Ricardo Gessner

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Domingo, 23/9/2018
Ricardo Gessner
Ricardo Gessner

 
A dignidade da culpa, em Graciliano Ramos

Em 1934, um brasileiro nascido na cidade de Quebrângulo, Alagoas, chamado Graciliano Ramos, publicou o romance São Bernardo. É um livro que põe o dedo numa ferida sempre aberta, por mais esforços que se faça para silenciá-la: o sentimento de culpa. E não seria exagero dizer que a obra mereceria estar ao lado de Crime e Castigo (Fiódor Dostoievski), Ressurreição (Leon Tolstói) ou Metamorfose (Franz Kafka), num panteão de obras essenciais ao entendimento da natureza humana, não fosse a língua portuguesa que a condenou a ser um “galho menor de um arbusto secundário dos jardins das musas”. Ora, no jardim das musas não há arbustos secundários, e os leitores de língua portuguesa também têm seus privilégios.

O romance é uma espécie de autoanálise em que Paulo Honório, narrador-personagem, reconta a história de sua ascensão social, graças às falcatruas, emboscadas, relações de falsa amizade e interesse. Relembra de como levou Luís Padilha (antigo dono e herdeiro da fazenda São Bernardo) à falência; de como planejou o assassinato de seu vizinho para expandir suas terras; de como perdeu o interesse pelo próprio filho; de como levou sua esposa, Madalena, ao suicídio.

Diante de tais atrocidades, Paulo Honório lamenta-se de uma, em específico: a consciência de não conseguir sentir culpa. Apesar de pequenos indícios de aflição, trata-se de um sentimento ambíguo, pois não brota de um arrependimento, mas da consciência de ser incapaz de arrepender-se. Diz Paulo Honório: “Penso em Madalena com insistência. Se fosse possível recomeçarmos... Para que enganar-me? Se fosse possível recomeçarmos, aconteceria exatamente o que aconteceu. Não consigo modificar-me, é o que mais me aflige”; ou seja, mesmo se tivesse uma segunda chance, não faria diferente. Noutra situação, quando manifesta a ausência de amor pelo filho, sua expressão é emblemática: “Nem sequer tenho amizade a meu filho” – veja-se a precisão e sutileza com que se expressa: nem sequer “amizade” sente pelo filho, ou seja, nem mesmo o mínimo de afeição esperada, ao que se completa: “Que miséria!”.

A interjeição diante da falta de “amizade” pelo filho – “que miséria!” – é reveladora. Paulo Honório reconhece a miséria de sua própria condição moral. “Reconhecimento” é um item importante nas tragédias gregas: é o momento em que o herói reconhece sua condição de desgraça. Nesse sentido, São Bernardo é um romance trágico, construído sobre um paradoxo: à medida que Paulo Honório ascende socialmente, decresce moralmente. É uma ironia presente no próprio nome do protagonista: “Honório” provém de “honorius”, que em latim significa “honorífico”, “honrado”, sendo sua raiz etimológica: “honor”: “honra”; entretanto, toda sua honra se restringe à sua condição social, não moral.

A grandiosidade do romance está na figura de Paulo Honório ao reconhecer sua condição moral miserável e assumi-la como sua responsabilidade. Obviamente que não elogio suas ações criminosas, nem as defendo. Por outro lado, ele não mente para si mesmo: “Para que enganar-me? Se fosse possível recomeçarmos, aconteceria exatamente o que aconteceu”. Se por um lado é uma fala que revelaria a perversidade do protagonista, por outro é um gesto de coragem, de alguém que assume a responsabilidade diante de sua condição de desgraça, consciente da própria incapacidade de se libertar.

