O Pêndulo de Mussa | Luis Eduardo Matta | Digestivo Cultural

busca | avançada
58950 visitas/dia
1,9 milhão/mês
Mais Recentes
>>> Como se prevenir dos golpes dos falsos agentes no mundo da música?
>>> Cia. Sansacroma estreia “Vala: Corpos Negros e Sobrevidas“ no Sesc Belenzinho
>>> ARNS | De ESPERANÇA em ESPERANÇA || MAS/SP
>>> IAE convida Geovanni Lima para conversar sobre bullying, performance e processos de criação
>>> UP CONTEMPORANEA e SP INSPIRA ARTE || Art Lab Gallery
* clique para encaminhar
Mais Recentes
>>> Eleições na quinta série
>>> Mãos de veludo: Toda terça, de Carola Saavedra
>>> A ostra, o Algarve e o vento
>>> O abalo sísmico de Luiz Vilela
>>> A poesia com outras palavras, Ana Martins Marques
>>> Lourival, Dorival, assim como você e eu
>>> O idiota do rebanho, romance de José Carlos Reis
>>> LSD 3 - uma entrevista com Bento Araujo
>>> Errando por Nomadland
>>> É um brinquedo inofensivo...
Colunistas
Últimos Posts
>>> O melhor da Deutsche Grammophon em 2021
>>> A história de Claudio Galeazzi
>>> Naval, Dixon e Ferriss sobre a Web3
>>> Max Chafkin sobre Peter Thiel
>>> Jimmy Page no Brasil
>>> Michael Dell on Play Nice But Win
>>> A história de José Galló
>>> Discoteca Básica por Ricardo Alexandre
>>> Marc Andreessen em 1995
>>> Cris Correa, empreendedores e empreendedorismo
Últimos Posts
>>> Brega Night Dance Club e o afrofuturismo amazônico
>>> Fazer o que?
>>> Olhar para longe
>>> Talvez assim
>>> Subversão da alma
>>> Bons e Maus
>>> Sempre há uma próxima vez
>>> Iguais sempre
>>> Entre outros
>>> Corpo e alma
Blogueiros
Mais Recentes
>>> A redescoberta da(s) leitura(s)
>>> Café com crítica cultural
>>> Vagas Llosa no YouTube
>>> A Esfinge do Rock
>>> Publicidade e formação política
>>> A visão certa
>>> Questão de gosto ou de educação?
>>> Matar e morrer pra viver
>>> Sine Papa
>>> Palestra: Marco Antônio Villa
Mais Recentes
>>> Estudos de Psicologia - Volume 31 - nº 2 de Vários autores pela Puc (2014)
>>> 1000 Receitas de Cozinha Portuguesa de Vários autores pela Girassol (1989)
>>> Enciclopédia do Estudante - Ecologia - Ecossistemas e Desenvolvimento Sustentável de Vários autores pela Moderna (2008)
>>> Crianças com Distúrbios de Aprendizagem - Diagnóstico, Medicação, Educação de Lester Tarnopol pela Edart (1980)
>>> A Revolução dos Bichos 9ª edição. série paradidática globo de George Orwell pela Globo (1980)
>>> O Moderno Conto Brasileiro: Antologia Escolar de João Antônio (organização) pela Civilização Brasileira (1980)
>>> Casa de Pensão Série Bom Livro edição. didática de Aluísio Azevedo pela Ática
>>> O Guarani - Série Bom Livro de José de Alencar pela Ática (1971)
>>> Como Atua o Carma de Rudolf Steiner pela Antroposófica (1998)
>>> Louvores e Preces a Maria, Nossa Mãe de Moisés Viana pela Paulus (2005)
>>> O Outro Lado da Memória de Beatriz Cortes pela Novo Seculo (2014)
>>> Não Sou Este Tipo de Garota de Siobhan Vivian pela Novas Páginas (2011)
>>> Fonoaudiologia e Educação - Um encontro Histórico de Ana Paula Berberian pela Plexus (1995)
>>> Quando a Lua Surgir - Bianca Romances de Lori Handeland pela Nova Cultural (2006)
>>> Ansiedade - Como enfrentar o mal do século de Augusto Cury pela Saraiva (2013)
>>> Superdicas para um Trabalho de Conclusão de Curso Nota 10 de Rachel Polito pela Saraiva (2017)
>>> A Crise de 1929 ( Pocket ) de Bernard Gazier pela L&Pm Editores (2009)
>>> Tudo Depende de Como Você vê as Coisas de Norton Juster pela Companhia Das Letras (2007)
>>> São Bernardo 25ª edição. de Graciliano Ramos pela Record (1975)
>>> Princípios da Filosofia do Direito de Hegel pela Martins Fontes (1976)
>>> O Tronco do Ipê - Clássicos Brasileiros categoria estrela 1227 de José de Alencar (notas de M Cavalcanti Proença) pela Ouro
>>> Violência Contra a Mulher - Aspectos Gerais e Questões Práticas da Lei 11.340/2006 de Dominique de Paula Ribeiro pela Gazeta Jurídica (2013)
>>> A Sabedoria de Gandhi de Richard Attenborough pela Sextante (2008)
>>> Vida de Jesus - Origens do Cristianismo de Ernest Renan pela Martin Claret (2006)
>>> The Landmark Dictionary Para Estudantes Brasileiros de Inglês de Arnon Hollaender; Sidney Sanders pela Richmond (2009)
COLUNAS

