Ficção e previsões para um futuro qualquer | Ana Elisa Ribeiro | Digestivo Cultural

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Sexta-feira, 22/5/2020
Ficção e previsões para um futuro qualquer
Ana Elisa Ribeiro

+ de 2000 Acessos

Geralmente, o que estava na literatura já adiantava o que poderia nos acontecer. Na ficção, há inúmeros exercícios de imaginação - ou planejamento? - das tragédias e bizarrices que poderíamos viver ou ser obrigados/as a viver. Muitos/as de nós têm exemplos para dar, menos e mais sofisticados.

Hoje mesmo, no café da manhã, me peguei falando em uma possível reforma que faria no mundo, caso alguém me desse um cargo de presidente de algum conselho para melhorias. É claro que isso jamais acontecerá, e muito menos a mim, mas nada me impede de conjeturar, tomando café e olhando perdidamente o céu pela janela gradeada da cozinha. Eu pensava nas coisas que alteraria completamente, nas rotinas de que não sentiria a menor falta, do trabalho de um jeito mais humano, de relações de amizade mais sinceras, de pessoas assim & assado, mas era tudo pura imaginação. No fundo, acredito mais nas pioras e na correria por uma espécie de compensação, quando tudo isto se amenizar.

Quando me vi pensando em reformas, logo veio a capa de um livro de Monteiro Lobato, A reforma da natureza, que li quando bem jovem e de que me lembro até hoje, tais foram as curiosidades que me marcaram nele. Uma protagonista livre para imaginar já me soava suficientemente relevante. E as ideias dela, que pareciam inicialmente boas, mostravam-se logo sem funcionalidade. Que pena. Talvez a minha reforma também não ficasse bem, em curto tempo, mas não custa tentar, ao menos nos meus pensamentos.

Muitos/as de nós podemos compor uma lista de livros e de filmes que prenunciaram - agora até parece que foi isso - diferentes crises mundiais ou nacionais; fins de mundo de todo jeito, sob todas as mitologias; ataques alienígenas de diferentes feições e níveis de violência; genocídios em variadas modalidades; alterações em diversas dimensões. Até uma pandemia semelhante à do Coronavírus já pintou por aí, em filmes, pelo menos. E quem acreditaria? A gente saía do cinema sorrindo, comendo pipoca, jogando perdigotos nos/as amigos/as e ia logo se sentar na lanchonete mais próxima, sem lavar as mãos. Tudo ficção. Só que não.

Além de trabalhar loucamente de dentro de casa - o que não me desagrada, confesso -, passo bastante tempo, ainda hoje, perplexa com o fato de viver, intensamente, uma pandemia digna dos livros de História. Se não formos exterminados, ou pelo vírus ou pela política, e chegarmos lá, mais adiante no tempo, teremos o que contar aos/às netos/as, quando fizerem trabalhos de escola. E como estará a escola?

A escola é uma das personagens centrais desta encrenca toda. Está entre as instituições mais atingidas, e por todos os lados. Já que, no Brasil, educação nunca foi assunto sério, a escola sofre porque teve de se adaptar numa espécie de "se vira nos 30" e porque só leva bordoada, para onde quer que olhe. A escola, que nunca-jamais foi digital, nem as particulares, de repente teve de migrar tudo para alguma plataforma que surgiu magicamente. Uma parte boa do que se faz em escolas, hoje, está dentro de plataformas privadas que não são da própria escola. Professores/as em pânico, pais/mães também em pânico, gestores/as igualmente, mas nem sempre pelas mesmas razões.

A escola tem um papel fundamental na organização geral de nossas vidas. As crianças vão à escola para aprender, é claro, para desenvolver competências, para se socializarem, etc. Mas também vão à escola para não estarem em casa, para estarem sob os cuidados de outras pessoas, que cuidarão delas e de sua segurança, ao longo de várias horas de um dia, por anos a fio, até que cresçam e sejam mais autônomas. Não se deixa uma criança sozinha em casa. Tecnicamente, isso dá polícia e conselho tutelar. Mas quem disse que as condições, no Brasil, são essas? Incontáveis mulheres pobres precisam deixar seus filhos sozinhos ou uns cuidando dos outros enquanto trabalham nas casas de outras mulheres, que deixam seus filhos com aquelas primeiras e assim as coisas funcionam. Há o que fazer? Não há. E este costuma ser um esquema entre mulheres, infelizmente só elas.

Nesta bizarrice toda que vivemos hoje, além das infinitas explicações sobre epidemiologia na TV, remédios e testes científicos, ouvimos falar em aumentos de violência, inclusive contra crianças, e a piração geral a que foram levadas as instituições escolares: umas pelo excesso, outras pela falta. As escolas públicas, em sua maioria, não conseguem fazer muito porque não alcançam imensa parte de seus/suas estudantes digitalmente. Quem não sabia que é assim ou é muito distraído/a ou está de brincadeira.

Em todo caso, este cenário confuso tem servido também para me fazer pensar, ali diante das grades da janela, no que nós, pesquisadores de educação e tecnologias, andamos falando ao longo dos últimos vinte ou trinta anos. Claramente, podemos ser separados/as em alas, para as quais vou propor nomes que sirvam para os dias de hoje, dos mais otimistas aos menos: entusiastas desmedidos/as, ponderados/as-meio-inocentes e medrosões/onas-de-carteirinha. Não sei mais onde me incluir. Só sei que me sinto excluída como professora de estudantes sem banda larga, sem hardware, sem os cliques para usar programas interessantes e plataformas inteligentes. Como me senti inútil e ignorada... nos últimos dois meses. Só não me senti mais triste porque não fui da ala que quis crer que nossa educação podia contar com tecnologias digitais, que os equipamentos já estavam nas mãos de todos/as e que seria possível dar um salto em direção ao futuro. Quando eu lia isso, eu só pensava: uai, que coisa! Estão falando do mesmo país que eu? Euzinha, que dou aulas também no ensino médio e que senti tantos olharezinhos de desprezo justamente por isso.

Estava na ficção. Estava lá que o mundo se acabaria numa bagunça infernal. Estava em todos os enredos que haveria uma luta entre o bem e o mal. A gente saiu do cinema rindo e brincando, mas estava lá. Era aviso? Não era. Era prenúncio? Não sei. Só não era imaginação pura. Era medo, certamente. A gente sempre teve medo do que não controla. Agora precisa respeitar o que não controla e não vê. Ainda passarei alguns dias do lado de dentro das grades da janela, tentando acreditar que teremos condições razoáveis de repensar a vida para depois desta pandemia, incluindo as condições ridículas e desiguais em que as escolas funcionam, simplesmente porque têm de tocar o barco, mesmo com tanto vento contrário.


Ana Elisa Ribeiro
Belo Horizonte, 22/5/2020


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