Breve reflexão cultural sobre gaúchos e lagostas | Adriana Baggio | Digestivo Cultural

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Quinta-feira, 12/1/2006
Breve reflexão cultural sobre gaúchos e lagostas
Adriana Baggio

+ de 8900 Acessos
+ 14 Comentário(s)

Não importa em qual cidade do Brasil onde você mora: ao andar com seu carro pelas ruas, provavelmente já viu em algum automóvel à sua frente um adesivo orgulhosamente colado na lataria. É um retângulo com três faixas diagonais - amarela, vermelha e verde - e um brasão no meio. Esta é a bandeira do Rio Grande do Sul. Os gaúchos estão por todo o país e gostam bastante de ser identificados como tais.

Este orgulho é característico de uma região com uma cultura própria tão forte que talvez até se sobreponha à nacional. Eles são primeiro gaúchos, depois brasileiros. Tanto que, em alguns casos, o adesivo pode ser um mapa do estado com os dizeres "O Rio Grande do Sul é o meu país". Um desejo de que o estado da federação volte a ser uma república independente, como já aconteceu um dia.

Apesar do orgulho regional, muitos gaúchos deixaram sua terra para colonizar e fazer fortuna em outros lugares do país. Eles são em grande número no Norte, no Centro Oeste e no oeste do Paraná. Em João Pessoa, onde morei, conheci alguns deles. Uma senhora de meia idade, há mais de 20 anos vivendo na capital paraibana, parecia ter chegado no dia anterior de Porto Alegre, tal a resistência do seu sotaque marcante. Uma outra mulher, mais jovem, não teve nenhum receio de ser (in ou mal)compreendida ao pedir um "cacetinho com chimia" na padaria. Imagina a cara do padeiro nordestino ouvindo um pedido destes vindo da boca de uma galega moça e bonita (a propósito, ela só queria um pãozinho francês com doce).

A cultura do Rio Grande do Sul é tão forte que acaba sendo generalizada como a cultura da região Sul em geral. Assim como para nós, da parte de baixo do país, o sotaque nordestino é igual ao dos baianos das novelas da Globo, para eles os paranaenses e catarinenses falam como os gaúchos de A casa das sete mulheres. A estereotipização dos personagens "étnicos" na Globo tem grande responsabilidade nisso, mas a representatividade da cultura gaúcha também. Nós, paranaenses, não andamos com a bandeirinha do estado colada no carro. Aliás, para muitos brasileiros, o Paraná só é lembrado quando se fala em trigo e soja. Nem Curitiba é facilmente associada ao estado. Por isso, ao ouvirem meu "leite quente" tipicamente curitibano e paranaense, os nordestinos imediatamente me chamavam de gaúcha. Ô, sina!

A força da cultura e o espírito aventureiro destas pessoas que deixam suas cidades no Rio Grande do Sul para viver em outras partes do país resulta nesta necessidade de identificação mais explícita. Não é uma atitude só deles, mas acho que é mais forte entre os gaúchos, que se agrupam em CTGs (Centros de Tradições Gaúchas), colocam suas bandeirinhas nos carros e mantêm o sotaque intacto. O exílio faz com que os gaúchos sejam mais gaúchos fora do seu estado do que quando estão lá. E quem diz isso não sou eu: a constatação é uma amiga de Erechim, "radicada" em Curitiba. Ela ouve seu CD Acústico MTV - Bandas Gaúchas e, mesmo sem gostar muito de sair de casa, foi no show do Ultramen quando eles estiveram por aqui.

O mesmo espírito gregário que acompanha os gaúchos quando estão em outras cidades tem seu equivalente cultural. O CD que eu citei acima é um exemplo. Quantas coletâneas de artistas agrupados por estado você conhece? Ou se conhece, quantas fazem tanto sucesso? Também existem produtos literários reunindo gaúchos que apresentam ou divulgam sua obra para o restante do país. Tanto na música quanto na literatura, o agrupamento facilita o acesso a outros mercados, mas não acredito que o único motivo seja este. Uma reunião de bandas, escritores ou outros tipos de artistas gaúchos também se justifica pela forte cultura que os une.

Um exemplo deste fenômeno é o simpático livro Contos de bolso (2005, 144 págs.). Foi publicado pela editora Casa Verde, de Porto Alegre, criada para viabilizar a publicação da produção literária de alguns dos escritores que fazem parte da antologia. Iniciativas como esta acontecem aos montes, mas neste caso você não precisa ter medo do resultado final. Os contos selecionados são enxutos na quantidade de palavras e frases, mas são repletos de talento e significado.