Terça-feira, 17/4/2007
O Pêndulo de Mussa
Luis Eduardo Matta

+ de 6000 Acessos
+ 1 Comentário(s)

O adultério é uma temática imortal, tão enraizada no imaginário humano quanto a religião, o amor e a necessidade de comida e água. Eu iria mais longe e até afirmaria que o adultério já se tornou parte do inconsciente coletivo, isto é, do conjunto de valores e sensações que toda a humanidade compartilha. É um assunto que inevitavelmente mexe com as entranhas de cada um e, quando se é vítima dele, penetra fundo na alma das pessoas, sangrando-a e gerando um vórtice tempestuoso de sensações inquietantes, cujas conseqüências podem ser dramáticas. A traição amorosa, quando aliada a um sentimento de rejeição, é das mais funestas e angustiantes experiências que o ser humano pode vivenciar. Debruçar-se sobre esse tema, com profundidade, portanto, é sempre um desafio. Muitos o fizeram e ainda o fazem. O adultério existirá na literatura, enquanto existir a humanidade.

Pensei muito nisso durante a leitura de O movimento pendular (Record, 2006, 238 págs.) de Alberto Mussa, que comprei no final do ano passado, no mesmo dia em que ele chegou às livrarias. Aliás, o próprio Mussa, que coincidentemente estava na livraria naquele momento, testemunhou a compra e tudo indica que eu, Luis Eduardo Matta, se não fui o primeiro a ler o livro, certamente fui o primeiro a adquiri-lo e a receber o autógrafo do autor.

Além de uma pessoa culta e simpaticíssima, Alberto Mussa é um escritor brilhante, dono de um estilo, uma voz e uma prosa singulares dentro da literatura brasileira, sobretudo dentro da literatura brasileira contemporânea. Seus livros, de O trono da Rainha Jinga, passando por O enigma de Qaf, até este O movimento pendular, de tão ricos e múltiplos, são difíceis de serem definidos, o que está longe de ser um demérito. A meu juízo, isso serve para demonstrar a caudalosa verve criativa do autor, que não conhece limites e reinventa a literatura com consistência e espontaneidade, sem mutilá-la ou adulterá-la de forma gratuita como historicamente tem acontecido no Brasil: a reinvenção pela reinvenção, como um ato vazio de rebeldia pretensamente intelectual com resultados, muitas vezes, sofríveis.

Numa narrativa absolutamente original, O movimento pendular - que recebeu o prêmio de melhor romance da Associação Paulista dos Críticos de Arte (APCA) e o Machado de Assis, da Biblioteca Nacional, na mesma categoria - aborda a temática do adultério de uma forma inusitada. Não se trata propriamente de um romance - embora ele assim seja apresentado - mas talvez de uma simbiose entre o romance e o ensaio na forma de histórias interligadas, que acabam por formar um conjunto. A partir de casos de adultério ocorridos no decorrer da História e devidamente arrecadados pelo autor, O movimento pendular tenta demonstrar as mais variadas formas de se estabelecer um triângulo amoroso, fornecendo-nos um amplo e múltiplo panorama da infidelidade humana através dos tempos, em momentos e ambientes os mais diversos. Logo no começo do livro, Alberto Mussa instiga o leitor, ao advertir que muitas das histórias narradas foram vividas por ele e que, à exceção de uma única, todas as demais aconteceram de fato. E essa advertência nos acompanha durante todo o livro, como num enredo de mistério: afinal qual das histórias será a falsa? E quais Mussa teria vivenciado?

