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BLOG

Sexta-feira, 8/3/2019
Blog
Redação

 
Mulher, ontem hoje e sempre

Saudade define bem,
Ausência de uma mulher,
Um fonema magistral para,
Mãe, esposa ou namorada,
Vindas de onde vierem.
Mulher, uma pérola rara,
O diamante mais puro,
Modela o homem seguro,
Capaz de tudo enfrentar.
A mulher é resistência,
E com sua resiliência,
Põe a todos no lugar,
A saudade lhe cai bem,
A eternidade também,
Sem sair do verbo amar.

08/03/2019 - Parabéns

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Postado por Blog Feitosa dos Santos - Prosas & Poemas
8/3/2019 às 03h17

 
Amor, entre o céu e o fardo

A distância entre o corpo e o tempo,
Podemos chamar de céu da alegria.
Porém o percurso do céu ao espírito,
São longínquas preces de agonia.

As veredas conduzem ao céu do amor,
Dos espíritos e corpos que se atrelam,
Não tão longe, porém, nem tão perto,
Incógnita, que nem os anos revelam.

Não falo aqui do sincretismo ou da fé,
Mas do amor e dos que o professam.
Quão difícil é, a reciproca de um outro,
Convivem, conversam e contestam.

A harmonia se quebra de véspera,
O caminho se torna longo e árduo,
O céu agora, chama-se de inferno,
Arde os pés, no lombo o peso do fardo.

Não há caminho de aventura ao amor.
O céu da alma é o mesmo dos amantes.
Não tão longe, porém, nem tão perto,
Nesse caminhar ainda somos aspirantes.

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Postado por Blog Feitosa dos Santos - Prosas & Poemas
5/3/2019 às 14h18

 
LONDON LONDRES

A aldraba da porta,

o grifo brônzeo.


Ao lado, o Hyde Park:

sombra e assombro.


Entre névoas errantes,

o andar a esmo.


Pelas ruas de Londres,

a mão inglesa


surpreende de súbito:

salto e susto.


Fish and chips

ginger ale, pubs.


A cidade sorri,

dama discreta.


No quarto do hotel,

uma remota lembrança


é déjà-vu

e magia algo estranha


para a menina do quadro

e suas tranças.


O desconcerto chega

e toma conta


dos pobres dísticos

e sua circunstância...


Ortega ri seu riso

onde se encontra


na margem oposta

do Ebro lá de Espanha.


Esquento o chá

e seu aroma eleva


o espírito das flores:

primavera.


Enquanto sorvo

a cálida tisana,


o tempo tece

as teias das aranhas.


Ayrton Pereira da Silva



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Postado por Impressões Digitais
1/3/2019 às 09h59

 
Direções da véspera II

Do exílio, ficou o gosto das travessias.
O ermo das ruas aguardando os notívagos.
Ficou a tela da TV – mostrando guerras
e delícias – em compactos segundos.
Nosso reino pelo Cavalo de Tróia.
Nosso reino por um chope gelado.
Minha face por um castelo de festas.
Minha bolsa pelo aluguel do quarto.

Meu espelho pela minha imagem.

Nesse desajeito dos meus cabelos,
enlouquecem delírios de realidade.

(Do livro Travessias)

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Postado por Blog da Mirian
24/2/2019 às 17h23

 
Direções da véspera I

Foram-se os dourados da década travestida
de ouro. Por angústias, os dias se ressarciam
nas aventuras e músculos do Sheik de Agadir.

Nesse tempo, o anjo torto ensimesmou-se.
Nesse tempo, ser gauche tornou-se crime de guerra.
Mais tarde, disseram-me que:
saiu-de-moda. No desajeito da fala,
procuro meu verbo perdido.

Naufragando em papel, minhas palavras.

No desajeito destes versos, vagueiam
sonâmbulos da cidade prometida.

(Do livro Travessias)

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Postado por Blog da Mirian
10/2/2019 às 18h08

 
Nada de novo no front

Eu gostaria de escrever algo de novo e de bom sobre o Rio de Janeiro e por conseguinte do Brasil, mas na área federal, o governo tem apenas 39 dias, nada tenho a acrescentar ou tirar do que já existia. A não ser a catástrofe de Brumadinho em Minas Gerais, o rompimento da barragem de rejeitos minerais da Vale do Rio Doce, culminando em mais de 300 mortos.

