A mentira crítica e literária de Umberto Eco | Paulo Polzonoff Jr | Digestivo Cultural

busca | avançada
55373 visitas/dia
2,0 milhões/mês
Mais Recentes
>>> Unil oferece abordagem diferenciada da gramática a preparadores e revisores de texto
>>> Conversas no MAB com Sergio Vidal e Ana Paula Lopes
>>> Escola francesa de Design, Artes e Comunicação Visual inaugura campus em São Paulo
>>> TEATRO & PODCAST_'Acervo e Memória', do Célia Helena, relembra entrevista com Nydia Licia_
>>> Projeto Cultural Samba do Caxinha cria arrecadação virtual para gravação de seu primeiro EP
* clique para encaminhar
Mais Recentes
>>> Aos nossos olhos (e aos de Ernesto)
>>> Carol Sanches, poesia na ratoeira do mundo
>>> O fim dos livros físicos?
>>> A sujeira embaixo do tapete
>>> Moro no Morumbi, mas voto em Moema
>>> É breve a rosa alvorada
>>> Alameda de água e lava
>>> Entrevista: o músico-compositor Livio Tragtenberg
>>> Cabelo, cabeleira
>>> A redoma de vidro de Sylvia Plath
Colunistas
Últimos Posts
>>> Gente feliz não escreve humor?
>>> A profissão de fé de um Livreiro
>>> O ar de uma teimosia
>>> Zuza Homem de Mello no Supertônica
>>> Para Ouvir Sylvia Telles
>>> Van Halen ao vivo em 1991
>>> Metallica tocando Van Halen
>>> Van Halen ao vivo em 2015
>>> Van Halen ao vivo em 1984
>>> Chico Buarque em bate-papo com o MPB4
Últimos Posts
>>> O poder da história
>>> Caraminholas
>>> ETC. E TAL
>>> Acalanto para a alma
>>> Desde que o mundo é mundo
>>> O velho suborno
>>> Normal!
>>> Os bons companheiros, 30 anos
>>> Briga de foice no escuro
>>> Alma nua
Blogueiros
Mais Recentes
>>> O do contra
>>> American Dream
>>> Todas as Tardes, Escondido, Eu a Contemplo
>>> Uma História do Mercado Livre
>>> Prêmio Nobel de Literatura para um brasileiro - II
>>> Delicado, vulnerável, sensível
>>> De Kooning em retrospectiva
>>> O Tigrão vai te ensinar
>>> Aquele apoio
>>> A forca de cascavel — Angústia (Fuvest)
Mais Recentes
>>> Os Bons e os Justos de Lourenço Cazarré pela Mercado Aberto (1993)
>>> Clebynho - O Babalorixá Aprendiz de Leandro Müller pela Pallas (2010)
>>> As Maluquices do Imperador de Paulo Setúbal pela Nacional (1983)
>>> A Felicidade é Fácil de Edney Silvestre pela Record (2011)
>>> Contos. Porque Conto - autografado de Públio José pela Do autor (2009)
>>> Paratii: entre dois pólos de Amyr Klink pela Companhia da Letras (1992)
>>> É Possível Salvar a Europa? de Thomas Piketty pela Intrínseca (2015)
>>> Pensão Riso da Noite de José Condé pela José Olympio / Civilização Brasileira / Três (1973)
>>> O Caminho Para O Céu: Livro II das Crônicas da Terra de Zecharia Sitchin pela Madras (2014)
>>> Ioiô Pequeno da Várzea Nova de Mario Leônidas Casanova pela Clube do Livro (1979)
>>> O Papa e Mussolini. A Conexão Secreta Entre Pio XI e a Ascensão do Fascismo na Europa de David I. Kertzer pela Intrínseca (2017)
>>> Entrevero de Vários Autores pela L&PM / Mpm
>>> Pesquisa FAPESP Nº 265 de Diversos Autores pela Fapesp (2018)
>>> O Longo Adeus a Pinochet de Ariel Dorfman pela Companhia das Letras (2003)
>>> Contos de Voltaire pela Nova Cultural (2002)
>>> Pesquisa FAPESP Nº 263 de Diversos Autores pela Fapesp (2018)
>>> Divina Comédia - Coleção A Obra-Prima de Cada Autor, Série Ouro de Dante Alighieri pela Martin Claret (2002)
>>> Babbitt de Sinclair Lewis pela Nova Cultural (2002)
>>> Pesquisa FAPESP Nº 261 de Diversos Autores pela Fapesp (2017)
>>> Ana Karênina de Tolstói pela Nova Cultural (2002)
>>> Havia Gigantes Na Terra de Zecharia Sitchin pela Madras (2014)
>>> Pesquisa FAPESP Nº 260 de Diversos Autores pela Fapesp (2017)
>>> Divergente de Veronica Roth pela Rocco (2012)
>>> A Divina Comédia de Dante pela Nova Cultural (2002)
>>> Xeque E Mate - Xadrez Sem Mistério E Com Muito Suspense de Gilberto Milos Júnior & Davy D'Israel pela Adonis (2000)
>>> Rock Jazz Bossa Poética de João Dutra pela Do Autor (2014)
>>> Os Melhores Poemas de Mário de Andrade de Gilda de Mello e Souza pela Globo (1993)
>>> Revista Internacional de Espiritismo - RIE, Ano LXXV, Número 07, Agosto de Vários Colaboradores pela O Clarim (2000)
>>> Antes Que a Saudade Chegue de Sady Figueira pela Evangraf (2001)
>>> A Gata do Rio Nilo de Lia Neiva pela José Olympio (1999)
>>> Convergente de Veronica Roth pela Rocco (2014)
>>> III Prêmio Proex/UFPA de Literatura - Antologia Poesias, Crônicas e Contos de Vários Autores pela Ufpa (2013)
>>> Revista Galileu, Ano 12, Número 154, Maio de Vários Colaboradores pela Globo (2004)
>>> Quinze Anos (A Juventude Como Ela É) de Carlos Heitor Cony pela Tecno Print (1973)
>>> Fazendo meu filme 3 - Roteiro Inesperado de Fani de Paula Pimenta pela Gutenberg (2013)
>>> Revista Força Aérea Nº 05 de Diversos Autores pela Action (1996)
>>> Histórias Extraordinárias de Edgar Allan Poe pela Nova Cultural (2003)
>>> Revista Força Aérea Nº 03 de Diversos Autores pela Action (1996)
>>> Mulherzinhas de Louisa May Alcott pela Nova Cultural (2003)
>>> Decamerão de Boccaccio pela NOVA Culltural (2003)
>>> Historia Da Filosofia- Os Pensadores de Bernadette Siqueira abrão pela Nova cultural (2004)
>>> Revista Força Aérea Nº 49 de Diversos Autores pela Action (2007)
>>> Os Trabalhadores do Mar de Victor Hugo pela Nova Cultural (2002)
>>> Os Pensadores Husserl de Abril Cultural pela Abril Cultural (1980)
>>> Revista Força Aérea Nº 45 de Diversos Autores pela Action (2006)
>>> A Mulher de Trinta Anos de Balzac pela Nova Cultural (2003)
>>> Transformação Social da Humanidade de Samael Aun Weor pela Gnose (1986)
>>> Revista Força Aérea Nº Especial 01 de Diversos Autores pela Action (2003)
>>> Os Sertões de Euclides da Cunha pela Nova Cultural (2002)
>>> O Último Czar: a Vida e a Morte de Nicolau II de Edvard Radzinsky pela Best Seller (1992)
COLUNAS

