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Segunda-feira, 9/9/2002
Histórias de agosto
Marcelo Barbão

+ de 3100 Acessos

Agosto sempre foi o mês do cachorro louco. Mas naquele quase longínquo ano de 1961, foi também o palco para um dos acontecimentos mais dramáticos da história do Brasil: a renúncia de Jânio Quadros e a longa disputa pela sucessão presidencial. Com o vice João Goulart em viagem pela China, os setores políticos conservadores queriam evitar sua posse (ignorando a Constituição), pois acreditavam que ele era comunista. Do outro lado, os trabalhistas e sindicalistas prometiam pegar em armas para defender a posse de Goulart. À frente destes, Leonel Brizola, governador do Rio Grande do Sul.

E no meio de toda esta confusão, encontramos um jovem estudante, que não gostava de política, sexualmente impotente e abandonado financeiramente pelo pai fazendeiro. Esta é a história, contada na calçada da Rua General Câmara, antiga Rua da Ladeira, centro de Porto Alegre, do livro Mês dos Cães Danados de Moacyr Scliar que é relançado pela L&PM. Originalmente escrito em 1977, ainda no final do período ditatorial, o livro ganhou o Prêmio Brasília daquele ano.

Mário Picucha é um mendigo. Vive em Porto Alegre e ganha a vida contando histórias. Segundo diz, conhece muitas e, por uma módica contribuição, pode entreter o ouvinte por dias, catorze dias para ser mais exato. As duas últimas semanas do mês de agosto de 61 que marcam a passagem da vida normal de um estudante de direito para o mendigo falador.

Naquele mesmo ano, Mário chega à capital do estado para fazer a faculdade de direito. Rapaz do interior, criado pela tia esquisita: "mulher enigmática, lacônica", o gaúcho acaba caindo na farra e gastando o dinheiro do pai, criador de gado da fronteira, num carro velho, mas luxuoso, e num apartamento confortável "pequeno, mas bem decorado: paisagens campestres, laços e boleadeiras pelas paredes, uma coleção de esporas e ferros de marcar nas prateleiras". Afinal, "e se me aparecesse uma mulherzinha bem a jeito?".

Os luxos que Mário ganhava despertavam a ira do irmão mais velho, que continuou na fazenda do pai, trabalhando como peão. Mário, por sua vez, cria uma tumultuada relação com seus colegas na faculdade. Os momentos de ódio e de amizade se revezam. Nem conservador nem agitador, Mário não se interessa pela política e conserva esta posição até o último dia daquele mês. Por não se alinhar a nenhum dos dois lados, é atacado por todos. Numa destas disputas, quando descobre que um de seus amigos, o esquerdista Manuel, é o responsável por bilhetes que o acusam de latifundiário sanguinário, resolve mostrar que não está para brincadeiras. A tiros, o estudante transforma os globos de luz da faculdade em uma "chuva de minúsculos cacos".

Quanto maior a crise política com a renúncia de Jânio, maior o isolamento de Mário. No início, isto não parece ser um problema. Afinal, Júlia, mulher mais velha, com dois filhos e vários problemas, aparece na vida do gaúcho. Apaixonado, mas sem perder a postura de macho, o estudante exige: "Assim não vai dar, eu disse. Mulher minha é só minha. Mulher minha não fica se exibindo para homens. Mulher minha fica em casa". Como ele não tinha dinheiro para sustentar a "sua" mulher, a solução é pedir mais dinheiro ao pai.

É neste ponto que Mário começa a perder, rapidamente, tudo o que conquistou. Perde os amigos, sugados pelo turbilhão político que varre a cidade e o país, perde a potência sexual apesar das diversas tentativas com Júlia e prostitutas. Perde o apoio dos irmãos, perde o apoio do pai (que o abandona depois de descobrir que o filho quer sustentar a amante, deixando-o somente com a espada que pertenceu ao avô), perde o apartamento, o carro, perde uma perna e quase perde a razão.

Torna-se o morador de rua que gosta de contar histórias, em troca de uma pequena contribuição financeira, é claro. O final inesperado serve para provar que talvez nem todas as histórias de Mário Picucha são inventadas.

Mês de cães danados é uma narrativa nervosa e tensa, efeito que Scliar consegue com um diálogo onde só uma voz participa. O personagem que ouve é totalmente secundário (com uma grande reviravolta no fim) e parece ser somente uma desculpa para que Mário fale sem parar, como se fosse acometido de uma necessidade de contar sua vida antes que seja tarde demais.

Para ir além





Marcelo Barbão
São Paulo, 9/9/2002


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