Acrescento também os atentados criminosos no estado do Ceará, a saúde do Sr. Presidente da república, após o atentado sofrido em Juiz de Fora, Minas Gerias, sem que as autoridades desvendem até o presente momento o mandante dessa estupidez.

No Rio de Janeiro, porém, todo dia é dia de tragédia. Não bastassem a desorganização política, social, de saúde e de segurança, a natureza desceu a mão pesada em forma de chuva. O povo já tão sofrido desse Estado, que já foi o mais importante Estado da federação nacional.

O despreparo dos políticos do Rio de Janeiro, por si só, tornam a cidade e o estado terra de ninguém, sem controle e sem organização, do ponto de vista, da urbanização, da fiscalização e do ordenamento social vigentes em nossa cidade.

Pasmem, os deputados que tomaram posse, agora discutem como empossar deputados presidiários. O povo os elegeu, mas os senhores deputados não o considera apto, para discutir e decidir por mais essa aberração da política carioca.

A tragédia de hoje, 08 de fevereiro 2019, no Centro de Treinamento do Flamengo, em Vargem Grande, que exterminou o sonho de dez crianças e de seus familiares, abruptamente. Só então, o governo municipal, lembrou que não há alvará, licenciamento do ninho do urubu, para funcionar. Aonde estava ou onde estar a fiscalização municipal?

As brigas entre facções rivais e incursões de policiais, cumprindo os seus deveres constitucionais e de segurança, deixam hoje um saldo de 13 mortos. Apreensão de armas de diversos calibres, alguns feridos e outros tantos presos.

Que cidade é essa? Que estado é esse? E a quem nós cidadãos e cidadãs creditamos o poder de representar-nos, como carioca e brasileiros que somos?

Aprendamos a cuidar dessa Cidade e desse Estado, com bem-estar social, segurança, saúde, educação e respeito. A população merece e agradece e, cobra isso como premissa de quem dizia em campanha: “agora vamos cuidar das pessoas”. Até o presente momento de nada cuidou e tão pouco das pessoas. Rio, 08/02/2019

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Postado por Blog Feitosa dos Santos - Prosas & Poemas
9/2/2019 às 11h23

 
A Belém pulp, de Edyr Augusto



Edyr Augusto é hoje um dos nomes mais proeminentes da literatura contemporânea brasileira. Seus livros, editados a partir da década de 1990, pouco a pouco foram ganhando destaque da crítica e, já se pode dizer, do público leitor. Algumas de suas obras foram traduzidas para o inglês e francês. Desde então, o escritor paraense tornou-se um dos principais artistas que representam a complexa contemporaneidade da urbanidade amazônica, especialmente da capital paraense.

Longe de ser um porta voz de uma única e imutável identidade regional, sua literatura está muito mais ligada às últimas três décadas da realidade urbana da região. Essa realidade está situada principalmente em seus centros urbanos, mais especificamente, em Belém do Pará.

É com Os Éguas, de 1998, primeiro romance do autor, que essa trajetória e essa narrativa da cidade começam a se desenvolver. Nesse romance, já está presente uma caracterização da região que dista radicalmente das imagens consagradas pelos discursos regionalistas e midiáticos. A Belém que surge é povoada pela degeneração de seu ambiente.

A cidade se faz presente pela violência, pela corrupção, pelas drogas, pela simulação, pelo medo. Através do Personagem Gil, um investigador de polícia, a capital do Pará e seus “tipos” salta para fora, agônica e doente, como um instinto represado pela dor, que implode, página por página, a realidade.

Essa caracterização se seguirá nos livros posteriores, como Moscow (2001), Casa de caba (2004), Um sol para cada um (2008), Selva concreta (2013) e Pssica (2015). As imagens da caótica vida urbana que alimenta o noticiário “mundo cão” das capitais, como Belém, é um dos temas dos livros de Edyr, mas neles não está apenas uma imagem aterradora em fragmentos demonstrada, mas sim um projeto de escrita que formaliza a contemporaneidade decrépita que a todo dia cintila e obscurece nossos olhos.

