cultura, a Arte, a Escrita e a História parecem alérgica a esses crápulas.

Hoje, dia três de setembro, semana da pátria, ouve-se desses mesmos loucos pelo poder, frases como: Vamos reconstruir o prédio do Museu Nacional, Governo Municipal do Rio de Janeiro, como se o prédio fosse o próprio acervo destruído e irrecuperável. Não mediremos esforços para recuperar o Museu Nacional, ministro da cultura; perda ‘incalculável’, diz o presidente da república do Brasil.

Esses, são homens que nem sabem porque estão em seus cargos. O governo do Rio de Janeiro, Municipal e Estadual, chegam a beirarem a mediocridade se comparados a outros governos.

Parte da população brasileira, incluindo parte de uma juventude despreparada e desconhecedora da Cultura, da Arte e da História nacional, ficam discutindo e venerando políticos desonestos, corruptos e incultos, quanto as suas condenações por tribunais competentes. Esses sanguessugas do nosso patrimônio e das nossas riquezas, devem ser exemplarmente punidos, para servir de exemple aos jovens de hoje, geração adulta do amanhã.

A destruição do Museu Nacional, passa por tudo isso, para chegar onde chegou; a lugar nenhum. Hoje, tão somente um monte de cinzas. Um acervo de milhares de anos de História e 200 duzentos anos de existência, de conhecimentos e aprendizagem. Uma catástrofe, que acaba de nos deixar mais pobres e envergonhados perante o mundo, dadas as condições em que se encontra, político, social e economicamente o nosso Brasil.

Preciso dizer a essas pessoas incompetentes: se não falastes ontem, hoje, “porque não te calas?”.

Rio 3/09/2018

[Comente este Post]

Postado por Blog Feitosa dos Santos - Prosas & Poemas
3/9/2018 às 13h52

 
Meus encontros com Luiz Melodia

Me arrependi de não ter escrito quando ele morreu. Como fez um ano e um mês, resolvi escrever.

Como muita gente na minha geração, descobri o Luiz Melodia através de uma propaganda da M. Officer, que passava no cinema.

“Tente passar
Pelo que estou passando...”

Era “Pérola Negra”, a canção que dá nome ao álbum. Sobre o qual eu havia lido na revista Bizz, seção “Discoteca Básica”.

A propaganda foi no início dos anos 90. Então, no final de 1994, eu estava andando pela Quinta Avenida, em Nova York (nem sempre sou tão chique assim), quando encontro Luiz Melodia numa loja.

Eu não tinha certeza se era ele. E nem mesmo se aquela canção - daquela propaganda - era dele. Mas encarei tanto o sujeito que ele mesmo se aprochegou: “E aí? Tudo bem?”

Não falamos sobre música (eu não queria me arriscar sobre o que eu não sabia). Falamos um pouco sobre a cidade. Foi uma conversa breve. Ele foi cordial. Estava acompanhado da esposa e do filho, Mahal.

Depois, claro, fui ouvir “Pérola Negra” (1973). Além da canção homônima, tem “Vale quanto pesa”.

“Quanto você ganha pra me enganar?
Quanto você paga pra me ver sofrer?”

O Barão Vermelho, com Frejat, regravou - mas não soou tão interessante.

Em contrapartida, Melodia aparece na letra de “Só as mães são felizes”, junto de Lou Reed e Allen Ginsberg. Cazuza entendia do riscado.

Tentei ouvir “14 Quilates” (1997), mas senti que a inspiração havia ficado para trás.

Fui me apaixonar por Luiz Melodia, de novo, por causa da Carol, que me acompanhou no show do “Acústico” (1999), no TBC reinaugurado.

Havia um espectador com uma barba enorme, que eu, fazendo graça pra Carol, apelidei de “O Profeta”. O Profeta não tinha nada daqueles eremitas que vivem numa caverna. Nada de monge também. Pelo contrário: aplaudia efusivamente e acompanhou entusiasticamente o coro de “Negro Gato”.

