Um Furto | Ricardo de Mattos | Digestivo Cultural

busca | avançada
23758 visitas/dia
773 mil/mês
Mais Recentes
>>> Segundas de julho têm sessões extras do espetáculo À Espera
>>> Circo dos Sonhos, do ator Marcos Frota, desembarca no Shopping Metrô Itaquera
>>> Startup brasileira levará pessoas de baixa renda para intercâmbio gratuito fora do país
>>> Filho de suicida, padre lança livro sobre o tema
>>> LANÇAMENTO DO LIVRO "DIALÓGOS DE UM RABINO REFLEXÕES PARA UM MUNDO DE MONÓLOGOS" DE MICHEL SCHLESI
* clique para encaminhar
Mais Recentes
>>> O dia em que não conheci Chico Buarque
>>> Um Furto
>>> Mais outro cais
>>> A falta que Tom Wolfe fará
>>> O massacre da primavera
>>> Reflexões sobre a Liga Hanseática e a integração
>>> A Fera na Selva, filme de Paulo Betti
>>> Raio-X do imperialismo
>>> Cães, a fúria da pintura de Egas Francisco
>>> O Vendedor de Passados
Colunistas
Últimos Posts
>>> Eleições 2018 - Afif na JP
>>> Lançamentos em BH
>>> Lançamento paulistano do Álbum
>>> Pensar Edição, Fazer Livro 2
>>> Ana Elisa Ribeiro lança Álbum
>>> Arte da Palavra em Pernambuco
>>> Conceição Evaristo em BH
>>> Regina Dalcastagné em BH
>>> Leitores e cibercultura
>>> Sarau Libertário em BH
Últimos Posts
>>> Sob o mesmo teto
>>> O alívio das vias aéreas
>>> PRESSÁGIOS. E CHAVES II
>>> Honra ao mérito
>>> Em edição 'familiar', João Rock chega à 17ª edição
>>> PATÉTICA
>>> Presságios. E chaves III
>>> Minha história com Philip Roth
>>> Lars Von Trier não foi feito para Cannes
>>> O brasileiro e a controvérsia
Blogueiros
Mais Recentes
>>> Poesia sem ancoradouro: Ana Martins Marques
>>> Os Doze Trabalhos de Mónika. Epílogo. Ambaíba
>>> Os Doze Trabalhos de Mónika. Epílogo. Ambaíba
>>> Blog precisa ser jornalismo?
>>> Blog precisa ser jornalismo?
>>> Paulo Coelho para o Nobel
>>> 2008, o ano de Chigurh
>>> Quem é (e o que faz) Julio Daio Borges
>>> Onde fica o interruptor?
>>> Era uma vez
Mais Recentes
>>> A Colônia- (nova Ortografia)
>>> 1356 - 4ª ed. (Nova Ortografia)
>>> História e Arte no Mundo Ibérico - Tempo brasileiro- 184
>>> Limites: três dimensões educacionais - 1ª ed.
>>> Arcanjos e Mestres Ascensos
>>> Mentiras no divã
>>> Never, more forever: a poesia na modernidade, ou Shelley versus Peacock ...
>>> Mistérios Desvelados - Ensinamentos do Mestre Saint Germain
>>> Revista Civilização Brasileira - Número 25 (RARIDADE)
>>> Revista Civilização Brasileira - Número 18 (RARIDADE)
>>> Revista Civilização Brasileira - Número 17 (RARIDADE) - Guerra do Vietnã
>>> Revista Civilização Brasileira - Número 16 (RARIDADE) - Igraja e Marxismo
>>> Revista Civilização Brasileira - Número 14 (RARIDADE) - Mulheres, a revolução mais longa
>>> Revista Civilização Brasileira - Número 13: China - Uma revolução dentro da Revolução - (RARIDADE)
>>> Revista Civilização Brasileira - Números 9-10 (RARIDADE)
>>> Revista Civilização Brasileira - Número 7 (RARIDADE)
>>> Revista Civilização Brasileira - Números 5-6 (RARIDADE)
>>> Revista Civilização Brasileira - Número 3 (RARIDADE)
>>> Revista Civilização Brasileira - Número 1 (RARIDADE)
>>> Revista Civilização Brasileira - Caderno Especial 1: A Revolução Russa - Cinquenta Anos de História
>>> O Homem e o Universo
>>> O Judaísmo- do Exílio ao Tempo de Jesus
>>> Direito Penal - Parte Geral ( V. 7)
>>> O Exército de Cavalaria
>>> The Golden Treasury
>>> Surdez e linguagem- Aspectos e implicações neurolinguísticas (Nova Ortografia)
>>> El Libro Supremo de Todas las Magias - Magia Blanca - Negra - Roja
>>> Rituais e Egrégoras para a Era de Aquário
>>> O Despertar da Consciência
>>> Sic Questões Comentadas
>>> Sic Questões Comentadas
>>> Código Civil - 7ª Edição Atualizada
>>> Fonética e Ortografia - Coleção Linguagem Jurídica vol. 1
>>> Dicionário Jurídico
>>> Introdução Ao Direito
>>> Debate Sobre a Constituição de 1988
>>> Noções de Prevenção e Controle de Perdas Em Segurança do Trabalho 7ª edição revista e atualizada
>>> Vire a Página - Estratégias para Resolver Conflitos 6ª edição
>>> Tópicos de Administração Aplicada à Segurança do Trabalho 9ª edição
>>> Doenças Profissionais Ou do Trabalho 10ª edição
>>> Epidemiologia
>>> Cipa - Comissao Interna de Prevençao de Acidentes uma Nova Abordagem 14ª edição
>>> Prevenção e Controle de Risco Em Máquinas, Equipamentos e Instalações 3ª edição
>>> Os 10 Mandamentos: Princípios Divinos para Melhorar seus Relacionamentos
>>> Mini Código Saraiva Civi
>>> Mini Aurélio da Língua Portuguesa 7ª Edição
>>> Guia da Sexualidade - Reedição Ampliada e Ilustrada
>>> A Rosa do Povo
>>> Quando o Sofrimento Bater à Sua Porta
>>> Cura das Emoções Em Cristo
COLUNAS