Quarta-feira, 24/10/2001
A mentira crítica e literária de Umberto Eco
Paulo Polzonoff Jr

+ de 11400 Acessos
+ 2 Comentário(s)

Daniela Mountain

Agora não tem como adiar. O Baudolino (Record) aqui na minha frente, com sua capa azul, algumas anotações ao lado e um texto que insiste em não sair. Estou no limite do limite do meu deadline. Pergunto-me, porém, por onde começar a destruir o mito que se criou em torno de Umberto Eco. É uma constatação tão óbvia, essa, que me trava os neurônios. Ando um pouco pela saleta que me serve de escritório, vou tomar um café e volto para o computador. Bem, um parágrafo está escrito já.

Agora tenho de parar de fazer o leitor perder tempo. Começar a escrever sobre o livro. Faço-o, pois, contando a historieta de Baudolino, que a crítica inteira, sem exceções, elegeu já como livro do ano, antes mesmo de sair do prelo. Coisas de marketing, creio, sem querer crer. Bem, o livro de Umberto Eco, o mesmo autor de O Nome das Rosa e O Pêndulo de Foucault conta a história de um menino que mente e assim sobrevive. Grosseiramente é isso. Poderia dizer ainda que este menino se chama Baudolino, nome do santo padroeiro da cidade de Alexandria, na qual Eco nasceu. Poderia dizer ainda que este menino está empenhado em algumas missões, digamos, ilusórias, entre elas achar um reino perdido e encontrar o Santo Graal. Para completar o cenário, Baudolino, por força de sua mentira, vira um conselheiro do Sacro Império Romano, uma espécie de braço direito do imperador. Isso tudo porque, lembrem-se, ele mente.