“Eu sou um negro gato de arrepiar.
Essa minha história é mesmo de amargar...”

Nas primeiras cadeiras estavam os convidados de Melodia - ou: os que desejavam se enturmar com ele... Um, inclusive, anunciou para os demais: “Já combinei tudo com o Melô”. (A noite ia ser boa...)

Lembro, ainda, que “Melô” dedicou o show a uma recepcionista do hotel onde estava hospedado. Ouviram-se gritos e assobios maliciosos...

Eu gostei tanto desse show, e desse disco, que quando nos casamos, eu e a Carol, inclui a faxia “Fadas” no CD que ia junto aos bem-casados, no final da festa. (Eu sou da época do CD.)

“Devo de ir,
Fadas
Inseto voa em cego
Sem direção.

“Eu bem te vi
Nada.
Ou fada borboleta,
Ou fada canção...”

Antes de a Catarina nascer, nós tivemos um filho não-humano, o Dinko, e ele fazia tanto sucesso, onde quer que fosse, que eu cantava pra ele: “Tenho muitos amigos, eu sou popular...”

Era a letra da canção do Zé Keti, que Melodia celebrizou:

“Se alguém perguntar por mim
Diz que fui por aí
Levando um violão
Debaixo do braço.

“Em qualquer esquina, eu paro
Em qualquer botequim, eu entro
E se houver motivo
É mais um samba que eu faço...”

Ainda teve um terceiro encontro, depois do “Acústico” e antes do Dinko, foi no início dos anos 2000...

Um amigão nosso, o Alê, descobriu uma boate, com um DJ diferente, que conseguia colocar “Roda-Viva”, para todo mundo dançar. Era a Jive.

O DJ era tão bom, mas tão bom, que a Jive mudou de lugar, e nós fomos atrás. E em plena Frei Caneca, uma noite, entrou o Luiz Melodia, de boné, com uns “brothers”.

Mesmo camuflado, todo mundo o reconheceu. E ele foi chamado para assumir as pick-ups. Mas só agradeceu e desceu do palco improvisado.

Muitos anos depois, um tio de uma prima da Carol, que tinha ido no nosso casamento, me abordou no meio de uma escada de shopping center e então confessou: “Aquela música... Do disco de vocês... Aquela música... Fadas!”.

E não disse mais nada. Ficou sem palavras para expressar a sua emoção pela descoberta de “Fadas”. Só conseguiu me olhar, com um sorriso cúmplice, me perguntando se eu estava entendendo...

Ao que respondi: “Que bom, tio. Que bom que você gostou” ;-)

Para ir além
Compartilhar

[Comente este Post]

Postado por Julio Daio Bløg
3/9/2018 às 12h19

 
Evasivas admiráveis, de Theodore Dalrymple

Resenha: Evasivas admiráveis, Theodore Dalrymple

Há alguns anos, durante um jantar, conversava com uma colega sobre a minha afeição pela escrita de Miguel de Unamuno, escritor espanhol e precursor do existencialismo. Aprecio justamente por ele escrever como existencialista, não como filósofo. Para Unamuno, a existência não era uma categoria, nem um conceito ou um sistema abstrato, mas um questionamento sincero sobre aquilo que o fazia sentir-se vivo: seus medos, angústias, aflições. Sua escrita incide sobre questões que lhe interessavam vitalmente, sem reduzi-las a uma dedicação meramente intelectual. Era uma forma de enfrentar seus demônios interiores — se possível superá-los –, mas de maneira nenhuma esquivar-se deles.

Ao concluir, minha interlocutora responde: “Ah… eu não acho que a gente deva ficar pensando muito…”. Ela era psicóloga. E sua resposta ecoava em minha mente enquanto lia Evasivas admiráveis, de Theodore Dalrymple. Pois aquela resposta era uma evasiva admirável.