A atualidade de São Bernardo não está na construção do típico “sinhozinho” que é Paulo Honório; não está na caracterização do explorador avaro e sem sentimentos; não está na crítica ao “capitalismo perverso que corrompe as pessoas”. A atualidade de São Bernardo está em ser um contraponto a um mundo que facilita e, silenciosamente, valoriza a mentira para justificar ou negar as próprias falhas, medos e fraquezas. Se Paulo Honório justificasse o suicídio de sua esposa pela adesão ao comunismo – “Comunista, materialista. Bonito casamento!”, exclama o narrador em pensamento, durante uma conversa a respeito de sua esposa –, seria menos doloroso. Contudo, seria menos honesto, menos consciente.

Quando Paulo Honório assume sua responsabilidade diante da própria vida, quando assume ser o culpado de sua desgraça, torna-se moralmente digno, pois sua coragem e sobriedade merecem respeito. Um gesto raro.

Um dos itens que compõe uma obra clássica é a contribuição para um entendimento mais profundo de nossa natureza e condição. São Bernardo é um clássico.

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Postado por Ricardo Gessner
23/9/2018 às 15h59

 
O conservadorismo e a refrega de símbolos

Hoje em dia a expressão “sair do armário” deixou de ser aplicada aos homossexuais e passou a se referir à “nova direita”, aos “novos conservadores”. Até pouco tempo, o predomínio da esquerda no campo cultural e no debate público era evidente — e continua sendo –; pouquíssimos intelectuais e artistas se apresentam como “liberais”, “conservadores”, liberal-conservatives ou, simplesmente, de “direita”. Agora, junto ao crescimento e popularização das redes sociais; o aumento do descrédito do Partido dos Trabalhadores; o ceticismo em relação às pautas progressistas, o número de indivíduos apresentando-se como de “direita” é mais abundante.

Com isso, formou-se o que Lira Neto, em sua coluna da Folha (07/01/2018) chamou de “guerra de símbolos”: de um lado estão os “conservadores nos costumes e liberais na economia”; de outro, os progressistas. Trata-se de uma guerra travada principalmente nas redes sociais em que, segundo as palavras do historiador, os conservadores, protegidos pelo politicamente incorreto, “esbravejam vitupérios, expelem platitudes, vomitam sarcasmos” e, ao mesmo tempo, “apontam o dedo censório, invocam preconceitos, cultivam ódios primários” em defesa dos bons costumes. Do outro lado, os progressistas, coitados, são alvejados por ofensas, enquanto lutam — militam — por “conquistas humanas irrevogáveis”.

Lira Neto é um historiador talentoso, construiu uma obra respeitável, escreve bem e publicou livros de fôlego (vide os estudos sobre Getúlio Vargas). Endosso a crítica que faz aos tais “conservadores que vomitam ofensas” pelas redes sociais. No entanto, pontuo que tais indivíduos podem professar o que acreditarem, mas nem por isso serão, de fato, conservadores. De minha parte, não me representam e acredito que outros concordarão comigo. Há uma lacuna entre fé professada e sua conduta; nem sempre estão de acordo e, desse modo, enxergar o lapso é mais importante do que isolar um lado do outro.

Se os “novos conservadores” é um grupo minoritário, como Lira Neto bem acentuou — “Sim, é verdade, eles são barulhentos. Mas estão longe de ser a maioria. Eles, sim, são a verdadeira ‘minoria ruidosa’” –, não se deve tomar a parte pelo todo. As redes sociais estão abarrotadas de “minorias ruidosas” com comportamentos igualmente agressivos, que professam e defendem inúmeras bandeiras, desde a qualidade musical de Pabblo Vittar até a planificação da Terra. Os tais “conservadores” a que se refere o historiador é apenas uma delas.

