Cinemateca, Cinemateca Brasileira nossa | Elisa Andrade Buzzo | Digestivo Cultural

busca | avançada
71995 visitas/dia
2,6 milhões/mês
Mais Recentes
>>> Relacionamentos amorosos com homens em cárcere é tema do espetáculo teatral ‘Cartas da Prisão’, monó
>>> Curso da Unil examina aspectos da produção editorial
>>> “MEU QUINTAL É MAIOR DO QUE O MUNDO - ON LINE” TERÁ TEMPORADA ONLINE DE 10 A 25 DE ABRIL
>>> Sesc 24 de Maio apresenta Música Fora da Curva: bate-papos sobre música experimental
>>> Música instrumental e natureza selvagem conectadas em single de estreia de Doug Felício
* clique para encaminhar
Mais Recentes
>>> Poética e política no Pântano de Dolhnikoff
>>> A situação atual da poesia e seu possível futuro
>>> Um antigo romance de inverno
>>> O acerto de contas de Karl Ove Knausgård
>>> Assim como o desejo se acende com uma qualquer mão
>>> Faça você mesmo: a história de um livro
>>> Da fatalidade do desejo
>>> Cuba e O Direito de Amar (3)
>>> Isto é para quando você vier
>>> 2021, o ano da inveja
Colunistas
Últimos Posts
>>> Hemingway by Ken Burns
>>> Cultura ou culturas brasileiras?
>>> DevOps e o método ágil, por Pedro Doria
>>> Spectreman
>>> Contardo Calligaris e Pedro Herz
>>> Keith Haring em São Paulo
>>> Kevin Rose by Jason Calacanis
>>> Queen na pandemia
>>> Introducing Baden Powell and His Guitar
>>> Elon Musk no Clubhouse
Últimos Posts
>>> Gota d'agua
>>> Forças idênticas para sentidos opostos
>>> Entristecer
>>> Na pele: relação Brasil e Portugal é tema de obra
>>> Single de Natasha Sahar retrata vida de jovem gay
>>> A melancolia dos dias (uma vida sem cinema)
>>> O zunido
>>> Exposição curiosa aborda sobrevivência na Amazônia
>>> Coral de Piracicaba apresenta produção virtual
>>> Autocombustão
Blogueiros
Mais Recentes
>>> Vida de aspirante a escritor
>>> Cesar Huesca
>>> 24 de Maio #digestivo10anos
>>> O Tigrão vai te ensinar
>>> 22 de Maio #digestivo10anos
>>> Intravenosa
>>> A primeira batalha do resto da guerra
>>> Metal for babies, o disco
>>> Luz sob ossos e sucata: a poesia de Tarso de Melo
>>> Sidney Lumet, invisível
Mais Recentes
>>> Fenomenologia e Direito de Aquiles Côrtes Guimarães -( Coordenador) pela Lumen Juris (2005)
>>> Bate - Papo Com o Além de Zibia Gasparetto pelo Espírito Silveira Sampaio pela Espaço Vida e Consciência (1994)
>>> Certain Girls de Jennifer Weiner pela Simon and Schuster (2008)
>>> Mountaing Fears de Stuart Woods pela Penguin Uk (2009)
>>> Danielle Steel de Granny Dan pela Dell (2009)
>>> Thirty Ways of Looking at Hillary: Women Writers Reflect on the Candidate and What Her Campaign Meant de Susan Morrison pela Harper Perennial (2008)
>>> A relíquia de Eça de Queirós pela O globo
>>> Iracema de Jose de Alencar pela Folha
>>> Três autos da alma da barca do inferno de Gil Vicente pela Folha
>>> Clara dos Anjos e outras histórias de Lima Barreto pela Folha
>>> O cortiço de Alusío Azevedo pela O globo
>>> Sonetos de Bocage pela Folha
>>> As pupilas do senhor reitor de Julio Dinis pela Folha
>>> Amor e Perdição de Camilo Castelo Branco pela O globo
>>> O noviço de Martins Pena pela Folha
>>> A relíquia de Eça de Queirós pela Folha
>>> O Leopardo de Giuseppe Tomasi Di Lampedusa pela Companhia Das Letras (2017)
>>> The Host de Stephenie Meyer pela Litle (2009)
>>> Uns e Outros de Helena Terra e Luiz Ruffalo pela Dublinense (2017)
>>> A mulher que escreveu a Bíblia de Moacyer Scilar pela Folha (2012)
>>> Pegasus e o fogo do olimpo de Kate Ohearn pela Leya (2011)
>>> Tempo de Geografia de Axé Silva e Jurandyr Ross pela Brasil (2019)
>>> Pegasus e a batalha pelo olimpo de Kate Ohearn pela Leya (2011)
>>> Pegasus e as origens do olimpo de Kate Ohearn pela Leya (2014)
>>> Pégasus e os novos olímpicos de Kate Ohearn pela Leya (2013)
COLUNAS

Quinta-feira, 20/8/2020
Cinemateca, Cinemateca Brasileira nossa
Elisa Andrade Buzzo

+ de 3100 Acessos

Ah, Cinemateca, Cinemateca brasileira um dia minha, tu és um dos motivos da minha vida agora ser indefinidamente macambúzia e contrafeita. A bem dizer, tu, não, mas aqueles lá na capital federal, em seu projeto de poder pessoal, que te perseguem. Seria exagero dizer que um dia minha existência já girou em tua volta, como um planetinha azul em torno de uma lua em um campo escuro de projeções estelares? Um cronograma pautado nos horários de suas sessões, no tempo de sair de casa, da faculdade, pegar dois ônibus (ou dois ônibus e um metrô), e aportar no aconchegante largo Senador Raul Cardoso, uma clareira charmosa incrustada em um ponto baixo da Vila Mariana. Então, talvez eu não seja tão diferente assim daqueles lá, pois temos uma fixação pela Cinemateca; muito embora haja uma pequena mas bastante e significativa diferença em seus motivos: eu, por amar e valorizar o Brasil de verdade, aqueles, que criam uma versão própria de Brasil, e por odiar a cultura e o patrimônio.