Em várias ocasiões Dalrymple mencionou que um dos seus principais temas de interesse é a respeito da natureza do mal. De fato, o autor discute o assunto em seus vários livros, mas não em termos filosóficos, nem apoiando-se exclusivamente em sistemas abstratos, mas constrói seu raciocínio a partir de sua experiência como psiquiatra e de costumes morais; isto é, de como o fator moral (e sua ausência) influencia comportamentos perigosos, narcisistas e socialmente deletérios.

Contudo, em Evasivas admiráveis foge-se um pouco desse quadro, pois Dalrymple constrói sua reflexão a partir de teorias — teorias psicológicas –, para demonstrar como elas podem, sob o verniz conceitual da ciência, eximir o indivíduo de certas responsabilidades. Noutras palavras, Dalrymple discorre sobre como algumas teorias delegam a fatores externos a responsabilidade dos malefícios individuais, ou incentivam um egocentrismo desonesto, trajado em conceitos como autoaceitação (amar-se acima de qualquer coisa, inclusive os seus demônios interiores), autoperdão (suas ações são culpa de maus pensamentos inculcados pela sociedade opressora, ou de um desequilíbrio químico dos neurotransmissores), Eu-verdadeiro (herança rousseauniana: no âmago, você é bom; são seus demônios interiores — com vida própria — que te atrapalham). São as condutas que dão nome ao livro.

Existe uma diferença entre infelicidade e depressão. Infelicidade está associada a uma capacidade de compreensão; isto é, pressupõe um exercício honesto de identificar e assumir certas responsabilidades sobre decisões erradas, condutas equivocadas, relacionamentos ruins, que trouxeram algum tipo de sofrimento. Dessa forma, infelicidade é um estado de espírito. Depressão, por outro lado, é um quadro clínico, geralmente associado a alguma disfunção neurológica, e o indivíduo não tem controle sobre si ou sobre seus pensamentos. Quando transposto esse quadro àqueles com transtornos psicológicos, há uma confusão entre infelicidade e depressão. “Eles nunca serão responsabilizados pelo seu estado ou situação; são vítimas de algo exterior a elas (nesta circunstância as disfunções do cérebro são consideradas exteriores, e não o eu verdadeiro dessas pessoas)” (p. 42).

Isso explica o fetiche pelos antidepressivos. A promessa de felicidade fácil e rápida, mesmo que os efeitos dos comprimidos não sejam tão eficazes conforme informações divulgadas na mídia. Trata-se, portanto, de uma evasiva admirável.

“Excetuando instâncias específicas, a psicologia não contribui em nada para o autoconhecimento humano, e fez até o oposto; pois ao se meter entre o ser humano e o que Samuel Johnson chamou de ‘movimentos de sua própria mete’, ela atua como um obstáculo ao genuíno (ainda que muitas vezes doloroso) exame de si mesmo” (p. 94).

Em resumo, o autoconhecimento não é sinônimo, nem garantia, de felicidade, pois requer um olhar honesto para si mesmo; requer o reconhecimento das próprias limitações, assim como assumir a responsabilidade sobre os próprios infortúnios e o enfrentamento de suas causas e consequências. O Eu-verdadeiro não é tão bonito quanto se pinta; a autoaceitação, o autoperdão, sem uma responsabilidade moral, legitima um egoísmo narcisista.

A publicação de Evasivas admiráveis, pela editora É Realizações, é um gesto de considerável importância, pois apresenta numa linguagem acessível e elegante, um olhar crítico sobre determinado comportamento marcado por uma “insatisfação, um descontentamento com a vida” (p. 17), em que e a felicidade é concebida como um direito inalienável.

Em síntese, a busca pela felicidade não é uma busca sincera se associada exclusivamente ao autoconhecimento.

Evasivas admiráveis, de Theodore Dalrymple. Editora É Realizações, 2017

[Comente este Post]

Postado por Ricardo Gessner
2/9/2018 às 12h00

 
O testemunho nos caminhos de Israel

Eu precisava ir. Resisti mas atendi ao chamado e acabei seguindo a consciência que me dizia: é preciso ir conhecer os caminhos e a terra natal de Jesus.