Não há regras para definir universalmente um conservador ou suas condutas, visto que, segundo alguns teóricos como Michael Oakeshott, trata-se mais de temperamento pessoal do que de etiqueta. Se nos reportarmos a Os dez princípios conservadores, de Russel Kirk, veremos que “a atitude a que chamamos conservadorismo é sustentada por um corpo de sentimentos, mais do que por um sistema de dogmas ideológicos”. Uma dessas atitudes é o “princípio de imperfectibilidade”: “A natureza humana sofre irremediavelmente de certas faltas graves, sabem os conservadores. Sendo o homem imperfeito, nenhuma ordem social perfeita pode ser criada. Devido à inquietação natural, a espécie humana se rebelaria sob uma dominação utópica e eclodiria uma vez mais em descontentamento violento, ou senão, expiraria em tédio”. Desse modo, vitupérios, ofensas, grosserias e demais formas de insulto não correspondem à conduta conservadora e, de maneira nenhuma, são os “símbolos” defendidos na “guerra” apresentada por Lira Neto.

O conservador considera-se herdeiro de algo bom e que precisa ser preservado. Essa herança pode estar associada com valores morais; sistemas políticos; jurídicos; artísticos. Não se trata de conservar algo ad aeternum, mas de incorporá-lo às mudanças culturais. Um pilar fundamental do pensamento conservador é o ceticismo em relação a ideologias, revoluções e mudanças abruptas, pois nem sempre um avanço é sinônimo de melhoramento. Mudanças devem acontecer e adaptações devem ser feitas, mas desde que de forma prudente.

Com isso, os principais “símbolos” defendidos pelo conservador, supondo-se a guerra, são aqueles acumulados pela tradição: um conjunto de valores que nos constituíram. Para utilizar os termos de Kirk: “É senso conservador de que as pessoas modernas são anões nos ombros de gigantes, capazes de enxergar mais longe que seus ancestrais apenas devido à grande estatura daqueles que nos precederam no tempo”. Noutras palavras, se derrubarmos e assassinarmos o “gigante” — isto é, a tradição — faremos um retrocesso e voltaremos a enxergar apenas — sejamos otimistas — o próprio nariz.

Além isso, gostaria de salientar um detalhe a respeito da expressão “conservador nos costumes e liberais na economia”, ou sua expressão original: liberal-conservative. Se nos reportarmos ao livro de Edmund Burke, veremos que o liberalismo econômico é incompatível à conduta conservadora; encontraremos um posicionamento similar em outros conservadores, como em O que é conservadorismo, de Roger Scruton (posteriormente o autor irá rearticular esse posicionamento). Outros podem apresentar-se como liberal-conservatives, mas de modo diferente: liberal nos costumes e conservador na política. Enfim, aclarar cada nuance estenderia os propósitos originais deste texto. O mais importante, por ora, é salientar que a expressão, (hoje) aparentemente contraditória, é aceita por ser uma forma de adaptação ao contexto contemporâneo, não sendo, portanto, uma absurdidade como alguns acreditam.

Por fim, o senhor Lira Neto cita algumas estatísticas, apresentada nos seguintes termos (os destaques são meus):

“Uma segunda pesquisa, (…), indica que nada menos de 70% dos entrevistados são contrários às privatizações indiscriminadas. Apenas 20% se declararam a favor de que as empresas públicas sejam vendidas a rodo para a iniciativa privada, enquanto os 10% restantes são indiferentes ou não souberam responder. Entre os jovens, 68% não acreditam na tal “mão invisível” como panaceia para todos os nossos males históricos.

A terceira pesquisa, enfim, publicada no penúltimo dia do ano, aponta o crescimento do apoio à descriminalização do aborto entre os brasileiros. Nesse caso, 61% dos entrevistados se disseram favoráveis à interrupção da gravidez quando há risco de morte para a mãe.

Outros 53%, segundo o Datafolha, também defendem o direito ao aborto para mulheres vítimas de estupro, ao contrário do que querem os conservadores aboletados no Congresso Nacional. Mais uma vez, um detalhe salta à vista: a maior parcela dos que defendem a descriminalização do aborto é composta por jovens entre 16 e 24 anos.”