Segunda-feira, 11/6/2018
Um Furto
Ricardo de Mattos

+ de 500 Acessos

Os ladrões de bens particulares passam a vida na prisão e acorrentados; aqueles de bens públicos, nas riquezas e nas honrarias” (Catão).

No final da tarde de ontem, quatro de junho de 2018, eu acompanhava a companheira dos meus dias em suas compras num supermercado. Andávamos aqui e ali e reparei num rapaz. Ele vestia shorts e jaqueta. Olhei seus pés e reparei que estavam imundos, calçando chinelos igualmente sujos. No conjunto, equiparava-se aos inúmeros moradores de rua que vejo por aqui. Não sou hipócrita, caro leitor, portanto reconheço o alerta íntimo. Entretanto, como as redes sociais apresentam diversos vídeos de pessoas bem vestidas furtando bolsas em restaurantes e produtos em farmácias, segui com a Lily e suas compras. Sequer comentei algo com ela.

Realizando o típico roteiro feminino que, representado graficamente resulta em novelo embaraçado, acabamos por entrar numa seção. De onde eu estava, tornei a ver o rapaz uma seção adiante. Entre o corredor que paramos e o que ele estava, apenas um corredor transversal. A reta entre nós e ele garantiu-me visão desimpedida. Lily verificava produtos de limpeza e o rapaz mexia nas prateleiras de produtos de higiene masculina. De repente, comento com ela: “Isto tinha que acontecer na minha frente mesmo...”. Ela virou-se para saber o que eu falava e completei: “Aquele rapaz acabou de tirar produtos da prateleira e enfiar dentro da jaqueta”.

O que fazer, caro leitor? Correr atrás dele pelo estabelecimento gritando “peguem o ladrão”? Fazer todo um alvoroço, talvez conseguindo sua apreensão por algum segurança e a revelação de seu furto? Ou “seus furtos”? Chamar a atenção sobre mim e garantir cinco minutos de fama como herói de supermercado? Estimular comentários como “o mundo está perdido”, ou, “eles fazem isso para trocar por droga”? Nada... Ele saiu e nós seguimos.

Daqui a pouco deitarei para dormir e continuarei com a consciência tranquila. Passei a ser um defensor de ilícitos? De forma alguma. Fosse um sobrinho ou amigo e eu agiria de outra forma. Um sobrinho estaria sob minha responsabilidade e eu não o permitiria dizer que realizou furtos com minha leniência. Um amigo que expressasse dificuldade a ponto de aceitar a possibilidade da subtração indevida receberia de mim a oferta daquilo que precisasse. Todavia, o que fazer com o rapaz que furtou? Nada. Nunca encontramo-nos antes e, caso isto ocorresse, não há garantia que algo dito ou falado por mim tirasse-o “do mal caminho”. Não nos encontraremos mais, ou isto dificilmente ocorrerá, de forma que nenhuma relevância terá mencionar um ato abrigado pelo pretérito. Que ele siga no encadeamento de suas escolhas.

Ele poderia ter escolhido não furtar? Poderia. Sinto muito, caro leitor, mas não aceito falar que ele é um “fruto do meio”, um “resultado do ambiente”. O homem possui o livre arbítrio justamente para decidir o que fazer em cada uma das situações de sua vida. Ele não teve que furtar. Ele furtou. Contudo, minutos de permanência num estabelecimento comercial e o testemunho da ação lamentável não são suficientes para traçar um perfil que releve quais decisões ele encadeou em sua jornada existencial até chegar ali. Ele trocaria o produto furtado por alguma substância entorpecente, como certamente alegaria algum experto de ocasião? Como saber? Seguindo-o?