Esse foi um grande presente, que Deus me concedeu. Conhecer os caminhos do seu filho muito amado, e ver quão difícil foi a igreja do Cristo, à época, por todas aquelas terras.

Fiquei imaginando como fez o Homem Jesus, há mais de dois mil anos, para transmitir a palavra, conhecer os habitantes de lugares quase inóspitos, íngremes e poeirentos; sem estrada e sem transporte para ir de um lugar a outro. Ele foi e multidões o seguiram.

Eu precisava ir e fui. Todas as pessoas deveriam ter a oportunidade de conhecer as veredas, os caminhos de Jesus feito homem, na sua vida terrena, então entenderiam o que hoje carrego comigo, esse sentimento de participar com Ele das jornadas, árduas jornadas pelas quais passou. Ouvir no silêncio das montanhas a voz Daquele que clamava no deserto, em nome do Pai, do Seu nome e do Espirito.

Acompanhar seus passos, pisar na terra sobre a qual Ele pisou, ir aos lugares aonde Ele foi, estar nos lugares onde Ele esteve, não se pode explicar. É preciso viver e sentir dentro de nós, o fervor da fé, a emoção latente. Em muitos lugares senti a Sua presença e orando ao Pai, por certo Ele orou comigo.

Realmente não seria em nenhum paraíso, que Jesus nasceria, mas em uma terra árida, desértica, sem água em abundância e de acesso complicado aos diversos povos da região em sua época.

Em Nazaré, local da anunciação pelo anjo a Nossa Senhora, é um lugar de vida, alegria e aconchego humano. Ao redor do poço de Maria, você vê brotar a água em abundância, em um local tão árido. Permite-nos sentir a esperança da boa nova, o milagre da vida, a vinda do Salvador.

Pude aqui meditar sobre a vida. Orei em memória dos meus pais, meus avós, meus sogros e por todos que geraram vidas. Nesse lugar reina o amor e a fé em Maria, o trabalho em José e a palavra em Jesus. “Eis aqui a serva do senhor”.

Em Jerusalém, na região de Ein Karen, em visita a igreja da Visitação, onde a Virgem Maria visita sua prima Izabel, de idade avançada, para a época, pude comparar os cantos dos pássaros, com um hino de louvor, entoado a Mãe de Cristo Jesus. Orei pela generosidade daqueles que partilham a vida, assim como fez a nossa mãe Maria Santíssima. ‘Porque olhou para sua pobre serva, por isso, desde agora, me proclamarão bem-aventurada todas as gerações”.

Em Belém estar o local da manjedoura, a gruta na qual nascera o Messias. Era tudo tão difícil, tão precário, que chegamos a imaginar como pode o Homem dos homens, o Rei dos reis ter vindo em tão acentuada pobreza. Mas as palavras dos profetas precisavam ser concretizadas. E assim cumpriu-se o anunciado.

Pedi por todos os necessitados, os carentes de amor, de saúde, de água e de pão; de vestimenta e um teto para se abrigar do sereno e do sol. Pedi pelos que não tem fé e os vazios de generosidades para com o próximo. Aqui pedi por mim mesmo: “Senhor eu creio, mas aumentai a minha fé”.

Ter visitado o monte Tabor, local da transfiguração de Jesus, feita a ponte entre o céu e a terra, me alegrou o corpo e a alma. Visitar o monte das tentações, fortaleceu o meu corpo e o meu espirito, sem que me abatesse o cansaço. “Vai-te satanás porque está escrito: ao Senhor teu Deus adorarás e a Ele só prestarás culto”. O monte das bem-aventuranças, onde ocorreu o sermão da montanha, e o rio Jordão, onde João Batista, realizou o batismo de Jesus Cristo.

Jesus percorreu caminhos espinhosos e ao mesmo tempo de luz, para os que o escutavam. Pescou no mar da Galileia, ou lago de Genesaré, se não peixes, mas homens para o seu apostolado. Passei ainda por Tiberíades, Cafarnaum e Tabgha.