Para compor O movimento pendular, Mussa valeu-se da linguagem que o consagrou, que mescla erudição e fluência, com algumas doses de reflexão histórica e antropológica e de um senso de humor sofisticado, perceptível ao longo de toda a narrativa. É um livro que diverte, encanta e nos faz viajar pelos tempos e pelos desvarios da alma humana de uma forma vertiginosa. Em dado momento, não se sabe se o narrador é o próprio Mussa ou algum personagem criado por ele. O livro é um grande jogo entre realidade e ficção e essa saudável e saborosa confusão em que ele enreda o leitor é um dos seus grandes atrativos. Já os teoremas e elementos geométricos que permeiam o livro são uma atração à parte. Com eles, o narrador esquematiza alguns dos casos expostos, dando-lhes uma compleição matemática, o que torna o texto ainda mais instigante.

Alberto Mussa é, assim como eu, alguém que acredita que literatura é, sobretudo, prazer. O fato de ele pensar assim, não só o engrandece como escritor, como encoraja o mergulho na sua obra, uma vez que entre as suas intenções ao compô-la estava, seguramente, a de proporcionar ao leitor horas agradáveis e estimulantes de leitura. A mim, pelo menos, essas horas foram proporcionadas e convido os demais leitores a fazer o mesmo experimento e a conhecer o mundo extraordinário deste notável prosador brasileiro.

New Age e leitura: um casamento perfeito

2006 foi para mim um ano de singelas, porém extraordinárias descobertas, sobretudo a partir do segundo semestre. Foram descobertas no campo da literatura, no campo da criação literária (me aguardem!) e, particularmente, no campo da música.

Há muitos anos, que leio e escrevo ouvindo música. É, indubitavelmente, a minha maior fonte de criação, pois a música além de aguçar a minha criatividade e a minha sensibilidade, estabelece uma ponte entre todos os meus níveis de consciência, dá ritmo à minha escrita e embala as minhas horas solitárias de leitura. Embora eu tenha um gosto musical bastante eclético, nestes momentos, prefiro os ritmos mais suaves. Houve tempos em que eu escrevia e lia ouvindo música clássica, sobretudo Bach e Chopin. Depois, passei para o jazz de Miles Davis, Duke Ellington e Oscar Peterson's Trio. E foi em 2006 que, por acidente descobri e me apaixonei pelo New Age.

Aconteceu totalmente ao acaso. Em meados de 2006 a operadora de TV a cabo da qual sou assinante instalou o seu sistema digital em minha casa, o que me permitiu ter acesso a vários canais de áudio. Eu, que pouco ligava a televisão (a última coisa a que assisti com alguma regularidade foi a novela Belíssima e, ainda assim, via, no máximo, um ou dois capítulos por semana, se tanto) e que, ultimamente, limito-me a, quando muito, assistir a um ou outro episódio do seriado House ou as entrevistas do Sem Censura, passei a usar a TV para ouvir rádio. E, destrinchando as estações, um dia descobri a de New Age; por coincidência numa noite em que começava a ler um romance que me marcou sobremaneira. Desde então o New Age converteu-se no meu fundo musical obrigatório para a leitura de livros.