A despeito de meu ceticismo em relação a numerologia estatística, assim como o crédito irrefletido à visão de mundo jovem, as expressões destacadas — “indiscriminadas; vendidas a rodo” — não pressupõem “prudência” e, assim, é possível que haja conservadores que também se oponham ao caráter indiscriminado das privatizações, assim como às “vendas a rodo” de empresas públicas. Há possibilidade, portanto, de jovens conservadores estarem incluídos nestes dados, associados de antemão exclusivamente aos progressistas.

p.s.: O texto do senhor Lira Neto está acessível através deste endereço:

http://www1.folha.uol.com.br/colunas/lira-neto/2018/01/1948201-nao-ha-duvida-de-que-uma-guerra-de-simbolos-esta-em-curso.shtml

As citações de Russel Kirk foram feitas a partir do site:

http://tradutoresdedireita.org/os-dez-principios-conservadores/

Recorri ao link, pois não estou com o livro "Política da prudência" (editado pela É Realizações, que inclui “Os dez princípios conservadores) em mãos.

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Postado por Ricardo Gessner
16/9/2018 às 23h07

 
Em defesa do preconceito, de Theodore Dalrymple

Recentemente conclui minha releitura do livro Em defesa do preconceito, de Theodore Dalrymple, cujo estilo de escrita não me canso de ler. O título é claramente provocativo; alguns argumentariam que se trata de uma jogada de marketing para chamar nossa atenção. Que seja, pois nesse gesto de “chamar a atenção” ele também revela, sutilmente, a nossa ignorância diante da aplicabilidade do termo “preconceito”, com larga aceitação (ou rejeição), mas, ao mesmo tempo, feita de maneira irrefletida e, não raro, mecânica.

Normalmente o “preconceito” está associado a uma atitude de repúdio anterior à experiência; de rejeitar algo ou alguém antecipadamente, sem conhecimento ou segundo critérios infundados, como: cor da pele, do cabelo, nacionalidade etc. Nesse sentido, “preconceito” é algo deletério; como poderia alguém escrever um livro em sua defesa?

Não é esta acepção que Dalrymple aplica; segundo o autor, há um matiz conceitual que define o “preconceito” como um conjunto de valores morais preconcebidos, construídos ao longo da história e mantidos através da tradição. Diferentemente da acepção comum, neste caso o “preconceito” é algo benéfico e salutar. Nesse sentido, o livro de Dalrymple é tanto uma defesa quanto uma crítica: defende os valores tradicionais e critica aqueles que, sob as mais variadas (e, não raro, infundadas) justificativas, pretendem destruí-los.

Em primeiro lugar, uma pessoa que se declara viver sem preconceitos e os contesta é uma espécie de cartesiano, pois articula um modus operandi similar: se René Descartes preocupou-se em fundamentar um posicionamento filosófico puro, isto é, sem o menor resquício de dúvidas e, desse modo, garantindo-lhe maior segurança para construir um raciocínio o mais próximo da Verdade, alguém “sem preconceitos” almeja, analogamente, um lugar “puro”, sem o menor resquício de preconceito e, assim, apresentar-se como alguém “superior e livre de ideias pré-concebidas”. Em síntese, ao invés da projeção de dúvidas, projetam-se “preconceitos”: “A popularidade do método cartesiano não decorre do desejo de remover as dúvidas metafísicas e encontrar a certeza, mas o que ocorre é precisamente o oposto: jogar dúvida em todas as coisas e, portanto, aumentar o escopo de licenciosidade pessoal ao destruir, de antemão, quaisquer bases filosóficas para a limitação dos próprios apetites” (p. 21)

No entanto, a conduta “anti-preconceito” se apoia numa crítica aos valores tradicionais como forma de justificar filosoficamente comportamentos pessoais licenciosos, assim como alargar (se não, abolir) os limites em torno “dos próprios apetites”. Entenda-se “comportamentos pessoais licenciosos” como sendo os interesses de ordem pessoal, que normalmente são restringidos por alguma “autoridade moral”, por “valores tradicionais” ou algo do gênero.