Conheci ainda, Cesaréia Marítima, Haifa, Jericó, Caná da Galileia, Muhraqa, Qumram, Mar Morto, Jerusalém, Jaffa e Emaús.

Em Jerusalém, no Santo Sepulcro, orei no local de sua crucificação, toquei a pedra sobre a qual Ele foi ungido após sua morte, e de joelhos por terra, em frente ao local do seu sepultamento. Seu tumulo estar vazio. Ao terceiro dia ressuscitou, Ele vive ao lado do Altíssimo. Assim disse Jesus a Maria Madalena: Não me detenhas, porque ainda não subi para o meu Pai, mas vai para os meus irmãos, e dize-lhes que eu subo para meu Pai e vosso Pai, meu Deus e vosso Deus.

Na tarde do primeiro dia da semana, após sua morte, Jesus se pôs no meio dos apóstolos e falou: a paz seja convosco. Por não estar presente, Tomé não acreditou ao lhe contarem. Em outra aparição, assim falou Jesus: Porque me viste, Tomé, creste; bem-aventurados os que não viram e creram.

Expressar um sentimento de natureza religiosa, tornam-se escassas as palavras a quem quer se fazer entender. Acredito que só vivenciando cada ponto dessa história, cada lugar originário, fonte desses fatos, poderá suprir o vazio deixado, pelas informações que a nós católicos são passadas desde a mais tenra infância.

Eu acreditei sem saber onde e como ocorreu o ato. Vivi para enxergar, não apenas ver o cenário onde tudo se passou. Eu estive lá, em cada lugar, em cada caminho e assim me faço testemunho da vida terrena de Jesus e da Via Sacra pela qual passou. Assim direi, Senhor estejais sempre em mim e eu em Vós; nas horas de alegrias e sofrimentos, porque mesmo crendo eu vos pedirei: aumentai mais e mais a minha fé.

Rio, 27/08/2018

[Comente este Post]

Postado por Blog Feitosa dos Santos - Prosas & Poemas
1/9/2018 às 15h29

Mais Posts >>>

Julio Daio Borges
Editor

Digestivo Cultural
Histórico
Quem faz

Conteúdo
Quer publicar no site?
Quer sugerir uma pauta?

Comercial
Quer anunciar no site?
Quer vender pelo site?