Seria subestimar a inteligência dos meus leitores escrever o que vou escrever agora me achando o mais original dos resenhistas. Estou longe disso. Digo, porém, para que fique registrado. Baudolino é uma alegoria para a força que a palavra escrita, aliada à imaginação, tem num mundo de brutos. É pela palavra que Baudolino se faz e se safa, quando precisa. Pergunto aos meus leitores, contudo: onde está a originalidade de se dizer isso?

Umberto Eco faz uma coisa que todo mundo já adorara em O Nome da Rosa: mistura erudição (é como se convencionou chamar hoje em dia um conhecimento que vai um pouquinho além da cultura de massa) com entretenimento. Não sei por quê, os resenhistas acham que isso é assim uma espécie de ousadia pós-moderna. E dá-lhe elogios a Eco.

A mim me parece inútil afirma o que afirmo neste texto, contudo, faço-o, antes por tédio do que por achar que vai de alguma coisa adiantar. Umberto Eco é uma mentira, assim como seu Baudolino. Como escritor de ficção, afirmo. Seus ensaios são bastante interessantes e recomendáveis, mas considerá-lo o melhor escritor dos últimos vinte anos, como fez a revista francesa Lire, é algo que extrapola minha capacidade de compreensão.

Tenho uma pista, no entanto. Algo me diz que Umberto Eco, assim como Borges, é um destes escritores que todo intelectual sem talento gostaria de ser e, em encantando-os, encanta os resenhistas, que por sua vez admira os intelectuais que não são de fato. Nesta cadeia de encantamento é que se forjam mitos literários que, espera-se, não sobrevivam muito mais a seu tempo.

Umberto Eco foi feito sob medida para as faculdades, para os estudantes entusiasmados com digressões sobre a Idade Média, com mapinhas de época. Ora, no fundo, a literatura de Eco, cravada em algum lugar da Idade Média, não é nem mais nem menos que uma história de cavaleiros e damas e ogros e fadas e elfos em bosques e pântanos encantados. Só que tem aquela “aura” de erudição.

Dizem que é errado, mas gosto de fazer comparações. E lendo Baudolino pensei na grande literatura de um tempo que não o nosso (ao menos que não o meu). Já naquelas primeiras páginas do romance, que tentam resgatar um italiano original, por assim dizer, numa mistura de dialetos com latim, lembrei-me de Guimarães Rosa, que jamais fez conjecturas sobre a origem do nosso português em seus romances. Apenas escreveu-os, adicionando elementos antigos daqui, modernos dali, inventando acolá. E foi o criador de um universo que não pertence a nenhum período histórico facilmente datável. É um sertão de ontem, de hoje e de amanhã, o de Rosa. Depois, lendo aventuras de Graal e reinos perdidos, pensei em Swift, em como Swift criava alegoria simples sem recorrer a um possível conhecimento sobre eras passadas. Por fim, pensei até em Borges, que, quando não erudito, criava sua erudição — se bem que entediando a alguns, como a mim.

Ao fim do livro, cheguei à mais nítida percepção de que O Perfume, de Patrick Süskind, este sim é um grande romance. Porque ri de pretensos homens de saber que popularizam o conhecimento de suas torres de marfim com intrincados jogos de quebra-cabeça detetivescos, numa mistura pseudo-moderna de Agatha Christie com, para usar uma figura brasileira, Houaiss.

Olha que boa idéia, para estimular a leitura de dicionários, segundo os preceitos dos romances ecoanos: dicionários que sejam escritos na forma de romance. Um grande romance em muitos volumes, tipo Harry Porter, dividido em capítulos breves que são também verbetes e que vão se costurando através de uma historieta qualquer.

Irritante é este lavapé dos resenhistas. Lendo Baudolino e me lembrando principalmente de O Nome da Rosa, pensei em como é badalado o escritor italiano. Os dois romances históricos de Eco não passaram pelo rigoroso (hahaha) crivo da nossa crítica especializada que, numa situação semelhantíssima, sobre o livro de Ruy Tapioca, A República dos Bugres, disse que “o romance histórico reflete certa falta de imaginação do escritor”. Ora, poupe-me.

Ainda há o senão do público. Gente que compra Umberto Eco só para cobrir-se de verniz cultural. Eu já cansei de ver estas pessoas e tenho certeza de que o freqüentador assíduo de bibliotecas ou livrarias também. Gente que pede Umberto Eco com pompa de quem está comprando Patek Phillip. Gente que lê Umberto Eco com a pompa de quem tem a Caras na mão. E coisas do gênero. Eco foi feito sobre medida para certa elite econômica que faz questão de virar a cara para coisas infinitamente melhores que aqui mesmo se faz.

