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Segunda-feira, 19/3/2001
Somente para quem quiser (souber?) sonhar
Paulo Polzonoff Jr

+ de 2300 Acessos

Gostar ou não de O Tigre e o Dragão (Wo hu zang long, EUA/China, 2000), depende, em parte, do que se está buscando quando se entra numa sala de exibição, paga-se caro por isso, compra-se pipoca e refrigerante e, se você for alguém com sorte, enlaça a namorada. O espectador médio, pouco afeito a elucubrações outras quando sobem os créditos, possivelmente vai achar este O Tigre e o Dragão um filme chato e risível em suas lutas. Afinal, como podem as pessoas voar? As pessoas não voam, ora! Isto é o que provavelmente vai pensar o espectador médio, segundo pesquisas qualitativas realizadas por quem escreve este texto.

Abaixo e acima do que chamamos aqui de espectador médio há vários níveis e dois extremos. Enganados pelo trailer, muitos pensarão que se trata de um filme como os de Bruce Lee. Estes jogarão pipoca uns nos outros, falarão alto e, se calhar, é capaz de sentarem-se ao lado da sua namorada para tocar-lhe a perna "acidentalmente" muitas vezes durante a projeção. Por outro lado, e não menos pior, será aquele espectador que tentará tirar filosofia de O Tigre e o Dragão. Cofiará a barba, ainda que rala, pensará dez mil vezes no sentido intrínseco dos vôos dos personagens, fará abordagem fenomenológicas e ontológicas sobre o assunto e sairá do cinema direto para a locadora, para assistir a um Godard.

Atenho-me, contudo, a um tipo de espectador mais aberto, capaz de comungar suas verdades com os demais. É o tipo de espectador ideal para se ir ao cinema ver um filme como este. Aconselho aos leitores as primeiras e últimas sessões, principalmente as da madrugada. O risco de se encontrar os extremos acima citados são menores. Este leitor de que falo é o que me lê, que me xinga porque não gostei de tal e tal filme, mas que é capaz de respeitar e até louvar uma possível e improvável capacidade de argumentação.

O Tigre e o Dragão é um filme oriental. Talvez eu não precisasse ser tão explícito numa constatação nada brilhante. Se digo, contudo, que O Tigre e o Dragão é um filme oriental, é tão-somente para alertar o espectador para um fato: os orientais vivem noutro ritmo. Não sei se porque estão sempre adiantados no tempo, com uma sensação de que, não importa que dia seja, sempre estarão algumas horas a nossa frente, os orientais têm outro ritmo para contar uma história, mesmo que a linguagem cinematográfica se firme, cada vez mais, como universal, mesmo em se tratando de um filme de ação, do qual deve se esperar as cenas mais rápidas do cinema. Se Ang Lee, o diretor, segue a cartilha do cinema ocidental no que diz respeito às cenas de luta, não o faz (e não o faz muito bem!) com o resto de O Tigre e o Dragão. Fiel a uma tradição chinesa, Ang Lee nos conta uma história sem se importar com o espectador a esperar as mais grotesca das pancadarias. Eis o ponto forte de O Tigre e o Dragão.

Aliás, é interessante falar em tradição. Para nós, ocidentalóides embasbacados com nossa pretensa superioridade, a palavra tradição está equivocadamente ligada a uma direita rançosa e não raro rancorosa. Somos amantes da tradição de subvertermos a tradição - um paradoxo para lá de interessante. A meu ver, a China é hoje o único grande país em que a palavra tradição tem algum peso. Se me detenho neste ponto é porque a tradição, no filme de Ang Lee, assume papel fundamental para que se admire com maior apreço todo o enredo, que parte do simples fato de as mulheres serem discriminadas nas sociedades orientais. Nada, contudo, que valha o cheiro de sutiã queimado à porta do cinema. Até mesmo a tradição chinesa, por força de Mao e McDonalds, juntos e em conluio, está perdendo sua força. Quero crer que, neste caso, para melhor.

De que fala, afinal, este O Tigre e o Dragão? Fala de duas paixões impossíveis numa China pré-revolução maoísta. De um lado estão Li Mu Bai (Yun-Fat Chow) e Shu Lien (Michelle Yeoh), separados pela honra e a tradição; de outro estão Jiao Long Yu (Ziyi Zhang) e Xiao Hu Luo (Chen Chang), separados por suas origens e por suas diferentes ambições. O primeiro casal, mais velho, é a encarnação da resignação sábia; o segundo, jovem, é o impulso que faz a Terra girar, é a libido em seu estado puro, concentrado. É, ainda, o perigo.

Uma espada é roubada. A partir deste incidente, ficamos sabendo qual a verdadeira origem da aristocratazinha Jiao Long Yu, também conhecida como Jen, e como ela, mulher, aprendeu a arte marcial que permite a seus adeptos voarem. Interessante em O Tigre e o Dragão são certas lacunas. Porque se todo o imbróglio tem início justamente com a morte de um mestre Wandu por uma concubina sua, conhecida como Raposa Jade (Pei-pei Cheng), revoltada com o fato de a ela ser vetado o ensino da arte Wandu, ficamos sem saber como Shu Lien, amor irrealizado de Li Mu Bai, aprendeu a arte marcial mais linda de todos os tempos.

Disse isso? Disse e repito: a arte marcial mais linda de todos os tempos. Se o roteiro ajuda, as cenas de luta completam uma ilha de beleza em meio à pancadaria sem sentido dos filmes de ação. O Tigre e o Dragão, ao apostar no insólito vôo de seus personagens, por um lado afasta aqueles que querem ver "porrada" pura e simples. Por outro, atrai aqueles que querem ver um filme cuja proposta estética se sobressaia. Ang Lee abusa de câmeras lentas, de coreografias que nos seus melhores momentos me lembraram ballet clássico. O recurso fantástico do vôo é responsável por pequenas pinturas, como na cena em que, voando, os personagens andam sobre as águas e se equilibram em finíssimos bambus.

É preciso mais uma ressalva, contudo. O Tigre e o Dragão, ao contrário do que possa parecer, não é filho dileto de Matrix. Acho que este filme renovou toda a linguagem de ação, o que pôde ser visto na comédia As Panteras, no qual as cenas de briga só ganharam um sentido cômico graças à sugestão estética de Matrix. Em O Tigre e o Dragão, porém, as referências são outras. Posso dizer que Sonhos, de Akira Kurosawa, é uma delas. Tudo é onírico, tudo é lírico, tudo é romantizado, no sentido byroniano da palavra. Não há ali sombra de realismo.

Ainda bem.


Paulo Polzonoff Jr
Rio de Janeiro, 19/3/2001


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