E não é só o seu acervo, o maior de imagem em movimento da América Latina, que seduz, mas o local também, desde, apenas, 1992, a largueza e conforto de suas duas salas de exibição, seu jardim com esculturas. Fiz um acompanhamento em um curto período das transformações no largo, de um curioso e amplo espaço asfaltado, que eu preferia, à uma geometrização forçada de faróis e vagas de estacionamento. A retirada de um ponto de ônibus bem em frente à porta da Cinemateca, aliás, foi o que me fez ir desistindo de frequentar o local, muito ermo, ainda que por isso mesmo cativante, no final da última sessão noturna.

E eu já quis morar nos predinhos de alto padrão em frente à Cinemateca, só para não perder essas sessões... E eu já imaginei os bois entrando no antigo matadouro municipal da cidade, edifícios históricos construídos em 1887, observando restos de trilhos envidraçados no solo já como uma arqueologia recente das relações entre homem, artefatos e ambiente natural. E as construções e reformas continuaram, até mesmo na destruição do mais belo e original banheiro que já vi, o antigo feminino da Cinemateca, com seus amplos espelhos, vasos sanitários e portas pretas, as torneiras como cascatas em cubas verticais de pedra clara, onde a água caía estranha e perpendicular.

A memória falha na lembrança dos filmes assistidos com entusiasmo nos tantos ciclos, sobretudo aqueles de cinema nacional, da nossa história ou aqueles mais recentes, tão judiados de exibições. Uma longínqua sessão noturna lotada com acompanhamento musical ao vivo do clássico mudo Limite, de Mário Peixoto, O grande momento, com o Gianfrancesco Guarnieri tão novinho, Como era gostoso o meu francês, Matou a família e foi ao cinema, Compasso de espera, filme importante e bem esquecido que trata do racismo, Macunaíma com o Grande Otelo, o impactante Alma corsária, o mais recente e diferente Reflexões de um liquidificador, com uma boa interpretação da Ana Lúcia Torre... E os clássicos da Companhia Vera Cruz, Tico-tico no fubá, com um Anselmo Duarte e uma Tônia Carreiro tão bonitos... Todas as pornochanchadas que gostaria de ter visto e perdi, críticas políticas agudas disfarçadas em camadas de humor e sexo, como a Super Fêmea, com a Vera Fischer.

Havia também cursos de cinema com professores da ECA-USP, como o que fiz, sobre Griffith, com uma sessão inicial de O nascimento de uma nação. E ciclos estupendos de cinema estrangeiro, como o da obra de Alain Resnais, com os divertidos Smoking e No smoking, com Pierre Arditi e Sabine Azéma, e os importantes curtas, como o impactante Noite e neblina. Houve também filmes que ficaram na memória por não terem sido vistos, como o mudo alemão O Gabinete do Dr. Caligari, que eu veria neste ano em outra cinemateca. Antes das sessões, o cafezinho, tão simples, pequenino, disfarçado, com um ou outro salgado, quase nada, mas já suficiente em sua escassez, em suas mesas rígidas e cadeiras de madeira velha de cinema antigo.

Cinemateca, Cinemateca Brasileira nossa, fecharás eternamente? volatizarás? encontrar-nos-emos nas imagens raras de uma outra vida inteligente, quiçá em uma outra galáxia, na qual tudo isto que vemos será um ponto idiota e fulminante de um passado obscuro? Com que esgar atônito de boi em dor e espanto assistiremos a um abatedouro macabro ressurgir, sobrenaturalmente, pelos atos imperdoáveis contra a cultura e memória brasileira inflingidos por isto a que se chama governo federal e ministério do turismo?


Elisa Andrade Buzzo
São Paulo, 20/8/2020


Mais Elisa Andrade Buzzo
Mais Acessadas de Elisa Andrade Buzzo em 2020
01. Cinemateca, Cinemateca Brasileira nossa - 20/8/2020
02. Alma indígena minha - 14/5/2020
03. Na translucidez à nossa frente - 10/12/2020
04. Vandalizar e destituir uma imagem de estátua - 1/10/2020
05. Alameda de água e lava - 29/10/2020


* esta seção é livre, não refletindo necessariamente a opinião do site



Digestivo Cultural
Histórico
Quem faz

Conteúdo
Quer publicar no site?
Quer sugerir uma pauta?

Comercial
Quer anunciar no site?
Quer vender pelo site?

Newsletter | Disparo
* Twitter e Facebook
LIVROS




A Mulher de Trinta Anos
Balzac
Nova Cultural
(2003)



Câncer Tem Cura!
Frei Romano Zago
Vozes
(1998)



Antologia Poética - Operários das Letras Vol 1
Odila Placência
Não Consta



Erros Clericais
Record
Record
(2005)



Radiologia e Diagnóstico por Imagem para Estudante de Medicina
David Sutton
Roca
(1996)



Captação De Recursos De Longo Prazo
Jairo Laser Procianoy, Richard Saito
Atlas
(2008)



Navegando Nas Letras - V. 1 - Cronicas
maurício de sousa
GLOBO
(1999)



Piadas Mix 6
Walter Sagardoy
Laselva
(2009)



Body For Life para Mulheres
Dra. Pamela Peeke
Sextante
(2006)



Memórias de Adriano
Marguerite Yourcenar
Nova Fronteira
(1980)





busca | avançada
71995 visitas/dia
2,6 milhões/mês