“Então, subitamente, todos os recursos da filosofia lhes são disponibilizados, e serão imediatamente usados para desqualificar a autoridade moral dos costumes, da lei e da sabedoria milenar” (p. 22)

A História torna-se o centro de contestação, visto que foi através dela – ao longo do desenvolvimento do tempo – que determinados “preconceitos” se formaram e se perpetuaram. Contudo, reconstituir o passado requer uma postura seletiva em relação ao modo e ao que será narrado. Nesse ínterim, um estudioso pode projetar anseios predeterminados ou ideológicos, estabelecendo-os como critério científico de seleção; desse modo, reconfiguram-se outras possibilidades de narrativa histórica, mas que apenas devolve o seu interesse; diz o que se quer ser ouvido.

Um “liberal sem preconceitos”, quando pretende deslegitimar a “autoridade imposta” ao longo da história, estabelece o seu interesse ideológico como critério. Esse gesto demonstra a consequência imediata do combate ao preconceito, cujo resultado não é a sua abolição, mas, no máximo, a substituição por outro preconceito.

“Derrubar determinado preconceito não significa destruir o preconceito enquanto tal. Na verdade, implica inculcar outro preconceito” (p. 39)

Nesse sentido, a família, a educação, a história, as artes, a religião, tornam-se alvo de críticas, em que os “caçadores de preconceito” pretendem desmontar a “autoridade repressiva” detrás esses valores. Mas qual o resultado? O que é proposto no lugar? As respostas são várias e estão apresentadas ao longo dos 29 capítulos do livro. Exemplifico com apenas um: as consequências no campo da educação.

“Se alguém se vê moralmente obrigado a limpar a sua mente dos detritos do passado para que possa se tornar um agente moral completamente autônomo, isso implica o dever de não jogar na mente dos mais jovens, os detritos produzidos por nós. Não causa surpresa, portanto, constatar que, de forma crescente, investimos as crianças de autoridade para que administrem as suas próprias vidas, e isso é feito com crianças cada vez menores. Quem somos nós para dizer a elas o que fazer?” (p. 31)

Em termos práticos, isso leva a uma perda de autoridade dos pais diante dos filhos. Na verdade, não se trata precisamente de uma “perda”, mas de uma delegação – consciente ou não – às crianças da responsabilidade de decidirem o que querem comer, assistir, falar, fazer; quando querer dormir, acordar, ir à escola, sem qualquer critério (isto é: valores) pré-estabelecidos. Se isso é visivelmente um gesto de imprudência, que tipo de pais poderiam confiar tamanha responsabilidade aos seus filhos, ainda imaturos?

“Pais preguiçosos e sentimentais, sem dúvida” (p. 33)

As consequências disso podem ser vistas desde em um supermercado, quando uma criança ordena, aos berros, para que lhe compre um pacote de bolachas recheadas para o jantar, ao que a mãe lhe obedece e responde, meio sem graça, às pessoas ao redor: “Ele é assim mesmo”; até a desordem que predomina nas escolas, em que professores são agredidos direta ou indiretamente, física e verbalmente, sem qualquer respeito à sua (antiga, tradicional) autoridade. Em síntese: um mundo predominado de gente mimada e sem o senso de responsabilidade e respeito, que são outros valores tradicionais.

Como o bem disse Dalrymple, numa síntese magistral: “(...) o sábio questiona apenas aquelas coisas que merecem questionamento” (p. 63)

Ora, se por um lado foram os intelectuais quem iniciaram os questionamentos (às vezes convenientes, o que não justifica uma regra) a respeito da “autoridade”, isso não foi mediante uma postura sábia, mas inconsequente, vaidosa e egoísta:

“Em outras palavras, para essa classe, trata-se do mero exercício retórico e de exibicionismo intelectual, no sentido de conferir ao sujeito uma aura de ousadia, generosidade, sagacidade, sugerindo a presença de uma mente independente aos olhos de seus pares, em vez de ser uma real questão de conduta prática” (p. 39)

Combater as “ideias pré-estabelecidas” nem sempre é uma questão de conduta prática, mas é uma atitude típica e artificialmente blasé, de alguém que se pretende colocar num lugar incomum, não-convencional, e que apenas repete o convencionalismo de (tentar) não ser convencional.