Vejam, por exemplo, a abertura do conto Sujou, do livro Um sol para cada um, que integrou, em 2010, a Antologia Pan-Americana: 48 contos contemporâneos do nosso continente:


“Eu já sacava o cara. A gente fica ali na esquina e vai vendo as figuras da vizinhança. Basta qualquer barulho e eles chegam na janela dos prédios. Fica tudo lá, olhando. Mas parece que tem uma fronteira, sabe? Daqui para lá e de lá pra cá. Lá pra frente os barões. Aqui pra trás a zona. Mas é que às vezes tá roça mesmo. Ele chegou com o carrão e ficou esperando abrir o portão da garagem. Encostei, disse oi, pedi uma ponta, cigarro qualquer coisa. Disse que dava chupada, essas porras. Me deu uma banda. A Maricélia disse que podia dar merda, o cara se queixar, sei lá, segurança do edifício. Não deu. Disse que outro dia, tava de nóia, rolou discussão e mandaram chamar a polícia por causa do barulho” .



Reprodução

Na cidade de Edyr, a Belém é, ao mesmo tempo, dividida e indivisível, vigilante e vigiada, repleta de gente e solitária. A prostituição é, aqui, uma de suas marcas. Presente no centro da cidade, ao lado de suas praças, de suas ruas centenárias, de seus orgulhosos prédios históricos.

O que está em jogo é essa possibilidade de observamos essas outras faces dessa contemporaneidade da cidade, não apenas para atestar esses aspectos desoladores. Mas, fundamentalmente, compreender que não os reconhecer, ignorá-los, é também ignorar essa história, essa configuração social, essa realidade. É desconsiderar uma das mais importantes formalizações estéticas que se encarrega de representá-la.

Não é apenas negar, como reação, uma Belém idealizada veiculada ainda hoje por vários discursos (midiáticos, sociais, institucionais). Mas é – sob pena de virarmos as costas para o contemporâneo e sua decisiva importância que, gostemos ou não, transformaram parte do ethos do ser amazônico, belenense – dar visibilidade a uma representação que dialoga decisivamente com essa experiência.

Mais do que uma outra face da Amazônia, de suas cidades, essa caracterização surge como uma possibilidade de reconhecermos que, se a arte não é, obrigatoriamente, uma reprodução da realidade, ela não é apenas uma manifestação extemporânea.

No caso da literatura de Edyr Augusto isso é ainda mais revelador. Exatamente porque ela pode nos proporcionar uma representação da cidade que está, ao mesmo tempo, próxima demais do leitor e distante demais (o jornalismo a aproxima pelo fragmento, pelo fait divers) de uma representação estética que a formalize, que a reúna em um corpo discursivo que tem nessa experiência urbana seu fundamento.

Esse fundamento é esteticamente construído em estreita relação com o gênero de literatura policial. Mas ao contrário do clássico romance policial que primava por um detetive sóbrio, talentoso, genial e pela decifração lógica do crime, precisa, implacável e por uma representação da cidade onde o criminoso é ainda um elemento que se esconde na multidão, a literatura de Augusto está muito mais próxima do gênero pulp. Desse gênero no qual o crime é parte essencial da grande cidade, que nela habita como um hematoma indissolúvel, como nas cidades norte-americanas povoadas pelo crime das primeiras décadas do século XX.


Os “Éguas”/Belém, publicado em francês. Reprodução


Nesse ambiente, o detetive é alcoólatra, a violência é um de seus recursos, ele não é excepcional e a cidade que passa diante dele lhe parece como um acúmulo de seres e paisagens decaídos.

Assim surge a cidade na literatura do Augusto paraense. Sua narrativa, preenchida por essas características, adota uma série de imagens do lugar, imagens que remetem a espaços físicos, às caracterizações profundamente cênicas de situações e focalizações de seus “tipos” urbanos que, propositalmente, contrastam com um romântico discurso acostumado e atrofiado sobre a região e a “Cidade das mangueiras”.

A capital do Pará surge em sua literatura em um ritmo vertiginoso, sua escrita mimetiza o diálogo coloquial, o caos citadino, a fragmentação noticiosa dos jornais, o choque, a indiferença.

Uma representação que tem por temática o urbano e sua contemporaneidade, uma escrita que é realizada como um roteiro cinematográfico, repleta de imagens que nos levam diretamente para fisionomias imagéticas/fílmicas de Belém do Pará.

Nessa cidade pulp, nem sempre se pode lamentar o reluzente passado. Pode parecer desolador, mas, talvez, não se tenha mais tempo para essa lamentação, diante das cenas que implodem, diariamente, página por página, a realidade.