Se você tem os dois pés atrás com essas coletâneas publicadas por editoras e escritores "independentes", talvez seja a oportunidade de derrubar o preconceito. Se lhe serve de incentivo, ao lado de nomes desconhecidos estão autores que você já leu ou já ouviu seu amigo blogueiro comentar: Luis Fernando Veríssimo, Daniel Pelizzari, Cíntia Moscovich, Cardoso, Marcelino Freire (com o prefácio), e por aí vai. Quer mais uma (boa) referência? Entre os 43 autores está Marcelo Spalding, recém chegado ao Digestivo Cultural. Ele colabora com três contos, dos quais o meu preferido é "Culpados" (grande o suficiente para não ser reproduzido aqui), seguido de perto por "Vítima": Helena é virgem desde que o pai sumiu de casa.

A antítese "enxutos" e "repletos" que eu usei ali em cima é a essência dos textos da autora que mais me impressionou nesta antologia. Não por ela ter o mesmo sobrenome que eu, mas talvez por escrever contos que parecem slogans. Na boa publicidade, um slogan é uma peça importantíssima e dificílima de fazer. Precisa ter um mínimo de palavras passando um máximo de informação de uma maneira deslumbrante. Nos contos de Ana Baggio, poucas palavras escolhidas a dedo são lidas em segundos, mas podem nos fazer pensar por horas e deixam marcas perenes. Como em "Ventre":

- Menino ou menina?
- Mioma.


Ou em "Separação": Nas bodas de porcelana, quebraram os pratos.

Atitudes como as do pessoal da Casa Verde e outras manifestações em que os gaúchos se unem para reforçar a identidade do seu produto artístico - e para ajudar na venda dele - sempre acabam gerando discussões entre nós, paranaenses, sobre o porquê de o mesmo não acontecer com a gente. Talentos na nossa terra não faltam. De onde saíram Dalton Trevisan, Paulo Leminski e Cristóvão Tezza ainda existem muitos outros.

Um dos motivos é o reflexo, presente até hoje, do hermetismo dos colonos europeus que se estabeleceram em grande parte do estado, principalmente em Curitiba, no fim do século XIX. Um aspecto tão importante e complexo que merece ser abordado exclusivamente em outra ocasião. O segundo motivo é menos sério e mais mesquinho, e pode ser ilustrado por uma anedota: quando as lagostas estão na panela de água quente e uma delas tenta fugir, as outras não deixam. Dizem que acontece o mesmo em Curitiba: quando algum artista começa a ter sucesso fora do circuito local, os outros sempre dão um jeitinho de fazer ele continuar por aqui.

Será que é isso mesmo? Se você tem uma visão da produção cultural paranaense e curitibana ou se é um de nós, dê sua opinião. E para finalizar, aqui vai meu manifesto: liberdade às lagostas!