Dominado por algum segurança e revelado seu ato, seria liberado sob xingamentos ou detido até a polícia vir busca-lo? Receio que me seria vexaminoso sair do supermercado com a compra feita e vê-lo acossado em algum canto. Talvez o pó de café de marca diferente da habitual, comprado para experimentar, resultasse numa beberagem amarga. “Por isso que o país está perdido! As instituições não são respeitadas, os vagabundos são protegidos e o crime acaba compensando”, poderá alegar aquele senhor saudoso da época em que os trens cumpriam seus horários. “Compensa não”, respondo. Crime é feio. Degrada o humano. Não quero cometer crimes e não quero que pessoas próximas cometam-nos. Mexesse o rapaz da jaqueta preta com alguma criança, ou avançasse contra a integridade física de quem quer que seja, então sim, eu interviria como possível e ele que se virasse com as consequências.

Digito esta coluna em meu quarto, à escrivaninha coberta com livros queridos, descobertos e adquiridos um por um. Ouço uma seleção das músicas de Jean-Baptiste Lully. O rapaz da jaqueta preta estará onde? Dormindo em algum canto da cidade, a céu aberto, sob o frio crescente? Em algum moquifo? Providenciando o reencarne de outro indivíduo que precisará superar dificuldades inimagináveis para sobreviver? Não é desgraça suficiente? É preciso agravar o que já é lastimável e transferi-lo para um moquifo oficial, gradeado e irrelevante para sua “recuperação”? Alguma ordem seria restabelecida?

Caro leitor, declaro-me apolítico, mesmo que isto repugne suas convicções. Uma das atribuições da Administração Pública é gerir e preservar o patrimônio público. Todas as informações que nos chegam das diversas fontes indicam que este patrimônio não está sendo gerenciado dignamente, seja qual for a pessoa acusada de promover que isto ocorra, seja qual for o partido político envolvido. Partidarismo político, no Brasil, limita-se a situação e oposição: uma quer que a outra saia para então poder fazer exatamente aquilo de que a acusa. Não acredito na descoberta de verdades e no esclarecimento categórico de quem fez o que. Enquanto isso, a sociedade padece com a inexistência de Educação e de Saúde. Padece da redução dos valores a artigos de perfumaria teórica e submetidos ao relativismo raso. Impotente perante um status abrangente, serei eu a bancar o herói às custas de um miserável?


Ricardo de Mattos
Taubaté, 11/6/2018


Quem leu este, também leu esse(s):
01. O massacre da primavera de Renato Alessandro dos Santos
02. A Fera na Selva, filme de Paulo Betti de Jardel Dias Cavalcanti
03. Dos sentidos secretos de cada coisa de Ana Elisa Ribeiro
04. Piada pronta de Luís Fernando Amâncio
05. Longa vida à fotografia de Fabio Gomes


Mais Ricardo de Mattos
Mais Acessadas de Ricardo de Mattos
01. A Erva do Diabo, de Carlos Castaneda - 14/11/2002
02. Da Poesia Na Música de Vivaldi - 6/2/2003
03. A Sombra do Vento, de Carlos Ruiz Zafón - 9/9/2004
04. Poesia, Crônica, Conto e Charge - 13/11/2003
05. O Presidente Negro, de Monteiro Lobato - 29/7/2008


* esta seção é livre, não refletindo necessariamente a opinião do site



Digestivo Cultural
Histórico
Quem faz

Conteúdo
Quer publicar no site?
Quer sugerir uma pauta?

Comercial
Quer anunciar no site?
Quer vender pelo site?

Newsletter | Disparo
* Twitter e Facebook
LIVROS




TRILOGIA DO ASFALTO
DÊNISSON PADILHA FILHO
P55 EDIÇÕES
(2016)
R$ 22,00



QUANDO EM ROMA
GEMMA TOWNLEY
RECORD
(2005)
R$ 12,35



THE TKT COURSE - FIRST EDITION
MARY SPRATT E OUTROS
CAMBRIDGE
(2008)
R$ 84,90



CORAÇÕES FERIDOS
LOUISA REID
NOVO CONCEITO
(2013)
R$ 25,00



VITÓRIA - COLEÇÃO 2ª GUERRA MUNDIAL - VOL. 3
EDITORA ABRIL
ABRIL
(2007)
R$ 15,00



MANGÁ HITMAN - A SEGUNDA TEMPORADA 2
HIROSHI MUTO
SAMPA ARTE / LAZER
(2012)
R$ 14,90



FOLCLORE NORDESTINO - LENDAS E CANTIGAS
ANNA FROTA MENDES
HORIZONTE
R$ 49,90



TERTÚLIA DOS VALES
RAFAEL AVELINO (ORG.)
ALBATROZ
(2018)
R$ 30,00



DOIS CLÁSSICOS - A HORA DO PESADELO INTRIGA INTERNACIONAL
HUGH PENTECOSTE SAMUEL FULLHER
NOVA CULTURAL
(1989)
R$ 8,04



COMO FAZER SUA PROPAGANDA FUNCIONAR
KENNETH ROMAN / JANE MAAS
NOBEL
(1994)
R$ 8,00





busca | avançada
23758 visitas/dia
773 mil/mês