Como em qualquer rádio que se preze, as músicas, apesar de muito variadas, se repetem e isso me fez descobrir e me familiarizar com lindas canções que eu, dificilmente, conheceria de outra maneira. São músicas como "A lonely voice" do October Project, uma banda norte-americana, cuja vocalista Mary Fahl, tem uma das vozes mais belas, refinadas e arrebatadoras com as quais tive contato nos últimos tempos. Também o grupo francês Era e suas músicas, cuja sonoridade latina nos remete a uma atmosfera medieval como "Sentence" e "Misere Mani", foram me envolvendo aos poucos e, quando dei por mim, já não podia passar sem elas. Eu seria capaz de escrever parágrafos intermináveis enumerando músicas e intérpretes, mas fecho a minha listagem com o CD que estou ouvindo no momento em que escrevo estas linhas: Dreamland, de Robert Miles, que adquiri há alguns anos e redescobri agora, cujas faixas que mais me encantam são "Fable (Message version)", "Fantasya" e "Princess of light". Não me canso de ouvi-las.

Talvez eu tenha feito essas descobertas tardiamente, já que essas e outras músicas são tocadas e conhecidas por muitos há bastante tempo. Mas a verdade é que nunca é tarde para se deslumbrar com as coisas, sobretudo quando elas passam a fazer parte das nossas vidas e a nos acompanhar nas sempre imprevisíveis viagens pelas páginas mágicas da literatura, que é o que acontece comigo. Com o New Age, ler tornou-se para mim uma experiência ainda mais intensa.

Para ir além






Luis Eduardo Matta
Rio de Janeiro, 17/4/2007


Quem leu este, também leu esse(s):
01. Mitofagia: Machado ao molho pardo de Verônica Mambrini
02. Coque, o violeiro de uma mão só de Diogo Salles
03. De Tambaú ao Rio Sanhauá* de Adriana Baggio


Mais Luis Eduardo Matta
Mais Acessadas de Luis Eduardo Matta em 2007
01. Recordações de Sucupira - 12/6/2007
02. O desafio de formar leitores - 15/5/2007
03. A literatura, a internet e um papo com Alex Castro - 20/3/2007
04. O Casal 2000 da literatura brasileira - 24/7/2007
05. Algumas leituras marcantes de 2007 - 18/12/2007


* esta seção é livre, não refletindo necessariamente a opinião do site

ENVIAR POR E-MAIL
E-mail:
Observações:
COMENTÁRIO(S) DOS LEITORES
4/5/2007
13h22min
Agora voce me deixou com vontade de ler o livro... É raro encontrar livros que combinem bem elementos do real com o imaginário do autor.
[Leia outros Comentários de Ram]
COMENTE ESTE TEXTO
Nome:
E-mail:
Blog/Twitter:
* o Digestivo Cultural se reserva o direito de ignorar Comentários que se utilizem de linguagem chula, difamatória ou ilegal;

** mensagens com tamanho superior a 1000 toques, sem identificação ou postadas por e-mails inválidos serão igualmente descartadas;

*** tampouco serão admitidos os 10 tipos de Comentador de Forum.




Digestivo Cultural
Histórico
Quem faz

Conteúdo
Quer publicar no site?
Quer sugerir uma pauta?

Comercial
Quer anunciar no site?
Quer vender pelo site?

Newsletter | Disparo
* Twitter e Facebook
LIVROS




Comunicación de Masas e Imperialismo Yanqui
Herbert I. Schiller
Gustavo Gili
(1976)



Amor Numa Rua Escura
Irwin Shaw
Nova Cultural
(1988)



Geração Alpha - Matemática - 8º Ano
Carlos N. C. de Oliveira; Felipe Fugita
Sm Didáticos
(2017)



O Mundo Vai Acabar Em 2012?
Raymond C. Hundley
Thomas Nelson Brasil
(2010)



O eu dividido: estudo existêncial da sanidade e da loucura
R. D. Laing
Vozes
(1987)



Curso de Direito Comercial - Direito de Empresa 3
Fábio Ulhoa Coelho
Saraiva
(2013)



Chico Bento Moço- O Manto Misterioso
Mauricio de Sousa
Panini Comics
(2015)



Globalização, Justiça & Segurança Humana - Capacitação para a compreensão dos grandes desafios do
Robério Nunes Dos Anjos Filho (Org.)
Esmpu - série pós-graduação
(2011)



Cebolinha - Pense Em uma Coisa Bem Boa - Nº 95
Mauricio de Sousa
Panini Comics



Meu Filho é uma Bagunça
Martin L. Kutschere
Harper Collins
(2014)





busca | avançada
58950 visitas/dia
1,9 milhão/mês