Há preconceitos que foram deletérios, claro, o que não justifica a sua generalização ou o constante reexame de toda e qualquer ideia pré-estabelecida. Elas existiram, existem e existirão.

“Temos que ter, ao mesmo tempo, confiança e discernimento para pensarmos logicamente a respeito de nossas crenças herdadas, e a humildade para reconhecermos que o mundo não começou conosco, e tampouco terminará conosco, e que a sabedoria acumulada da humanidade é muito maior do que qualquer coisa que podemos alcançar de forma independente” (p. 137)

Por fim, a sabedoria não está apenas na correção do que deve ser questionado, mas no modo como os valores preconcebidos – os preconceitos – são incorporados na vida prática. “Não se apresenta como uma das grandes glórias de nossa civilização que um homem com habilidades moderadas possa – e talvez deva – saber mais que os grandes cientistas e sábios do passado? Ele vê mais longe por estar sobre os ombros de gigantes, e não porque ele impertinentemente questionou tudo o que alcançou” (p. 129)

O livro de Dalrymple é uma oposição à mentalidade imprudente, pois situa a importância de hábitos e valores importantes em vias de extinção.

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Postado por Ricardo Gessner
9/9/2018 às 17h43

 
Evasivas admiráveis, de Theodore Dalrymple

Resenha: Evasivas admiráveis, Theodore Dalrymple

Há alguns anos, durante um jantar, conversava com uma colega sobre a minha afeição pela escrita de Miguel de Unamuno, escritor espanhol e precursor do existencialismo. Aprecio justamente por ele escrever como existencialista, não como filósofo. Para Unamuno, a existência não era uma categoria, nem um conceito ou um sistema abstrato, mas um questionamento sincero sobre aquilo que o fazia sentir-se vivo: seus medos, angústias, aflições. Sua escrita incide sobre questões que lhe interessavam vitalmente, sem reduzi-las a uma dedicação meramente intelectual. Era uma forma de enfrentar seus demônios interiores — se possível superá-los –, mas de maneira nenhuma esquivar-se deles.

Ao concluir, minha interlocutora responde: “Ah… eu não acho que a gente deva ficar pensando muito…”. Ela era psicóloga. E sua resposta ecoava em minha mente enquanto lia Evasivas admiráveis, de Theodore Dalrymple. Pois aquela resposta era uma evasiva admirável.

Em várias ocasiões Dalrymple mencionou que um dos seus principais temas de interesse é a respeito da natureza do mal. De fato, o autor discute o assunto em seus vários livros, mas não em termos filosóficos, nem apoiando-se exclusivamente em sistemas abstratos, mas constrói seu raciocínio a partir de sua experiência como psiquiatra e de costumes morais; isto é, de como o fator moral (e sua ausência) influencia comportamentos perigosos, narcisistas e socialmente deletérios.

Contudo, em Evasivas admiráveis foge-se um pouco desse quadro, pois Dalrymple constrói sua reflexão a partir de teorias — teorias psicológicas –, para demonstrar como elas podem, sob o verniz conceitual da ciência, eximir o indivíduo de certas responsabilidades. Noutras palavras, Dalrymple discorre sobre como algumas teorias delegam a fatores externos a responsabilidade dos malefícios individuais, ou incentivam um egocentrismo desonesto, trajado em conceitos como autoaceitação (amar-se acima de qualquer coisa, inclusive os seus demônios interiores), autoperdão (suas ações são culpa de maus pensamentos inculcados pela sociedade opressora, ou de um desequilíbrio químico dos neurotransmissores), Eu-verdadeiro (herança rousseauniana: no âmago, você é bom; são seus demônios interiores — com vida própria — que te atrapalham). São as condutas que dão nome ao livro.

