Meu reino por uma webcam | Ana Elisa Ribeiro | Digestivo Cultural

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Sexta-feira, 19/6/2020
Meu reino por uma webcam
Ana Elisa Ribeiro

+ de 3000 Acessos

De janeiro a maio de 2020, o Google Trends registrou uma movimentação importante nas vendas de certos itens pelo consumidor brasileiro. Por exemplo: a venda de cadeiras de escritório disparou. Eu mesma conheço pessoas que andaram fazendo esse tipo de pesquisa pelas redes sociais, a fim de melhorar um item que se pode ter meio precário em casa, fora dos tempos de pandemia. Não é meu caso porque quase moro na minha cadeira, e esse é um item caro... e na verdade a gente investe em saúde e na coluna, não apenas na cadeira.

Segundo a matéria do Nexo, todos os itens que têm relação com o computador tiveram aumento nas vendas. Eu mesma engordei essa estatística. Meio inocentemente, quando percebi que fazer live pelo celular seria sofrido, tratei de encomendar uma webcam. Não foi fácil. Acho que ninguém pensava mais nisso. A experiência recente me levou a crer que a webcam não apenas passou por um aumento de vendas, como também por uma espécie de ressurreição. Liguei para três lojas de informática diferentes antes de partir para o e-commerce. Quis prestigiar o comércio do bairro, depois o da cidade e tive de apelar para a boa e velha Americanas.

Antes disso, liguei numa lojinha e a atendente riu de mim. Acho que me imaginou uma senhora do século passado ou retrasado, quando perguntei por webcam. Ela, jovenzinha, pensou depois que fosse trote e disse: "agora, sério: o que a senhora deseja?". Era mesmo uma webcam. Na outra loja, também antes por telefone, quase tive de explicar à recepcionista o que era a câmera que a gente acopla ao computador de mesa. Talvez ela nem conhecesse um computador de mesa. E fui vendo que o buraco era mais embaixo. Desisti antes que ela risse de mim, mesmo estando errada. Imagino que, hoje em dia, a mocinha esteja faturando justamente com webcams. Bom, em todo caso, expliquei pacientemente que era um tipo de câmera diferente de Go-Pro e dessas que vigiam as casas das pessoas. Fiquei sem meu artigo de informática.

Entre uma ligação e outra, resolvi procurar nos meus guardados e mexer nas caixas de plástico cheias de CDs de instalação e pendrives de baixa capacidade. Encontrei duas câmeras antigas, em bom estado. Achei inclusive seus CDs de instalação, mas não encontrei um drive que o lesse, num raio de 2 km. De que adianta o software sem o hardware? Tentei na internet, aquela que tudo tem e tudo mostra. Nada. Nem no fabricante encontrei um drivezinho para baixar. Houve um tempo em que não existia periférico plug and play, imagina? Então desisti da minha antiga câmera de mesa. Voltei aos telefonemas, já meio desanimada.

Lá pelas tantas, digitei o endereço da lojona, market place, e tasquei lá na busca: webcam pc. Achei várias. De preços muito variados também. Coisa profissional e coisa amadora. Fui nas últimas. Coisa de oitenta reais, uma semaninha de espera, frete barato e eu teria minha câmera, para fazer lives sentada em minha confortável cadeira, comprada uns meses atrás. Paguei e fui dormir, tentando não ficar ansiosa. No dia seguinte, sem exagero, toca a campainha. Era já minha webcam, prontinha para o uso. Espetei o USB no computador, dei dois ou três OK nuns botões que surgiram e pronto: apareci despenteada, mas sorridente, bem diante de mim. Garanti a sobrevida durante a pandemia.

Será que posso me considerar uma visionária? Espécie de mãe Diná da informática? O fato é que a vida foi ficando cada vez mais on-line, mais confinada, e minha câmera passou a valer uma pequena fortuna. Minha irmã, faz pouco, precisou comprar webcams para a empresa onde trabalha e teve enorme dificuldade. A mesma câmera que comprei por oitenta mangos custa, agora, mais de trezentos. As poucas horas que esperei para ter meu item em minha casa se transformaram em 30 a 45 dias úteis! Nada mais é como antes. E a lista dos periféricos muito cobiçados e até ressuscitados só cresceu. Segundo a matéria do Nexo, mouse, roteador e teclado estão nas cabeças!

Outro tipo de item cujo consumo decolou foram os pijamas. Não precisei de nenhum porque tenho apreço por eles ao longo do ano, mas durante a pandemia eles viraram elemento da cesta básica, parece. E não adianta ter rendinha e botão. Acho que o conforto se tornou critério eliminatório. Mas isso já é inferência minha.

Itens de limpar a casa, máquinas que fazem café e comida, equipamentos de esquentar alimentos, tudo isso subiu no conceito de todo mundo. E o preço subiu além do conceito. Fretes e esperas lá nas alturas também. É claro que parte disso responde pela escassez; outra parte deve ser desonestidade, deslealdade e oportunismo mesmo. Convenhamos: que sacanagem.

Jogos de todo jeito também se tornaram queridinhos. Mesmo jogos analógicos, como o quebra-cabeça. Não é interessante? Passar o tempo quebrando a cabeça sempre foi legal; agora virou necessidade básica. Uma cabeça, aliás, que tem passado longe do cabeleireiro, o que levou à escalada da procura por máquinas de corte, até para quem tem escassez nessa região do corpo.

Minha experiência com as máscaras, EPI gambiarral que hoje sustenta famílias inteiras, também foi interessante. Comecei comprando descartáveis, já por uma fortuna; acabei comprando de pano, por cerca de quinze reais a peça; hoje compro em qualquer padaria, a cinco reais, de boa qualidade. O item se tornou parte do guarda-roupa, combinação com as raras peças de sair à rua.

Tenho gostado de observar o tal comportamento do consumidor, em especial quando está tudo de pernas pro ar, as pessoas não têm se deslocado normalmente e o que parecia item esquecido se tornou objeto de desejo e necessidade. Ponto para a webcam. E anotem aí: eu, a ás das lives, ainda voltarei ao telefone para responder à risadinha daquela atendente a quem expliquei o que era webcam. Me aguarde, miga!


Ana Elisa Ribeiro
Belo Horizonte, 19/6/2020


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