Ah, sim, mas Umberto Eco é sinônimo de semiologia, não se pode esquecer. E não se pode esquecer também que semiologia, no Brasil, é sinônimo da mais elevada das inteligências, que a nós, leitores pobres e mortais, só é dado o direito de se curvar.

O livro de Umberto Eco nada mais é do que um Pinóquio contemporâneo. Cheio de mentirar, frases feitas e uma inteligência mastigada, onde falta sobretudo ironia e sutileza. Um ensaio, em suma, pontilhado por um romance detetivesco. Uma paródia do que se tornou o saber no século 21.


Paulo Polzonoff Jr
Rio de Janeiro, 24/10/2001


Quem leu este, também leu esse(s):
01. Textos movediços de Carla Ceres
02. O livro digital Toy Story para iPad: revolução? de Marcelo Spalding
03. História dos Estados Unidos de Rafael Rodrigues
04. Babenco traz sua visão do país Carandiru de Lucas Rodrigues Pires
05. Simonal e O Pasquim: nem vem que não tem de Waldemar Pavan


Mais Paulo Polzonoff Jr
Mais Acessadas de Paulo Polzonoff Jr em 2001
01. Transei com minha mãe, matei meu pai - 17/10/2001
02. Está Consumado - 14/4/2001
03. A mentira crítica e literária de Umberto Eco - 24/10/2001
04. Reflexões a respeito de uma poça d´água - 19/12/2001
05. Deus - 25/7/2001


* esta seção é livre, não refletindo necessariamente a opinião do site

ENVIAR POR E-MAIL
E-mail:
Observações:
COMENTÁRIO(S) DOS LEITORES
30/4/2002
22h21min
Aleluia! Finalmente encontrei o artigo que eu procurava há meses sobre o homem! Quem tem semi-ótica, jamais vai ter a ótica inteira. E quem se limita a ECOS jamais terá acesso a consistência das autenticas VOZES. Se é que vocÊ me entende...
[Leia outros Comentários de Carlos Ribeiro]
1/6/2009
21h41min
Chame-me do que quiser, mas adorei "O nome da rosa". Achei genial. Apesar da sua "simpática" crítica, voltarei a ler livros do senhor, pois tenho certeza que é muito melhor do que você o pinta. Este é provavelmente (ainda não li o "Baudolino") um dos casos para se aplicar a seguinte frase de Oscar Wilde: "quando li o crítico odiei o livro, quando li o livro odiei o crítico".
[Leia outros Comentários de Catarina Garcia]
COMENTE ESTE TEXTO
Nome:
E-mail:
Blog/Twitter:
* o Digestivo Cultural se reserva o direito de ignorar Comentários que se utilizem de linguagem chula, difamatória ou ilegal;

** mensagens com tamanho superior a 1000 toques, sem identificação ou postadas por e-mails inválidos serão igualmente descartadas;

*** tampouco serão admitidos os 10 tipos de Comentador de Forum.




Digestivo Cultural
Histórico
Quem faz

Conteúdo
Quer publicar no site?
Quer sugerir uma pauta?

Comercial
Quer anunciar no site?
Quer vender pelo site?

Newsletter | Disparo
* Twitter e Facebook
LIVROS




A IGREJA ELEITA
DOUGLAS BAPTISTA
CPAD
(2020)
R$ 10,00



O QUE É POLITICA NUCLEAR
RICARDO ARNT
BRASILENSE
(1985)
R$ 6,90



X-MEN GIANT SIZE
STAN LEE + LEN WEIN & DAVE COCKRUM
MARVEL GROUP
(1991)
R$ 40,00



A DIETA DE SOUTH BEACH
ARTHUR AGATSTON
SEXTANTE
(2003)
R$ 5,00



ROSA DAS AMÉRICAS
VICENTE DE ANDRADE PELUSO
SALESIANA
(1988)
R$ 5,00



FILOSOFIA POR UMA INTELIGÊNCIA DA COMPLEXIDADE
CELITO MEIER
PAZ
(2015)
R$ 14,90



CRIME EM AMESTERDÃO
NICOLAS FRELING
LIVROS DO BRASIL
(1963)
R$ 14,00



O PACIENTE INGLÊS
MICHAEL ONDAATJE
34
(1994)
R$ 7,00



O MENINO QUE VIROU GENTE
MANOEL FIRMATO DE ALMEIDA
PRODUÇÃO INDEPENDENTE
R$ 34,90



SOBRE A AMIZADE E OUTROS DIÁLOGOS
JORGE LUIS BORGES / OSVALDO FERRARI
HEDRA
(2009)
R$ 18,00





busca | avançada
55373 visitas/dia
2,0 milhões/mês