Existe uma diferença entre infelicidade e depressão. Infelicidade está associada a uma capacidade de compreensão; isto é, pressupõe um exercício honesto de identificar e assumir certas responsabilidades sobre decisões erradas, condutas equivocadas, relacionamentos ruins, que trouxeram algum tipo de sofrimento. Dessa forma, infelicidade é um estado de espírito. Depressão, por outro lado, é um quadro clínico, geralmente associado a alguma disfunção neurológica, e o indivíduo não tem controle sobre si ou sobre seus pensamentos. Quando transposto esse quadro àqueles com transtornos psicológicos, há uma confusão entre infelicidade e depressão. “Eles nunca serão responsabilizados pelo seu estado ou situação; são vítimas de algo exterior a elas (nesta circunstância as disfunções do cérebro são consideradas exteriores, e não o eu verdadeiro dessas pessoas)” (p. 42).

Isso explica o fetiche pelos antidepressivos. A promessa de felicidade fácil e rápida, mesmo que os efeitos dos comprimidos não sejam tão eficazes conforme informações divulgadas na mídia. Trata-se, portanto, de uma evasiva admirável.

“Excetuando instâncias específicas, a psicologia não contribui em nada para o autoconhecimento humano, e fez até o oposto; pois ao se meter entre o ser humano e o que Samuel Johnson chamou de ‘movimentos de sua própria mete’, ela atua como um obstáculo ao genuíno (ainda que muitas vezes doloroso) exame de si mesmo” (p. 94).

Em resumo, o autoconhecimento não é sinônimo, nem garantia, de felicidade, pois requer um olhar honesto para si mesmo; requer o reconhecimento das próprias limitações, assim como assumir a responsabilidade sobre os próprios infortúnios e o enfrentamento de suas causas e consequências. O Eu-verdadeiro não é tão bonito quanto se pinta; a autoaceitação, o autoperdão, sem uma responsabilidade moral, legitima um egoísmo narcisista.

A publicação de Evasivas admiráveis, pela editora É Realizações, é um gesto de considerável importância, pois apresenta numa linguagem acessível e elegante, um olhar crítico sobre determinado comportamento marcado por uma “insatisfação, um descontentamento com a vida” (p. 17), em que e a felicidade é concebida como um direito inalienável.

Em síntese, a busca pela felicidade não é uma busca sincera se associada exclusivamente ao autoconhecimento.

Evasivas admiráveis, de Theodore Dalrymple. Editora É Realizações, 2017

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Postado por Ricardo Gessner
2/9/2018 às 12h00

 
Os livros sem nome

Depois de tempos através das estantes decidi, não sem dificuldade, qual livro levar. A moça colocou-o numa sacola e, assim, voltei pra casa preparado para os desafios da nova leitura. Acomodado em minha poltrona, retirei o livro da sacola e percebi que não era o mesmo. Passei os olhos pela nota de registro e, de fato, ali constava o título correto. Numa tentativa de consolar-me, abri o livro, li algumas linhas. Não era sobre o mesmo assunto, nem de algum outro que me interessava. Voltei à biblioteca reclamando engano, mostrei a nota e, ao retirar o livro da sacola, era o mesmo que havia levado, o mesmo que constava no registro. Não pude evitar um gesto de irritação – tanto pelo fato, pois detesto quando acontece, como pela obrigação em pedir desculpas. Vi novamente nos olhos da moça aquele fundo de graça e escárnio. Voltei pra casa e, ao retirar o livro da sacola, o já esperado – não era o mesmo título. Com isso, sou obrigado a concluir a leitura sob as mais variadas intempéries. E, no final das contas, o que mais me constrange é que tenho uma biblioteca inteira com vários livros sem nome.

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Postado por Ricardo Gessner
31/8/2018 às 19h54

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