Texto publicado em Diário online. Em 12 jan. 2019. E em Relivaldo Pinho

Relivaldo Pinho é autor de, dentre outros livros, Antropologia e filosofia: experiência e estética na literatura e no cinema da Amazônia . ed.ufpa, 2015.

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Postado por Relivaldo Pinho
5/2/2019 às 12h19

 
Por que ler poesia?

A Crivo Editorial, editora de Belo Horizonte, lançou na última semana a promoção “Por que ler poesia?”. No desafio, o leitor deve responder a questão de forma criativa, utilizando o formato em que achar mais interessante. Pode ser através de vídeos de até 20 segundos, fotografias, textos, desenhos ou da maneira que o candidato acreditar ser mais conveniente.

A proposta da editora é instigar os leitores a responderem a questão “Por que ler poesia?” de um jeito inspirado. E o resultado será a divulgação de mais poesia. Os 15 primeiros a enviar respostas receberão o livro estar onde eu não estou (Crivo Editorial: Belo Horizonte, 2018), de Olivia Gutierrez. Já as 15 respostas mais criativas receberão um kit com os vencedores do Prêmio Poesia InCrível que, além do livro da Olivia, também laureou ano bissexto (Crivo Editorial: Belo Horizonte, 2018), de Neilton dos Reis.

Para participar, é preciso seguir a Crivo Editorial nas redes sociais (Facebook ou Instagram), marcar um amigo ou amiga que se interesse por poesia e enviar a resposta por mensagem direta. A promoção é válida até o dia 13 de fevereiro de 2019. As respostas mais criativas serão divulgadas pela editora em suas redes sociais.



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Postado por Luís Fernando Amâncio
4/2/2019 às 09h39

 
MOMENTOS

Hypocrite lecteur, mon semblabe, mon frère

Baudelaire



Não recordo onde nem quando, mas faz muito tempo. Era madrugada e as luzes das casas estavam todas apagadas. Parecia uma cidade fantasma, enquanto eu perambulava pelas ruas desertas, quando me deparei com uma jovem deitada na grama de um jardim público, contemplando as estrelas. Era uma cena insólita. Movido pela curiosidade e vencendo minha habitual timidez, aproximei-me e lhe pedindo licença deitei ao seu lado.

Incomodo você? Não, pode ficar. Guardei, por precaução, uma distância regulamentar, nem muito longe nem muito perto.

Você é formada em astronomia? Não, não sou. E ela parou por aí. Acho que chutei uma bola fora, pensei, mas fui compelido a não deixar a conversa morrer. Então o que você é?

Sou astróloga, pela conjunção dos astros e estrelas posso prever certos eventos, mas nem todos. A ideia de conjunções astrais me pareceu conter um toque erótico, embora fosse só uma suposição, talvez por causa de seu hálito envolvente, que me tonteava. A essa altura comecei a duvidar de minha sanidade mental. O que será que tá bulindo comigo, perguntei-me em pensamento. Era de fato muito estranho, como se algo surreal se intercalasse com a realidade e eu estivesse flutuando a esmo entre a verdade e a mentira dos sentidos. Então a moça indagou se não queria ler nos astros meu futuro.

Já sei qual é, querida: um dia qualquer vou morrer, viu?

Não me referi à morte, seu bobo, mas aos detalhes da vida. Estes é que valem! Um longo silêncio, denso, palpável desceu sobre nós. Bem, já que você não quer saber, vou tomar a iniciativa.

Me puxou pelas mãos e então levantamos juntos, nossos lábios quase se tocando... Sei que você aí, meu presumível leitor, está se babando de curiosidade para saber o que irá acontecer. Eu também. Mas isso é o futuro próximo e distante, e não seremos nós que iremos vivê-lo. Somente aqueles dois. Não eu e nem você. Nós viveremos cada qual o nosso futuro (se vivermos até lá).

Em suma: a eles o que é deles, a nós o que é nosso. Chato, não é? Mais que isso: frustrante. Mas assim funciona a dinâmica da vida, sempre imprevisível, desconcertante.

E ponto final.

Ayrton Pereira da Silva



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Postado por Impressões Digitais
3/2/2019 às 16h47

 
O Livro e o Mercado Editorial



N'O Planeta Azul

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Postado por Julio Daio Borges
29/1/2019 às 21h56

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