Para ir além






Adriana Baggio
Curitiba, 12/1/2006


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COMENTÁRIO(S) DOS LEITORES
12/1/2006
12h54min
Adriana, seu texto me trouxe umas lembranças. BH não tem tantos gaúchos assim. A não ser que morem na zona Sul e eu esteja longe de lá. Nem sei direito como é a bandeira gaúcha. Em todo caso, conheci uma trupe de gaúchos quando era adolescente. Foram embora com dívidas por todo lado. Por isso os mineiros da redondeza ficaram com os pés atrás (mais ainda). Já os curitibanos me trazem lembrança boa. Tive uma amigona chamada Raquel. Ela tinha o grave defeito de gostar dos Engenheiros do Hawaii. Talvez porque eles sejam gaúchos e tal. Certa falta de opção também. Já o Ricardo Corona e o Ricardo "Ximite" Carvalho são lembranças que me vêm sempre boas quando penso na literatura de Curitiba. Fora o Paulo Leminski, que mudou certos rumos da minha vida com seus haikais.
[Leia outros Comentários de Ana Elisa Ribeiro]
14/1/2006
16h17min
hoje mesmo vi um carro com a bandeira, na verdade vejo todos os dias, acho que tenho um radar pra isso (morro de amores por um gaúcho e por Porto Alegre). uma coisa que queria que existisse aqui em campinas é a oficina do charles kiefer lá de Porto Alegre. E sinto saudades da Col (cardoso on line)... Lendo seu texto senti saudade de muita coisa. Saudade de ler Leminski. Saudade de Curitiba. Saudade de ter 20 anos.
[Leia outros Comentários de Ana Eliza Nardi]
15/1/2006
07h47min
Adriana: sou outra belorizontina a comentar o seu texto - e não é a primeira vez que o faço porque gosto muito do que você escreve. Desta vez, fiquei especialmente entusiamada com o Rio Grande do Sul que você descreve e que está dentro do meu coração desde que li, pela primeira vez, a Trilogia do Tempo e do Vento, do Veríssimo - para mim, o romance histórico mais bonito da Literatura Brasileira. Olha só o que diz o Capitão Rodrigo ao Padre Lara, no volume "O Continente", tomo I: "Se alguém me convidasse para eu me render eu ficava ofendido. Um homem não se entrega". Isso não é mesmo a cara do povo do Rio Grande, exatamente como você o descreve? Parabéns pelo seu texto.
[Leia outros Comentários de Rina Bogliolo]
18/1/2006
11h39min
essa ana elisa ribeiro tá precisando de um gaúcho pra resolver esses conflitos internos traduzidos pelo falso desdém lançado. de qualquer forma, se o colunista fosse gaúcho e o texto falasse o mesmo sobre curitiba, a opinião seria a mesma, às avessas, para agradar a rede e liberar um pouco do gás intoxicante de que parece padecer. beijos para a amigona raquel. engenheiros na primeira fase é muito bom. depois virou lixo. precisando de um joelhaço, que tudo resolve, é só falar.
[Leia outros Comentários de carl30]
18/1/2006
16h52min
Muito interessante teu texto, Adriana. Além de bem redigido, é também reflexivo. Participei em 2005 do Laboratório de Jornalismo Cultural do Programa Rumos, do Itaú Cultural. Numa das atividades, produzimos reportagens sob o tema geral "Identidade". Eu escrevi sobre essa questão do tradicionalismo fechado e impostiivo do Rio Grande do Sul (se quiser, posso te mostrar o texto). Uma colega do Paraná escreveu sobre a sua cultura. Acho que te interessaria ler. No mais, saiu uma matéria faz um tempo na revista Aplauso discorrendo sobre isso. O título: O Gaúcho no Divã. Vale a pena ler. Abraço.
[Leia outros Comentários de Augusto Machado Paim]
19/1/2006
14h23min
Sou gaúcho, resido em SC, me orgulho de ser gaúcho, não sei se mais ou menos do que ser brasileiro. Nunca ouvi de parentes ou amigos a vontade de desmembrar o RS do restante do país. Creio que essa idéia já morreu, há muito. Uso a bandeira do estado no carro porque gosto do lugar de onde vim, das minhas raízes, assim como gosto do lugar em que estou e que admiro. Embora tenha saído de lá com cerca de 10 anos de idade, hoje, 20 anos depois, muitas noites sonho andando pelas ruas de Porto Alegre, ruas que, conscientemente, não me recordo mais. Esse atavismo é interessante e bonito, e, creio, não deve ser exclusividade dos gaúchos. Em tempo, embora Cristovão Tezza tenha passado mais de uma noite em Curitiba ele é de Lages, SC.
[Leia outros Comentários de Alexsander]
19/1/2006
14h38min
Caro Alexsander e outros: o texto não diz que o Tezza nasceu na capital paranaense. Mas aproveito a oportunidade para reforçar o que vocês com certeza devem saber: que o escritor é radicado em Curitiba, trabalha aqui, dá aulas aqui, escreve aqui, fala sobre as pessoas e a cultura daqui e se considera mais curitibano do que os próprios curitibanos (como se pode verificar no site dele...).
[Leia outros Comentários de Adriana]
19/1/2006
20h38min