Newsletter | Disparo
* Twitter e Facebook
LIVROS




DI CAVALCANTI - GÊNIOS DA PINTURA Nº 48
ABRIL CULTURAL
ABRIL CULTURAL
(1967)
R$ 8,00



VIDA A DOIS
JAMIRO DOS SANTOS FILHO
EME
(2006)
R$ 13,90



SOBRE AS MANEIRAS CIENTIFICAS DE TRATAR O DIREITO NATURAL
G.W.F.HEGEL
LOYOLA
(2018)
R$ 19,00



JARDIM DE ESCURIDÃO - VOLUME I TRILOGIA DAS CARTAS
BIANCA CARVALHO
LITERATA
(2011)
R$ 26,83



SUMMA CUM LAUDE
FERNANDO PEDREIRA
OBJETIVA
(1999)
R$ 12,00



SALGADINHOS E PETISCOS - 30 RECEITAS PRÁTICAS
ANA MARIA BRAGA
NOVA CULTURAL
R$ 7,00



ASTROLOGIA ESPACIAL
JOSEPH F. GOODAVAGE
PENSAMENTO
(1970)
R$ 32,00



DINOSSAUROS - GIGANTES DO MUNDO PRÉ HISTÓRICO Nº 2
EDITORA GLOBO
GLOBO
(1993)
R$ 8,99



INCONDICIONALMENTE LIBERTA
SALETE SABINO
DA AUTORA
(1997)
R$ 10,00



DIÁRIO DE UM ZUMBI DO MINECRAFT 2 - PARCEIROS E RIVAIS
HOROBRINE BOOKS
SEXTANTE
(2015)
R$ 28,00
+ frete grátis




>>> A Lanterna Mágica
>>> Abrindo a Lata por Helena Seger
>>> Blog belohorizontina
>>> Blog da Mirian
>>> Blog da Monipin
>>> Blog de Aden Leonardo Camargos
>>> Blog de Alex Caldas
>>> Blog de Ana Lucia Vasconcelos
>>> Blog de Anchieta Rocha
>>> Blog de ANDRÉ LUIZ ALVEZ
>>> Blog de Angélica Amâncio
>>> Blog de Antonio Carlos de A. Bueno
>>> Blog de Arislane Straioto
>>> Blog de CaKo Machini
>>> Blog de Camila Oliveira Santos
>>> Blog de Carla Lopes
>>> Blog de Carlos Armando Benedusi Luca
>>> Blog de Cassionei Niches Petry
>>> Blog de Cind Mendes Canuto da Silva
>>> Blog de Cláudia Aparecida Franco de Oliveira
>>> Blog de Claudio Spiguel
>>> Blog de Dinah dos Santos Monteiro
>>> Blog de Eduardo Pereira
>>> Blog de Ely Lopes Fernandes
>>> Blog de Enderson Oliveira
>>> Blog de Expedito Aníbal de Castro
>>> Blog de Fabiano Leal
>>> Blog de Fernanda Barbosa
>>> Blog de Geraldo Generoso
>>> Blog de Gilberto Antunes Godoi
>>> Blog de Haelmo Coelho de Almeida
>>> Blog de Hector Angelo - Arte Virtual
>>> Blog de Humberto Alitto
>>> Blog de Isaac Rincaweski
>>> Blog de João Luiz Peçanha Couto
>>> Blog de JOÃO MONTEIRO NETO
>>> Blog de João Werner
>>> Blog de Joaquim Pontes Brito
>>> Blog de José Carlos Camargo
>>> Blog de José Carlos Moutinho
>>> Blog de Kamilla Correa Barcelos
>>> Blog de Lourival Holanda
>>> Blog de Lúcia Maria Ribeiro Alves
>>> Blog de Luís Fernando Amâncio
>>> Blog de Marcio Acselrad
>>> Blog de Marco Garcia
>>> Blog de Maria da Graça Almeida
>>> Blog de Nathalie Bernardo da Câmara
>>> Blog de onivaldo carlos de paiva
>>> Blog de Paulo de Tarso Cheida Sans
>>> Blog de Raimundo Santos de Castro
>>> Blog de Renato Alessandro dos Santos
>>> Blog de Rita de Cássia Oliveira
>>> Blog de Rodolfo Felipe Neder
>>> Blog de Sonia Regina Rocha Rodrigues
>>> Blog de Sophia Parente
>>> Blog de suzana lucia andres caram
>>> Blog de TAIS KERCHE
>>> Blog de Thereza Simoes
>>> Blog de Valdeck Almeida de Jesus
>>> Blog de Vera Carvalho Assumpção
>>> Blog de vera schettino
>>> Blog de Vinícius Ferreira de Oliveira
>>> Blog de Vininha F. Carvalho
>>> Blog de Wilson Giglio
>>> Blog do Carvalhal
>>> Blog Feitosa dos Santos - Prosas & Poemas
>>> Blog Ophicina de Arte & Prosa
>>> Cinema Independente na Estrada
>>> Consultório Poético
>>> Contubérnio Ideocrático, o Blog de Raul Almeida
>>> Cultura Transversal em Tempo de Mutação, blog de Edvaldo Pereira Lima
>>> Escrita & Escritos
>>> Eugênio Christi Celebrante de Casamentos
>>> Ezequiel Sena, BLOG
>>> Flávio Sanso
>>> Fotografia e afins por Everton Onofre
>>> Impressões Digitais
>>> Me avise quando for a hora...
>>> Metáforas do Zé
>>> O Blog do Pait
>>> O Equilibrista
>>> Relivaldo Pinho
>>> Ricardo Gessner
>>> Sobre as Artes, por Mauro Henrique
>>> Voz de Leigo

busca | avançada
29950 visitas/dia
957 mil/mês