O Rio Grande do Sul nunca foi bem visto no eixo Rio/São Paulo, talvez pelo seu alto índice cultural e, hoje, por ser um Estado majoritariamente branco. Graças aos agitprops negros americanos, está tomando corpo no País a idéia de que o Brasil, antes de ser europeu, tem suas raízes na África. Ora, um Estado que tem como responsáveis por seu desenvolvimento os branquelas alemães e italianos, fundamentalmente, não é bem visto num Brasil que passa a pretender-se negro. O Rio Grande do Sul, aqui no eixo, tem fama de racista. Esquecem os intelectuais do centro que foi, até hoje, o único Estado do país a eleger um governador negro. Gaúcho não é brasileiro. Só passa a ser brasileiro quando reconhecido no Exterior. Que o diga o Ronaldinho Gaúcho! Numa briga de gaúcho, paulista, mineiro e carioca, o gaúcho bate, o paulista apanha e o mineiro tenta apartar.
[Leia outros Comentários de Andre]
1/2/2006
13h30min
adriana: sempre que pode, usando a sua influência para ajudar os amigos... como você, também fui, ou sou, sei lá, publicitária. trabalhei quase dez anos com propaganda em grandes agências em curitiba e em são paulo e desde algumas mudanças drásticas na minha vida pessoal, resolvi arrumar um jeito diferente de ganhar a vida. o meu trabalho de administradora de egos na propaganda ficou chato. e tenho ouvido muitas idéias e opiniões de muita gente, desde os escritores anônimos, passando pela galera que está começando, pela panela gaúcha, paulista, carioca, até os medalhões e sinto que a província ferve! vc viu os contos do dalton na última revista idéias? ele morde as canelas de três medalhões diferentes em 6 páginas. ahaha. acho isso ótimo. acho muito legal que senhores de mais de oitenta anos tenham ainda o que dizer sobre a vida em curitiba! acho legal que o "grande" editor do estado publique tudo isso, e acho um delícia nossas conversas de final de tarde na travessa, no bureau, ou no eleotério.
[Leia outros Comentários de michelle martins]
19/8/2007
20h50min
Sou gaúcha de Alegrete, mas moro em Poto Alegre, e adorei o teu texto, que realmente me parece a síntese de um pouco do que somos, e somos separatistas, sim! A maioria de nós. Talvez simplesmente porque somos diferentes do resto do país e sabemos disso muito bem, mas mesmo assim somos brasileiros. Achei muito engraçado tu falares do sotaque dos paranaenses, porque eu tenho um amigo que é de Barracão, e o sotaque é carregadíssimo, mas bem diferente daqui, mas lá pra cima é tudo mesmo igual pra eles. O que eu mais odeio é quando artistas cariocas da Globo tentam falar como gaúcho! Que horror!
[Leia outros Comentários de Luiza Cheuiche]
21/8/2007
10h07min
Borges adorava os gauchos (sem acento mesmo) e os saudava em contos repletos de valentia e desafios; as brigas de facão e a imagem solitária do rústico em seu cavalo em pampas verdejantes. Mas dizia que ele não era tão representativo do argentino, pois era mais do norte (o uruguaio e o gaúcho brasileiro). Legal o amor à terra natal. Fazem-no com muito palavreado e bravatas. Típico mesmo! Ainda bem que existe o mineiro para apartar as brigas que o gaúcho tão insistentemente gosta de arranjar. Se José Bonifácio apoiou a independência sabidamente para proteger as próprias terras e seus fartos benefícios de classe, o mesmo se pode dizer de Bento Gonçalves, o conclamado libertador exaltado pelo riograndense, mas que, junto com seus compadritos estancieiros, só queria mesmo parar de pagar impostos a união e mandar no Rio Grande do Sul sem que ninguém interferisse. E o povo acha isso o máximo! Convém ressaltar que nem todo mundo acha o mesmo que Borges, mesmo porque não somos argentinos.
[Leia outros Comentários de Albarus Andreos]
13/11/2008
22h59min
Ser gaúcho é mais que nascer no Rio Grande do Sul, é trazer uma postura íntegra, é uma postura de respeito para com as pessoas, de ouvir em uma roda de chimarrão, de se divertir com a vida em um fandango, de respeitar e proteger os "piá" e as "prenda"... É muito mais que a maioria do nossos líderes pode fornecer. Qualquer brasileiro pode ser gaúcho, basta levar estes valores no coração. Que as nossas façanhas sirvam de modelo para toda a Terra!
[Leia outros Comentários de ronaldo lamp]
17/11/2008
00h30min
Sim, realmente, os gaúchos têm muito orgulho de serem gaúchos. É um sentimento forte em todos desde criancinhas. Crescemos com esse sentimento arraigado no peito. De onde vem isso? Difícil explicar, só quem mora e vive aqui entende. Pode parecer bairrismo, mas é muito mais que isso: é orgulho de pertencer e amar um lugar, é apego à história e às tradições de um povo, misturados com vento forte "minuano" aqui dos pampas.
[Leia outros Comentários de Cláudia]
24/3/2010
18h27min
Adriana, meu amor, olha só, eu sou gaúcha e me orgulho muito de pertencer ao Rio Grande do Sul. Cada estado com suas manias e sotaques, não é? Moro no Rio faz 20 anos e até hoje não me acostumei aos hábitos e o jeitão do carioca de levar a vida. Não moro por opção, mas por questão de trabalho, fui transferida, fazer o quê...? Respeito todo carioca, mas infelizmente vejo que o próprio carioca e muitos outros não agem da mesma forma... Gaúchos e paulistanos são sempre ridicularizados por eles! E novamente pergunto: fazer o quê? Preciso trabalhar! Me considero brasileiríssima, sim. Tenho orgulho do meu estado e do meu país! Beijos para todos!!
[Leia outros Comentários de fernanda flores ]
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